quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

VOU SER EU

 

Adão de Souza Ribeiro

Não vou mais fugir de mim

Esconder atrás de mentiras.

E eu vou ser eu, para enfim

Ser simples como o caipira.

 

Eu não vou mais viver preso

Nas teias das opiniões alheia

Vou dar valor ao meu desejo

Fazer meu mel como abelha.

 

Não vou mais doar o ouvido,

Para quem quer só o meu mal.

Tenho meu valor, não preciso

Me humilhar, isso é bom sinal.

 

Não vou mais chorar de medo,

Diante de qualquer do desafio.

Vou acordar feliz e bem cedo,

Como lá na natureza, faz o rio.

 

Eu não vou mais viver calado,

Enfrentarei o mundo perverso.

Serei eu e deixarei ali de lado,

Para cuidar só do meu verso!

 

Peruíbe SP, 12 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O NOSSO ERRO

 

Adão de Souza Ribeiro

Com a vida não brinca

Pois ela nunca perdoa.

Um dia você tem trinta

No outro já é um coroa

 

Ela não aceita seu erro,

De você cobra tão caro.

Marca corpo com ferro,

Da dor, ela sente o faro.

 

Você procura viver bem

E como se não existisse

Outra uma vida no além

Pois isso é apenas tolice.

 

Vida é frágil e efêmera,

Não deve ser maltratada

Por isso, delicada fêmea

Sua eternidade é abstrata

 

E então, cuida bem dela.

Porque a sua vida é rara.

Ela é sagrada e tão bela,

Vê, nada a ela se iguala!

 

Peruíbe SP, 11 de fevereiro de 2026.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O PODER SUPREMO

 

Adão de Souza Ribeiro

Com esse seu poder supremo,

Faz do mundo o que bem quer.

E não escolhe o peso do remo,

Se naufraga homem ou mulher.

 

Vejo estar a serviço da maldade,

Para ajudar quem é só perverso.

A palavra sagrada é só disfarce,

Que vale é o reino, cadê o resto?

 

E se alguém grita é logo calado,

De repente é pregado numa cruz.

Tal liberdade é coisa do passado,

Só poucos tem direito a uma luz.

 

Se toda maldade se veste de preto

E como se tudo estivesse na moda.

Para o que está errado, dá-se jeito.

Ficar o com poder é que importa.

 

Tudo o que se decide no Sinédrio,

Vejo jamais poderá ser contestado

Para o cristão não haverá remédio,

Senão na cova rasa, ser sepultado.

 

Do alto do poder, grande Tribuno

Julga a quem pecado não cometeu

Se acha como tal dono do mundo,

Diz estar acima do poder de Deus!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

SONHAR TALVEZ

 

Adão de Souza Ribeiro

Tu dizes que me quer

Isso é obra do Divino.

Te quis como mulher,

Quando era o menino.

 

Fico feliz que me vês

Isso jamais acontecia.

Eu sonhava só porque,

Era tudo o que queria.

 

Sei que o tempo pode

Mudar a vida do nada

E se realiza no galope

Ao longo desta estrada

 

Passei noite em branco

Pensando assim em ti

E o coração sangrando.

Foi desse jeito que vivi.

 

E nunca morre o amor,

De esperança que vive

Pois é a mais pura flor,

Que faz alma ser livre.

 

Agora que tu és minha

Passou aquela tristeza.

Está feliz esta casinha,

Com a minha princesa!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

AMAR EM SEGREDO

 

Adão de Souza Ribeiro

E quem te admira,

Nunca se desdém.

Tu és a bela safira

Igual a ti não tem.

 

Trate-o com amor

Respeita o desejo.

Se te vê como flor

Dê a ele um beijo.

 

Há muito te quer,

Ele nunca desiste

Seja dele, mulher

Não o deixa triste.

 

Ainda eras menina

E de ti se engraçou

Tu eras a bailarina,

O tempo já passou.

 

Se vê como deusa,

A mulher do sonho

Faças a tua beleza,

Ser o lugar risonho.

 

Se olha diferente,

De paixão idolatra

Coração que sente

Então só isso basta!

Peruíbe SP, 07 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

AMAR EM SILÊNCIO

 

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te quero em silêncio

E é assim que eu penso

Para que não percebas,

Meu olho em labaredas.

 

Eu te desejo bem calado

Desde o tempo passado.

Fiz meu coração sofrer,

Hoje eu não sei porquê.

 

Eu te venero só e quieto

Te vejo fico boquiaberto

Fico louco, sofro e deliro

Mas porque esse martírio

 

Eu te idolatro como rainha

Meu Deus, que sina minha.

O destino parece tão bravo

E se continuar eu me acabo.

 

Se eu te coloco no belo altar

É para te proteger e te adorar

Para mim, és mulher e santa,

A vontade de ti, me espanta.

 

Peruíbe SP, 05 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

QUE VIDA BOA!

 

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

                        Deus criou o mundo em sete dias. (Genesis 1:1-5)

                        Mesmo sendo dono supremo do Universo, Ele não se apressou na criação da sua obra prima. Assim agiu, para não esquecer dos mínimos detalhes. A cada dia, criava uma coisa, pois sabia que era para eternidade.

                        No primeiro dia, fez a luz, separando das trevas e chamou a “luz” de dia e a “treva” de noite; no segundo dia, fez o firmamento, chamando de atmosfera que envolve a terra; no terceiro dia, fez a terra, os mares, vegetação, plantas e árvores; no quarto dia, fez os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas, para governar o dia e a noite e para marcar os tempos e as estações.

                        Ainda na sua labuta Divina, fez as criaturas marinhas e as aves, ordenando que se multiplicassem e enchessem as águas e os céus; no sexto dia, criou os animais silvestre e, por fim, o ser humano, a Sua imagem e semelhança, dando-lhe domínio sobre a criação; no sétimo dia, Deus descansou de toda Sua obra, abençoando e santificando este dia.

                        Deus nos deu o Universo de presente, isso sem faltar coisa alguma, para que possamos desfrutar com calma e responsabilidade. Por confiar em nós, deu-nos o poder de dominar tudo o que aqui existe.

                        O sertanejo entendeu a missão que lhe foi dada, por isso, cuida com carinho da terra e ela, em sagrado agradecimento, devolve em alimento e doce contemplação. Eu nasci e fui criado no sertão e, por ser sertanejo nato, posso dizer de cátreda, que a natureza é a verdadeira mãe do mundo.

                        Ao acordar pela manhã, o vento beija nossa face e o orvalho sobre relva, forma o tapete até a linha do horizonte. A revoada de pássaros canoros, vem à janela, convidar-me para mais um dia que amanhece. No terreiro, os galos e galinhas cacarejam em busca de quirela de milho.

                        Lá no córrego, os sapos coaxam por longo tempo e no curral, as vacas ficam mugindo e chamando para ordenha, o grunhir dos porcos no chiqueiro, parece que estão sendo abatidos e, no entorno da casa, o ciciar das cigarras e o estridular dos grilos, dão encanto ao lugar.

                            A noite contempla as estrelas cintilantes no firmamento e o bailar dos vagalumes. Também contempla o silencio ensurdecedor da natureza. De vez em quando, apenas se ouve o canto dos sapos, corujas, lobos, morcegos, gafanhotos e o "gri gri gri" das cigarras, com seus 115 decibéis, formando uma sifonia única na natureza.

                        É nesta calmaria, que o caboclo vive e desfruta das benesses de Deus. Com humildade, ele sabe agradecer o que lhe é dado, sem pedir nada em troca. Por isso, sertanejo cuida com muito amor e sem destruir, o que levou milhões de anos para existir.

                        Não há nada mais saudável e prazeroso, do que o alimento colhido diretamente da terra e que chega à mesa sem agrotóxico. Também se alimentar da carne animal – vaca, porco, galinha, capivara e coelho – sem hormônio, para o crescimento.

                        Quando está entediado, o caipira senta na soleira da porta e fica pitando um cigarro de palha de milho ou vai na lagoa pescar tilápia, robalo, tucunaré, pacu, dourado, traíra, pintado, curimba, lambari, bagre, carpa, corvina, tambacu dentre tantos outros.

                        Enquanto o peixe não é fisgado, ele fica agachado na beira da lagoa, contemplando a natureza, tomando seu gole de cachaça e pitando um fumo de corda enrolado na palha seca de milho. Assim fica horas e horas, sem perceber o tempo passar.

                        Quando não está pescando, ele está caçando codorna ou perdiz na mata. Munido de uma cartucheira e acompanhado do fiel cachorro perdigueiro, o sertanejo sai cedo de casa e se embrenha na mata. Só volta à tarde, com o imborná cheio de aves. As vezes um grupo de caçadores o acompanha e não caça por esporte, mas, sim, para alimentação.  

                        Enquanto isso, dona patroa prepara a comida caseira, feita no fogão a lenha. O alimento é colhido na horta, a qual, é bem cuidada por ele. O capiau gosta de mandioca frita na manteiga, refogado de cambuquira e torresmo, por isso, a esposa não se descuida em preparar para o varão.

                        Nas tardes preguiçosas de domingo, o caboclo recebe a visita de violeiros que, com suas violas caipiras de doze cordas, cantam músicas que retratam a vida do campo, os amores e as paixões não realizados. Nas canções, é marcante as letras falarem dos ensinamentos da natureza.             

                        O homem do campo respeita a natureza, por isso, teme tempestade, tornado, furacão,  trovão, raio, vendaval, inundação, chuva de granizo, terremoto e etc. Para ele, a mudança climática é aviso da natureza, que a terra está agonizando. Sabe que falta pouco tempo para o fim, para aquilo que Deus criou com calma e amor. Deus deu o poder para cuidar e não para destruir.

                        O sertanejo é um devoto e fervoroso na fé, por isso, reserva um canto na casinha de sapê, para colocar o seu altar. Ali naquele lugar sagrado, faz suas orações e agradece ao Divino Criador, pelas graças recebidas.

                        Que vida boa no meu sertão!    

 

Peruíbe SP, 04 de fevereiro de 2026.