Adão de Souza Ribeiro
Quando vejo o quadro “A Última Ceia”, feito entre (1495-1498) e pintado por Leonardo di Ser Piero da Vinci, a fim de retratar o momento em que Jesus Cristo anuncia que um dos doze apóstolos irá traí-lo, causa-me intensa comoção.
O renomado pintor nascido em Anchiano - Florença - Itália, baseou a imagem na sua visão descrita em João 13:21. Sabe-se que depois daquela cena, Jesus Cristo foi traído pelo apóstolo Judas Iscariotes e, em seguida, severamente crucificado no Gólgota (Calvário), por ordem de Pôncio Pilatos, prefeito romano da Judéia,
Após a crucificação e morte de Jesus Cristo os seus apóstolos se espalharam pelo mundo ( Simão Pedro - Roma; André - Grécia e Escócia; Tiago Maior - Agripa - bairro Armênio - Jerusalém; João - Éfeso; Filipe - Hierápolis - Frígia -Ásia Menor; Lucas - Acaia - Tebas - Grécia; Paulo - Roma; Bartolomeu - Índia - Armênia - Mesopotâmia; Tomé - Meliapor - Índia; Mateus - Etiópia - Judeia - Pérsia; Simão Zelote – África - Pérsia, Judas Tadeu - Mesopotâmia - Arábia - Síria - Pérsia; Judas Iscariotes - Jerusalém; Tiago Menor - Egito - Jerusalém; Matias - Judeia - Etiópia).
Ao admirar a cena de Jesus Cristo à mesa juntos seus discípulos, recordo-me com ternura dos meus genitores junto à mesa com seus filhos. Todos reunidos ali, saboreávamos o alimento preparado pela nossa dedicada mãezinha. O ki suco de groselha nos copos e a alegria no rosto de cada um de nós, são coisas inesquecíveis da infância.
Aquela reunião, representava a união em família. O laço era fortíssimo e, aos poucos, formava-nos a própria identidade. A presença dos pais, dava-nos o sentimento de amor e segurança. Assim como Jesus Cristo, eles transmitiam a sua prole os ensinamentos que perdurariam a vida inteira.
Eles eram rígidos na criação e educação dos filhos. Não desviavam os olhos de suas crias, por isso, tudo que era imoral não entrava no lar. Os vizinhos sempre diziam, que éramos exemplo de família unida. Sentiamos honrados com tamanho elogio.
O tempo foi passando e os filhos foram crescendo. De repente, nos vimos moços e cada um começou a trilhar por diferentes caminhos. Sem percebermos, fomos nos distanciando e sendo sugados pelo mundo lá fora. Os irmãos se casaram e formaram suas próprias famílias.
Hoje, resta na lembrança, apenas a saudade de uma família estruturada e amada sob os olhos dos patriarcas, que afugentavam as maldades do mundo e nos protegiam debaixo de suas asas. Nós víamos neles, a imagem de Jesus Cristo profetizando: “Um dia não estaremos mais aqui para protegê-los e, então, vocês terão que caminhar com seus próprios pés. Deverão agir com dignidade para honrarem o nome da família.”
Na inocência da nossa infância, imaginavamos que aquela ceia seria eterna e que a família estaria sempre unida e protegida pelos nossos pais. Jamais acreditávamos que iríamos crescer e que o mundo reservaria surpresas inimagináveis.
Nossos pais e um dos irmãos foram chamados Deus, para habitarem na nova morada. Sendo assim, sem que percebêssemos, a família foi desfalcando e o espírito de unidade, aos poucos, foi diminuindo. Por isso, tentamos imortalizá-la na nossa memória.
Os irmãos se pudessem, retornariam e reviveriam aquela “Última Ceia”, onde os pais serviam o alimento da fé, da esperança, do amor e da bondade. De novo, queríamos sentar à mesa, para saborearmos o alimento preparado por nossa mãezinha e ouvir os sábios ensinamentos de nosso pai. Meu Deus, quem pudera!
Peruíbe SP, 22 de agosto de 2026.