terça-feira, 21 de abril de 2026

O FARO FINO (Parte I)

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro


A festa de fim de ano estava sendo realizada na chácara “Fim do Mundo”, de propriedade do casal Sérgio e Raquel. Lá, dentre os seletos convidados, eu fazia parte. Notei que um dos convivas, aparentando quarenta anos, se mostrava bem extrovertido e comunicativo.

Eu fui apresentado a ele pelo varão e anfitrião Sérgio. Tomei conhecimento, que ele se chamava Adriano e que exercia a profissão de investigador de polícia na localidade. 

Como eu era fissurado em literatura e filme policial, não perderia a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Por notar que estava sendo muito assediado, não quis falar sobre assunto de trabalho. Até porque, aquele momento não era oportuno.

Então, trocamos número de telefone para posterior encontro e solidificarmos possível amizade. Dias depois, nos encontramos no renomado Restaurante Boi na Brasa. Sentamos num canto discreto, onde tínhamos ampla visão do local. 

O diálogo transcorreu muito descontraído e me apresentei como sendo colunista do jornal da região e, também, confessei ser fã de literatura e filme policial. Eu disse que o conhecia pelo nome e que estava honrado em conhecê-lo pessoalmente.

Por sua vez, Adriano se apresentou, contando sobre sua vida pessoal e profissional. Disse que nasceu e foi criado no interior. Por pertencer à família humilde, passou por sérias dificuldades. Segundo ele, foi através da família, que aprendeu os verdadeiros valores da justiça e da honestidade.

Embora tivesse parentes na polícia civil e militar, jamais imaginou ou sonhou ser policial civil. Ao abraçar a profissão, procurou estudar com afinco as técnicas de investigação. Também teve como princípio, honrar e enaltecer a Instituição Policial, defendendo a sociedade, contra a ação de marginais.

Por nome, eu já o conhecia como exímio policial, tendo como vocação a elucidação de crime de homicídio. Por ser expert na elucidação de tão horrendo crime, ele recebeu o carinhoso apelido de Faro Fino.

Eu quis saber, qual era a receita ideal para descobrir o autor e o motivo de um assassinado. Ele prontamente respondeu: “Primeiro, identificar se o crime foi por ganância ou passional. Porque o ser humano só mata por dinheiro ou por amor. Depois, estudar a vida pregressa da vítima. Esse detalhe é fundamental para descobrir a razão do crime.

Depois de saborear doses de cerveja, ele acrescentou: “Outra coisa imprescindível é que o policial vá até onde está a vítima. É sabido que o local e o corpo  falam. Também deve colher todo objeto encontrado, embora não lhe pareça importante. Tudo é valioso para elucidação. A colheita de depoimento de testemunhas deve ser colhida com reservas. Dizem que a testemunha é a maior prostituta da provas.

Por causa da sua eficiência e honestidade, Adriano era muito admirado e respeitado, por isso, os munícipes o procuravam para informar de forma sigilosa sobre autoria e motivação do homicídio. Na maioria das vezes, ele trabalhava sozinho, pois temia que vazassem informações preciosas. Um causídico o chamava carinhosamente de ***Columbo. 

Eu pretendo narrar em detalhes, alguns homicídios solucionados por ele. Mas creio que não será possível só nesta assertiva. Por isso, vou ter que dividir em partes. Assim como eu, o assíduo leitor deve estar deveras curioso.

Adriano, o Faro Fino, causou-me grande empatia. Por isso, nossa amizade perdura até hoje. Ao estimado leitor, afirmo categoricamente, que tenho muitas histórias policiais para contar. 


Peruíbe SP, 20 de abril de 2026.



*** Columbo foi uma série policial televisiva dos anos 1970, estrelada por Peter Falk. A série revolucionou as histórias de detetive. Ao contrário do que geralmente ocorre em filmes policiais, onde a maioria dos episódios começa mostrando claramente quem é o assassino e os pormenores de como o homicídio foi cometido. Os crimes da série tem um ponto em comum: o (s) criminoso (s) monta (m) que parece perfeito. 


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A VIDA É ASSIM

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro

O rio corre para o mar

Em busca de socorro.

Chuva desce o morro,

Para não mais voltar.


A relva beija orvalho,

Numa eterna paixão

Vento balança galho

Numa linda canção.


A noite abraça a lua

Com o amor e afeto

Menino vive na rua,

O mundo é seu teto.


A natureza acorda,

E sem ter pressa.

Na dança de roda,

Dia faz a sua festa.


A beleza da praça

Passeia na cidade.

Noviça acha graça

Do cair bem tarde.


Lá no jacarandá,

Canta o pássaro

Se noite chegar,

A lua dá abraço.


O mar toca areia,

Chora de tristeza

Gaivota vagueia.

Como a realeza.


Peruíbe SP, 20 de abril de 2026.




 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

O MENINO JESUS

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro


Quando estou enfadonho, vou para o sítio do meu avô, que fica no bairro Bondade, há cinco quilômetros da cidade. Durante o trajeto, contemplo a exuberante natureza, com suas matas, riachos e a linda fauna silvestre.

Ao caminhar pela estrada de terra, sem compromisso algum, vou pensando e repensando sobre as coisas da vida, que tanto assolam o ser humano neste mundo moderno. Embora eu tenha pouca idade, determinados acontecimentos tiram sobremaneira o meu sono.

Ali sozinho, acompanhado pela natureza e conversando comigo mesmo, parece que estou no caminho de Santiago de Compostela. Envolvido numa meditação infantil, eu resolvo as mazelas que não foram criadas por mim. Por essa razão, eu sofro muito.

A agonia do planeta, que corre o risco de ser dizimado; a devastação das florestas; as guerras como pano de fundo, para satisfazer a ganância humana; a adultização das crianças, eram parte da minha preocupação. O que fazer para frear o mundo, fazia com que eu perdesse o sono. 

Certo dia, estando sol a pino, que me causava vertigem, resolvi descansar sob uma Oiti - Licania tomentosa - frondosa árvore, encontrada à beira da estrada. Enquanto descansava, eu ouvia o gorjeio de pássaros com plumagem colorida. Com aquele calor, ao ver o horizonte, parecia borbulhar como vapor na panela fervendo.

Enquanto me embriagava com aquela contemplação, eu notei que um menino da mesma idade que a minha, sentou-se ao meu lado. O infante trajava manta de cor branca como a neve; sandália nos pés; era de cutis morena; olhos azuis celeste; cabelos castanhos, encaracolados, na altura do ombro; voz baixa, mansa e firme; rosto com expressão serena; áurea pura e divina.

Não perguntei seu nome, nem de onde vinha ou para onde estava indo. Eu percebi que ele falava compassado e articulava bem as palavras. Ao confabularmos um diálogo próprio para idade, vi que demonstrava grande conhecimento sobre qualquer assunto.

Não demorou muito, para ele partilhar das mesmas preocupações que as minhas e que se sentia entristecido, com as atitudes da humanidade. Durante a conversa e no meio de uma reflexão, ele ponderou: “Deus, nosso Pai Celestial, está entristecido com sua criação. Logo, logo Ele irá dar um jeito neste povo rebelde e colocar a humanidade no devido eixo, ou seja, no caminho certo”.

À medida que a conversa se prolongava, aquele menino discorria sobre coisas que eu jamais imaginava ou pensava em ouvir. Então pensei: “Meu Deus, de onde vem tamanha sabedoria?” Eu que sempre fui um menino estudioso, não tinha tanto conhecimento como aquele menino de aparência simples. Eu confesso que fiquei encantado com aquele amiguinho.

A companhia daquele menino estava tão agradável, que esqueci do cansaço e nem vi a hora passar. O sítio do meu avô, que era bem distante, parecia estar perto demais. A bem da verdade, não queria que meu interlocutor fosse embora.

Eu estava aprendendo muito com os pensamentos e ensinamentos dele, pois era verdadeiro mestre. Passei a entender, com mais sutileza, os mistérios da vida e do ser humano. Ele disse: “Meu caro amigo, nem tudo está perdido, pois há solução para tudo nesta vida.”    

Aquele menino tinha um brilho indescritível e exalava uma paz, que se espalhava ao nosso redor. Diante disso, eu me perguntava: “Quem será esse menino, com tamanho encantamento e sabedoria?” Eu não sabia, que na minha Terrinha, existia uma criança assim, ou seja, abençoada por Deus.

Num momento inesperado, ele interrompeu o bate-papo e disse: ‘Meu adorado amigo, tenho que partir. Há muito que caminhar e espero que nos encontremos novamente para tão preciosa conversa.

Com meus olhos, acompanhei seus passos, até sumir na curva da estrada de terra batida, De repente, causou-me tamanha surpresa quando, ao olhar para o céu e já na linha do horizonte, ver a imagem do menino caminhando entre raios de luz, tão belos e reluzentes.


Então, eu sendo um pobre mortal, tive a certeza de que o meu amiguinho era o Jesuscristinho. Ele veio para aliviar o meu cansaço físico e mental; para acalmar a minha alma e meu espírito; para que eu não perdesse a esperança na humanidade. Acima de tudo, para que eu soubesse que Deus é o Pai misericordioso. 

Deus conhece o meu proceder, isto é, o comportamento e o coração, por isso, permitiu-me estar com o filho Dele. Aquele presente Divino, marcou para sempre a minha vida e o meu destino. Eu sou eternamente grato pela graça recebida.

A atitude do menino em não declinar seu nome, demonstrou a humildade e o desejo de não  manifestar o poder que tinha. Ao agir assim, Ele quis sentir o interior do meu coração. Eu estou certo de que Jesuscristinho gostou de mim, tanto é, que disse que nos encontraríamos novamente. 

Não comentei com ninguém, que estive com Jesus Cristo. Isso porque as pessoas iriam dizer que era um louco. Também, porque os padres e pastores poderiam explorar a aparição do Filho de Deus, para ganharem dinheiro e enganarem o povo humilde.

Jesus Cristo está sempre ao nosso lado e não percebemos. Eu estive face a face com o Salvador. Por isso, posso afirmar que não foi um delírio, uma divagação ou uma ilusão. Amém!


Peruíbe SP, 16 de abril de 2026.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

IACE - A CIDADE

                                                                                              Adão de Souza Ribeiro


Lá pelas bandas do interior e naqueles cafundós, havia uma cidade de nome peculiar: Iace. Ela se fazia fronteiriça com minha idolatrada Terrinha.  O nome da cidade, deveu-se  graças à forma como o cicerone, um caipira apaixonado pela sua terra, apresentava o lugar aos curiosos visitantes.

Assim agia, apontando e valorizando cada coisa que compunha aquele lugar,  num mundo encantado e perdido no interior do Estado. Hermenegildo, o cicerone, descrevia  com tanta empolgação, que o turista imaginava nele residir.

Hermenegildo, cicerone e anfitrião, assim dizia: “Para que não houvesse violência, ali iace a Delegacia de Polícia; para que os fiéis pudessem professar a fé, sem importar com a nomenclatura religiosa, ali iace a igreja”.

Mais uma vez, em cada ponto que passava, dizia com entusiasmo e justificando o porquê de cada prédio, praça ou rua: “Ali iace o hospital. Ali iace a Prefeitura. Ali iace o campo de futebol. Ali iace a praça matriz. Ali iace o campo santo. Ali iace o grupo escolar. Ali iace o Fórum. Ali iace a Câmara. Ali iace a…”.

Se  tinha um lugar abençoado pela natureza, na visão de Hermenegildo - o cicerone-, era a cidade de Iace. Ainda estava por vir, fora daquele pedaço de chão, a riqueza e a bem-aventurança. Pois cabia aos novos habitantes, plantar a semente de um mundo melhor.

Aos poucos e diante da narrativa daquele orgulhoso cidadão, a cidade foi ganhando forma e beleza. A cidade de Iace era uma bela terra para criar e educar os filhos; para formar o caráter de bons cidadãos; para fugir da violência dos grandes centros urbanos.

Pensando bem, na visão do anfitrião, a cidade de Iace era o lugar ideal para crianças vivenciarem a verdadeira infância, sem abrirem mão da inocência. Aos novos visitantes, Hermenegildo dizia: “Ali naquele varjão, iace um rio caudaloso, onde os peixes não temeriam a pesca predatória”.  

Iace parecia ser projetada para ser a cidade do futuro. Eu creio que o leitor assíduo, ao tomar conhecimento da existência do lugarejo, está interessado sobre o endereço da cidade tão alvissareira. Posso garantir, que não se decepcionará ao visitá-la.

A cidade de Iace vai além da imaginação humana, porque ali estava a perfeição de um mundo jamais visto pelo povo da cidade grande. A cidade de Iace, vizinha da minha querida Terrinha, tinha uma beleza estonteante e sedutora. Quem a conhecia, certamente se apaixonaria loucamente por ela.

Ao término da emocionante descrição, proferida por Hermenegildo, o visitante manifestava o desejo de morar ali, porque imaginava viver no paraíso, ou melhor, no Jardim do Éden. Ou seja, bem longe das serpentes da maldade, pois ali só reinava a paz e a prosperidade.

Ainda bem que ela estava escondida aos olhos dos forasteiros e exploradores do bem estar social. Iace nasceu para abrigar o povo que sabe cuidar com amor, aquilo que Deus presenteou, sem nada cobrar em troca. 

Por isso, a cidade recebeu o honroso e carinhoso slogan: “Iace, a cidade dos sonhos.”  

Peruíbe SP, 15 de abril de 2026.



domingo, 12 de abril de 2026

TRISTE PARTIDA

                                                                                                                                Adão de Souza Ribeiro


A ilusão nos arrasta por caminhos tortuosos, cujo horizonte é duvidoso. Se tivéssemos o dom da adivinhação, não iniciaríamos a longa caminhada. Quando lembro que, ainda na adolescência, deixei a terra natal, fico a cismar porque abandonei aquela plaga. Não deveria ter feito aquilo.

A mudança foi levada no caminhão conduzido pelo meu pai. Pelo retrovisor, eu via a Terrinha ficando para trás e sumindo na imensidão do passado. Aquela imagem, jamais desapareceria da memória de quem amava imensamente aquele lugarejo.

Ao longo dos anos, a sagrada Terrinha foi quem moldou o homem que hoje sou. A ela devo todo o aprendizado, que me ensinou vencer as procelas da vida. Se respeito às pessoas e,  também, amo a natureza, isso devo eternamente a ela.  

Eu sei que foi lá, que pela primeira vez, eu me apaixonei pela formosura de uma menina. Ela me inaugurou, pelos caminhos da ilusão amorosa. Por causa da timidez, eu não me declarei e, por isso, até hoje, ela é meu amor platônico. Não adianta eu ficar remoendo aquela paixão, porque agora é tarde.  

O sol da minha terra, tinha um brilho indescritível. A lua tinha o doce encanto, digno da inspiração do enamorado poeta.  O jardim tinha as mais belas flores do mundo, cujo perfume atraia o mais expert dos floristas. Só quem lá viveu, sabe dizer que tenho toda razão. 

Lá no passado, eu deveria ter interrompido a viagem e retornado com a mudança. Eu paguei caro por ter abandonado aquele lugar sacrossanto. Mas um dia, quando eu partir para a mansão do amanhã, quero que meu corpo descanse no lugar que me viu nascer e crescer.  Lá estão as pessoas da minha infância e que me são preciosas.

Por onde anda Ventania, o cavalo alazão, que relinchava de alegria, ao me ver chegar na porteira? Por onde galopa o Negrinho do Pastoreio, que tanto enfeitou minha imaginação? Por onde voa a Juriti, que cantava no pé de jacarandá, para alegrar minhas manhãs? Por onde anda o beija-flor, que bailava sobre o jardim do quintal da minha casa, para apanhar o mel das lindas e viçosas flores? Hoje são doces lembranças do passado, que não voltam mais.

Eu quero reparar a ingratidão que, em busca da desvairada ilusão, deixei para trás o verdadeiro amor de uma mãe, que me acalentou durante as tempestades e momentos de eterna angústia. Terrinha, quero que saibas, que eu te amo demais.

Ao ouvir as modas “Triste partida”, poema escrito por Patativa do Assaré e cantada por Luiz Gonzaga; "Nhambu-Xintã e o Xororó", escrita por Athos Campos e Serrinha, cantada pela dupla Pedro Bento e Zé da Estrada; *** “Saudade da minha terra”, de Goiá e Belmonte e cantada pela dupla Belmonte e Amaraí, desabo a chorar e soluçar de arrependimento por ter partido do meu sertão, aquele pedaço do torrão natal.

Triste foi a partida, que partiu a minha vida e esfacelou o coração!


Peruíbe SP, 12 de abril de 2026.


*** Existem registros históricos de uma composição homônima do século XIX, escrita por Estevão Protomartir de Brito Guerra. Ele era maestro e compositor, nascido em Rio Grande RN. 


sábado, 11 de abril de 2026

SONHO LIVRE

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Não aprisiona o meu sonho

E, por favor, deixe ele voar. 

Pois eu jamais me oponho,

Ele vai em qualquer lugar.


Ele precisa ser muito livre,

Como um verso da poesia

E, por isso, jamais o prive,

De poder ser feliz um dia.


O sonho é o como vento,

Seu bailar não tem limite

Não apega a casamento,

Nem com dedo em riste.


Sonho é um passarinho,

Que flutua na imensidão

Gosta de partir do ninho,

E voar só por aí, em vão.


Sou só poeta sonhador,

Jamais abro mão disso.

A vida é jardim em flor,

Por isso, que sobrevivo.


Sonhar é um ato nobre,

Ele é só presente divino

Por favor, não me cobre

Por ser o pobre menino.


Jamais corte suas asas,

Para satisfazer seu ego.

Corpo frágil é sua casa,

Felicidade é o voo cego. 


Peruíbe SP, 11 de abril de 2026.


A FOTO

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro

Ao ver sua foto,

Meu olho chora.

Nela eu já noto,

A cor da aurora.


Imagem é vida,

Em movimento

Algo se explica.

Eu não aguento.


A foto sem cor,

Traz a saudade

Do velho amor

Não tem idade.


Marca o tempo

Que longe vai.

É como vento,

Não volta mais


E nela a amada,

Sorri para mim.

Feliz me agrada

O amor sem fim.


Seu olhar expia

O tempo passa.

A noite vira dia

Vida acha graça.


Ela é mais bela,

Naquela pintura

É feita aquarela.

Deus, a loucura.


Foto imortaliza,

Por isso admiro

Minha Monalisa

No velho papiro.


Peruíbe SP, 11 de abril de 2026