segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O ESCUDO

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Na idade média, quando os soldados partiam para a guerra, usavam lança, espada, escudo, capacete e couraça. Eles lutavam bravamente contra os inimigos e, por isso, eram muito temidos.

A confiança na vitória vinha das habilidades e das vestimentas militares, que os protegiam dos ataques repentinos e inesperados. Serviam a nação com amor, sacrificando a própria vida. Morrer pela pátria era questão de honra. Eles eram impiedosos, isso era fato.

Ao tomar conhecimento daquelas batalhas, onde os cavalos eram meios de transporte, vejo que o mundo, desde que é mundo, sempre houve inimigos à espreita da nossa fraqueza. Na luta selvagem pela sobrevivência, que vença o melhor.

Hoje, neste mundo moderno e desumano, nos degladiamos com inimigos invisíveis e imaginários. Eles são covardes e, por isso, lançam mão de subterfúgios e armas repugnantes. São desprovidos de moral e de empatia para com o próximo.

Meu nome é Juventino. Anos atrás, um grupo de facínoras, queriam que eu participasse da maldade deles. Como recusei, arranjaram uma “casa de caboclo” contra mim. Então fui condenado por crimes que não cometi.

Eu confesso que, a princípio, pensei em me vingar. Mas, aos poucos, fui me demovendo daquela ideia absurda..Por que temer, se afinal de contas, eu tenho um Deus? Um adágio popular diz: “A Justiça Divina, tarda mas não falha!” 

Onze anos depois, eu tive a grata notícia de que dois dos meus inimigos foram condenados à prisão, por ordem da justiça terrena. Posso afirmar que a mão de Deus é pesada para aqueles que afrontam os protegidos Dele.

Desde a infância, eu sei que Deus não dorme, pois está sempre velando por nós. Por isso, descansei Nele o meu coração e esperei pela justiça. Um dia, a cobrança vem e a luz da verdade, há de iluminar a nossa alma. Com a força do Pai, eu vou me reerguer, creio.

Eu entreguei o meu destino a Deus e roguei a Sua justiça e Ele me ouviu”, Juventino confabulou consigo mesmo. “Ele vai me dar longos anos de vida, para eu ver os demais se sucumbirem diante dos olhos de Deus.”, concluiu o homem injustiçado.

Eu devo ter piedade deles? Confesso que não sei, pois se não forem apenados, continuarão praticando a maldade contra as pessoas bondosas de coração. Acharão que prejudicar as pessoas faz parte da vida. Quem sabe, se forem trancafiados, repensarão o verdadeiros valores humanos.

Os soldados da Idade Média, quando saiam para a luta, conheciam seus verdadeiros adversários e, por isso, usavam as armas corretas. Por isso, torna-se duro lutar contra pessoas que se ocultam atrás de armaduras feitas de falsidade. 

Eu vou continuar na batalha, para defender os meus ideais e aquilo que acho justo. Eu não vou me curvar aos pecados do mundo e nem prejudicar meus irmãos, para atender as minhas ganâncias. Não vou envergonhar o meu Deus, que tanto cuida de mim. 

Deus é meu escudo e meu broquel! (Salmos 91:4).


Peruíbe SP, 21 de setembro de 2026.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

CASA DA MÃE JOANA

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Quando criança, vivendo na eterna Terrinha, costumava ouvir termos e ditados populares. Alguns deles ainda permanecem encravados na minha memória. Com o passar dos anos, fui descobrindo o significado de alguns, porém, não de outros. Continuam misteriosos.

Um dos dos termos usados, era “A casa de Mãe Joana”. No lugarejo, havia uma anciã, respeitada parteira e benzedeira, com nome de Joana. Na minha inocência infantil, não compreendia o porquê de falarem da casa daquela abnegada senhora, que tanto ajudava as pessoas.

Eu tive o privilégio de conhecer a casa dela, onde, apesar de toda simplicidade, tudo era muito organizado. Dona Joana tinha por costume, receber as visitas com carinho e, para agradá-las, servia cafezinho acompanhado de cuscuz ou bolinho de chuva. Ela tinha um jeito dócil de conversar com todos, fossem crianças ou não.

Todos os filhos gerados por minha mãe, vieram ao mundo através das mãos abençoadas da dona Joana. Até hoje, tenho eterna gratidão pela mulher que me ajudou a nascer. Creio que meus conterrâneos se lembram dela com mesmo carinho.

Quando alguém dizia: “Isso aqui está parecendo a casa da mãe Joana”, juro que não compreendia. Como alguém poderia depreciar a casa daquela mulher tão bondosa e iluminada? Dona Joana morava sozinha, deixava a casa um brinco e com cheiro de acolhimento.

Já estando na fase adulta, eu soube que o termo era por demais pejorativo. A minha professora de português, isso no ginásio, disse que o termo servia para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem e a desorganização.

Um lugar de grande confusão, desordem e bagunça; onde não há autoridade nem regra e todos mandam. Então, percebi que a casa da dona Joana, lá da minha Terrinha, nada tinha a ver com a casa do termo pejorativo.

Ao tomar conhecimento do que ocorre na Suprema Corte, reporto-me ao termo “Casa da mãe Joana”. Preciso ser comedido no meu comentário, porque a Ditadura de Toga não perdoa. De repente, posso ter cerceado a minha liberdade. 

Eu confiava no benzimento e no parto feito por dona Joana, aquela da Terrinha. O duro é confiar nos frequentadores que transitam na Suprema Corte. Lá o desmando e a desorganização são latentes.

Os frequentadores sentem-se como deuses e se blindam. Eles creem que são seres imortais e, portanto, intocáveis.  As decisões monocráticas, representam a tal desordem, onde cada um decide a seu bel prazer. 

Eles se postam acima da lei e, por isso, não querem dar explicações de suas atitudes à população. Esquecem que são apenas funcionários públicos, isto é, funcionários do povo. Diz a Constituição: “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido.

“Casa da mãe Joana” a sua origem remontará ao Século XIV, a uma famigerada ordenação de dona Joana I, rainha de Nápoles e condessa de Provença, que estipulou os estatutos dos bordeis de Avinhão, em França, onde vivia. Uma das normas, destes estatutos por si promulgados, dizia: “O lugar terá uma porta onde todos possam entrar ou sair sem pedir licença, imperando a indisciplina e o desrespeito.”. . 

Lá na capital federal, quando os frequentadores da “casa da mãe Joana”, são compelidos a explicarem seus erros e abusos, criam narrativas esdrúxulas, para se livrarem de punições. Com a cara lavada, continuam na casa e, como de costume, promovendo toda bagunça.

Eu tenho imensa saudade, ao lembrar da “Casa da mãe Joana”, lá da minha eterna Terrinha. Além da casa ser um brinco (limpa) e organizada, a dona tinha comportamento probo e, por isso, respeitada e amada por todos os conterrâneos.

Quem dera se a outra casa de que tanto falo, fosse igual a da dona Joana, respeitada parteira e benzedeira da sagrada Terrinha.

Sonhar não é pecado!  


Peruíbe SP, 16 de setembro de 2026.


sábado, 12 de setembro de 2026

DOCE ENCANTO

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Você tem um doce encanto

Que não canso de admirar.

Mulher, meu amor é tanto,

Que eu vou levá-la ao altar


Foi o destino que a escolheu

Para ser minha doce amada.

A alegria cobrirá com o véu,

Felicidade vem e não tarda.


Uma esposa de mil virtudes

Filhos serão belas bênçãos.,

Viveremos só em plenitude,

Essa será a nossa missão.


E cuido dela com ternura,

Ainda chamo de princesa.

E haverá alma mais pura,.

Para essa paixão acesa?


Destino cruzou o caminho,

Almas se tornaram uma só.

Hoje não sou mais sozinho

Um dia, nós seremos avós.


Peruíbe SP, 12 de setembro de 2026.





quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O CASULO

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro


Às vezes, sinto desejo de me isolar do mundo e das pessoas. Essa vontade é necessária, para que possa refugiar-me dentro da casa do meu “eu”. Estou cansado do bombardeio de notícias sobre as tragédias na terra e da violência humana. 

Quando criança, não foi esse mundo que sonhei para o futuro. Como nasci e fui criado num lugar simples e acolhedor, regado pelo amor entre as pessoas, sinto-me um peixe fora d 'água. Não sei como sobreviver no meio de tanta maldade e hipocrisia.

Hoje é um salve-se quem puder, onde o rico oprime o pobre, a polícia se corrompe, a justiça é por demais injusta, o político mente para nação e a igreja vende um pedaço de lugar no céu. Um dia, meu Deus, não sei onde tudo vai parar.

O que sei é que preciso me proteger das agressões do dia a dia. Tudo o que acontece ao derredor, ofusca a minha mente e abala o meu coração. Sinto-me muitíssimo fragilizado, sem ter como me salvar das intempéries da vida. Quero gritar, mas não posso. 

                O ventre é o melhor casulo. Dentro dele, o feto se alimenta e se protege, contando com o calor humano. Ninguém vai dizer a ele, o que deve fazer, pensar ou sentir. A única ligação que tem com o mundo, é através do cordão umbilical, onde é oferecido o alimento, através de sua genitora e nada mais.    

Eu queria ser como a lagarta da mariposa doméstica Bombyx Mori, chamada de bicho de seda da amoreira. Ela tece o casulo e se protege, escondendo dentro dele. Dali só sai, quando a metamorfose acontece e se transforma em borboleta. Com as asas, voa para bem  longe da realidade.

Depois a indústria transforma o casulo em fios de seda. Para a lagarta isso pouco importa, porque, ao se tornar borboleta, já cumpriu sua missão. Agora está livre, leve e solta; para desfrutar a liberdade. Ao se esconder dentro do casulo, sentia-se feliz e protegida. A partir daí, o mundo lá fora, não tinha mais sentido.   

Diante deste mundo conturbado, sou compelido a imaginar situações surreais como essa. Enclausurar não significa acovardar, mas, sim, proteger. Isso em razão deste mundo materialista, selvagem e insano. Não posso estar exposto a toda sorte de agressão humana ou não.

Estando dentro do meu “eu”, posso repensar a vida e o destino. Também reprogramar a personalidade e o comportamento, diante da sociedade. Na atualidade, o mundo precisa de pessoas abnegadas e dispostas a servir o bem comum. 

Por temer a ação do ser humano (ou desumano), vejo no casulo do meu “eu”, a única saída, para salvar a alma e o espírito. Dentro dele, encontro ombro amigo para desabafar e buscar solução para questiúnculas do dia-a-dia.

Lá na sagrada Terrinha, o menino puro não sofria de temor do mundo moderno. Para ele, tudo era encanto e poesia. O jardim da praça matriz, o amor platônico, as brincadeiras infantis, o amor da família e a simplicidade do povo, era o melhor antídoto contra esse flagelo.

Se a lagarta se alimentava com a folha da amoreira, eu me saciava com a vida bucólica da Terrinha, onde tudo era paz e ternura. As pessoas estavam propensas ao amor, sem nada querer em troca.  Era amor, puro amor.

Não há nada melhor, do que poder contar com seu próprio casulo, nas horas de desespero ou depressão. 

Peruíbe SP, 10 de agosto de 2026.




terça-feira, 8 de setembro de 2026

MANHÃS DE INVERNO

                                                                                          Adão de Souza Ribeiro


Uma manhã calma despertava na sagrada Terrinha. A noite muito fria abraçou a cidade e, por isso, convidava as pessoas a permanecerem até mais tarde debaixo do cobertor. Mas o dia que se avizinhava, implicava em responsabilidade.

Até as crianças não gozavam de regalias, pois elas tinham compromisso com a escola. Enquanto se arrumavam com o uniforme, a dedicada mãezinha preparava o café com leite, reforçado com cuscuz e mandioca cozida e frita. Lá fora, a grama estava coberta de orvalho e a extensa neblina não deixava ver o horizonte.

No terreiro as aves, com muita algazarra, convidavam a saudar o amanhecer. Para despertarem os moradores, cantavam lindas canções, como se estivessem acasalando. Já no pasto, os animais degustavam a grama molhada pela garoa e dividiam o frio com os lavradores, que chegavam para a labuta cotidiana.

A temperatura baixíssima, insistia em permanecer por longas horas. Por isso, o tempo tinha um ar de preguiça e, então, o caboclo corria até o boteco do Anami ou do Iwai, para tomar um trago da marvada pinga, com a desculpa de que era para espantar o frio.     .

Na baixada e no final da Rua Rui Barbosa, iniciava o sítio da Assae Isaka, de onde se via apenas um véu branco, tampando todo cenário da vida agreste. Devidamente paramentados, os filhos rumavam felizes para o grupo escolar, soltando bafo como se fossem fumaça de cigarro. E riam, como riam!

A família de Silvinho, composta de sete filhos, era muito humilde. De poucos recursos, os pais só puderam comprar agasalhos de flanela, que pouco as protegiam da baixa temperatura. Mas a felicidade de estudar, aquecia o ânimo deles. “É só ignorar o frio.”. pensava Silvinho.   

No Grupo Escolar “José Belmiro Rocha”, na Rua Fernando Martins Paredes, isso na hora do recreio, as merendeiras serviam leite achocolatado quente, acompanhado de pão com mortadela. Havia fartura e os alunos podiam repetir a dose. A infância de Silvinho era revestida de calor humano, que aquecia o corpo e a alma.

Ele lembrou que anos atrás, a geada seca varreu a região e dizimou toda plantação e, em especial, o cafezal. Foi uma choradeira geral dos sitiantes e fazendeiros. Por isso, muitos abandonaram a lavoura e imigraram para outras cidades.

Naquele tempo, não havia meteorologista e satélites que sondavam a mudança da natureza, razão pela qual, todos eram pegos de surpresa. Silvinho, por ter nascido em junho, adorava a estação do inverno.

À noite, as pessoas e crianças da rua se juntavam para fazer fogueira e ficar em volta dela. Na fogueira, assavam batata doce e milho. Aquela ação estreitava o laço de amizade entre as famílias ali da rua. Enquanto os adultos conversavam, comiam quitutes juninas e bebiam vinho quente e quentão, as crianças brincavam sob o olhares e cuidados dos pais.  

Durante o inverno, os meninos dormiam e se alimentavam melhor. O único inconveniente, era que deveriam permanecer mais tempo dentro de casa.  Então, Silvinho junto com os pais e irmãos, ficavam mais próximos. Eles inventaram brincadeiras e assistiam séries e desenhos na televisão.

Até hoje, recordam do desenho da Pantera Cor-de-Rosa, Papa Léguas, Pica-Pau, Tom e Jerry, os Flintstones, Lippy e Hardy, Zé Colmeia e Catatau, Scooby Doo, Pernalonga, Mister Magoo, etc. Também as séries: Viagem ao fundo do mar, Jornada nas estrelas, Terra de gigantes, Perdidos no espaço, Mata Hari, Daktari, etc.  

O frio tinha sabor de afeto, pois todas as noite, ao se deitarem, a mamãezinha - eterna protetora-, vinha cobrir os filhos e verificar se todos estavam rigorosamente agasalhados. Antes de se deitarem, davam-lhes um prato de sopa de legumes bem quente. E, durante a madrugada, se postava ao lado da cama, para constatar se continuavam cobertos.

Os moradores mais abastados, praticavam solidariedade e ajudavam os mais humildes, doando cobertores e agasalhos. Lá não havia os chamados moradores em situação de rua. O inverno despertava o calor humano entre os conterrâneos.

O grau marcado pelo termômetro, era apenas o sinal do aparelho, a fim de medir a temperatura da natureza, porque na sagrada Terrinha, o termômetro não conseguia mensurar o calor humano.

O inverno impiedoso só não podia congelar o coração do povo da Terrinha.


Peruíbe SP, 07 de setembro de 2026. 

     


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MEU QUINTAL

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


As pessoas têm costume de admirar o mundo lá fora e bem distante dos olhos. Não conseguem ver os detalhes, porque a distância ofusca a visão. E se veem, é apenas um olhar superficial, sem a beleza que encanta e que enternece a saudade.

É certo que lá fora, existem mil coisas curiosíssimas, que podem despertar admiração. São tantas as bugigangas, que não dá para mensurar o valor de cada uma delas. Nós ficamos abestalhados e sem explicação. 

Em que pese tudo isso, ou seja, a coisas que encantam o mundo lá fora, nada se compara ao que existe no meu quintal. São coisas simples e ao alcance dos meus olhos. Eu posso sentar-me na espreguiçadeira, que está na calmaria da varanda, onde posso contemplar por todo tempo que me aprouver. 

O quintal do vizinho pode ser bonito, mas o meu tem um quê de diferente e de especial. Lá estão as flores onde bailam as borboletas e as árvores frutíferas; onde pousam os sanhaços, as coleirinhas, os curiós, os bem-te-vis, os pardais, os canarinhos e as corruíras.

Quando já é noite, fico contemplando os vagalumes, que iluminam a imensidão, como se fossem estrelas cintilantes. O orvalho enfeita a grama, que parece um tapete de lã estendido por toda extensão do quintal. A fragrância das flores dispensa comentários e elogios.

Diante de tanta belezura, duvido que haja lugar melhor. O cantar do grilo, com seu cri cri, a abelha com seu zumbido bzzz e a cigarra com seu ciciar, alegram aquele paraíso. Até o exército de formigas saúvas Atta Sexdens, carregando folhas para o formigueiro, que se transformam em fungo (alimento) é motivo de contemplação.

Quando estou estressado e borocoxó, refugio-me naquele lugar isolado do mundo barulhento e maluco. É ali que viajo em doces pensamentos e divago por galáxias date navegadas, Ali sou dono supremo do meu destino e não permito que me tirem do sossego.

O muro de cerca viva, feito de pingo de ouro e entrelaçado com melão de são caetano momordica charantia, transforma o lugar em sertão e parece que estou na roça. Enquanto no fogão a lenha, a chaleira chia fervendo água para o café, eu deleito-me na agradável leitura de Guimarães Rosa.  

O vento beija os galhos das árvores e eles dançam um alegre bailar, em agradecimento à natureza. E eu, amante da simplicidade, embriago-me com tanta ternura. Os olhos jorram lágrimas de emoção e o coração explode de alegria e contentamento. 

                Ali, entre os galhos da árvore e camuflada pelas folhas, a aranha - eximia tricotadeira-, tece a a sua teia, para apanhar insetos distraídos e incautos. Também, o pássaro pica-pau da ordem piciforme e da família picidae, insistentemente martela o bico no tronco, a fim de encontrar alimento (larvas de inseto e lagartas).

Um teiú caminha lentamente no meio da folhagem, à procura de alimento (aves, ovos, insetos, répteis e carcaças). Assim passo horas e horas observando aquele presente do universo, sem sentir a hora passar. Até parece que o ponteiro do relógio parou no tempo, só para admirar o meu alegre quintal.

Ali, naquele lugar sacrossanto, eu proseio com as plantas e me sinto tão humano, com a alma mais leve. Só o quintal me dá essa cura e alegria.

Quintal, meu eterno amigo, eu amo você!


 

Peruíbe SP, 31 de agosto de 2026.   


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A CABOCLA

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro

Menina de trança,

As saudades de ti.

Quanta esperança

E como eu te quis.


Sandália nos pés,

O vestido de chita

Queria um cafuné

Tu eras tão bonita


No lábio o batom,

No olho a sombra

O tempo era bom 

Amor não zomba.


O seu cabelo voa,

Charme no andar

A morena na cor,

Só da cor do luar.


O corpo sensual,

E que me excita.

Nuda é tão igual

Lá naquela vila.


Eras a boneca,

Eu fico risonho.

A gata sapeca,

Do meu sonho.


Peruíbe SP, 28 de agosto de 2026.