sábado, 21 de fevereiro de 2026

VELHO PEDIDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando estiver velhinho

E lentos forem os passos.

Nunca me deixe sozinho,

Vem e me dê um abraço.

 

Mas se cabelos brancos,

Esconderem as calvícies.

Não me chame de tonto,

Por causa das crendices.

 

Se olhar a cansada vista

Sem ver o lindo mundo.

Tem paciência e insista,

Num amor tão profundo.

 

A voz fraca e bem rouca

Que balbucia as palavras

Põe a comida nessa boca

O seu gesto puro agrada.

 

Se a minha costa arcada,

Pesar com jeito do tempo

Foi pela longa caminhada

Que fiz por aí, ao relento.

 

Quando ver o meu sonho,

Dormindo só numa sarjeta.

Lembra que já fui risonho,

Faça cafuné, não esqueça!

 

Peruíbe SP, 21 de fevereiro de 2026.

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MÃE NATUREZA

 

Adão de Souza Ribeiro

De manhã, contemplo as borboletas

Á noite, eu admiro todos vagalumes

Por isso, eu cuido da nossa natureza

E na lagoa, me da peixe em cardume.

 

Lá debaixo da aroeira, o carro de boi,

A saborosa comida, no fogão a lenha

Caboclo da roça, o nosso maior herói

Presa num curral, a vaquinha prenha.

 

No girassol, a abelha colhe o néctar,

A cigarra com o seu canto estridente

Que na goiabeira, faz o varjão cantar,

Assim o sertão bailar de tão contente.

 

A grama toda molhada com a relva,

Rio desliza tão calmo pela campina

Vento beijo o casebre ao pé da serra

A vida na roça é verdadeira menina.

 

Só quem é do mato, sabe da beleza

E da vida tranquila do nosso sertão

Ela é o maior presente da natureza,

Pois em tudo, Deus é sempre bom!

 

Peruíbe SP, 20 de fevereiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A VIDA É CURTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Peço que me escuta,

Eu tenho algo a dizer.

Essa vida é tão curta,

Para mim, para você.

 

Viva com intensidade

Cada segundo da vida

Então, fuja da maldade

Se nem tudo tem saída

 

Procura só fazer o bem

Para aumentar o tempo

O que vai também vem

O castigo é muito lento.

 

Quando menos se espera

Aquela sua hora já chega

Meu amigo é tarde, já era

Pois ela não cumpre regra

 

Ela fica ali, atrás da porta,

Para lhe fazer a surpresa

Por isso, não vê uma hora

Só para fazer maior presa.

 

Peruíbe SP, 16 de fevereiro de 2026.

VIIDA EFÊMERA

 

Adão de Souza Ribeiro

O tempo passa rápido

Vida segue logo atrás

O corpo torna flácido,

E de repente você jaz.

 

Vida, dádiva de Deus

Tudo é apenas sopro.

E aqui nada é só seu,

O velho já foi o novo.

 

Portanto não se iluda,

E não viva de fantasia

Por isso troca atitude,

A sua existência vazia.

 

Mundo também ensina

Que precisa viver bem.

Há surpresa na esquina,

E outra está muito além.

 

Nossa vida é tão efêmera

Portanto nada será eterno

Ela será belíssima fêmea,

Pois ama tudo que é belo.

 

Peruíbe SP, l6 de fevereiro de 2026.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

SAUDADES DO SERTÃO

 

Adão de Souza Ribeiro

Saudade do bailar da laranjeira

Do choro do vento no canavial.

Da lua iluminando noite inteira

No grotão a fúria do vendaval.

 

O ronco calmo do carro de boi,

Caminhar na poeira da estrada.

Vida lá se vai o tempo já se foi,

Gado no pastoreio da invernada.

 

Moda caipira no repique da viola,

Dobradinha feita no fogão a lenha

Assim que caboclo vive, ele gosta.

O celho passa, no mato embrenha.

 

O belo cafezal, como tapete verde

Esperando tempo certa da colheita

Tarde na varanda, deitado na rede,

Natureza desenha o que se deleita.

 

Numa preguiçosa tarde de domingo

Vida sem pressa demora em passar.

Lá no horizonte, chuva e seu pingo

Reluz seu brilho como noite de luar

 

Saudade tresloucada do meu sertão.

Ela está sempre viva nesta memória

Tem o tamanho do mais belo varjão,

Esta é minha doce e saudosa história.

 

Peruíbe SP, 15 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A GANÂNCIA

 

Adão de Souza Ribeiro

Por que sua ganância

Se daqui nada se leva.

A vida vai à distância,

E mais que uma légua.

 

Por que fazer a guerra

Só para ter tanta posse

Se tudo vai virar terra,

Mesmo se eterno fosse.

 

Por que tanta violência

Só por causa de moeda

Cego e sem clemencia,

E se logo, vem a queda.

 

Por que esse seu apego

De sempre querer mais.

Neste seu voo tão cego,

Sem alma feito animais.

 

Por que essa sua loucura

E no querer sem medida.

A corrida pela sua usura

Sem prever a sua caída.

 

Por que essa escravidão

De querer tudo só pra si

Não há cofre no coração

Não se iluda num frenesi.

 

Peruíbe SP, 14 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

VOU SER EU

 

Adão de Souza Ribeiro

Não vou mais fugir de mim

Esconder atrás de mentiras.

E eu vou ser eu, para enfim

Ser simples como o caipira.

 

Eu não vou mais viver preso

Nas teias das opiniões alheia

Vou dar valor ao meu desejo

Fazer meu mel como abelha.

 

Não vou mais doar o ouvido,

Para quem quer só o meu mal.

Tenho meu valor, não preciso

Me humilhar, isso é bom sinal.

 

Não vou mais chorar de medo,

Diante de qualquer um desafio.

Vou acordar feliz e bem cedo,

Como lá na natureza, faz o rio.

 

Eu não vou mais viver calado,

Enfrentarei o mundo perverso.

Serei eu e deixarei ali de lado,

Para cuidar só do meu verso.


Eu não vou mais viver a chorar

Fingir que meu sonho pereceu.

E nas noites tão lindas de luar

Eu vou ser eu simplesmente eu!

 

Peruíbe SP, 12 de fevereiro de 2026.