Adão de Souza
Ribeiro
Toda cidade se espelha em sua história, isso
desde a fundação. Com passar dos anos, os prédios, as ruas e as pessoas, passam
a ter uma importância imensa, para aqueles que gostam de preservar o passado.
Eu como sou um saudosista irrecuperável,
gosto de reportar os fatos que aconteceram no passado e, principalmente, no
recanto precioso da infância. Lá estão guardadas as cenas inocentes, que
ajudaram moldar a minha personalidade.
Ainda na tenra infância, a única preocupação
era só brincar e explorar a criatividade infantil. O futuro estava além da
linha do horizonte, portanto, longe do alcance dos nossos olhos. Para que se
preocupar com o amanhã, pois ele é um lugar que não existe.
Enquanto isso, a infância corria pelas ruas
descalças, a peraltice caia do pé de manga, cortava o pé no caco de vidro,
pegava goiaba no quintal do vizinho, brincava de pular corda com a molecada e
insultava o cachorro Tufão, na chácara do Zé Galinha.
A vida passava e obedecendo o ciclo, as
crianças frequentavam a escola, onde eram alfabetizados com a cartilha “Caminho
Suave”, concebida pela educadora Branca Alves de Lima. O grupo escolar deixaria
marcas indeléveis no coração e na alma dos pequeninos conterrâneos.
Um belo dia, aqueles serumaninhos se tornaram
adultos e guardaram a infância na gaveta do ontem. Cada um iria trilhar
caminhos diferentes, de acordo com destino desenhado por Deus. Eles deixaram a
Terrinha, mas a Terrinha não os deixou.
Um enveredou pelo caminho da música e se
apresenta em Paris, a “Cidade Luz”, outro tornou-se jogador de futebol e atua
em grandes times do país, outro buscou a literatura e se atreveu a publicar
livros, outro um cantor e vive lá para bandas da Serra da Mantiqueira.
Ana Carolina, uma menina de talento
inquestionável, tornou-se pintora e tem um acervo de quadros belíssimos, no
entanto, continua anônima entre os conterrâneos, vivendo no seio da Terrinha. Eu
tive a honra de apreciá-los e confesso que fiquei encantado.
A minha terra natal, encravada na região Noroeste
do Estado, vem gerando filhos ilustres, os quais, sem almejarem o estrelado,
enchem de orgulho a terra mãe. O viajante, que passa pela Terrinha, ao deparar
com aquela vida bucólica, não imagina os encantos que ela tem
Filhos ilustres, caminham pelas ruas
solitárias da cidade sem serem percebidos. Ao observarem aquele cenário
deslumbrante, buscam inspiração para criarem suas obras, sejam musicais,
literárias e pinturas.
É preciso que os moradores, filhos da terra,
reconheçam e valorizem os conterrâneos talentosos, os quais, muito bem
representam o seu povo. Com isso, eles imortalizam a nossa Terrinha.
Quem sabe, um dia, teremos um Manoel Carneiro
de Sousa Bandeira, um Leonardo di Ser Piero da Vinci, um Edson
Arantes do Nascimento - Rei Pelé e Ludwig van Beethoven. Deus há
de nos presentear, com tantos outros talentos.
Deus salve os nossos filhos ilustres!
Peruíbe SP, 05 de
agosto de 2025.
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