segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MEU QUINTAL

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


As pessoas têm costume de admirar o mundo lá fora e bem distante dos olhos. Não conseguem ver os detalhes, porque a distância ofusca a visão. E se veem, é apenas um olhar superficial, sem a beleza que encanta e que enternece a saudade.

É certo que lá fora, existem mil coisas curiosíssimas, que podem despertar admiração. São tantas as bugigangas, que não dá para mensurar o valor de cada uma delas. Nós ficamos abestalhados e sem explicação. 

Em que pese tudo isso, ou seja, a coisas que encantam o mundo lá fora, nada se compara ao que existe no meu quintal. São coisas simples e ao alcance dos meus olhos. Eu posso sentar-me na espreguiçadeira, que está na calmaria da varanda, onde posso contemplar por todo tempo que me aprouver. 

O quintal do vizinho pode ser bonito, mas o meu tem um quê de diferente e de especial. Lá estão as flores onde bailam as borboletas e as árvores frutíferas; onde pousam os sanhaços, as coleirinhas, os curiós e as corruíras.

Quando já é noite, fico contemplando os vagalumes, que iluminam a imensidão, como se fossem estrelas cintilantes. O orvalho enfeita a grama, que parece um tapete de lã estendido por toda extensão do quintal. A fragrância das flores dispensa comentários e elogios.

Diante de tanta belezura, duvido que haja lugar melhor. O cantar do grilo, com seu cri cri, a abelha com seu zumbido bzzz e a cigarra com seu ciciar, alegram aquele paraíso. Até o exército de formigas saúvas Atta Sexdens, carregando folhas para o formigueiro, que se transformam em fungo (alimento) é motivo de contemplação.

Quando estou estressado e borocoxó, refugio-me naquele lugar isolado do mundo barulhento e maluco. É ali que viajo em doces pensamentos e divago por galáxias date navegadas, Ali sou dono supremo do meu destino e não permito que me tirem do sossego.

O muro de cerca viva, feito de pingo de ouro e entrelaçado com melão de são caetano, transforma o lugar em sertão e parece que estou na roça. Enquanto no fogão a lenha, a chaleira chia fervendo água para o café, eu deleito-me na agradável leitura de Guimarães Rosa.  

O vento beija os galhos das árvores e eles dançam um alegre bailar, em agradecimento à natureza. E eu, amante da simplicidade, embriago-me com tanta ternura. Os olhos jorram lágrimas de emoção e o coração explode de alegria e contentamento. 

                Ali, entre os galhos da árvore e camuflada pelas folhas, a aranha - eximia bordadeira-, tricota a sua teia, para apanhar insetos distraídos e incautos. Também, o pássaro pica-pau da ordem piciforme e da família picidae, insistentemente martela o bico no tronco, a fim de encontrar alimento (larvas de inseto e lagartas).

Um teiú caminha lentamente no meio da folhagem, à procura de alimento (aves, ovos, insetos, insetos, répteis e carcaças). Assim passo horas e horas observando aquele presente do universo, sem sentir a hora passar. Até parece que o ponteiro do relógio parou no tempo, só para admirar o meu alegre quintal.

Ali, naquele lugar sacrossanto, eu proseio com as plantas e me sinto tão humano, com a alma mais leve. Só o quintal me dá essa cura e alegria.

Quintal, meu eterno amigo, eu amo você!


 

Peruíbe SP, 31 de agosto de 2026.   


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A CABOCLA

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro

Menina de trança,

As saudades de ti.

Quanta esperança

E como eu te quis.


Sandália nos pés,

O vestido de chita

Queria um cafuné

Tu eras tão bonita


No lábio o batom,

No olho a sombra

O tempo era bom 

Amor não zomba.


O seu cabelo voa,

Charme no andar

A morena na cor,

Só da cor do luar.


O corpo sensual,

E que me excita.

Nuda é tão igual

Lá naquela vila.


Eras a boneca,

Eu fico risonho.

A gata sapeca,

Do meu sonho.


Peruíbe SP, 28 de agosto de 2026.


A AGONIA DO PLANETA

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


Enquanto os políticos criam histórias mirabolantes para ludibriar o povo e os gananciosos dilapidam a natureza, o planeta agoniza e pede socorro. Assistimos estarrecidos, as tragédias que assolam todos os continentes.

A imprensa sensacionalista explora as cenas de terror. Os cientistas e os geólogos fingem encontrar justificativas e soluções miraculosas para estancar os estragos deixados pelas tragédias. Nós estamos de mãos atadas, essa é a grande verdade.

O homem cavuca em qualquer lugar, na busca de petróleo, terra rara e ouro.  No lugar, deixa feridas irreparáveis, que sangram cotidianamente. Em nome do progresso, os detentores do poder fecham os olhos e nada fazem para salvar a terra e seus habitantes.

Os líderes mundiais, estão preocupados em conquistar países, a fim de ampliar o seu território, com uso de força bélica e à custa do sacrifício da população. Aos poucos, vamos sendo dizimados, ora por tragédias naturais, ora pela ação humana.

Os atuais falsos profetas (padres e pastores) - Marcos 13:22, pregam nas sinagogas (igrejas), a benevolência que nem eles praticam. Basta vê-los enriquecendo às custas da imagem do Divino Criador.   

Aos poucos, vemos sinais do esgotamento da terra e a chegada do fim do mundo. O esgotamento está representado por terremoto, vendaval, aquecimento global, inundação, avalanche, furacão, derretimento das geleiras, etc. e tal. A fome, a guerra e a ganância humana aceleram a  premunição.

Ao assistirmos estarrecidos a cena da avalanche ocorrida no Nepal, que fica entre a China e a Índia, provocada pelo degelo no alto do monte LangTang, na cordilheira do Himalaia.  Everest ( 8.848,86 metros de altitude), que fica na cordilheira do Himalaia.

Sabe-se que o Himalaia é composto dos quatorze picos mais altos do mundo, sendo o monte Everest (8.848,86 metros de altitude, o maior e mais famoso deles. Então percebemos quão grave é a ação humana.

O aquecimento global, provocado pela queima de produtos fósseis e o desmatamento das florestas feito pelo homem, bem como, a poluição dos rios, é fator primordial para o aquecimento do planeta e, consequentemente, para o degelo a que assistimos tão cabisbaixos.

Também não devemos esquecer do terremoto ocorrido na Bolívia, Japão e Indonésia. A Terra, nossa mãe acolhedora, agoniza e clama por socorro. Para socorrê-la, basta estancarmos as agressões contra o corpo lindo e frágil. De que adianta juntar tesouros se, de repente, seremos arrebatados?

O que está acontecendo hoje, foi descrito em Apocalipse, que significa Revelação ou Descoberta. Não vamos enveredar no mérito religioso, pois cada seita tem seu próprio entendimento ou interpretação e nós devemos respeitar.

Nós lamentamos pela geração que está chegando e a que está por vir, pois tememos o que elas encontrarão nos próximos anos. Com o iminente fim dos tempos, nem chegarão até lá. Credo! 

A Terra, uma senhora já idosa, que conta com bilhões de anos na certidão de nascimento, tem o corpo dilacerado pela ação do ser humano. Ela, pela graça de Deus, tenta resistir a todo esse sofrimento. Ela é uma heroína e, então, pergunta-se: “Meu Deus, até quando resistirá a essa afronta?

Debruçado na janela do tempo, eu admiro o Planeta que caminha até a  linha do horizonte. Então, fico imaginando: “O que Deus levou sete dias para criar, o homem concebido à sua imagem e semelhança, quer destruí-lo em segundos, isso sem pestanejar. Para Deus, bilhões de anos pode equivaler há um dia.

Por estar descorçoado com o ser humano, fecho a janela do meu pensamento e vou dormir o sono dos anjos. Amanhã será um novo dia. Amém!


Peruíbe SP, 27 de agosto de 2026.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

DEDIM DI PROSA

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro

U dedim di prosa

Nunca mi fais má

Venha cá na roça

Vamu butá prusiá


I zóia a Mimosa,

I u meu Pangaré

U meu pé di rosa

A muié du Mané.


Tomá a cachaça

Pitá fumu di paia.

I vê mutia graça,

Muié arribá saia.


Tumá café muidu.

Cumê miu assadu

I alembra di tudu, 

I ficá engasgadu.


Buscá lá nu paió

Miu prus bichus.

Andá nu cafundó

A noiti nu iscuru.


Miguiá nu córgo,

Ficá inté di tardi

Ir pescá uns lobó

Pra trazê di bardi.


Si têm coisa mió

Issu eu nunca vi.

Assim eu vivu só,

Nu arredu daqui.


Peruíbe SP, 26 de agosto de 2026.


O MATUTO

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Eu sou um matuto,

Disso eu me alegro

Se sistema é bruto.

Eu não me envergo.


Jamais temo a luta,

Aprendi lá na roça,

Importa a conduta.

Se rude leva coça.


A vida não perdoa

E tem que ser reto 

Como boa pessoa.

Homem predileto.


Não seja o trouxa,

Tenha sagacidade.

Vaca que é mocha

Não vai na cidade.


Com seu trejeito,

Pessoa simplória

Traz no seu peito

A eterna história,


Chama de caipira,

Vê, não se zanga.

É feito a curruíra,

Só canta e dança.


Matuto, o menino

Se vive no sertão,

Siga o seu destino

Nunca muda não!


Peruíbe SP, 26 de agosto de 2026.



terça-feira, 25 de agosto de 2026

GOSTAR DE MULHER

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro

Eu amo a Letícia

E a Olga também.

Querer não avisa

Quando ele vem.


Eu amo a Odete,

A Dani eu adoro.

Não se esquece,

Eu triste, choro.


Eu amo a Malu,

A Vivi agradeço

Se eu fui ao sul

Buscar um beijo


Eu desejo a Ana,

Carla me excita.

E não se engana,

Sonho com Eliza.


Eu quero Marina,

Júlia me acalma.

Mari me ensina,

Cuidar da alma.


Eu almejo a Bia,

Gosto de Márcia

Como eu queria, 

Essa doce graça.


A Sílvia faz feliz, 

No bem-me-quer

Não sei o que fiz

Gostar de mulher


Peruíbe SP, 25 de agosto de 2026.


O ABANDONO

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Meu filho, vem cá,

Eu quero o abraço.

Antes que você vá.

E rompa esse laço.


Filho, dá seu beijo,

Neste velho rosto.

E a falta do cheiro

Dá muito desgosto


Não me abandona

Só aqui nesta vida.

E a dor vem a tona

Em nada se explica


O trecho é longo

O tempo é curto.

Dá-me o ombro,

Senão eu surto.


Dá-me o ouvido

Quero conversar

O sexto sentido,

Quer profetizar.


Filho, sê grato

A vida é frágil.

Um dia passo,

E nada é fácil.


Peruíbe SP, 25 de agosto de 2026.