quarta-feira, 25 de março de 2026

ESSE QUERER

 Adão de Souza Ribeiro


Eu a quero toda hora

Desejo que não sacia

O corpo que implora,

Sua pele é tão macia.


Esse cheiro me mata,

E me faz dependente

Peito arde em brasa,

Nesse amor da gente.


Se a saudade chega,

Quero beijar a boca.

Se ilusão fica presa,

Você tira sua roupa.


Faminto eu a devoro

Faço de você mulher

Prazer canta em coro

Até o dia amanhecer.


Falo algo sem nexo,

Só ouça em silêncio

É voz suave do sexo

Apagando incêndio.


O colo, minha fêmea

Ele me traz tanta paz

Amor, vida é efêmera

E o amanhã tanto faz.


Seu jeito me domina

Me faz o seu escravo

É só a minha menina

E do seu lado, acabo.


O seu olhar tão puro

Desperta meu desejo

Não controlo eu juro

Não vá, ainda é cedo.


Peruíbe SP, 25 de março de 2026.


terça-feira, 24 de março de 2026

AS RAÍZES

                                                                                                                                Adão de Souza Ribeiro


A planta não surge do nada. É preciso que a semente seja colocada na terra para que, passado um tempo, ela germine e se cumpra o cíclo da vida. Após a semente  germinar, transforma-se na bela planta e cresce com a benesse da natureza. Com essa atitude, a natureza ensina que, antes mesmo de existirmos, temos que fincar raízes em solo firme e fértil.

Embora o nascimento seja um milagre de Deus; no mundo terreno e material, há o ato de se plantar e cuidar com imenso amor. Colocar esterco (vitamina natural) e regar, faz parte dos cuidados especiais da planta. Ao longo do tempo, vai crescer e gerar frutos com sementes, para dar continuidade ao ciclo da existência.

Há enorme semelhança entre a planta e a vida humana, a saber: a família é o terreno; os pais é a semente; a educação e o alimento, são os cuidados; a formação moral é a continuidade do ciclo humano. A planta ao ser bem cuidada enfeita e serve a natureza; já a mal cuidada, seca e morre.

Se a raiz for forte, além de sustentar a planta, dará força para que possa vencer as intempéries do tempo, ou seja, a tempestade, a seca, a chuva e o inverno. A planta bem formada, terá frutos e servirá de abrigo às aves e todo ser vivente, que compõem a flora. 

Outro dia, através da internet, revi a minha Terrinha nas filmagens realizadas por um casal de forasteiros. Ele procurou mostrar todas ruas, praças, casas e prédios importantes do lugarejo. À medida que passavam as imagens, meus olhos lacrimejaram  de saudade e alegria. De novo eu senti-me caminhando tranquilamente pelo meu passado.

Posso dizer que foi ali que nasci e me criei; que convivi com as pessoas simples e pujantes; que aprendi amar e respeitar a natureza; que os pais e professores ensinaram o valor da moral e dos bons costumes; que foi ali, onde foi forjado a pessoal que hoje eu sou, com muito orgulho.

As brincadeiras inocentes da infância, aconteceram em cada centímetro daquele  chão sagrado. Com certa frieza, o casal descrevia cada detalhe filmado, mas eu via com outros olhos, os da ternura. Na busca de um mundo melhor, deixei o lugar, mas hoje choro copiosamente, porque o melhor não veio.  

No entanto, por ter cultivado e preservado as minhas raízes, foi que consegui vencer as procelas da vida. Não vendi minha alma e o coração ao progresso desumano. A lente da câmera não revelou o lado humano e belo da minha adorada Terrinha. Só quem lá morou, sabe do que estou falando.

O tempo passa, mas a saudade permanece. A filmagem do casal forasteiro, só resgatou a memória de quem sempre amou a cidade onde nasceu. Amor não se explica, mas se sente.  

A minha raiz plantada na Terrinha, fez de nim uma árvore frondosa e frutífera!


Peruíbe SP, 24 de março de 2026.


sábado, 21 de março de 2026

O PINTASSILGO

 Adão de Souza Ribeiro


Dom é Deus quem dá, por isso, não se fabrica, compra ou tira. Cada um nasce com uma missão na vida e, portanto, sua atitude vai fazer a diferença durante toda existência. Todos nós nascemos predestinados para ser alguma coisa e devemos cumprir os desígnios de Deus. 

Essa diversidade existente no mundo, foi cuidadosamente criada pelo Divino Criador e que fez a terra cada dia mais bela e exuberante.Respeitar a natureza é a nossa maior obrigação, porque a destruição do planeta, representa nossa própria extinção.

Ao dissertar sobre o dom, recordo-me do meu querido amigo de infância, Silvio José da Silva, o Pintassilgo. O tal amiguinho Pintassilgo, tinha um jeito muito especial de ser, que encantava a todos nós, seus parceiros de brincadeiras infantis.

Um dos seus maiores dons ou talentos, era imitar o canto das aves e, em especial, o Pintassilgo. Eis aí a razão de tão carinhoso apelido. Posso afirmar que ele imitava com desenvoltura, todos os bichos que povoam a natureza. A molecada se divertia com ele.  

De repente, quando ele desaparecia do meio de nós, sabíamos que ele estava embrenhado no mato, onde passava horas e horas a fio, conversando com as aves e toda espécie de animais. Havia uma linda sintonia entre o menino e os bichinhos. Era algo belo de se ver!

Nós sentíamos a falta do amiguinho, mas tínhamos a certeza que estava dividindo o seu tempo com o que mais amava, isto é, brincar e conversar com a fauna silvestre. Foi assim que percebemos que, quando voltava para casa, as aves e animais o acompanhavam, enquanto ele conversava e cantarolava suaves canções. 

Se Pintassilgo visse alguém maltratando um bichinho qualquer, ele saia fora de si e enfrentava o agressor, seja lá quem fosse. Ele soltava o pássaro preso na gaiola, o cavalo atrelado na carroça, o cachorro na coleira e questionava o homem detido na cadeia.

A prisão não é coisa feita por Deus. O ser vivente nasceu para ser livre e compartilhar da natureza”, resmungava aquele menino de coração e alma pura. O Pintassilgo, meu amiguinho de infância, gostava de declamar o poema São Francisco, de Marcus Vinicius de Mello Morais, que dizia:

Lá vai São Francisco/ Pelo caminho/ De pé descalço/ Tão pobrezinho/ Dormindo à noite/ Junto ao moinho/ Bebendo a água/ Do ribeirinho./ Lá vai São Francisco/ De pé no chão/ Levando nada/  no seu surrão/ Dizendo ao vento/ Bom dia, amigo/ Dizendo ao vento/ Saúde, irmão./ Lá vai São Francisco/ Pelo caminho/ Levando ao colo/ Jesuscristinho/ Fazendo festa no menininho/ Contando histórias/ Pros passarinhos.

Todos os dias, ao romper da alvorada, uma grande revoada de passarinhos, chegavam na janela de Pintassilgo, convidando-o para ir na floresta, alegrar a natureza e prosear com ele, com suas histórias simples da vida.

Até hoje, não sai da memória a imagem angelical de Silvio José da Silva, o Pintassilgo. O seu cantar, pelas ruas descalças da Terrinha, parece ecoar noite adentro. É a eterna sinfonia da natureza, nos acordes de uma canção melancólica, convidando-me a caminhar com ele. 


Peruíbe SP, 21 de março de 2026. 


O POEMA

Adão de Souza Ribeiro


Vou escrever um poema

Para você e sob medida.

Desta vontade incontida

De você minha morena.


Um poema bem sincero

Com uma perfeita rima.

Para tocar nessa menina 

Como a flecha do verso.


Já de noite, quando ler, 

Vai perceber cada frase

E que nunca será tarde, 

Para se fazer tudo valer.


O poema bem simples,

Repleto de sentimento 

Para ver que é tempo,

De ter corações livres.


Feito com dor e suor,

E com a voz da alma 

Escrito com a calma 

Mas de quem amou! 


Peruíbe SP, 20 de março de 2026.

segunda-feira, 16 de março de 2026

SÓ EU

 

Adão de Souza Ribeiro

Só somente só,

Eu sigo sozinho

Ouço a sua voz

Pelo caminho.

 

Deixo para trás

A velha mágoa.

E nada satisfaz

Choro deságua

 

E só o homem

Se por si nasce

Sem um nome

Que o abrace.

 

Pó da estrada,

Cega sua visão.

A fé nem nada

Toca o coração.

 

Lá o horizonte

Se nada chega

No alto monte

Noite espreita.

 

E a vida segue,

Sem o destino.

Que seja breve

Vida de menino.

 

Peruíbe SP. 16 de março de 2026.

sexta-feira, 13 de março de 2026

O CAMINHO SUAVE

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Quando vejo a cartilha “Caminho Suave” da escritora e educadora Branca Alves de Lima e Maira Lot Micales, transporto-me ao ano de 1967, quando estudei o primário, no Grupo Escolar “José Belmiro Rocha”, na minha sagrada Terrinha.

                        Naquele tempo, não se usava livro de cunho político, para transformar aluno em robô, sem direito a pensar e a criar própria personalidade. Ensinava de um jeito suave o bê-á-bá do cotidiano. Maria Aparecida Almada, minha primeira professora, tinha uma didática encantadora para ministrar aula.

                        No pátio, antes de iniciar a aula, os alunos eram perfilados e, em posição militar, cantavam o “Hino Nacional Brasileiro”. Enquanto o hino era executado, não se ouvia alguém conversando ou mascando chiclete. E foi assim, que aprendi respeitar e amar a Pátria.

                        Eu me sentia orgulhoso ao envergar o uniforme e caminhar rumo a escola, levando o caderno brochura; a cartilha “Caminho Suave”; estojo com lápis, borracha e apontador, bem como, a lancheira. Ficava ansioso para entrar na classe e rever os coleguinhas.

                        Os professores eram respeitados e idolatrados, por isso, haviam alunos que nutriam admiração e paixão silenciosa pelos mestres. O aprendizado tinha um sabor diferente e os alunos se embriagavam com as matérias ministradas pelos seus mestres.  

                        Hoje eu vejo que os jovens são cabeças ocas, tanto no linguajar, quanto no gosto musical.  A metodologia didática, preza pela ignorância massificadora, onde o jovem nada sabe da sua importância na sociedade.    

                        Não havia tropeço na busca do conhecimento, por isso, era sempre suave o caminho de casa até a escola. Tudo tinha um encanto indescritível, que o sentimento não consegue descrever. Só a doce lembrança consegue rememorar tanta saudade.

                        As brincadeiras feitas com os coleguinhas inocentes, deixaram marcas indeléveis na memória e no coração de um menino que soube viver a infância. As crianças do presente, não têm tem passado e nem história, para contar as futuras gerações.

                        A minha Terrinha continua viva na lembrança, que perpetuará para sempre e até a eternidade. Os amiguinhos, que vivenciaram e compartilharam momentos imortais, cresceram e levaram consigo os mesmos sentimentos como o meu, eternizando o passado.

                        Os olhos lacrimejam, só de falar daqueles tempos áureos, onde tudo era simples e sem maldade. A única preocupação era só brincar de ser criança, com toda leveza do espírito infantil.  

                        Até hoje eu sinto falta daquele caminho suave, que me ensinou a trilhar pelos mistérios de um mundo selvagem e sem a pureza da alma. Agradeço a Deus por ter  sido acolhido pelo Grupo Escolar “José Belmiro Rocha” e, ainda, por ter folheado a cartilha “Caminho Suave”. Velhos tempos, que não voltam jamais!

Peruíbe SP, 13 de março de 2026.  

quarta-feira, 11 de março de 2026

A CANÇÃO DO MAR

 

Adão de Souza Ribeiro

No doce balanço do mar,

As suas ondas vêm e vão.

Mas é tão lindo seu bailar,

Que encanta meu coração.

 

E segue ao sabor do vento,

Numa eterna cumplicidade

Então faz deste passo lento

Até chegar um cair da tarde.

 

Se quando ao tocar a praia,

Dá o sedento beijo na areia.

A branca espuma vira saia.

E faz dele mais linda seria.

 

Mar atrai o velho canoeiro

Para a grande profundeza.

Não há nada tão traiçoeiro

Como força da correnteza.

 

Belo mergulho da gaivota

Para saciar horrenda fome

Sua inusitada cena mostra

Majestade será seu nome.

 

Mar, é este seu som feroz

Que domina frágil planeta

Conquista como albatroz,

Antes que noite adormeça!

 

Peruíbe SP, 11 de março de 2026.