sábado, 22 de agosto de 2026

A ÚLTIMA CEIA

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Quando vejo o quadro “A Última Ceia”, feito entre (1495-1498) e pintado por Leonardo di Ser Piero da Vinci, a fim de retratar o momento em que Jesus Cristo anuncia que um dos doze apóstolos irá traí-lo, causa-me intensa comoção.  

O renomado pintor nascido em Anchiano - Florença - Itália, baseou a imagem na sua visão descrita em João 13:21. Sabe-se que depois daquela cena, Jesus Cristo foi traído pelo apóstolo Judas Iscariotes e, em seguida, severamente crucificado no Gólgota (Calvário), por ordem de Pôncio Pilatos, prefeito romano da Judéia,

Após a crucificação e morte de Jesus Cristo os seus apóstolos se espalharam pelo mundo ( Simão Pedro - Roma; André - Grécia e Escócia; Tiago Maior - Agripa - bairro Armênio - Jerusalém; João - Éfeso; Filipe - Hierápolis - Frígia -Ásia Menor; Lucas - Acaia - Tebas - Grécia; Paulo - Roma; Bartolomeu - Índia - Armênia - Mesopotâmia; Tomé - Meliapor - Índia; Mateus - Etiópia - Judeia - Pérsia; Simão Zelote – África - Pérsia,  Judas Tadeu -  Mesopotâmia - Arábia - Síria - Pérsia; Judas Iscariotes - Jerusalém; Tiago Menor - Egito - Jerusalém; Matias - Judeia - Etiópia).

Ao admirar a cena de Jesus Cristo à mesa juntos seus discípulos, recordo-me com ternura dos meus genitores junto à mesa com seus filhos. Todos reunidos ali, saboreávamos o alimento preparado pela nossa dedicada mãezinha. O ki suco de groselha nos copos e a alegria no rosto de cada um de nós, são coisas inesquecíveis da infância. 

Aquela reunião, representava a união em família. O laço era fortíssimo e, aos poucos, formava-nos a própria identidade. A presença dos pais, dava-nos o sentimento de amor e segurança. Assim como Jesus Cristo, eles transmitiam a sua prole os ensinamentos que perdurariam a vida inteira.  

Eles eram rígidos na criação e educação dos filhos. Não desviavam os olhos de suas crias, por isso, tudo que era imoral não entrava no lar. Os vizinhos sempre diziam, que éramos exemplo de família unida. Sentiamos honrados com tamanho elogio.

O tempo foi passando e os filhos foram crescendo. De repente, nos vimos moços e cada um começou a trilhar por diferentes caminhos. Sem percebermos, fomos nos distanciando e sendo sugados pelo mundo lá fora. Os irmãos se casaram e formaram suas próprias famílias. 

Hoje, resta na lembrança, apenas a saudade de uma família estruturada e amada sob os olhos dos patriarcas, que afugentavam as maldades do mundo e nos protegiam debaixo de suas asas. Nós víamos neles, a imagem de Jesus Cristo profetizando: “Um dia não estaremos mais aqui para protegê-los e, então, vocês terão que caminhar com seus próprios pés. Deverão agir com dignidade para honrarem o nome da família.

Na inocência da nossa infância, imaginavamos que aquela ceia seria eterna e que a família estaria sempre unida e protegida pelos nossos pais. Jamais acreditávamos que iríamos crescer e que o mundo reservaria surpresas inimagináveis. 

Nossos pais e um dos irmãos foram chamados Deus, para habitarem na nova morada. Sendo assim, sem que percebêssemos, a família foi desfalcando e o espírito de unidade, aos poucos, foi diminuindo. Por isso, tentamos imortalizá-la na nossa memória. 

Os irmãos se pudessem, retornariam e reviveriam aquela “Última Ceia”, onde os pais serviam o alimento da fé, da esperança, do amor e da bondade. De novo, queríamos sentar à mesa, para saborearmos o alimento preparado por nossa mãezinha e ouvir os sábios ensinamentos de nosso pai. Meu Deus, quem pudera! 



Peruíbe  SP, 22 de agosto de 2026.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A PEDRA BRUTA

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro


O escultor apanha a pedra na natureza e, através da sua arte, a transforma em imagem de pessoa, bicho ou objeto. Com muito esmero e, aos poucos, a desbasta e lapida. Com seu talento, vai dando forma e despertando admiração das pessoas.

Num trabalho solitário e lento, se apega a pequenos detalhes até atingir a perfeição. Agindo assim, imprime sua identidade, o que o diferencia dos demais artistas. Uma vez pronta aquela obra, com a grandiosidade dela, vai torná-lo um artista imortal.

A escultura parece ganhar vida própria e magnitude diante dos admiradores. É preciso ter sensibilidade na mente e destreza nas mãos, para que seu talento se transforme em algo sagrado e digno de elogios. Aquilo acaba parecendo ter alma e sentimento, pois esse é o objetivo primordial.    

O olhar clínico do escultor sabe detectar a imperfeição e com carinho vai aparando as arestas, até conduzi-las à perfeição. Como pode uma pedra bruta se transformar numa belíssima obra de arte? “Só pode vir de um dom divino”, dirão os leigos. A escultura nasce de muito talento e suor do artista, pois nada é gratuito.

O escultor lança mão de cinzel, esteca, lima, talhadeira, martelo, espátula, a fim de que o material rude se transforme em obra de arte, ganhando forma de pessoa, bicho, objeto e etc. Ele passa horas e horas numa total dedicação, esquecendo do mundo a sua volta.

A obra gerada tem que ser melhor do que o criador. É uma gestação carregada de simbolismo e um parto lento e silencioso. Ao talento, soma-se o cuidado com a perfeição. Nada pode fugir ao olhar clínico dele. 

Também pode-se dizer que o homem ao nascer é a verdadeira pedra bruta. O tempo é o escultor que vai apanhá-la e vai moldá-la de acordo com seu entendimento e talento divino. Nada vai escapar aos olhos talentosos que, somados à benevolente natureza, dão a graça e beleza ao ser humano. Assim ele se tornará a maior obra do Universo.    

Para o ser humano, a pedra bruta é o ódio, a maldade, a ganância, a vingança, a inveja, a luxúria, o egoísmo, a intolerância, a maledicência, arrogância, a hipocrisia e toda sorte de erros. Desbastar a si mesmo, é a maior demonstração de autocontrole e de mudança em prol da humanidade. 

O corpo é a obra mais perfeita do Divino Criador, por isso, biologicamente ao nascer, sem qualquer defeito ou erro, ele vem ao mundo. O que o torna bruto e impuro, são: o ambiente em que vive , a fraqueza da alma e o comportamento pessoal.

Para o homem, é fácil apontar o dedo para imperfeições do próximo; difícil é procurar corrigir as arestas da própria alma e do coração. Nós temos que ser os eternos vigilantes do nosso proceder, para não cairmos em tentação, como por exemplo, julgar o semelhante.

A natureza nos entrega ao mundo com as formas rústicas,  portanto, cabe a nós moldarmos com muito carinho para melhorarmos a nossa vida. Agindo assim, ao longo dos anos, haveremos de ser mais humanos e mais justos com o próximo. 

Portanto, desbastar e esquadrar a pedra bruta exige renúncia, paciência, dedicação e, acima de tudo, amor próprio para fugir das tentações mundanas. Para ser bom e ser justo, é preciso abdicar dos próprios caprichos e se doar sem restrições. A pedra polida representa o crescimento da moralidade do ser humano. 

Ressalte-se que o trabalhar na pedra bruta é um caminhar ininterrupto na busca do ideal de uma moralização plena do indivíduo. Ela significa a imperfeição do ser humano e o potencial de aperfeiçoamento moral e espiritual através do conhecimento e esforço contínuo.

           Também representa o homem em seu estado natural, ainda não trabalhado, dominado por paixões, preconceitos e ignorância, sendo a matéria-prima para o desenvolvimento pessoal e moral. O processo de desbaste da pedra bruta, simboliza a transformação em pedra polida, apta a ocupar seu lugar no Universo ideal Humanidade.

Se ficarmos sentados, esperando a mudança cair do céu, continuaremos como pedra bruta, perdida na natureza e sem qualquer valor. Desbastar significa mudar o péssimo comportamento e abdicarmos das imperfeições do mundo. Nós temos que crescer interiormente, em prol da humanidade. 

Eu vos pergunto: “Vós quereis ser uma pedra bruta, cheia de imperfeições ou uma bela escultura, digna de ser admirada por todos os seres viventes?” Então vamos apanhar as ferramentas e nos desbastarmos por inteiro.

                Urgente: Vamos nos desbastar, doa onde doer!


Peruíbe SP, 19 de agosto de 2026.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FÊMEA SEM PUDOR

 


Adão de Souza Ribeiro

Ela não tem um pudor

Nem papas na língua.

E por isso causa furor

Se ela parece distinta


O seu corpo tem fogo

Não se apaga nunca.

Quem deseja é louco

O amor não confunda


Ela deseja um macho

Para seu doce deleite

E ser só um capacho.

Que com ela se deite.


Se veste de granfina,

E desfilando pela rua  

O andar não desafina

Parece uma cacatua.


Ela atrai a sua presa

Para seu belo ninho.

E a garra da tigresa

Devora o coitadinho.


Se pensa ser o dono

Dum corpo atraente

Não perca seu sono

Acorda se é tempo. 


E se alguém cobiça,

Sua fêmea desejada

É somente uma isca

Lá vai na enxurrada.


Peruíbe SP, 13 de agosto de 2026.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

MULHER PROIBIDA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Ela já foi minha,

Isso eu não nego

Em toda tardinha

Dava-me xamego


Eu o adolescente

Ela a jovem moça

No desejo ardente

O beijo que adoça.


E Juntos a loucura

Só a nós consumia

Entre beijos e jura,

Desejo adormecia.


Menino apaixona,

A mulher proibida

Foi a eterna dona

Por toda sua vida.


Se amor era tanto,

Maior essa atração.

Que fez o encanto,

Tocar meu coração.


Era primeira fêmea

A tocar minha alma

E que seria gêmea,

Que só me acalma 


Ainda sinto o sabor

O néctar dos lábios.

Era tanto seu amor,

Ainda eu me acabo.


Peruíbe SP, 11 de agosto de 2026.


sábado, 8 de agosto de 2026

TU ÉS LINDA!

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro

Mulher, és linda,

Igual eu nunca vi.

E seja bem-vinda

O coração é de ti.


O jaleco branco,

Sobre teu corpo,

Te dá o encanto

Que lindo dorso!


Seu lábio sedutor

O olhar cintilante

Desperta o amor,

Se estou distante.


A sua voz suave,

Toca meu ouvido

É como uma ave

Com canto lírico.


Olhar com magia

Traz tanta ternura

De noite e de dia,

Me leva a loucura.


O jeito sorridente

Que tanto cativa,

Não sai da mente

Está sempre viva.


Você é o poema,

Escrito em verso 

Na tarde serena,

É meu universo!


Peruíbe SP, 08 de agosto de 2026.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A BORBOLETA

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Mas cadê a borboleta,

Lá no fundo do quintal.

Que com o tom violeta

Numa dança sem igual.


Se alegre desabrocha,

Uma bela flor do jardim.

Pra agradar a cabrocha

Que traz a paz sem fim.


Mas todas as manhãs

Graciosa lá estava ela

Com a graça tamanha

Tal qual uma cinderela 


Se a borboleta feliz voa

Agradece toda natureza 

Meu Deus, não é à toa.

Que adoro essa beleza.


Ela bate as suas asas,

Os desenhos coloridos

Pois presenteia a casa

Torna tudo mais florido.



Peruíbe SP, 07 de agosto de 2026.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A MULHER E O PALÁCIO

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Ela não sai da mente,

Por nenhum segundo

Está sempre presente

Pra mim, isso é tudo.


Pago qualquer preço,

Se ela viver comigo.

Ao partir enlouqueço,

Então, serei mendigo.


Só ela dá vida a casa

Faz o dia mais lindo.

Felicidade ganha asa

E me leva ao infinito.


Até a roupa que veste

A reveste de encanto.

É uma beleza celeste

Eu não mereço tanto.


Farei o lindo palácio,

Se, um dia, ela quiser

E não ao amor volátil

Mas para ela, mulher.


Corpo exala perfume

E que me faz sonhar.

Eu sinto muito ciúme

Como a onda do mar.


Peruíbe SP, 06 de agosto de 2026