Adão de Souza Ribeiro
Nos tempos de outrora, as mulheres serviam de inspiração aos grandes poetas e compositores. As letras cuidadosamente escritas, realçavam a ternura e o encanto feminino. Nada fugia aos olhos e ao talento dos artistas, comprometidos com a beleza da fêmea.
Notório era o tratamento, deferido a elas. As mulheres eram chamadas de minha deusa, minha princesa, minha flor e tantos outros adjetivos carinhosos. Elas, por suas vezes, sentiam-se valorizadas e acariciadas por seus cortejadores. A vida tinha outro formato, isto é, cheio de respeito e amor.
Naquele tempo, não havia uma mídia voraz, com objetivo de destruir a sociedade e os lares, edificados no respeito, no amor e na fé. Hoje, o que se propaga é o consumismo e a desobediência entre casais e, também, entre pais e filhos. Os valores morais, foram substituídos pelos bens materiais. A simplicidade perdeu a essência e a vaca foi pro brejo.
As mulheres se valorizavam e sabiam se colocar nos devidos lugares, isto é, como esposa, dona de casa e mãe. No país capitalista, o que interessa é o consumo. A mídia, ao perceber que a mulher era a maior consumidora e dentro de casa não poderia comprar nada, incutiu na cabeça dela, que deveria ser livre.
Assim induziu a esposa a enfrentar marido, a fim de sair para rua e poder gastar. Embriagada pela pseudo liberdade, ela mudou a linguagem e a maneira de se vestir. Entregou o filho para a babá ou a rua criarem e educarem. Assim o lar foi água abaixo.
A partir daí, a mulher que era inspiradora dos grandes poetas e compositores, passou a ser inspiradora dos materialistas e do comércio selvagem. Hoje são pejorativamente equiparadas a frutas. Se ela é feia, chama-se Mulher Abacaxi; se gorda, Mulher Melancia; se regateira, Mulher Manga; se bonita, Mulher Uva; se velha, Mulher Maracujá; se ruim, Mulher Limão e por aí se vai.
O que entristece é saber que elas aceitam esse título como sendo um belo elogio. Deixaram de ser as musas do lar, para serem musas do pomar. São usadas e manipuladas pela modernidade e, por isso, não são mais mulheres, mas, sim, objetos de consumo.
A mídia para valorizar a mulher cria campanha, como por exemplo, contra o feminicídio e a homofobia. No entanto, a própria mídia é quem cria mecanismo para que a mulher se rebele contra a sociedade e desafie os princípios da convivência harmoniosa entre as pessoas de sexo diferente. Ai de quem se manifestar ao contrário.
O tempo passou, porém, quem viveu naquela época, continuará chamando a mulher de minha amada, minha deusa, minha flor, minha gata e minha princesa. O nome das frutas, devem ser usados no pomar, na feira e na quitanda. Mulher é mulher, fruta é fruta.
Peço ao assíduo leitor, que não me veja como macho alfa ou misógino. Por visualizar a mulher como um ser amoroso e delicado, revolta-me por ouvir um tratamento tão pejorativo e humilhante. Lamento estar vivendo num mundo onde tudo é permitido, inclusive, apequenar as pessoas.
Peruíbe SP. 29 de maio de 2026.