Adão de Souza
Ribeiro
Há tempo para tudo, para plantar e para colher.
Não se deve violar o ciclo da vida. Aprendemos desde muito cedo, que temos que
ter paciência com tudo, até chegar a hora certa. A natureza é a maior escola,
onde podemos notar um pássaro nascer, a mãe cuidar dele no ninho, depois crescer
e criar asas. Por fim ele está pronto para voar.
Depois que nascemos, passamos pelas seguintes
fases: bebê, infância, juventude, adolescência, juventude, adulto e velhice.
Cada fase tem sua importância em nossa vida. Vamos amadurecendo e ganhando
experiência, que nos ensina a viver e vencer as procelas do mundo.
Já na infância e na juventude, vamos
frequentar o grupo escolar, o ginásio, o colégio e a faculdade. A dedicação dos
professores, ensina-nos a escrever e a entender com mais acuidade o mundo que
nos cerca. Aos poucos, aquela criança que não sabia andar, ganha forma e vai
voar como uma gaivota.
Todo esse preâmbulo, é para preparar o
espírito do assíduo leitor, a fim de contar o causo do Ricardo Santana, chamado
carinhosamente de “Cardinho”. Um menino simples e querido por todos lá da
Terrinha. Gostava das brincadeiras infantis, como toda criança da sua época.
Ele tinha uma mente criativa, por isso, era assediado por todos os coleguinhas.
Na escola, tinha sede de aprendizado e fazia
todas as tarefas de casa, indicadas pelos professores. Por falar nos mestres,
ele admirava todos e a recíproca era verdadeira. Os coleguinhas da sala de
aula, procuravam estar sempre ao lado dele, especialmente, quando o professor
dava trabalho em grupo.
Tudo transcorria na mais santa inocência,
quando o “Cardinho” caiu na besteira de se interessar por Carla, a filha da
professora Helena. No começo da paixão infantil, era só uma admiração
inconsequente e sem danos no seu dia a dia. “Cardinho” ficava parado e hipnotizado,
ao vê-la caminhar e falar. Ele sentia que a voz dela, era um bálsamo para seus
ouvidos.
O pobre do menino se embriagava com o cheiro
dela, como quem já entendesse de sentimento e desejo. Ele em devaneios,
pensava: “Mas isso não é coisa de gente adulta!” Será que ele já estava
sentindo uma puberdade precoce, quem sabe!
De vez em quando, lá estava o menino,
rabiscando uns versos para extravasar a voz do seu coração, porque admirava em
silêncio, o que poderia ser chamado de amor platônico. Pela manhã, quando a via
caminhando para lá é para cá, o coração parecia explodir e saltar do peito.
Depois que foi picado pela abelha da paixão, o pobrezinho não teve mais
sossego. E como doía aquela picada inesperada!
Os coleguinhas das brincadeiras infantis,
perceberam as mudanças em “Cardinho”, sem saberem o porquê de tudo aquilo. A
professorinha, ao perceber a mudança de comportamento do aluno aplicado, tentou
extrair alguma coisa dele, mas foi em vão. Para o menino, o que importava era o
caminhar, o olhar e o cheiro de Carla.
Não há nada mais puro na vida, do que o amor
de uma criança. Ele está livre das impurezas e das maldades do mundo e, principalmente,
do adulto. O amor infantil, expressa o que há de mais puro numa alma sem mácula.
Cristo já dizia: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o
Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas.” - Mateus 19:14.
A Terrinha continuava a despertar admiração
dele, mas o encanto de Carla tinha uma beleza e um valor imensurável. A menina
dos seus sonhos, não sabia do sentimento aprisionado no peito do menino
“Cardinho” e crê-se que, por isso, o amor era belo e sagrado.
Ele sentia-se amargurado pelo fato dela não
dar atenção que o menino merecia. Mas como se ela não sabia que ele a queria e
a desejava? Criança tem dessas coisas, pois não conhece as garras que vem do
coração.
Bem, o tempo passou e ambos cresceram. Cada
um tomou seu rumo, traçado pelas mãos do destino. Eles casaram e cada um formou
a sua família. A vida prega peças, que jamais entenderemos e chamamos isso de
desígnios de Deus. Dizem que, quando nascemos, tudo já está escrito no livro da
existência.
Hoje só resta ao Ricardo Santana, o
“Cardinho”, debruçar nas fotos da infância de Carla e chorar um rio de
lágrimas, por um tempo que não volta mais. Alguém disse que recordar é viver.
Mentira, recordar é sofrer. Adeus Terrinha e adeus Carla.
Quem sabe, se um dia, eles vão se encontrar na
outra dimensão, onde as almas gêmeas possam viver a intensidade do verdadeiro amor.
Pois é certo que os dois, nasceram um para o outro. Isso é que diz a chamada “lei
do carma”.
Aquele menino tão inocente, viveu a
verdadeira pureza do amor!
Peruíbe SP, 13 de
agosto de 2025.
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