sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A CABOCLA

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro

Menina de trança,

As saudades de ti.

Quanta esperança

E como eu te quis.


Sandália nos pés,

O vestido de chita

Queria um cafuné

Tu eras tão bonita


No lábio o batom,

No olho a sombra

O tempo era bom 

Amor não zomba.


O seu cabelo voa,

Charme no andar

A morena na cor,

Só da cor do luar.


O corpo sensual,

E que me excita.

Nuda é tão igual

Lá naquela vila.


Eras a boneca,

Eu fico risonho.

A gata sapeca,

Do meu sonho.


Peruíbe SP, 28 de agosto de 2026.


A AGONIA DO PLANETA

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


Enquanto os políticos criam histórias mirabolantes para ludibriar o povo e os gananciosos dilapidam a natureza, o planeta agoniza e pede socorro. Assistimos estarrecidos, as tragédias que assolam todos os continentes.

A imprensa sensacionalista explora as cenas de terror. Os cientistas e os geólogos fingem encontrar justificativas e soluções miraculosas para estancar os estragos deixados pelas tragédias. Nós estamos de mãos atadas, essa é a grande verdade.

O homem cavuca em qualquer lugar, na busca de petróleo, terra rara e ouro.  No lugar, deixa feridas irreparáveis, que sangram cotidianamente. Em nome do progresso, os detentores do poder fecham os olhos e nada fazem para salvar a terra e seus habitantes.

Os líderes mundiais, estão preocupados em conquistar países, a fim de ampliar o seu território, com uso de força bélica e à custa do sacrifício da população. Aos poucos, vamos sendo dizimados, ora por tragédias naturais, ora pela ação humana.

Os atuais falsos profetas (padres e pastores) - Marcos 13:22, pregam nas sinagogas (igrejas), a benevolência que nem eles praticam. Basta vê-los enriquecendo às custas da imagem do Divino Criador.   

Aos poucos, vemos sinais do esgotamento da terra e a chegada do fim do mundo. O esgotamento está representado por terremoto, vendaval, aquecimento global, inundação, avalanche, furacão, derretimento das geleiras, etc. e tal. A fome, a guerra e a ganância humana aceleram a  premunição.

Ao assistirmos estarrecidos a cena da avalanche ocorrida no Nepal, que fica entre a China e a Índia, provocada pelo degelo no alto do monte LangTang, na cordilheira do Himalaia.  Everest ( 8.848,86 metros de altitude), que fica na cordilheira do Himalaia.

Sabe-se que o Himalaia é composto dos quatorze picos mais altos do mundo, sendo o monte Everest (8.848,86 metros de altitude, o maior e mais famoso deles. Então percebemos quão grave é a ação humana.

O aquecimento global, provocado pela queima de produtos fósseis e o desmatamento das florestas feito pelo homem, bem como, a poluição dos rios, é fator primordial para o aquecimento do planeta e, consequentemente, para o degelo a que assistimos tão cabisbaixos.

Também não devemos esquecer do terremoto ocorrido na Bolívia, Japão e Indonésia. A Terra, nossa mãe acolhedora, agoniza e clama por socorro. Para socorrê-la, basta estancarmos as agressões contra o corpo lindo e frágil. De que adianta juntar tesouros se, de repente, seremos arrebatados?

O que está acontecendo hoje, foi descrito em Apocalipse, que significa Revelação ou Descoberta. Não vamos enveredar no mérito religioso, pois cada seita tem seu próprio entendimento ou interpretação e nós devemos respeitar.

Nós lamentamos pela geração que está chegando e a que está por vir, pois tememos o que elas encontrarão nos próximos anos. Com o iminente fim dos tempos, nem chegarão até lá. Credo! 

A Terra, uma senhora já idosa, que conta com bilhões de anos na certidão de nascimento, tem o corpo dilacerado pela ação do ser humano. Ela, pela graça de Deus, tenta resistir a todo esse sofrimento. Ela é uma heroína e, então, pergunta-se: “Meu Deus, até quando resistirá a essa afronta?

Debruçado na janela do tempo, eu admiro o Planeta que caminha até a  linha do horizonte. Então, fico imaginando: “O que Deus levou sete dias para criar, o homem concebido à sua imagem e semelhança, quer destruí-lo em segundos, isso sem pestanejar. Para Deus, bilhões de anos pode equivaler há um dia.

Por estar descorçoado com o ser humano, fecho a janela do meu pensamento e vou dormir o sono dos anjos. Amanhã será um novo dia. Amém!


Peruíbe SP, 27 de agosto de 2026.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

DEDIM DI PROSA

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro

U dedim di prosa

Nunca mi fais má

Venha cá na roça

Vamu butá prusiá


I zóia a Mimosa,

I u meu Pangaré

U meu pé di rosa

A muié du Mané.


Tomá a cachaça

Pitá fumu di paia.

I vê mutia graça,

Muié arribá saia.


Tumá café muidu.

Cumê miu assadu

I alembra di tudu, 

I ficá engasgadu.


Buscá lá nu paió

Miu prus bichus.

Andá nu cafundó

A noiti nu iscuru.


Miguiá nu córgo,

Ficá inté di tardi

Ir pescá uns lobó

Pra trazê di bardi.


Si têm coisa mió

Issu eu nunca vi.

Assim eu vivu só,

Nu arredu daqui.


Peruíbe SP, 26 de agosto de 2026.


O MATUTO

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Eu sou um matuto,

Disso eu me alegro

Se sistema é bruto.

Eu não me envergo.


Jamais temo a luta,

Aprendi lá na roça,

Importa a conduta.

Se rude leva coça.


A vida não perdoa

E tem que ser reto 

Como boa pessoa.

Homem predileto.


Não seja o trouxa,

Tenha sagacidade.

Vaca que é mocha

Não vai na cidade.


Com seu trejeito,

Pessoa simplória

Traz no seu peito

A eterna história,


Chama de caipira,

Vê, não se zanga.

É feito a curruíra,

Só canta e dança.


Matuto, o menino

Se vive no sertão,

Siga o seu destino

Nunca muda não!


Peruíbe SP, 26 de agosto de 2026.



terça-feira, 25 de agosto de 2026

GOSTAR DE MULHER

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro

Eu amo a Letícia

E a Olga também.

Querer não avisa

Quando ele vem.


Eu amo a Odete,

A Dani eu adoro.

Não se esquece,

Eu triste, choro.


Eu amo a Malu,

A Vivi agradeço

Se eu fui ao sul

Buscar um beijo


Eu desejo a Ana,

Carla me excita.

E não se engana,

Sonho com Eliza.


Eu quero Marina,

Júlia me acalma.

Mari me ensina,

Cuidar da alma.


Eu almejo a Bia,

Gosto de Márcia

Como eu queria, 

Essa doce graça.


A Sílvia faz feliz, 

No bem-me-quer

Não sei o que fiz

Gostar de mulher


Peruíbe SP, 25 de agosto de 2026.


O ABANDONO

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Meu filho, vem cá,

Eu quero o abraço.

Antes que você vá.

E rompa esse laço.


Filho, dá seu beijo,

Neste velho rosto.

E a falta do cheiro

Dá muito desgosto


Não me abandona

Só aqui nesta vida.

E a dor vem a tona

Em nada se explica


O trecho é longo

O tempo é curto.

Dá-me o ombro,

Senão eu surto.


Dá-me o ouvido

Quero conversar

O sexto sentido,

Quer profetizar.


Filho, sê grato

A vida é frágil.

Um dia passo,

E nada é fácil.


Peruíbe SP, 25 de agosto de 2026.


sábado, 22 de agosto de 2026

A ÚLTIMA CEIA

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Quando vejo o quadro “A Última Ceia”, pintado entre 1495 e 1498, por Leonardo di Ser Piero da Vinci, a fim de retratar o momento em que Jesus Cristo anuncia que um dos doze apóstolos irá traí-lo, causa-me intensa comoção.  

O renomado pintor nascido em Anchiano - Florença - Itália, baseou a imagem na sua visão descrita em João 13:21. Sabe-se que depois daquela cena, Jesus Cristo foi traído pelo apóstolo Judas Iscariotes e, em seguida, severamente crucificado no Gólgota (Calvário), por ordem de Pôncio Pilatos, prefeito romano da Judéia,

Após a crucificação e morte de Jesus Cristo os seus apóstolos se espalharam pelo mundo ( Simão Pedro: Roma; André: Grécia e Escócia; Tiago Maior: Agripa - bairro Armênio - Jerusalém; João: Éfeso; Filipe: Hierápolis - Frígia -Ásia Menor; Lucas: Acaia - Tebas - Grécia; Paulo: Roma; Bartolomeu: Índia - Armênia - Mesopotâmia; Tomé: Meliapor - Índia; Mateus: Etiópia - Judeia - Pérsia; Simão Zelote: África - Pérsia;  Judas Tadeu: Mesopotâmia - Arábia - Síria - Pérsia; Judas Iscariotes: Jerusalém; Tiago Menor: Egito - Jerusalém; Matias substituto de Judas Iscariotes: Judeia - Etiópia).

Ao admirar a cena de Jesus Cristo à mesa juntos aos seus discípulos, recordo-me com ternura dos meus genitores junto à mesa com seus filhos. Todos reunidos ali, saboreávamos o alimento preparado pela nossa dedicada mãezinha. O ki suco de groselha nos copos e a alegria no rosto de cada um de nós, são coisas inesquecíveis da infância. 

Aquela reunião, representava a união em família. O laço era fortíssimo e, aos poucos, formávamos a própria identidade. A presença dos pais, dava-nos o sentimento de amor e segurança. Assim como Jesus Cristo, eles transmitiam à sua prole os ensinamentos que perdurariam a vida inteira.  

Eles eram rígidos na criação e educação dos filhos. Não desviavam os olhos de suas crias, por isso, tudo que era imoral não entrava no lar. Os vizinhos sempre diziam, que éramos exemplo de família unida. Sentíamos honrados com tamanho elogio.

O tempo foi passando e os filhos foram crescendo. De repente, nos víamos moços e cada um começou a trilhar por diferentes caminhos. Sem percebermos, fomos nos distanciando e sendo sugados pelo mundo lá fora. Os irmãos se casaram e formaram suas próprias famílias. 

Hoje, resta na lembrança, apenas a saudade de uma família estruturada e amada sob os olhos dos patriarcas. Eles afugentavam as maldades do mundo e nos protegiam debaixo de suas asas. Nós víamos neles, a imagem de Jesus Cristo profetizando: “Um dia não estaremos mais aqui para protegê-los e, então, vocês terão que caminhar com seus próprios pés. Deverão agir com dignidade para honrarem o nome da família.

Na inocência da nossa infância, imaginávamos que aquela ceia seria eterna e que a família estaria sempre unida e protegida pelos nossos pais. Jamais acreditávamos que iríamos crescer e que o mundo reservaria surpresas inimagináveis. 

Nossos pais e um dos irmãos foram chamados por Deus, para habitarem na nova morada. Sendo assim, sem que percebêssemos, a família foi desfalcando e o espírito de unidade, aos poucos, foi diminuindo. Por isso, tentamos imortalizá-la na nossa memória. 

Os irmãos se pudessem, retornariam e reviveriam aquela “Última Ceia”, onde os pais serviam o alimento da fé, da esperança, do amor e da bondade. De novo, queríamos sentar à mesa, para saborearmos o alimento preparado por nossa mãezinha e ouvir os sábios ensinamentos de nosso pai. Pudera, meu Deus, pudera! 



Peruíbe  SP, 22 de agosto de 2026.