sexta-feira, 29 de maio de 2026

A MULHER E O POMAR

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Nos tempos de outrora, as mulheres serviam de inspiração aos grandes poetas e compositores. As letras cuidadosamente escritas, realçavam a ternura e o encanto feminino. Nada fugia aos olhos e ao talento dos artistas, comprometidos com a beleza da fêmea.

Notório era o tratamento, deferido a elas. As mulheres eram chamadas de minha deusa, minha princesa, minha flor e tantos outros adjetivos carinhosos. Elas, por suas vezes, sentiam-se valorizadas e acariciadas por seus cortejadores. A vida tinha outro formato, isto é, cheio de respeito e amor.

Naquele tempo, não havia uma mídia voraz, com objetivo de destruir a sociedade e os lares, edificados no respeito, no amor e na fé. Hoje, o que se propaga é o consumismo e a desobediência entre casais e, também, entre pais e filhos. Os valores morais, foram substituídos pelos bens materiais. A simplicidade perdeu a essência e a vaca foi pro brejo. 

As mulheres se valorizavam e sabiam se colocar nos devidos lugares, isto é, como esposa, dona de casa e mãe. No país capitalista, o que interessa é o consumo. A mídia, ao perceber que a mulher era a maior consumidora e dentro de casa não poderia comprar nada, incutiu na cabeça dela, que deveria ser livre.

Assim induziu a esposa a enfrentar marido, a fim de sair para rua e poder gastar. Embriagada pela pseudo liberdade, ela mudou a linguagem e a maneira de se vestir. Entregou o filho para a babá ou a rua criarem e educarem. Assim o lar foi água abaixo.

A partir daí, a mulher que era inspiradora dos grandes poetas e compositores, passou a ser inspiradora dos materialistas e do comércio selvagem. Hoje são pejorativamente equiparadas a frutas. Se ela é feia, chama-se Mulher Abacaxi; se gorda, Mulher Melancia; se regateira, Mulher Manga; se bonita, Mulher Uva; se velha, Mulher Maracujá; se ruim, Mulher Limão e por aí se vai.

O que entristece é saber que elas aceitam esse título como sendo um belo elogio. Deixaram de ser as musas do lar, para serem musas do pomar. São usadas e manipuladas pela modernidade e, por isso, não são mais mulheres, mas, sim, objetos de consumo. 

A mídia para valorizar a mulher cria campanha, como por exemplo, contra o feminicídio e a homofobia. No entanto, a própria mídia é quem cria mecanismo para que a mulher se rebele contra a sociedade e desafie os princípios da convivência harmoniosa entre as pessoas de sexo diferente. Ai de quem se manifestar ao contrário. 

O tempo passou, porém, quem viveu naquela época, continuará chamando a mulher de minha amada, minha deusa, minha flor, minha gata e minha princesa. O nome das frutas, devem ser usados no pomar, na feira e na quitanda. Mulher é mulher, fruta é fruta.

Peço ao assíduo leitor, que não me veja como macho alfa ou misógino. Por visualizar a mulher como um ser amoroso e delicado, revolta-me por ouvir um tratamento tão pejorativo e humilhante. Lamento estar vivendo num mundo onde tudo é permitido, inclusive, apequenar as pessoas.


Peruíbe SP. 29 de maio de 2026.


domingo, 24 de maio de 2026

O INQUILINO

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Você mora na casa

Coloca toda mobilia

Protege sua família

Debaixo desta asa.


E abre toda a porta

Também sua janela

Com chá de canela

Alegria transborda.


E verde é a parede,

Telhado é de zinco.

Chão belo e limpo,

A cama é de rede.


Lamparina na sala

Veja altar do santo

O seu amor é tanto

Tristeza não abala.


Nas noites de lua,

Casa feliz dorme,

No sono enorme,

Na calma da rua.


Um dia você vai,

Mas sua casa fica.

E presa só na viga

Você será só o pai.


Ela não tem chave,

Vive sempre aberta

E tem uma coberta,

No descanso suave.


Você é o inquilino,

Mora só um tempo

Vive como o vento

Assim sem destino.


Peruíbe SP, 24 de maio de 2026.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

TRILOGIA DO AMOR

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro

E se José amasse Maria

Como Maria amava João

Tão bela a sua vida seria

Não haveria tristeza não.


Amor seria maravilhoso,

Tudo era o mar de rosa.

A paz segue o seu gozo

E depois uma boa prosa


Uma felicidade completa,

Numa noite de chuva fina

Sonhar como a borboleta

Beijar o lábio da menina.


E se Maria amasse José

Mas se João odiasse ela.

Viver na casinha de sapê

Prazer espia pela janela.


Na vida há desencontro,

Que apimenta a relação.

Se a química é o manto,

Coração tem sua razão.


Se no fim tudo se acerta

É preciso saber esperar.

Há sempre porta aberta.

Que contempla um luar!.


Peruíbe SP, 22 de maio de 2026.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

JEITO CABOCLO

Adão de Souza Ribeiro


Cadeira na varanda.

Disco toca na vitrola

O olhar que encanta

Comida na caçarola.


A pintura do arrebol,

Vê a calma da lagoa

Na linda tarde de sol

Viver sempre na boa


Só admirar o cafezal

Garoa sobre a relva.

Vento no bambuzal,

Longe a vaca berra.


E a natureza dança

Ao sabor do vento.

Vida de esperança,

Em passo tão lento


Só um gole de café

O cigarro de palha,

Xamego da mulher

Nada me atrapalha 


Tarde domingueira,

O galo lá no quintal

Pássaro na aroeira

E a roupa no varal.


A casa sem reboco

Porta sem o trinco.

A vida de caboclo,

É assim, não minto.



O que mais quero,

O burro na carroça

Chega de lero-lero

É o jeito lá da roça!



Peruíbe SP, 20 de maio de 2026.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

O MENINO PERALTA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Oh meu menino peralta,

Que anda, brinca e pula

Você me faz tanta falta,

Nesta vida tão maluca.


Cai de cima dum galho.

Corta o seu pé no caco

É magro, é espantalho

Você só enche o saco.


E brinca na enxurrada

Mergulha lá na lagoa,

Come goiaba bichada

Leva a vida numa boa


A bola feita de meia,

A fuga do bravo boi.

Tombo feio na areia

O tempo que se foi.


Que em noite de lua,

Teme a assombração

Pra fugir cedo da rua

Se é valente, sei não


Que ri, grita e chora,

Não quer ficar velho

Se chegar a sua hora

E vai ver no espelho.


Caça com o estilingue

Sumiu não sei porquê

E briga feio no ringue

Que saudade de você!


Peruibe SP, 18 de maio de 2026.


domingo, 17 de maio de 2026

VIDA SEM RAZÃO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

Que vida besta,

Viver sem razão

Olhar pela fresta

Dias que se vão.


Corpo não anda

O olhar ao longe.

Alegria foi tanta,

Ela está aonde?


Passa o tempo,

O sonho passa

O andar é lento

Não tem graça.


O dia vira noite

A noite vira dia

Vento é açoite,

Feito a agonia.


Céu não brilha 

Sem vagalume

Perco na trilha, 

Sem o costume


E sem destino,

Ando a esmo.

Sou o menino

Que me vejo.


A luz não mais

Amanhã se foi

Viver tanto faz

Sei, como dói.


Peruíbe SP, 17 de maio de 2026


quinta-feira, 14 de maio de 2026

SONHO DE AMAR

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro


Eu não sei o que faço,

Estou muito confuso.

Preciso de um abraço

Do amor,  não abuso.


E até já perdi a conta,

O tanto que procurei.

O amor não esconda

Ele tem a própria lei.


Eu vivo essa loucura

Me perco no encanto

O querer é uma luta,

Esse amor platônico.


Se socorro no verso

É arma deste poeta.

Sonho é o universo

Navego no cometa.


Se por eu ser assim,

Sofro feito criança.

E nem tudo é o fim

E resta a esperança.


Peruíbe SP, 14 de maio de 2026.