quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DEUS CASTIGA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Ao longo da vida, vejo que tem coisas incompreensíveis à mente humana. Elas fogem aos princípios da criação do universo e, principalmente, ao entendimento da criança simples, nascida no cafundó do judas, no interior do Estado.

                        Por isso, levou muito tempo para compreender a frase que, corriqueiramente ouvia das pessoas, fossem elas ignorantes ou letradas. Quando involuntariamente se cometia um erro fortuito, de gravidade ou não, alguém dizia: “Não faça isso, que Deus castiga.

                        Na igreja, independentemente do segmento religioso, o líder carregava a pregação, fazendo tortura na mente e no coração dos fiéis, tornando-os prisioneiros de seus dogmas, sempre com a mesma frase: “Deus castiga”.  

                        Ainda na tenra idade, sem compreender a complexidade do enredo de uma vida mundana, eu confabulava com meus botões: “Será que Deus é um Ser tão carrasco e cheio de maldade?” Por isso, creio que era o motivo de não gostar de frequentar a igreja.

                        Eu tinha medo de encontrar um homem carrancudo, com a cinta na mão, para me punir só porque peguei goiaba escondido do vizinho sem pedir. Mesmo que eu pedisse desculpa para Deus, ele iria me surrar na frente dos fervorosos fiéis.

                        Para mim, Deus é um pai amoroso e justo que sabe ensinar e corrigir nossos vacilos de criança sem maldade e sem pecado. Por isso, Ele sempre disse: “Deixai as crianças e não as impeçam de vir a mim, porque de tais é o reino dos céus!” (Mateus 19:14. Esse era o Deus que eu imaginava e não aquele descrito pelo pregador. 

                        Aos domingos, as pessoas se embelezavam para irem à igreja. Era bonito ver a romaria dos fiéis, em busca da palavra de conforto e da salvação. Para mim, pecado é o chamariz para atrair os fiéis, pois, sem ele, não há motivo para frequentar a igreja.

                        Querem ditar regras de moda as fiéis, como se o mal estivesse na aparência e não na alma. O filho de Deus, quando esteve neste desvairado planeta, apenas trajava uma túnica e um par de sandálias.

                        Não fazia uso de rituais, para transmitir seus ensinamentos. Não tinha igreja e pregava por onde andava ensinando a fé, a caridade, a obediência ao Pai e a humildade.

                        Os dirigentes religiosos pregam a filantropia, mas não tiram um centavo do dízimo, para ajudar os pobres. No entanto, moram em casa suntuosa, transitam em carrão do ano e participam de fartos banquetes.

                        Eu não quero que me rotule como herege, por falar desse jeito. Posso afirmar que estou apenas externando minha visão sobre religião e a imagem que tenho do Rei do Universo. Vejo Deus como um Ser Divino, que é onipotente, onipresente e onisciente.

                        Hoje entendo que Deus não castiga, mas, sim, acolhe, acaricia e perdoa.

Peruíbe SP, 25 de fevereiro de 2026.

 

 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FALSO AMOR

 

Adão de Souza Ribeiro

E foi a grande mentira

Que ela tanto me disse.

Desabou a minha vida,

Porque isso é tão triste.

 

O amor era só um blefe

Queria só tirar proveito.

E se no início soubesse

Fugia de qualquer jeito.

 

Feito uma cruel serpente

Com toda a sua peçonha.

Hipnotizou minha mente

Perdeu brio e a vergonha.

 

Ela partiu e bateu sua asa

Abandonou sem remorso.

Sei, logo tudo isso passa,

Vencer, faço o que posso.

 

Não troque o que é certo,

Por qualquer doce ilusão.

A vida é um livro aberto,

Poderá acreditar ou não.

 

Joguei fora o meu futuro,

E o sonho ficou para trás.

Hoje sou homem maduro,

Aos poucos a vida refaz.

Peruíbe SP, 24 de fevereiro de 2026.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A TIGRESA

 

Adão de Souza Ribeiro

Mulher em forma de fera

Quer devorar meu corpo.

Quão bonita a fêmea era

Encantei com o seu rosto.

 

A plumagem bela e macia

Atrai meus olhos e seduz.

Ela será só minha um dia,

É meu desejo e se faz jus.

 

Faz do meu leito sua jaula,

Quer marcar o seu espaço.

Não temo e nada me abala,

Eu a convenço com abraço.

 

Jeito macio e garra felina,

Ela prende forte sua presa

É maior dona dessa colina

Por isso bela, essa tigresa.

 

Sorriso belo, rosto sedutor

Seu corpo lindo e atraente.

Vou ser o dono e domador

Da minha fera para sempre

 

Peruíbe SP, 23 de fevereiro de 2026.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

DIA DE CHUVA

 

Adão de Souza Ribeiro

A chuva, de gota a gota,

Vai molhando cada telha.

A saudade caminha solta,

Mas pensamento vagueia.

 

Aos poucos, céu escurece

O tempo vai virando noite

Então natureza reza prece,

Canavial corta como foice.

 

O silêncio lá na choupana,

Com a temperatura amena

É a hora para quem se ama

E viver feliz, na vida plena.

 

Orvalho que molha a relva

O cheiro tão suave do mato

Seu tapete verde lá da selva

Tristeza não tem seu espaço.

 

Como é belo, dia de chuva.

O eterno presente de Deus.

Perfeito como mão e a luva

É dádiva que vem lá do céu.

 

Na cumeeira parece canção

A dança alegre com o vento.

Calma é uma bela expressão

Que Deus é bom todo tempo

 

Peruíbe SP, 22 de fevereiro de 2026.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

VELHO PEDIDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando estiver velhinho

E lentos forem os passos.

Nunca me deixe sozinho,

Vem e me dê um abraço.

 

Mas se cabelos brancos,

Esconderem as calvícies.

Não me chame de tonto,

Por causa das crendices.

 

Se olhar a cansada vista

Sem ver o lindo mundo.

Tem paciência e insista,

Num amor tão profundo.

 

A voz fraca e bem rouca

Que balbucia as palavras

Põe a comida nessa boca

O seu gesto puro agrada.

 

Se a minha costa arcada,

Pesar com jeito do tempo

Foi pela longa caminhada

Que fiz por aí, ao relento.

 

Quando ver o meu sonho,

Dormindo só numa sarjeta.

Lembra que já fui risonho,

Faça cafuné, não esqueça!

 

Peruíbe SP, 21 de fevereiro de 2026.

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MÃE NATUREZA

 

Adão de Souza Ribeiro

De manhã, contemplo as borboletas

Á noite, eu admiro todos vagalumes

Por isso, eu cuido da nossa natureza

E na lagoa, me da peixe em cardume.

 

Lá debaixo da aroeira, o carro de boi,

A saborosa comida, no fogão a lenha

Caboclo da roça, o nosso maior herói

Presa num curral, a vaquinha prenha.

 

No girassol, a abelha colhe o néctar,

A cigarra com o seu canto estridente

Que na goiabeira, faz o varjão cantar,

Assim o sertão bailar de tão contente.

 

A grama toda molhada com a relva,

Rio desliza tão calmo pela campina

Vento beijo o casebre ao pé da serra

A vida na roça é verdadeira menina.

 

Só quem é do mato, sabe da beleza

E da vida tranquila do nosso sertão

Ela é o maior presente da natureza,

Pois em tudo, Deus é sempre bom!

 

Peruíbe SP, 20 de fevereiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A VIDA É CURTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Peço que me escuta,

Eu tenho algo a dizer.

Essa vida é tão curta,

Para mim, para você.

 

Viva com intensidade

Cada segundo da vida

Então, fuja da maldade

Se nem tudo tem saída

 

Procura só fazer o bem

Para aumentar o tempo

O que vai também vem

O castigo é muito lento.

 

Quando menos se espera

Aquela sua hora já chega

Meu amigo é tarde, já era

Pois ela não cumpre regra

 

Ela fica ali, atrás da porta,

Para lhe fazer a surpresa

Por isso, não vê uma hora

Só para fazer maior presa.

 

Peruíbe SP, 16 de fevereiro de 2026.