quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A PEDRA BRUTA

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


O escultor apanha a pedra na natureza e, através da sua arte, a transforma em imagem de pessoa, bicho ou objeto. Com muito esmero e, aos poucos, a desbasta e lapida. Com seu talento, vai dando forma e despertando admiração das pessoas.

Num trabalho solitário e lento, se apega a pequenos detalhes até atingir a perfeição. Agindo assim, imprime sua identidade, o que o diferencia dos demais artistas. Uma vez pronta aquela obra, com a grandiosidade dela, vai torná-lo um artista imortal.

A escultura parece ganhar vida própria e magnitude diante dos admiradores. É preciso ter sensibilidade na mente e destreza nas mãos, para que seu talento se transforme em algo sagrado e digno de elogios. Aquilo acaba parecendo ter alma e sentimento, pois esse é o objetivo primordial.    

O olhar clínico do escultor sabe detectar a imperfeição e com carinho vai aparando as arestas, até conduzi-las à perfeição. Como pode uma pedra bruta se transformar numa belíssima obra de arte? “Só pode vir de um dom divino”, dirão os leigos. A escultura nasce de muito talento e suor do artista, pois nada é gratuito.

O escultor lança mão de cinzel, esteca, lima, talhadeira, martelo, espátula, a fim de que o material rude se transforme em obra de arte, ganhando forma de pessoa, bicho, objeto e etc. Ele passa horas e horas numa total dedicação, esquecendo do mundo a sua volta.

A obra gerada tem que ser melhor do que o criador. É uma gestação carregada de simbolismo e um parto lento e silencioso. Ao talento, soma-se o cuidado com a perfeição. Nada pode fugir ao olhar clínico dele. 

Também pode-se dizer que o homem ao nascer é a verdadeira pedra bruta. O tempo é o escultor que vai apanhá-la e vai moldá-la de acordo com seu entendimento e talento divino. Nada vai escapar aos olhos talentosos que, somados à benevolente natureza, dão a graça e beleza ao ser humano. Assim ele se tornará a maior obra do Universo.    

Para o ser humano, a pedra bruta é o ódio, a maldade, a ganância, a vingança, a inveja, a luxúria, o egoísmo, a inveja, a intolerância, a maledicência, arrogância, a hipocrisia e toda sorte de erros. Desbastar a si mesmo, é a maior demonstração de autocontrole e de mudança em prol da humanidade. 

O corpo é a obra mais perfeita do Divino Criador, por isso, biologicamente ao nascer, sem qualquer defeito e erro, ele vem ao mundo. O que o torna bruto e impuro, são: o ambiente em que vive , a fraqueza da alma e o comportamento pessoal.

Para o homem, é fácil apontar o dedo para imperfeições do próximo; difícil é procurar corrigir as arestas da própria alma e do coração. Nós temos que ser os eternos vigilantes do nosso proceder, para não cairmos em tentação, como por exemplo, julgar o semelhante.

A natureza nos entrega ao mundo com as formas rústicas,  portanto, cabe a nós moldarmos com muito carinho para melhorarmos a nossa vida. Agindo assim, ao longo dos anos, haveremos de ser mais humanos e mais justos com o próximo. 

Portanto, desbastar e esquadrar a pedra bruta exige renúncia, paciência, dedicação e, acima de tudo, amor próprio para fugir das tentações mundanas. Para ser bom e ser justo, é preciso abdicar dos próprios caprichos e se doar sem restrições. A pedra polida representa o crescimento da moralidade do ser humano. 

Ressalte-se que o trabalhar na pedra bruta é um caminhar ininterrupto na busca do ideal de uma moralização plena do indivíduo. 

Se ficarmos sentados, esperando a mudança cair do céu, continuaremos como pedra bruta, perdida na natureza e sem qualquer valor. Desbastar significa mudar o péssimo comportamento e abdicarmos das imperfeições do mundo. Nós temos que crescer interiormente, em prol da humanidade. 

Eu vos pergunto: “Vós quereis ser uma pedra bruta, cheia de imperfeições ou uma bela escultura, digna de ser admirada por todos os seres viventes?” Então vamos apanhar as ferramentas e nos desbastarmos por inteiro.


Peruíbe SP, 19 de agosto de 2026.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FÊMEA SEM PUDOR

 


Adão de Souza Ribeiro

Ela não tem um pudor

Nem papas na língua.

E por isso causa furor

Se ela parece distinta


O seu corpo tem fogo

Não se apaga nunca.

Quem deseja é louco

O amor não confunda


Ela deseja um macho

Para seu doce deleite

E ser só um capacho.

Que com ela se deite.


Se veste de granfina,

E desfilando pela rua  

O andar não desafina

Parece uma cacatua.


Ela atrai a sua presa

Para seu belo ninho.

E a garra da tigresa

Devora o coitadinho.


Se pensa ser o dono

Dum corpo atraente

Não perca seu sono

Acorda se é tempo. 


E se alguém cobiça,

Sua fêmea desejada

É somente uma isca

Lá vai na enxurrada.


Peruíbe SP, 13 de agosto de 2026.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

MULHER PROIBIDA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Ela já foi minha,

Isso eu não nego

Em toda tardinha

Dava-me xamego


Eu o adolescente

Ela a jovem moça

No desejo ardente

O beijo que adoça.


E Juntos a loucura

Só a nós consumia

Entre beijos e jura,

Desejo adormecia.


Menino apaixona,

A mulher proibida

Foi a eterna dona

Por toda sua vida.


Se amor era tanto,

Maior essa atração.

Que fez o encanto,

Tocar meu coração.


Era primeira fêmea

A tocar minha alma

E que seria gêmea,

Que só me acalma 


Ainda sinto o sabor

O néctar dos lábios.

Era tanto seu amor,

Ainda eu me acabo.


Peruíbe SP, 11 de agosto de 2026.


sábado, 8 de agosto de 2026

TU ÉS LINDA!

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro

Mulher, és linda,

Igual eu nunca vi.

E seja bem-vinda

O coração é de ti.


O jaleco branco,

Sobre teu corpo,

Te dá o encanto

Que lindo dorso!


Seu lábio sedutor

O olhar cintilante

Desperta o amor,

Se estou distante.


A sua voz suave,

Toca meu ouvido

É como uma ave

Com canto lírico.


Olhar com magia

Traz tanta ternura

De noite e de dia,

Me leva a loucura.


O jeito sorridente

Que tanto cativa,

Não sai da mente

Está sempre viva.


Você é o poema,

Escrito em verso 

Na tarde serena,

É meu universo!


Peruíbe SP, 08 de agosto de 2026.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A BORBOLETA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Mas cadê a borboleta,

Lá no fundo do quintal.

Que com o tom violeta

Numa dança sem igual.


Se alegre desabrocha,

Uma bela flor do jardim.

Pra agradar a cabrocha

Que traz a paz sem fim.


Mas todas as manhãs

Graciosa lá estava ela

Com a graça tamanha

Tal qual uma cinderela 


Se a borboleta feliz voa

Agradece toda natureza 

Meu Deus, não é à toa.

Que adoro essa beleza.


Ela bate as suas asas,

Os desenhos coloridos

Pois presenteia a casa

Torna tudo mais florido.



Peruíbe SP, 07 de agosto de 2026.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A MULHER E O PALÁCIO

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Ela não sai da mente,

Por nenhum segundo

Está sempre presente

Pra mim, isso é tudo.


Pago qualquer preço,

Se ela viver comigo.

Ao partir enlouqueço,

Então, serei mendigo.


Só ela dá vida a casa

Faz o dia mais lindo.

Felicidade ganha asa

E me leva ao infinito.


Até a roupa que veste

A reveste de encanto.

É uma beleza celeste

Eu não mereço tanto.


Farei o lindo palácio,

Se, um dia, ela quiser

E não ao amor volátil

Mas para ela, mulher.


Corpo exala perfume

E que me faz sonhar.

Eu sinto muito ciúme

Como a onda do mar.


Peruíbe SP, 06 de agosto de 2026


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

AMOR A TRES

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro 

Se Maria diz que ama

Seu maior amigo José

Vou fugir desta trama

A três não vai dar pé.


Para me ver fiz tudo,

Até escrevi a poesia

Fiquei bravo maluco

Esperei com alegria.


Se foi escolha dela,

Não adianta sofrer.

Mas a vida é bela,

Busca novo prazer


Mas tudo é ilusão

E logo isso passa.

Bobo é o coração

Que se despedaça.


Ele deixou Maria,

Então mas agora?

E antes ela sorria

Hoje ela só chora


Ao cair o castelo

Vai me procurar.

Dor de cotovelo

Não quero mais.



Peruíbe SP, 05 de agosto de 2025.