sábado, 27 de junho de 2026

ROMANCE GALINÁCEO

                                                                                            Adão de Souza Ribeiro

O galo disse  a galinha

Vou quebrar seu galho

Se você for só minha,

E vou criar um atalho.


Por você arrasto asa,

Sou ave desde filhote

Galinheiro como casa

Comigo ninguém pode


E você pula no poleiro

Para lá dormir à noite.

Vou contar o segredo,

Vento toca num açoite.


Quando paixão acena,

E deixa só no terreiro.

De mim não tem pena

Eu sofro o dia inteiro.


O seu ninho eu preparo

Para botar mais um ovo

E sou muito feliz, acho.

Família cresce de novo.


Como a fêmea, choca

O herdeiro que chega.

Pois não vê sua hora,

De alegria se entrega.


E de madrugada, canto

Para afugentar espírito.

Galinácea a amo tanto,

É disso que eu preciso.


Você rainha do quintal.

E por você, luto e cisco

Não há nada tão divinal

Por você, corro o risco.


Peruíbe SP, 27 de junho de 2026.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

O FLAGRANTE

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Ele cometeu um crime

Foi preso pela Militar.

E que ninguém exime

Da lei vir a se escapar.


Com algema no pulso

Conduzido ao Distrito

Recebe o castigo justo

Flagrante segue o rito.


Doutor com sabedoria

Usa seu Código Penal

Pois assim é todo dia,

Faça sol ou vendaval.


O diligente Escrivão,

Busca a palavra certa.

Na sua árdua missão,

Segue a sagrada meta.


Ele só certifica e dá fé

Depois de tudo pronto

E a Justiça só torna ré,

Quem nunca foi santo.


Entre caneta e carimbo

Inquérito cria a forma.

Holmes e o cachimbo,

Investigar tem norma.


Advogado tenta defesa

Criminoso em silêncio.

A verdade segue ilesa,

Até o fim dos tempos.


O castigo não se furta

Quem comete um erro.

Por isso a polícia luta,

Destemida, sem medo.


Inquérito mantém rito,

Promotor faz denúncia

Juiz vê tanto capricho.

Que sua pena anuncia.


Ele vai para o presídio

Pagar pelo seu pecado.

Cumprir duro martírio

Apagar triste passado.


Peruíbe SP, 26 de junho de 2026.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

ESSE AMOR CAIPIRA!

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Você era só a criança

Cheia de graça e bela.

Com cabelo de trança.

Que charme você era.


Seu vestido de chita,

E desfilava pela rua.

Meu olhar feliz a fita

Sinto a saudade sua


Sandália rosa no pé,

O andar de princesa

Eu jamais perco a fé

A esperança cresça.


Segue para a escola,

Com lápis e caderno

Meu coração implora

Esse amor tão eterno


O querer gigantesco

Que não se controla

Se vejo o Bradesco,

Oh que vida e agora!


E você vive em mim,

Minha doce cabrocha

E o cheiro de jasmim.

E que vem lá da roça.


Não digo seu nome,

Que bem me inspira

O sonho de homem,

Com jeito de caipira!


Peruíbe SP, 24 de junho de 2026..


domingo, 21 de junho de 2026

NOITES EM BRANCO

                                                                                                    Adão de Souza Ribeiro

Passo noites em branco

Numa cama sem dormir.

Molhado em mil prantos

Pensando tanto só em ti


Eu sob olhar da estrela,

E que cuida bem assim.

Sabe queria tanto vê-la

E aqui juntinho de mim.


Lá fora, a tempestade,

São lágrimas em gota.

Só quem sofre e sabe,

Que espera se esgota. 


E nesta casa estou só,

O silêncio me atordoa.

Lembrar só me faz dó

Sonho leve vai e voa.


Noite bela e morena,

O olhar de vagalume

É só minha açucena,

Sinto o seu perfume.


Noites são um tédio,

E nada que me cura

Só o santo remédio,

Da vossa formosura. 


Branco são as noites,

Que sem ti eu passei

O sofrer é um açoite,

Fui um escravo e rei.


O teu calor gostoso,

Aquece meu quarto.

É a ilusão de moço, 

E sem ti, eu infarto!


Peruíbe SP, 21 de junho de 2026.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

A CHUVA

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro


Chuva fina, forte, chuvarada

Que suave desliza pela rua.

E alegra toda a madrugada,

É grande essa saudade sua.


Enquanto cidade já dorme.

Suas gotas cantam canções.

Minha felicidade é enorme

Sinto tanta paz no coração.


E traz a lembrança afetiva,

Daquele tempo de infância.

Onde tudo era belo na vida

Hoje se vai lá na distância.


Você fina, chuvarada, forte,

Quanta saudade ainda traz.

E quando você puder, volte

Minha tristeza é tão fugaz.


E traz longa vida a relva, 

Desabrocha a esperança,

Ao lembrar daquela terra

Do meu tempo de criança


Lembro de você tão calma,

Caindo no telhado da casa

Acalentando a minha alma

Com você, tudo era graça.


E se eu chorar me perdoa

Meu amor não tem idade.

Não é o sentimento à-toa,

É história da minha cidade


Peruíbe SP, 15 de junho de 2026.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

O TEMPO

                                                                                             Adão de Souza Ribeiro


Tempo, devolva-me o passado que sorrateiramente você levou. Não imagina quanta falta ele me faz e, também, quanta saudade sinto dele. Eu sou um saudosista incurável e já disse isso por diversas vezes. Recordar do outrora, causa-me saudável nostalgia e isso me conforta e me faz tão bem,

Foi prometido que, para recompensar a perda do passado, eu ganharia de presente o Futuro, embrulhado numa caixa de surpresa e que ficaria maravilhado e agradecido. . 

Eu seria hipócrita, se afirmasse que sou contra o futuro. Ele trouxe grandes benefícios à humanidade, basta olhar o avanço na cura de doenças, até então desconhecidas da ciência. A tecnologia tem colaborado sobremaneira para abrandar o menor esforço da humanidade.

Este meu desabafo em relação ao futuro, é porque ele se faz muito veloz, graças ao progresso desenfreado, o que dificulta saboreá-lo com mais leveza. Um atleta idolatrado, dizia: “Quem gosta de passado é museu.” Eu discordo plenamente de tal pensamento, pois, quem não tem passado, não viveu e não tem história para contar.  

Ele é, antes de tudo, o registro sagrado da vida. Ao debruçar na janela, da casa de pau a pique, vejo o passado caminhando sem pressa pelo tempo. Na imensidão e até no horizonte, a natureza obedece o compasso do Universo. Tudo segue o ritmo natural, sem atropelar o que foi designado por Deus.

Quem viveu naqueles tempos idos, há de concordar comigo. A vida passava lentamente e não com a velocidade de hoje. Isso porque não tínhamos preocupação com nada, a não ser ir para escola. Ainda bem que lá tinha brincadeira, diversão e interação com coleguinhas. 

Não havia preocupação com os robôs humanoides; inteligência, que o próprio nome já diz, artificial; a mentira americana, da conquista da lua; da guerra insana, em busca pelo poder; a falácia de políticos corruptos, que dizem defender o povo; doença profetizada pela Bíblia.

Nós tínhamos prazer com as brincadeiras infantis, tais como: corridas com carrinhos de rolimã; guerras de mamonas; jogos de futebol com bola de meia; bolinhas de gude; as meninas com bonecas de espiga de milho e de casinha; deslizar nas lamas da enxurrada; gangorra e tantas outras brincadeiras. Tanta pressa para crescer para depois perceber, que a infância é a coisa mais bonita da vida. Foi isso que o tempo/futuro nos retirou.

Eu me perco em lágrimas, quando falo ou lembro do tempo de outrora. Deus determinou que o tempo é quem coordena o universo. Caro leitor, ouça a música “O tempo e eu”, de Tadeu Fernandes. Creio que já sabem porque amo e temo o tempo.

Bem, eu vou dar um tempo ao tempo, para que ele avalie se vale a pena deixar que o tempo/ futuro atropele o tempo/passado. Por enquanto, acho melhor cuidar do tempo/presente.

Velhos tempos… Belos dias!

Peruíbe SP, 18 de junho de 2026.


sábado, 13 de junho de 2026

MEDO DE AMAR

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro


Mãe, eu tenho medo,

Muito medo de amar.

Ele esconde segredo

Lá no fundo do mar.


Sei que me apavora,

E ao tocar o coração.

Não tem dia e hora,

Pra causar desilusão.


Ele o deixa doentio,

Quem só se entrega

Como a água do rio

Que ama primavera.


O amor, minha mãe,

Ele só me faz sofrer

Muda feito o tobogã

Noite ao amanhecer.


O amor é a renúncia,

É puro, jamais posse

E não vive a astúcia.

Sentimento precoce.


Ele nos faz criança,

Onde tudo só é belo.

Enche de esperança

Que cabe no castelo.


Medo é uma defesa,

A quem muito sofre.

Onde anda princesa

Do seu filho pobre!


Peruíbe SP, 13 de junho de 2026.