Adão de Souza
Ribeiro
Quando vejo a cartilha “Caminho Suave” da
escritora e educadora Branca Alves de Lima e Maira Lot Micales, transporto-me
ao ano de 1967, quando estudei o primário, no Grupo Escolar “José Belmiro
Rocha”, na minha sagrada Terrinha.
Naquele tempo, não se usava livro de cunho
político, para transformar aluno em robô, sem direito a pensar e a criar própria
personalidade. Ensinava de um jeito suave o bê-á-bá do cotidiano. Maria
Aparecida Almada, minha primeira professora, tinha uma didática encantadora
para ministrar aula.
No pátio, antes de iniciar a aula, os alunos
eram perfilados e, em posição militar, cantavam o “Hino Nacional Brasileiro”.
Enquanto o hino era executado, não se ouvia alguém conversando ou mascando
chiclete. E foi assim, que aprendi respeitar e amar a Pátria.
Eu me sentia orgulhoso ao envergar o uniforme
e caminhar rumo a escola, levando o caderno brochura; a cartilha “Caminho Suave”;
estojo com lápis, borracha e apontador, bem como, a lancheira. Ficava ansioso
para entrar na classe e rever os coleguinhas.
Os professores eram respeitados e
idolatrados, por isso, haviam alunos que nutriam admiração e paixão silenciosa pelos
mestres. O aprendizado tinha um sabor diferente e os alunos se embriagavam com
as matérias ministradas pelos seus mestres.
Hoje eu vejo que os jovens são cabeças ocas,
tanto no linguajar, quanto no gosto musical.
A metodologia didática, preza pela ignorância massificadora, onde o
jovem nada sabe da sua importância na sociedade.
Não havia tropeço na busca do conhecimento,
por isso, era sempre suave o caminho de casa até a escola. Tudo tinha um
encanto indescritível, que o sentimento não consegue descrever. Só a doce
lembrança consegue rememorar tanta saudade.
As brincadeiras feitas com os coleguinhas
inocentes, deixaram marcas indeléveis na memória e no coração de um menino que
soube viver a infância. As crianças do presente, não têm tem passado e nem
história, para contar as futuras gerações.
A minha Terrinha continua viva na lembrança,
que perpetuará para sempre e até a eternidade. Os amiguinhos, que vivenciaram e
compartilharam momentos imortais, cresceram e levaram consigo os mesmos
sentimentos como o meu, eternizando o passado.
Os olhos lacrimejam, só de falar daqueles
tempos áureos, onde tudo era simples e sem maldade. A única preocupação era só
brincar de ser criança, com toda leveza do espírito infantil.
Até hoje eu sinto falta daquele caminho
suave, que me ensinou a trilhar pelos mistérios de um mundo selvagem e sem a
pureza da alma. Agradeço a Deus por ter sido acolhido pelo Grupo Escolar “José Belmiro
Rocha” e, ainda, por ter folheado a cartilha “Caminho Suave”. Velhos tempos,
que não voltam jamais!
Peruíbe SP, 13 de
março de 2026.