Adão de Souza Ribeiro
A festa de fim de ano estava sendo realizada na chácara “Fim do Mundo”, de propriedade do casal Sérgio e Raquel. Lá, dentre os seletos convidados, eu fazia parte. Notei que um dos convivas, aparentando quarenta anos, se mostrava bem extrovertido e comunicativo.
Eu fui apresentado a ele pelo varão e anfitrião Sérgio. Tomei conhecimento, que ele se chamava Adriano e que exercia a profissão de investigador de polícia na localidade.
Como eu era fissurado em literatura e filme policial, não perderia a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Por notar que estava sendo muito assediado, não quis falar sobre assunto de trabalho. Até porque, aquele momento não era oportuno.
Então, trocamos número de telefone para posterior encontro e solidificarmos possível amizade. Dias depois, nos encontramos no renomado Restaurante Boi na Brasa. Sentamos num canto discreto, onde tínhamos ampla visão do local.
O diálogo transcorreu muito descontraído e me apresentei como sendo colunista do jornal da região e, também, confessei ser fã de literatura e filme policial. Eu disse que o conhecia pelo nome e que estava honrado em conhecê-lo pessoalmente.
Por sua vez, Adriano se apresentou, contando sobre sua vida pessoal e profissional. Disse que nasceu e foi criado no interior. Por pertencer à família humilde, passou por sérias dificuldades. Segundo ele, foi através da família, que aprendeu os verdadeiros valores da justiça e da honestidade.
Embora tivesse parentes na polícia civil e militar, jamais imaginou ou sonhou ser policial civil. Ao abraçar a profissão, procurou estudar com afinco as técnicas de investigação. Também teve como princípio, honrar e enaltecer a Instituição Policial, defendendo a sociedade, contra a ação de marginais.
Por nome, eu já o conhecia como exímio policial, tendo como vocação a elucidação de crime de homicídio. Por ser expert na elucidação de tão horrendo crime, ele recebeu o carinhoso apelido de Faro Fino.
Eu quis saber, qual era a receita ideal para descobrir o autor e o motivo de um assassinado. Ele prontamente respondeu: “Primeiro, identificar se o crime foi por ganância ou passional. Porque o ser humano só mata por dinheiro ou por amor. Depois, estudar a vida pregressa da vítima. Esse detalhe é fundamental para descobrir a razão do crime.”
Depois de saborear doses de cerveja, ele acrescentou: “Outra coisa imprescindível é que o policial vá até onde está a vítima. É sabido que o local e o corpo falam. Também deve colher todo objeto encontrado, embora não lhe pareça importante. Tudo é valioso para elucidação. A colheita de depoimento de testemunhas deve ser colhida com reservas. Dizem que a testemunha é a maior prostituta da provas.”
Por causa da sua eficiência e honestidade, Adriano era muito admirado e respeitado, por isso, os munícipes o procuravam para informar de forma sigilosa sobre autoria e motivação do homicídio. Na maioria das vezes, ele trabalhava sozinho, pois temia que vazassem informações preciosas. Um causídico o chamava carinhosamente de ***Columbo.
Eu pretendo narrar em detalhes, alguns homicídios solucionados por ele. Mas creio que não será possível só nesta assertiva. Por isso, vou ter que dividir em partes. Assim como eu, o assíduo leitor deve estar deveras curioso.
Adriano, o Faro Fino, causou-me grande empatia. Por isso, nossa amizade perdura até hoje. Ao estimado leitor, afirmo categoricamente, que tenho muitas histórias policiais para contar.
Peruíbe SP, 20 de abril de 2026.
*** Columbo foi uma série policial televisiva dos anos 1970, estrelada por Peter Falk. A série revolucionou as histórias de detetive. Ao contrário do que geralmente ocorre em filmes policiais, onde a maioria dos episódios começa mostrando claramente quem é o assassino e os pormenores de como o homicídio foi cometido. Os crimes da série tem um ponto em comum: o (s) criminoso (s) monta (m) que parece perfeito.