domingo, 21 de junho de 2026

NOITES EM BRANCO

                                                                                                    Adão de Souza Ribeiro

Passo noites em branco

Numa cama sem dormir.

Molhado em mil prantos

Pensando tanto só em ti


Eu sob olhar da estrela,

E que cuida bem assim.

Sabe queria tanto vê-la

E aqui juntinho de mim.


Lá fora, a tempestade,

São lágrimas em gota.

Só quem sofre e sabe,

Que espera se esgota. 


E nesta casa estou só,

O silêncio me atordoa.

Lembrar só me faz dó

Sonho leve vai e voa.


Noite bela e morena,

O olhar de vagalume

É só minha açucena,

Sinto o seu perfume.


Noites são um tédio,

E nada que me cura

Só o santo remédio,

Da vossa formosura. 


Branco são as noites,

Que sem ti eu passei

O sofrer é um açoite,

Fui um escravo e rei.


O teu calor gostoso,

Aquece meu quarto.

É a ilusão de moço, 

E sem ti, eu infarto!


Peruíbe SP, 21 de junho de 2026.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

A CHUVA

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro


Chuva fina, forte, chuvarada

Que suave desliza pela rua.

E alegra toda a madrugada,

É grande essa saudade sua.


Enquanto cidade já dorme.

Suas gotas cantam canções.

Minha felicidade é enorme

Sinto tanta paz no coração.


E traz a lembrança afetiva,

Daquele tempo de infância.

Onde tudo era belo na vida

Hoje se vai lá na distância.


Você fina, chuvarada, forte,

Quanta saudade ainda traz.

E quando você puder, volte

Minha tristeza é tão fugaz.


E traz longa vida a relva, 

Desabrocha a esperança,

Ao lembrar daquela terra

Do meu tempo de criança


Lembro de você tão calma,

Caindo no telhado da casa

Acalentando a minha alma

Com você, tudo era graça.


E se eu chorar me perdoa

Meu amor não tem idade.

Não é o sentimento à-toa,

É história da minha cidade


Peruíbe SP, 15 de junho de 2026.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

O TEMPO

                                                                                             Adão de Souza Ribeiro


Tempo, devolva-me o passado que sorrateiramente você levou. Não imagina quanta falta ele me faz e, também, quanta saudade sinto dele. Eu sou um saudosista incurável e já disse isso por diversas vezes. Recordar do outrora, causa-me saudável nostalgia e isso me conforta e me faz tão bem,

Foi prometido que, para recompensar a perda do passado, eu ganharia de presente o Futuro, embrulhado numa caixa de surpresa e que ficaria maravilhado e agradecido. . 

Eu seria hipócrita, se afirmasse que sou contra o futuro. Ele trouxe grandes benefícios à humanidade, basta olhar o avanço na cura de doenças, até então desconhecidas da ciência. A tecnologia tem colaborado sobremaneira para abrandar o menor esforço da humanidade.

Este meu desabafo em relação ao futuro, é porque ele se faz muito veloz, graças ao progresso desenfreado, o que dificulta saboreá-lo com mais leveza. Um atleta idolatrado, dizia: “Quem gosta de passado é museu.” Eu discordo plenamente de tal pensamento, pois, quem não tem passado, não viveu e não tem história para contar.  

Ele é, antes de tudo, o registro sagrado da vida. Ao debruçar na janela, da casa de pau a pique, vejo o passado caminhando sem pressa pelo tempo. Na imensidão e até no horizonte, a natureza obedece o compasso do Universo. Tudo segue o ritmo natural, sem atropelar o que foi designado por Deus.

Quem viveu naqueles tempos idos, há de concordar comigo. A vida passava lentamente e não com a velocidade de hoje. Isso porque não tínhamos preocupação com nada, a não ser ir para escola. Ainda bem que lá tinha brincadeira, diversão e interação com coleguinhas. 

Não havia preocupação com os robôs humanoides; inteligência, que o próprio nome já diz, artificial; a mentira americana, da conquista da lua; da guerra insana, em busca pelo poder; a falácia de políticos corruptos, que dizem defender o povo; doença profetizada pela Bíblia.

Nós tínhamos prazer com as brincadeiras infantis, tais como: corridas com carrinhos de rolimã; guerras de mamonas; jogos de futebol com bola de meia; bolinhas de gude; as meninas com bonecas de espiga de milho e de casinha; deslizar nas lamas da enxurrada; gangorra e tantas outras brincadeiras. Tanta pressa para crescer para depois perceber, que a infância é a coisa mais bonita da vida. Foi isso que o tempo/futuro nos retirou.

Eu me perco em lágrimas, quando falo ou lembro do tempo de outrora. Deus determinou que o tempo é quem coordena o universo. Caro leitor, ouça a música “O tempo e eu”, de Tadeu Fernandes. Creio que já sabem porque amo e temo o tempo.

Bem, eu vou dar um tempo ao tempo, para que ele avalie se vale a pena deixar que o tempo/ futuro atropele o tempo/passado. Por enquanto, acho melhor cuidar do tempo/presente.

Velhos tempos… Belos dias!

Peruíbe SP, 18 de junho de 2026.


sábado, 13 de junho de 2026

MEDO DE AMAR

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro


Mãe, eu tenho medo,

Muito medo de amar.

Ele esconde segredo

Lá no fundo do mar.


Sei que me apavora,

E ao tocar o coração.

Não tem dia e hora,

Pra causar desilusão.


Ele o deixa doentio,

Quem só se entrega

Como a água do rio

Que ama primavera.


O amor, minha mãe,

Ele só me faz sofrer

Muda feito o tobogã

Noite ao amanhecer.


O amor é a renúncia,

É puro, jamais posse

E não vive a astúcia.

Sentimento precoce.


Ele nos faz criança,

Onde tudo só é belo.

Enche de esperança

Que cabe no castelo.


Medo é uma defesa,

A quem muito sofre.

Onde anda princesa

Do seu filho pobre!


Peruíbe SP, 13 de junho de 2026.


quinta-feira, 11 de junho de 2026

AMOR SEM LIMITES

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


Você tão linda e tão nova

E enrolada no meu corpo

Sob o brilho da lua nova,

A tocar neste meu rosto.


E o seu jeito de inocente

Pedindo-me um xamego

No desejo puro, ardente

E eu sou seu deus grego.


O seu olhar se contorce

Num instante de prazer.

E feliz eu perco o norte

O amor é só eu e você.


Com sussurro e gemido

A nossa entrega é total.

É disso que eu preciso,

Deste querer sem igual.


Seu corpo exala o calor

Do lábio emana a seiva

Sua boca sente o sabor,

Que a sua alma deseja.


Esses seios são as taças,

Com líquidos saborosos

Meu prazer não disfarça

Esses desejos perigosos.


Se o sexo for um pecado

O corpo arde em chama.

Deixo tudo isso de lado,

E vou saciá-la na cama!


Peruíbe SP, 11 de junho de 2026.


quarta-feira, 10 de junho de 2026

A CARTA

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro


Havia enorme romantismo, nas mensagens entre eternos namorados  e, também, noutros tipos de relacionamentos, como por exemplo, pais e filhos, irmãos e amigos. A expectativa no envio e no recebimento da resposta, acrescentava tempero na comunicação.

A mensagem em modelo físico, ou seja, no papel, além de vir enfeitada de desenhos (ato feminino); também exercita a escrita e a leitura. Não havia gíria, erros gramaticais e nem abreviação de palavras. As pessoas exercitavam a arte de ler e escrever.

Como era prazeroso escrever a mensagem, representada pela carta, envelopá-la e se dirigir ao Correio para postar. Hoje com o avanço da modernidade, ao enviar através de e-mail, SMS e Whatsapp, perdeu-se o encanto. Antes, imaginava-se a expressão de surpresa e de contentamento do destinatário e o que se vê hoje é em tempo real, através da chamada de vídeo.

A celeridade na comunicação, sepultou de morte o sentimento humano, especialmente, o amor. Este sentimento se alimenta de surpresa, ilusão e romantismo, portanto, abreviar essa prerrogativa é condená-lo à morte por inanição.

Após enviar a carta, todo dia o remetente dirigia-se à caixa postal colocada no portão, esperando que o carteiro tivesse trazido a resposta. Com toda pressa, abria-se o envelope para ler o que o destinatário escreveu. Isso prova a importância da arte de se corresponder, através da carta.

Para entender o valor da carta, basta ouvirmos canções como, por exemplo, A Carta, do Grupo Exaltasamba, que diz: “Entenda o que vou te dizer/ dois pontos, vem/ De volta pro meu coração, exclamação/ Não posso viver sem você/ Não tenho razão nem porquê/ Me acostumar com a saudade./ Nem vírgula vai separar, nessa oração/ Teu nome da minha paixão, não leva a mal/ Eu sei que não sou escritor, é só uma carta de amor/  De alguém que te quer de verdade.”          

E, também, a canção de Moacyr Franco, A Última Carta, que diz: “São Paulo seis de outubro de mil novecentos e setenta e sete/ Meu bem,/ Sei que já não se escreve carta de amor/ Coisa boba, né?/... Que pena que você nunca vai ler essas palavras/ Porque esta é mais uma carta que eu vou rasgar.

                 Ao descrever a magia da carta, desperta a memória afetiva dos tempos de outrora. Quem viveu naqueles tempos áureos, sabe do que se está falando. Que pena que tudo aquilo não volta jamais. Apenas resta linda saudade das coisas que vivenciamos.

É de bom alvitre que se diga, que a escrita começou na Mesopotâmia, há 3500 a.C., onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. Essa forma de escrita foi a primeira a registrar informações de forma sistemática e permanente, permitindo a organização de transações comerciais e a preservação de registros importantes.

Nota-se, portanto, que a escrita foi se desenvolvendo ao longo dos tempos. Ainda bem que naqueles primórdios anos da civilização não existia a Era Digital. Se existisse, como seria contada a história universal? Bem, deixa pra lá! Isso é coisa para estudiosos, isto é, os arqueólogos. 

O passado se vai ao longe, mas acredita-se que a carta continua por aí, em busca de um coração apaixonado, que foge da era digital!  


Peruíbe SP, 10 de junho de 2026.


domingo, 7 de junho de 2026

SE EU

                                                                                            Adão de Souza Ribeiro


Se eu chorar

Não censura.

Temo o mar,

E amargura.


Se eu sorrir

Ache graça

Senta aqui,.

Me abraça.


Se eu sofrer

Me acaricia.

Quero você

Noite e dia.


E se eu for,

Não segue.

Eu sou flor,

E até breve!


Peruíbe SP, 07 de junho de 2026.