Adão de Souza Ribeiro
“Eles foram feitos, um para o outro”,
assim diziam os pais daqueles pequeninos conterrâneos, lá da saudosa Terrinha.
Todos que lá conviveram, percebiam a grande amizade daquelas duas crianças,
inclusive, este narrador e contador de causos.
Até parecia que era coisa de pele, porque não
se separavam. Onde um estava, o outro acompanhava sem cerimônia. Estou certo de
que havia uma química muito forte entre eles. Os dois eram crianças e, por isso,
não havia qualquer tipo de maldade, claro!
Os infantes moravam na mesma rua, estudavam
na mesma escola e dividiam os momentos de brincadeiras com as crianças da
infância. O carinho de ambos, era invejável pelos adultos. Eu estou narrando a eterna
amizade entre Augusto e Carmelita.
Eles compartilhavam as brincadeiras e os
gostos pelas coisas simples da vida. As crianças viviam tão felizes, que não
notavam o dia passar. Quando um estava triste, o outro se entristecia. Quando
um estava doente, o outro se compadecia.
Dizem que quando isso acontece é porque, na
outra dimensão, já eram um do outro e que a família gerada desse amor, também
já existia. Eu, particularmente, acredito piamente nisso, porque parecem almas
gêmeas.
O tempo passou e entraram na adolescência e
na juventude. No entanto, não se desgarravam por nada nessa vida. Os corpos amadureceram
e ganharam forma, portanto, a admiração mudou de foco. O hormônio aflorou e
despertou o desejo, passando de inocente amizade para amor incondicional.
As pessoas da Terrinha compreenderam e
comemoraram aquela mudança. Augusto e Carmelita, casal de eternos namorados,
passaram a andar de mãos dadas ou abraçados pelas ruas e pela Praça Matriz. Era
tão lindo aquele o amor, que eles irradiavam por onde passavam.
Eu, assim como todos os conterrâneos, ficava
hipnotizado com aquelas cenas românticas e revestidas de encanto. A beleza do
casal enfeitava o lugar e despertava o sentimento de ternura entre os habitantes
e, ao mesmo tempo, causava inveja as mal amadas e mal casadas.
Aquele casal modelo, marcou a história
romântica da Terrinha e, ainda, continua viva no coração do povo simples. Toda
vez que vislumbro um casal enamorado, caminhando abraçado, esbanjando carícias,
lembro-me de Augusto e Carmelita.
Até hoje, quando se fala em amor perfeito,
todos se reportam àquele casal que nasceu na Terrinha e que foi feito um para o
outro. O exemplo de Augusto e Carmelita sobreviveu in saecula
saeculourum (pelos séculos dos séculos), amém!
O projeto do alcaide Romancito Amado, foi aprovado
por unanimidade pelos nobres edis da Câmara Municipal, que deu à minha
Terrinha o slogan: “Terrinha, a cidade do amor eterno!”
Peruíbe SP, 08 de
março de 2026.