terça-feira, 5 de agosto de 2025

OS FILHOS ILUSTRES

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Toda cidade se espelha em sua história, isso desde a fundação. Com passar dos anos, os prédios, as ruas e as pessoas, passam a ter uma importância imensa, para aqueles que gostam de preservar o passado.

                        Eu como sou um saudosista irrecuperável, gosto de reportar os fatos que aconteceram no passado e, principalmente, no recanto precioso da infância. Lá estão guardadas as cenas inocentes, que ajudaram moldar a minha personalidade.

                        Ainda na tenra infância, a única preocupação era só brincar e explorar a criatividade infantil. O futuro estava além da linha do horizonte, portanto, longe do alcance dos nossos olhos. Para que se preocupar com o amanhã, pois ele é um lugar que não existe.

                        Enquanto isso, a infância corria pelas ruas descalças, a peraltice caia do pé de manga, cortava o pé no caco de vidro, pegava goiaba no quintal do vizinho, brincava de pular corda com a molecada e insultava o cachorro Tufão, na chácara do Zé Galinha.

                        A vida passava e obedecendo o ciclo, as crianças frequentavam a escola, onde eram alfabetizados com a cartilha “Caminho Suave”, concebida pela educadora Branca Alves de Lima. O grupo escolar deixaria marcas indeléveis no coração e na alma dos pequeninos conterrâneos.

                        Um belo dia, aqueles serumaninhos se tornaram adultos e guardaram a infância na gaveta do ontem. Cada um iria trilhar caminhos diferentes, de acordo com destino desenhado por Deus. Eles deixaram a Terrinha, mas a Terrinha não os deixou.

                        Um enveredou pelo caminho da música e se apresenta em Paris, a “Cidade Luz”, outro tornou-se jogador de futebol e atua em grandes times do país, outro buscou a literatura e se atreveu a publicar livros, outro um cantor e vive lá para bandas da Serra da Mantiqueira.

                        Ana Carolina, uma menina de talento inquestionável, tornou-se pintora e tem um acervo de quadros belíssimos, no entanto, continua anônima entre os conterrâneos, vivendo no seio da Terrinha. Eu tive a honra de apreciá-los e confesso que fiquei encantado.

                        A minha terra natal, encravada na região Noroeste do Estado, vem gerando filhos ilustres, os quais, sem almejarem o estrelado, enchem de orgulho a terra mãe. O viajante, que passa pela Terrinha, ao deparar com aquela vida bucólica, não imagina os encantos que ela tem  

                        Filhos ilustres, caminham pelas ruas solitárias da cidade sem serem percebidos. Ao observarem aquele cenário deslumbrante, buscam inspiração para criarem suas obras, sejam musicais, literárias e pinturas.

                        É preciso que os moradores, filhos da terra, reconheçam e valorizem os conterrâneos talentosos, os quais, muito bem representam o seu povo. Com isso, eles imortalizam a nossa Terrinha.

                        Quem sabe, um dia, teremos um Manoel Carneiro de Sousa Bandeira, um Leonardo di Ser Piero da Vinci, um Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé e Ludwig van Beethoven. Deus há de nos presentear, com tantos outros talentos.

                        Deus salve os nossos filhos ilustres!

Peruíbe SP, 05 de agosto de 2025.

 

                         

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