domingo, 8 de fevereiro de 2026

O PODER SUPREMO

 

Adão de Souza Ribeiro

Com esse seu poder supremo,

Faz do mundo o que bem quer.

E não escolhe o peso do remo,

Se naufraga homem ou mulher.

 

Vejo estar a serviço da maldade,

Para ajudar quem é só perverso.

A palavra sagrada é só disfarce,

Que vale é o reino, cadê o resto?

 

E se alguém grita é logo calado,

De repente é pregado numa cruz.

Tal liberdade é coisa do passado,

Só poucos tem direito a uma luz.

 

Se toda maldade se veste de preto

E como se tudo estivesse na moda.

Para o que está errado, dá-se jeito.

Ficar o com poder é que importa.

 

Tudo o que se decide no Sinédrio,

Vejo jamais poderá ser contestado

Para o cristão não haverá remédio,

Senão na cova rasa, ser sepultado.

 

Do alto do poder, grande Tribuno

Julga a quem pecado não cometeu

Se acha como tal dono do mundo,

Diz estar acima do poder de Deus!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

SONHAR TALVEZ

 

Adão de Souza Ribeiro

Tu dizes que me quer

Isso é obra do Divino.

Te quis como mulher,

Quando era o menino.

 

Fico feliz que me vês

Isso jamais acontecia.

Eu sonhava só porque,

Era tudo o que queria.

 

Sei que o tempo pode

Mudar a vida do nada

E se realiza no galope

Ao longo desta estrada

 

Passei noite em branco

Pensando assim em ti

E o coração sangrando.

Foi desse jeito que vivi.

 

E nunca morre o amor,

De esperança que vive

Pois é a mais pura flor,

Que faz alma ser livre.

 

Agora que tu és minha

Passou aquela tristeza.

Está feliz esta casinha,

Com a minha princesa!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

AMAR EM SEGREDO

 

Adão de Souza Ribeiro

E quem te admira,

Nunca se desdém.

Tu és a bela safira

Igual a ti não tem.

 

Trate-o com amor

Respeita o desejo.

Se te vê como flor

Dê a ele um beijo.

 

Há muito te quer,

Ele nunca desiste

Seja dele, mulher

Não o deixa triste.

 

Ainda eras menina

E de ti se engraçou

Tu eras a bailarina,

O tempo já passou.

 

Se vê como deusa,

A mulher do sonho

Faças a tua beleza,

Ser o lugar risonho.

 

Se olha diferente,

De paixão idolatra

Coração que sente

Então só isso basta!

Peruíbe SP, 07 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

AMAR EM SILÊNCIO

 

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te quero em silêncio

E é assim que eu penso

Para que não percebas,

Meu olho em labaredas.

 

Eu te desejo bem calado

Desde o tempo passado.

Fiz meu coração sofrer,

Hoje eu não sei porquê.

 

Eu te venero só e quieto

Te vejo fico boquiaberto

Fico louco, sofro e deliro

Mas porque esse martírio

 

Eu te idolatro como rainha

Meu Deus, que sina minha.

O destino parece tão bravo

E se continuar eu me acabo.

 

Se eu te coloco no belo altar

É para te proteger e te adorar

Para mim, és mulher e santa,

A vontade de ti, me espanta.

 

Peruíbe SP, 05 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

QUE VIDA BOA!

 

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

                        Deus criou o mundo em sete dias. (Genesis 1:1-5)

                        Mesmo sendo dono supremo do Universo, Ele não se apressou na criação da sua obra prima. Assim agiu, para não esquecer dos mínimos detalhes. A cada dia, criava uma coisa, pois sabia que era para eternidade.

                        No primeiro dia, fez a luz, separando das trevas e chamou a “luz” de dia e a “treva” de noite; no segundo dia, fez o firmamento, chamando de atmosfera que envolve a terra; no terceiro dia, fez a terra, os mares, vegetação, plantas e árvores; no quarto dia, fez os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas, para governar o dia e a noite e para marcar os tempos e as estações.

                        Ainda na sua labuta Divina, fez as criaturas marinhas e as aves, ordenando que se multiplicassem e enchessem as águas e os céus; no sexto dia, criou os animais silvestre e, por fim, o ser humano, a Sua imagem e semelhança, dando-lhe domínio sobre a criação; no sétimo dia, Deus descansou de toda Sua obra, abençoando e santificando este dia.

                        Deus nos deu o Universo de presente, isso sem faltar coisa alguma, para que possamos desfrutar com calma e responsabilidade. Por confiar em nós, deu-nos o poder de dominar tudo o que aqui existe.

                        O sertanejo entendeu a missão que lhe foi dada, por isso, cuida com carinho da terra e ela, em sagrado agradecimento, devolve em alimento e doce contemplação. Eu nasci e fui criado no sertão e, por ser sertanejo nato, posso dizer de cátreda, que a natureza é a verdadeira mãe do mundo.

                        Ao acordar pela manhã, o vento beija nossa face e o orvalho sobre relva, forma o tapete até a linha do horizonte. A revoada de pássaros canoros, vem à janela, convidar-me para mais um dia que amanhece. No terreiro, os galos e galinhas cacarejam em busca de quirela de milho.

                        Lá no córrego, os sapos coaxam por longo tempo e no curral, as vacas ficam mugindo e chamando para ordenha, o grunhir dos porcos no chiqueiro, parece que estão sendo abatidos e, no entorno da casa, o ciciar das cigarras e o estridular dos grilos, dão encanto ao lugar.

                            A noite contempla as estrelas cintilantes no firmamento e o bailar dos vagalumes. Também contempla o silencio ensurdecedor da natureza. De vez em quando, apenas se ouve o canto dos sapos, corujas, lobos, morcegos, gafanhotos e o "gri gri gri" das cigarras, com seus 115 decibéis, formando uma sifonia única na natureza.

                        É nesta calmaria, que o caboclo vive e desfruta das benesses de Deus. Com humildade, ele sabe agradecer o que lhe é dado, sem pedir nada em troca. Por isso, sertanejo cuida com muito amor e sem destruir, o que levou milhões de anos para existir.

                        Não há nada mais saudável e prazeroso, do que o alimento colhido diretamente da terra e que chega à mesa sem agrotóxico. Também se alimentar da carne animal – vaca, porco, galinha, capivara e coelho – sem hormônio, para o crescimento.

                        Quando está entediado, o caipira senta na soleira da porta e fica pitando um cigarro de palha de milho ou vai na lagoa pescar tilápia, robalo, tucunaré, pacu, dourado, traíra, pintado, curimba, lambari, bagre, carpa, corvina, tambacu dentre tantos outros.

                        Enquanto o peixe não é fisgado, ele fica agachado na beira da lagoa, contemplando a natureza, tomando seu gole de cachaça e pitando um fumo de corda enrolado na palha seca de milho. Assim fica horas e horas, sem perceber o tempo passar.

                        Quando não está pescando, ele está caçando codorna ou perdiz na mata. Munido de uma cartucheira e acompanhado do fiel cachorro perdigueiro, o sertanejo sai cedo de casa e se embrenha na mata. Só volta à tarde, com o imborná cheio de aves. As vezes um grupo de caçadores o acompanha e não caça por esporte, mas, sim, para alimentação.  

                        Enquanto isso, dona patroa prepara a comida caseira, feita no fogão a lenha. O alimento é colhido na horta, a qual, é bem cuidada por ele. O capiau gosta de mandioca frita na manteiga, refogado de cambuquira e torresmo, por isso, a esposa não se descuida em preparar para o varão.

                        Nas tardes preguiçosas de domingo, o caboclo recebe a visita de violeiros que, com suas violas caipiras de doze cordas, cantam músicas que retratam a vida do campo, os amores e as paixões não realizados. Nas canções, é marcante as letras falarem dos ensinamentos da natureza.             

                        O homem do campo respeita a natureza, por isso, teme tempestade, tornado, furacão,  trovão, raio, vendaval, inundação, chuva de granizo, terremoto e etc. Para ele, a mudança climática é aviso da natureza, que a terra está agonizando. Sabe que falta pouco tempo para o fim, para aquilo que Deus criou com calma e amor. Deus deu o poder para cuidar e não para destruir.

                        O sertanejo é um devoto e fervoroso na fé, por isso, reserva um canto na casinha de sapê, para colocar o seu altar. Ali naquele lugar sagrado, faz suas orações e agradece ao Divino Criador, pelas graças recebidas.

                        Que vida boa no meu sertão!    

 

Peruíbe SP, 04 de fevereiro de 2026.     

sábado, 31 de janeiro de 2026

A CASA DAS PRIMAS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Em toda cidade tinha, inclusive, na minha adorada Terrinha. Lá as duas casas de madeira. ficavam afastadas da cidade e como o lugarejo era pequeno, localizavam bem no meio do mato. Ali, as mulheres de vida fácil, que de fácil não tinha nada, recebia os assíduos amigos/clientes.

                        Em cada casa, chamadas carinhosamente de casa das primas, moravam quatro moças. Até hoje, não entendo porque não eram chamadas de casa das irmãs. Penso que é porque poderiam ser confundidas com conventos.

                        Os varões, casados ou não, frequentavam aquele lugar considerado sagrado por eles. De tanto transitarem  por aquelas bandas, formou-se um carreador (trilha), chamado de caminho do desejo.

                        É de bom alvitre que se diga, que muitas vezes, os clientes/amigos não as procuravam só para saciaram suas lascívias e fantasias masculinas. Quando a esposa, vulgo dona encrenca, não lhes dava carinho ou atenção e, ao invés disso, reclamava sem motivo das coisas cotidianas, eles buscavam o colo das meninas sempre solicitas.

                        As primas não frequentavam o comércio, para efetuarem as compras, pois eram muito reservadas e discretas. Para isso, elas usavam os préstimos do Batucada, um negrão muito querido pelos moradores. Hoje não existe mais a casa das primas, porque as de agora, estão livres e transitando sem pudor pelas esquinas.

                      As casadas e descasadas nutriam verdadeira ojeriza àquelas moças que só proporcionavam afetos aos homens carentes da Terrinha. O que ora narro, são fatos que ouvia dizer da boca dos conterrâneos, porque na época eu era um simples e inocente menino.

                        De vez em quando os cabeças secas (policiais militares), faziam incursões por ali, com vistas a verificar a presença de cliente menor de idade. Não se tinha notícia de desavença entre adultos e. muito menos, entre esposas ultrajadas, a procura do esposo infiel, que estava pulando cerca alheia. Ali naquela Terrinha, cada um vivia e cuidava do seu quadrado.

                        A casa dispunha de sala, cozinha, banheiro e quartos para momentos íntimos entre as primas e os clientes carentes de chamego erótico. Na sala, havia uma iluminação fraca e uma vitrola executando música brega, para quem estava na fossa ou com dor de corno. Para agradar o amigo/cliente, a prima servia bebida (cerveja, rabo de galo ou whisky) com petisco.

                        Devidamente maquiada e vestida com roupa insinuante, a prima se portava atraente e pronta para a desejada guerra de sexo. Gerusa, a prima mais bonita e sensual, era muito disputada entre os frequentadores assíduos, daquele lugar sacrossanto, onde só reinava o amor e carinho.

                        As casadas, por não se conformarem com as virtudes das primas, chamam-nas pejorativamente de mariposas. E diziam que a casa delas era semelhante a Sodoma e Gomorra, onde reinava o pecado e a depravação. Já os frequentadores, chamavam de paraíso.

                        O alcaide, a fim de preservar a memória do lugar, deveria tombar como patrimônio histórico e sagrado da amada Terrinha, isso para deleite de todos os moradores. As primas seriam imortalizadas e lembradas por todos os honrados cidadãos, frequentadores ou não da Casa das Primas.

                        Batucada, eterno guardião das meninas, sentir-se-ia eternamente grato com tamanha homenagem, deferida a elas. Agindo assim, o alcaide não deixaria o lugar entrar no esquecimento. As primas, que tanto proporcionaram prazer e alegria aos varões, fossem doutores, barões do café ou não, seriam lembradas em datas festivas, realizadas na Terrinha.      

                           As primas eram a salvação das donas de casa, pois, quando os maridos saiam de lá, não chegavam em casa enfezados com a patroa, mais conhecida como dona encrenca. Eles chegavam em casa tranquilos e com o corpo aliviado. Mesmo que a esposa buzinasse (xingasse) no ouvido, ele simplesmente dizia: “Calma mulher e vê se me traz uma breja gelada.”

                        Salve as eternas primas da saudosa Terrinha. Amém!

 

Peruíbe SP, 31 de janeiro de 2026.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SEXO NA CABEÇA

 

Adão de Souza Ribeiro

E antes, que eu esqueça,

Vou contar um belo fato.

Vivo com sexo na cabeça.

Pois, sem ele, eu me mato.

 

Me diz um certo puritano,

Que isso é o maior pecado

E não há algo tão profano,

Isso é coisa dum recalcado.

 

Se o sexo fizesse tanto mal

Deus não o teria concebido

Existe até no reino animal,

Que maldade haverá nisso?

 

Multiplicar é o mais certo

Manda a sagrada escritura

Então, que importa o resto

Se o sexo é feito de ternura.

 

O corpo, ele apenas liberta

Depois do gozo e do prazer

Pessoa fica de boca aberta,

Feliz e não sabe o que fazer.

 

Quando acabar neste mundo

A terra perderá seu encanto.

Nela viverá só o moribundo

O simples eunuco, um tonto.

 

Peruíbe SP, 30 de janeiro de 2026.