quarta-feira, 5 de agosto de 2026

AMOR A TRES

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro 

Se Maria diz que ama

Seu maior amigo José

Vou fugir desta trama

A três não vai dar pé.


Para me ver fiz tudo,

Até escrevi a poesia

Fiquei bravo maluco

Esperei com alegria.


Se foi escolha dela,

Não adianta sofrer.

Mas a vida é bela,

Busca novo prazer


Mas tudo é ilusão

E logo isso passa.

Bobo é o coração

Que se despedaça.


Ele deixou Maria,

Então mas agora?

E antes ela sorria

Hoje ela só chora


Ao cair o castelo

Vai me procurar.

Dor de cotovelo

Não quero mais.



Peruíbe SP, 05 de agosto de 2025.


terça-feira, 4 de agosto de 2026

MINHA METADE

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Você mora no sonho

Também no dia a dia

Por isso não oponho

De ser minha Maria.


Você faz desta vida,

O que bem aprouver

E o coração suplica,

Seja minha mulher.


Você é meu corpo

Alegre o completa

Eu sinto um moço

Cupido e a flecha.


É bom que existe,

Faz parte de mim.

Nada é mais triste

Do que viver o fim


Você é meu tempo,

Preenche o espaço

Coração bate lento

Se perder que faço.


Você é a metade

Do que me falta;

Vem sem alarde

Assim tem graça.


Peruíbe SP.; 04 de agosto de 2026.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

ESTUPIDO CUPIDO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Uma música dizia: “Mas, seu cupido meu coração/ Não quer saber de mais uma paixão/ Por favor vê se me deixa em paz/  Meu pobre coração já não aguenta mais/…(Oh! Oh! Cupido!)/ Hey Hey, É o fim/ Oh Cupido/ Vai longe de mim…”  música Estupido Cupido, com Celly Campello.

Eu penso que criança não deveria se apaixonar, nunca. Esse estado emocional, judia demais do coração da pessoa. Quando é correspondido, tudo bem; mas quando não, é um Deus nos acuda. O ser humano perde a fome, alegria, entra em depressão e parece que o mundo desabou.

A infância é a melhor fase da vida, então, para que sacrificá-la em nome de um sentimento tão efêmero e frágil. Ao se deixar ser presa nas garras da paixão, a criança abdica do prazer de ser feliz e de ser inocente em toda plenitude. Ela sacrifica o que há de mais belo em toda sua vida: a inocência. A criança nunca deve brincar de ser adulta, porque ser adulto não é brincadeira.

Eu digo isso, porque um dia, sem querer, fui acometido desse mal, depois de ser picado pelo inseto da paixão. Não adiantou eu relutar, pois, depois de ser infectado, não houve remédio ou simpatia que curasse. Fiz promessa e até a novena, mas não adiantou.

Enquanto meus coleguinhas convidavam-me para brincadeiras infantis, lá estava eu amuado pelos cantos. E ela, a pessoa que eu amava em silêncio, vivia seus momentos felizes, sem se preocupar com meu sentimento. 

Eu posso dizer, que eu não sei se algum coleguinha, passou por aquele infortúnio de amar alguém em silêncio. Também não perguntei, porque poderia despertar curiosidade e quisesse saber se eu estava amando em segredo. Isso, nem pensar. Credo!

A bem da verdade, ela nem sabia; pois o amor era fruto da minha fantasia de menino puro. Os adultos chamam esse desejo de amor platônico. Um sentimento que vai além da vontade da carne, pois ele exalta as qualidades da pessoa amada.

Hoje eu entendo porque ele alimenta a inspiração do artista - poeta, compositor, cantor e pintor -, presenteando-o com belas obras de arte. Quantas vezes, imaginei a amada segurando minha mão; dando um forte abraço; os seus lábios sedentos, beijando os meus; sussurrando palavras de amor no meu ouvido. Que pena, era somente doce ilusão!   

No dia em que a via, desfilando garbosamente pelas ruas da Terrinha, o dia tinha mais encanto. A natureza se vestia de alegria; as flores do jardim, exalavam atraentes perfumes; os pássaros entoavam lindas melodias de amor e eu, embriagado com a beleza dela, ficava hipnotizado com tamanha beldade.

Eu tinha ciúme até do vento, quando tocava o rosto da pessoa amada. Se o ciúme era platônico, aquilo pouco importava. De tanta alegria, o meu coração parecia saltar do peito. Eu ficava observando a sua beleza, até ela desaparecer da minha visão. Meu Deus, quanta saudade!

Há muitos anos está casada e já é avó. O tempo mudou o seu corpo, assim como mudou o meu; mas o seu rosto, continua com os mesmos traços da beleza de outrora. Outro dia nos vimos e conversamos longamente. Relembramos de coisas da infância e rimos. 

Eu confesso que tive vontade de, tardiamente, declarar meu eterno amor por ela, mas contive-me. Ele só continua belo, porque dorme no leito do eterno segredo. Todo dia, vou balançar o berço da saudade, para que ele possa continuar ninando a minha fantasia. Então pensei: “Se eu revelar, ele perderá o encanto e deixará de ser platônico.

O amor não morre, apenas hiberna no coração de quem sabe esperar o momento exato de despertar, para reviver a magia de tornar as pessoas mais sensíveis às belezas da vida. 

Se até hoje o meu sentimento pela amada é platônico, a culpa é do cupido!    


Peruíbe SP, 31 de julho de 2026.


quinta-feira, 30 de julho de 2026

QUARTO VAZIO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

Mas o que fazer

De noite, de dia

E a cama vazia

Na falta de você


Lençol desfeito,

Espera a amada

Já é tarde, nada.

A dor no peito.


Tudo só silêncio

Ausência é forte

Não tenho sorte

Quero o alento.


A janela que vê

E comigo chora

Quando a hora,

Leva meu sofrer.


Cheiro da fêmea

O calor do corpo

Eu sinto o gosto,

Que triste dilema


Só o quarto vazio

Respirar ofegante

Nada como antes

No lençol macio!


Tênue só uma luz.

O sono não chega

A imagem seduz;

A paixão tão cega


Peruíbe SP, 30 de julho de 2026.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

A DIVINA CRIAÇÃO

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Lá fora tudo acontece,

Sem minha permissão.

E mesmo com a prece

Quer eu queira ou não.


Pois o mundo é assim,

Tem seu poder infinito.

Não depende de mim.

E, assim, não insisto.


Rio calmo transborda,

Já feliz dorme a noite. 

Se o vento forte chora

Deseja-lhe: boa sorte.


A vida tem seu rumo.

Não mude o destino. 

É como o vagalume,

E livre feito menino.


Cada coisa no lugar

Dia sol, noite o luar.

Procure contemplar

As belezas do mar.


Deus é tão perfeito,

Naquilo que Ele faz

Em tudo dá um jeito.

E sem errar, jamais.


Deus fez Universo.

Poema sacrossanto

E por isso, lhe peço:

Ama com encanto.


Natureza é presente

É a dádiva de Deus.

Cuida para sempre,

Que Papai lhe deu,


Peruíbe SP, 29 de julho de 2026.


domingo, 26 de julho de 2026

O ANCIÃO

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro


Lá vem ele todo trôpego,

Caminhando aqui e acolá

E ali pára e já sem fôlego

Pois se lhe falta muito ar.


Com auxílio da bengala,

Como se fosse sua perna

Então, a mente dele fala:

E o que eu seria sem ela?


Aqueles cabelos brancos

Olhar cansado e distante 

O coração sonhos tantos

Vida passa num instante.


Se o destino cobra caro,

Não desperdiça o futuro

Não acha tudo um sarro

E jamais anda no escuro


E do ancião, não caçoa,

Vai envelhecer um dia.

Não passe a vida a toa,

Como faz uma cotovia.


Escreva lá no caderno

E deixa bem impresso

Saiba que aquele velho

É o bebê que deu certo.


Peruíbe SP, 26 de julho de 2026.


 





sábado, 25 de julho de 2026

A DEMOLIÇÃO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

Geraldo Silva, o Gegê, era casado, ótimo esposo, excelente pai de seus filhos - dois meninos e uma menina - e trabalhador honesto. Ao constituir família, soube honrar o compromisso de provedor do lar, pois nunca deixou faltar o conforto e o alimento. O comportamento dele, lembra a música sertaneja: “Franguinho na panela”, da dupla Lourenço & Lourival.

Por longos anos, morou na cidade grande e dedicou a vida, trabalhando na siderurgia, o que custou a saúde, em razão da poluição. Ele criou os filhos,  sob o manto do respeito e obediência aos pais, amor a Deus e o gosto pelo trabalho honesto.  

A vida simples, que levava no sítio carinhosamente chamado de Fim do Mundo, traduz o encanto em desfrutar a natureza, onde a beleza e a paz eram abundantes. Compartilhar com os animais, pássaros, rio e a plantação, não há prazer maior.

Barney, o cachorro de pêlo macio e latido forte, encarregava de proteger o lugar, afugentando as jaguatiricas e as raposas, enquanto os saguis, macaquinhos peraltas, pulavam de galho em galho e se equilibravavam na cerca, para ganharem alimento das mãos de Mariquinha.

Pode-se dizer que Maria das Dores Veiga da Silva, a Mariquinha, era a prendada esposa e dona de casa, a qual além de cuidar dos afazeres domésticos, ajudava no tratamento da criação, isto é, galináceos, bovinos, suínos e caprinos. E assim, estando na lida diária, eles não percebiam o dia passar e o sol se esconder atrás da mata densa.

A casa em que abrigava a família, era humilde e construída de pau a pique, com cobertura de sapê. Não havia luxo e nem exagero na mobília, apenas o necessário para viver. No entanto, ele viu que chegou a hora de construir uma moradia digna para os protegidos.

Para isso, lançou mão das parcas economias, adquiridas ao longo da árdua vida de trabalho na siderúrgica. Com elas comprou todo o material e contratou um ajudante. De manhã, fazendo sol ou chuva, iniciava o trabalho, que se estendia até o final da tarde. Tijolo por tijolo, foi construindo o sonho de melhor cuidar da sua prole.

Cada gota derramada de suor, significava a luta aguerrida de um homem que nunca desistiu de sua responsabilidade. E assim, pouco a pouco a casa foi ganhando forma. Não demoraria e os seus rebentos estariam abrigados na nova morada. Mariquinha se orgulhava do esforço de Geraldo, seu adorado e dedicado cônjuge.

Quando as paredes já estavam levantadas e cobertas com laje, o fiscal da Prefeitura apareceu e embargou a obra, por diversas razões, interrompendo um sonho tão sonhado. A vida é mesmo assim: Deus dá o fogo, o diabo vem e tira a brasa.

Uma vez que a obra estava parada, Geraldo começou providenciar a documentação para regularização do terreno e da obra. Ele ficou entristecido e Barney, o guardião do Fim do Mundo percebeu a decepção de seu tutor e não mais abanou o rabo, em sinal de alegria. Ver parado o fruto do trabalho, dilacerou o coração do pobre homem.

De repente, sem que se esperasse, policiais ambientais investidos do poder de Estado e sem mandado Judicial, invadiram o Fim do Mundo. Auxiliados por máquina retroescavadeira, os milicianos colocaram toda estrutura abaixo. Gegê, o eterno sonhador, assistia inerte toda aquela afronta. 

O Secretário do Meio Ambiente e os policiais militares florestais não eram autoridades, apenas agentes da autoridade. Por isso, tanto o Secretário quanto os seus agentes, exerceram atitude arbitrária, configurando abuso de autoridade.

         Tanto é que o delegado de polícia, para realizar uma diligência de busca e apreensão, necessita de autorização judicial. A Autoridade, de acordo com a lei, é somente o Juiz de Direito.

Ao ver a demolição acontecer e a construção se transformar em entulho, o honrado pai sentiu que a lei era tão fria e insensível, sepultando o seu direito de cuidar da família com dignidade.

Não é a lei que é injusta, mas, sim, aqueles que a representam. Será que enquanto o operador da retroescavadeira, efetuava demolição, não imaginava a dor de Gegê ao ver aquela cena humilhante? E se fosse a casa do operador, como ele se sentiria?

A Secretaria do Meio Ambiente não deu a chance de Gegê oferecer recurso e se defender de tamanha injustiça. Um homem que trabalhou duramente a vida toda e que pagou religiosamente os seus impostos, não foi respeitado no seu direito de propriedade e, acima de tudo, de dar conforto digno à família.

Por que os ricos e poderosos derrubam florestas, se declaram inocentes e não são punidos?”, assim pensava Geraldo Silva, o Gegê, ao ver as lágrimas de sua esposa  Mariquinha, bem como, de seu futuro desmoronar.

Mas a lei, ora a lei!


Peruíbe SP, 25 de julho de 2026.