Adão
de Souza Ribeiro
Deus
criou o mundo em sete dias. (Genesis 1:1-5)
Mesmo sendo dono supremo do Universo, Ele não
se apressou na criação da sua obra prima. Assim agiu, para não esquecer dos
mínimos detalhes. A cada dia, criava uma coisa, pois sabia que era para
eternidade.
No primeiro dia, fez a luz, separando das
trevas e chamou a “luz” de dia e a “treva” de noite; no segundo dia, fez o
firmamento, chamando de atmosfera que envolve a terra; no terceiro dia, fez a
terra, os mares, vegetação, plantas e árvores; no quarto dia, fez os corpos
celestes: o sol, a lua e as estrelas, para governar o dia e a noite e para
marcar os tempos e as estações.
Ainda na sua labuta Divina, fez as criaturas
marinhas e as aves, ordenando que se multiplicassem e enchessem as águas e os
céus; no sexto dia, criou os animais silvestre e, por fim, o ser humano, a Sua
imagem e semelhança, dando-lhe domínio sobre a criação; no sétimo dia, Deus
descansou de toda Sua obra, abençoando e santificando este dia.
Deus nos
deu o Universo de presente, isso sem faltar coisa alguma, para que possamos
desfrutar com calma e responsabilidade. Por confiar em nós, deu-nos o poder de
dominar tudo o que aqui existe.
O sertanejo entendeu a missão que lhe foi
dada, por isso, cuida com carinho da terra e ela, em sagrado agradecimento,
devolve em alimento e doce contemplação. Eu nasci e fui criado no sertão e, por
ser sertanejo nato, posso dizer de cátreda, que a natureza é a verdadeira mãe
do mundo.
Ao acordar pela manhã, o vento beija nossa
face e o orvalho sobre relva, forma o tapete até a linha do horizonte. A
revoada de pássaros canoros, vem à janela, convidar-me para mais um dia que
amanhece. No terreiro, os galos e galinhas cacarejam em busca de quirela de
milho.
Lá no córrego, os sapos coaxam por longo
tempo e no curral, as vacas ficam mugindo e chamando para ordenha, o grunhir
dos porcos no chiqueiro, parece que estão sendo abatidos e, no entorno da casa,
o ciciar das cigarras e o estridular dos grilos, dão encanto ao lugar.
É nesta calmaria, que o caboclo vive e
desfruta das benesses de Deus. Com humildade, ele sabe agradecer o que lhe é
dado, sem pedir nada em troca. Por isso, sertanejo cuida com muito amor e sem
destruir, o que levou milhões de anos para existir.
Não há nada mais saudável e prazeroso, do que
o alimento colhido diretamente da terra e que chega à mesa sem agrotóxico.
Também se alimentar da carne animal – vaca, porco, galinha, capivara e coelho –
sem hormônio, para o crescimento.
Quando está entediado, o caipira senta na
soleira da porta e fica pitando um cigarro de palha de milho ou vai na lagoa
pescar tilápia, robalo, tucunaré, pacu, dourado, traíra, pintado, curimba,
lambari, bagre, carpa, corvina, tambacu dentre tantos outros.
Enquanto o peixe não é fisgado, ele fica
agachado na beira da lagoa, contemplando a natureza, tomando seu gole de
cachaça e pitando um fumo de corda enrolado na palha seca de milho. Assim fica
horas e horas, sem perceber o tempo passar.
Quando não está pescando, ele está caçando
codorna no meio da mata. Munido de uma cartucheira e acompanhado do fiel
cachorro perdigueiro, o sertanejo sai cedo de casa e se embrenha na mata. Só
volta à tarde, com o imborná cheio de aves. As vezes um grupo de caçadores o
acompanha e não caça por esporte, mas para alimentação.
Enquanto isso, dona patroa prepara a comida
caseira, feita no fogão a lenha. O alimento é colhido na horta, a qual, é bem
cuidada por ele. O capiau gosta de mandioca frita na manteiga, refogado de cambuquira
e torresmo, por isso, a esposa não se descuida em preparar para o varão.
Nas tardes preguiçosas de domingo, o caboclo
recebe a visita de violeiros que, com suas violas caipiras de doze cordas,
cantam músicas que retratam a vida do campo, os amores e as paixões não
realizados. Nas canções, é marcante as letras falarem dos ensinamentos da
natureza.
O homem do campo respeita a natureza, por
isso, teme o trovão, raio, vendaval, inundação, terremoto e etc. Para ele, a
mudança climática é aviso da natureza, que a terra está agonizando. Sabe que
falta pouco tempo para o fim, para aquilo que Deus criou com calma e amor. Deus
deu o poder para cuidar e não para destruir.
O sertanejo é um devoto e fervoroso na fé,
por isso, reserva um canto na casinha de sapê, para colocar o seu altar. Ali
naquele lugar sagrado, faz suas orações e agradece ao Divino Criador, pelas
graças recebidas.
Que vida boa no meu sertão!
Peruíbe SP, 04 de
fevereiro de 2026.