quarta-feira, 20 de maio de 2026

JEITO CABOCLO

Adão de Souza Ribeiro


Cadeira na varanda.

Disco toca na vitrola

O olhar que encanta

Comida na caçarola.


A pintura do arrebol,

Vê a calma da lagoa

Na linda tarde de sol

Viver sempre na boa


Só admirar o cafezal

Garoa sobre a relva.

Vento no bambuzal,

Longe a vaca berra.


E a natureza dança

Ao sabor do vento.

Vida de esperança,

Em passo tão lento


Só um gole de café

O cigarro de palha,

Xamego da mulher

Nada me atrapalha 


Tarde domingueira,

O galo lá no quintal

Pássaro na aroeira

E a roupa no varal.


A casa sem reboco

Porta sem o trinco.

A vida de caboclo,

É assim, não minto.



O que mais quero,

O burro na carroça

Chega de lero-lero

É o jeito lá da roça!



Peruíbe SP, 20 de maio de 2026.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

O MENINO PERALTA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Oh meu menino peralta,

Que anda, brinca e pula

Você me faz tanta falta,

Nesta vida tão maluca.


Cai de cima dum galho.

Corta o seu pé no caco

É magro, é espantalho

Você só enche o saco.


E brinca na enxurrada

Mergulha lá na lagoa,

Come goiaba bichada

Leva a vida numa boa


A bola feita de meia,

A fuga do bravo boi.

Tombo feio na areia

O tempo que se foi.


Que em noite de lua,

Teme a assombração

Pra fugir cedo da rua

Se é valente, sei não


Que ri, grita e chora,

Não quer ficar velho

Se chegar a sua hora

E vai ver no espelho.


Caça com o estilingue

Sumiu não sei porquê

E briga feio no ringue

Que saudade de você!


Peruibe SP, 18 de maio de 2026.


domingo, 17 de maio de 2026

VIDA SEM RAZÃO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

Que vida besta,

Viver sem razão

Olhar pela fresta

Dias que se vão.


Corpo não anda

O olhar ao longe.

Alegria foi tanta,

Ela está aonde?


Passa o tempo,

O sonho passa

O andar é lento

Não tem graça.


O dia vira noite

A noite vira dia

Vento é açoite,

Feito a agonia.


Céu não brilha 

Sem vagalume

Perco na trilha, 

Sem o costume


E sem destino,

Ando a esmo.

Sou o menino

Que me vejo.


A luz não mais

Amanhã se foi

Viver tanto faz

Sei, como dói.


Peruíbe SP, 17 de maio de 2026


quinta-feira, 14 de maio de 2026

SONHO DE AMAR

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro


Eu não sei o que faço,

Estou muito confuso.

Preciso de um abraço

Do amor,  não abuso.


E até já perdi a conta,

O tanto que procurei.

O amor não esconda

Ele tem a própria lei.


Eu vivo essa loucura

Me perco no encanto

O querer é uma luta,

Esse amor platônico.


Se socorro no verso

É arma deste poeta.

Sonho é o universo

Navego no cometa.


Se por eu ser assim,

Sofro feito criança.

E nem tudo é o fim

E resta a esperança.


Peruíbe SP, 14 de maio de 2026.


sexta-feira, 8 de maio de 2026

A ETERNA COMPANHEIRA

                                                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


Não é bom que o homem viva só.” - Gênesis 2:18

Se tem coisas que ferem a alma de morte é a solidão e o abandono. Esse sentimento não é privilégio da modernidade, pois desde a criação, o Criador já se preocupava com a sua criatura. 

Deus teve a premonição de que sua criação entraria em depressão, se vivesse sozinho na terra. Então, depois de criar o homem, teve a idéia de conceber uma companheira. Como criou o homem à sua imagem e semelhança, para não fugir a regra, Deus tirou da costela dele um ser, que a chamou de mulher.

Para presenteá-los, pois eram de seu agrado, resolveu dar-lhes um lugar cheio de prazer e abundância (Gênesis 2:8). Lá continha toda variedade de árvores agradáveis à vista e boas para alimento, incluindo duas de destaque:a árvore da vida, que conferia a vida eterna, e a árvore do conhecimento do bem e do mal, cujo fruto representava um teste moral e trazia a morte em caso de desobediência (Gênesis 2:9).  

Adão e Eva foram os primeiros habitantes, vivendo em inocência e harmonia, sem pecado, dor ou necessidade de roupas, refletindo um lugar perfeito para humanidade (Gênesis 2:25). O jardim também abrigava todos os tipos de animais, e Adão recebeu a responsabilidade de trabalhar e cuidar do jardim, além de dominar sobre os seres vivos (Gênesis 1:29-30; 2:15).     

O Jardim do Éden foi o cenário do primeiro casamento, estabelecendo a união entre o homem e a mulher como uma nova unidade familiar (Gênesis 2:24), A vida no Jardim do Éden refletia trabalho significativo, realização, inocência e harmonia, sendo um espaço de abundância, beleza e paz, onde a humanidade vivia em perfeita comunhão com Deus e a criação.

Até aqui, este velho contador de causus lá da Terrinha, procurou descrever a criação do mundo, com base na Bíblia Sagrada, onde Deus fez a terra e deu ao homem a obrigação de trabalhar e cuidar do jardim. Como Ele era misericordioso, deu-lhe a mulher de presente, para que seu filho, feito a sua imagem e semelhança, não vivesse em solidão.

Nota-se que Deus fez uma observação: farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda; far-lhe-ei uma ajudadora que seja idônea para ele. Portanto, eu digo que Deus não disse: Farei uma mulher que o desobedeça ,o afronte e o desafie.   

Depois da criação, vieram os anos, séculos e milênios. Com eles, também vieram a modernidade e toda sorte de aberração. Eu creio que o maior erro do primeiro varão, foi deixar a varoa comer o fruto proibido, vindo da árvore do conhecimento. De lá para cá, ela pensa que sabe de tudo e que pode fazer o que vem na cabeça.

Hoje, o Jardim do Éden preparado para o casal viver feliz em toda plenitude, transformou-se numa Arena Romana, onde as pessoas se digladiam numa ferrenha luta, sem objetivo e sem sentido.

A família desenhada por Deus, naufragou no dilúvio da perdição humana. Por isso, meu Deus, os filhos caminham desorientados e sem exemplos de moral e ética, bem como, sem fé e esperança no futuro.

Ainda bem, que Deus não criou a televisão, para deturpar a mente das pessoas e, em especial, da fêmea com idéias pecaminosas. Não pense que sou misógino, longe disso. Eu sou filho de baiano e neto de pernambucano, por isso, quando falo de mulher, eu lambo até o beiço.

Naquele lugar sagrado, o casal vivia em harmonia com a natureza e todos os seres viventes. Por isso, não se esqueça que lá era chamado de Paraíso. O homem e a mulher não se envergonhavam com a nudez. Deus os instruiu e permitiu que desfrutassem da abundância. Eles eram responsáveis por cuidar do jardim e se multiplicarem.

Mas um belo dia, por verem muito felizes, o mal representado pelo demônio iludiu Eva, dizendo que se ela comesse o fruto do conhecimento, não morreria e que seria igual a Deus. (Gênesis 3:1-5). A partir dali, a vida mudou para sempre. 

Eu penso que nos dias de hoje, o fruto do conhecimento é representado pela televisão. Lá pelos idos anos cinquenta, os lares eram harmônicos, as varoas se preocupavam apenas em cuidar das famílias e de proporcionar felicidade aos esposos. 

A serpente, representada pelo progresso, as iludiu, dizendo que elas precisavam ser livres bastando, para isso, afrontar o companheiro, deixando de serem ajudadoras. 

Quando Deus criou a mulher a partir da costela do homem, quis dizer que ela deveria estar ao lado dele. Não era para estar a frente ou atrás, acima ou embaixo, ou seja, caminhando ao lado como companheira, como ajudadora idônea e fiel. 

No entanto, por estarmos unidos com o Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Porque assim como a mulher foi feita do homem, assim também o homem nasce da mulher. Veja só no que deu: o lar (paraíso) foi destruído, a mulher deixou de ser companheira e os filhos perderam a referência.

Lá da eterna morada, Deus observa com tristeza a sua Divina Criação e diz: “Passaram milhares de anos e as minhas criaturas nada aprenderam. Continuam cometendo os mesmos erros e pecados. Se precisar, desta vez não vou mandar um dilúvio ou as lavas do Vesúvio, mas sim, uma bela bomba atômica. Chega, cansei!




Peruíbe SP. 08 de maio de 2026.

  








 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

PAI, NOME DIVINO!

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Tempo vem, tempo vai

Onde quer que se anda

Lá está seu querido pai

Dando força esperança


Ele ensina ser honesto,

Amar muito o trabalho

Fazer do bem o gesto,

Ser do amor, agasalho.


Se na dor da angústia

Ele pega no seu colo.

E ajuda vencer a luta,

Carinho é o consolo.


O pai é um ser eterno,

Não pode morrer não.

Eu eternizo no verso,

Lá dentro do coração. 


E o pai faz tanta falta,

Como o ar que respira.

Ele vai o tempo passa

E se ele foi é mentira.


Da família é o esteio,

Educa filho com zelo.

Desrespeitá-lo é feio,

Amor dele é tão belo.



Deus disse e agradeço,

Aprendi desde menino

A vida tudo tem preço:

Pai é um nome divino!


Peruíbe SP, 07 de maio de 2026.


quarta-feira, 6 de maio de 2026

MÃE. NOME SANTO!

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro


Mãe tem só três letras,

Coração cheio de amor

E você não se esqueça,

Ela é o jardim em flor.


Por amor, nunca dorme

Vela o sono do seu filho

O cuidado é tão enorme,

Olhar se enche de brilho.


Então, se ela vive, ama

Mas se não é mais, ora

A ternura é uma chama

A luz brilha toda a hora


No céu brilha a estrela,

Que ilumina o universo

Minha mãe e por vê-la,

A eternizo neste verso.


Carregue-a no seu colo

Cubra de muito carinho

De saudades, eu choro

E sem ela, sou sozinho


Mãe é o nome sagrado

Foi batizado por Deus.

Ele deve ser guardado

Por todos filhos seus!


Peruíbe SP, 06 de maio de 2026.