segunda-feira, 29 de junho de 2026

O VALENTÃO

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro

Sou forte e bravo,

Não fujo de briga.

Eu apanho e bato,

Assim é uma vida.


Não sou covarde,

Encaro o desafio.

Por ser tão tarde,

Atravesso um rio.


Sangue na veia,

O bicho de raça. 

Se tem cara feia

Eu faço pirraça.


Eu sou ousado.

E venci o medo

Mate o passado

Digo o segredo.


Não ser o fraco

Para ter a regra.

Não ser fiasco,

Na sua guerra.


Na nossa vida,

Há eterna luta.

E não intimida.

Não se assusta.


Se quer vitória

E acredita nela.

Só há a glória,

Se ter cautela.


Pra ser valente.

Precisa de foco.

E ter na mente,

Em dar o troco.


Peruíbe SP. 29 de junho de 2026,




domingo, 28 de junho de 2026

QUE VIDA HUMILDE!

                                                                                                       Adão Souza Ribeiro

Minha calça pantalona

E modelo boca de sino

Tempo não abandona,

Quando era o menino.


Sapato cavalo de aço,

Meu carro tipo DKV.

Corria para o abraço,

Havia lugar pra você.


Andava de charrete,

E tudo era só delícia.

Mascava um chiclete,

Eu não tinha malícia.


Namorar na pracinha,

O olhar da luz da lua.

Beijo de Mariazinha,

Infância corria na rua.


Viajava de Jardineira

Na estrada do sertão.

A missa domingueira

Um chorar sem razão.


Disco na minha vitrola

Tocando uma melodia

Tempo não tinha hora

De passar mais um dia.


No pilão moia o café,

Comia com o cuscuz.

Depois tinha cafuné,

Benza, sinal da cruz.


Nosso fogão a lenha

Uma panela de barro

A nossa vaca prenha

Avô que pita cigarro.


Na parede, quadro

A foto de família.

Irmã de resguardo

Caçador vê trilha.


Lobisomem, lenda

Contada pela vovó.

Dança com prenda

Num baile de forró.


Menina com boneca,

De sabugo de milho.

E eu levado da breca

Era só beleza e brilho.


Peruíbe SP, 28 de junho de 2026.





sábado, 27 de junho de 2026

ROMANCE GALINÁCEO

                                                                                            Adão de Souza Ribeiro

O galo disse  a galinha

Vou quebrar seu galho

Se você for só minha,

E vou criar um atalho.


Por você arrasto asa,

Sou ave desde filhote

Galinheiro como casa

Comigo ninguém pode


E você pula no poleiro

Para lá dormir à noite.

Vou contar o segredo,

Vento toca num açoite.


Quando paixão acena,

E deixa só no terreiro.

De mim não tem pena

Eu sofro o dia inteiro.


O seu ninho eu preparo

Para botar mais um ovo

E sou muito feliz, acho.

Família cresce de novo.


Como a fêmea, choca

O herdeiro que chega.

Pois não vê sua hora,

De alegria se entrega.


E de madrugada, canto

Para afugentar espírito.

Galinácea a amo tanto,

É disso que eu preciso.


Você rainha do quintal.

E por você, luto e cisco

Não há nada tão divinal

Por você, corro o risco.


Peruíbe SP, 27 de junho de 2026.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

O FLAGRANTE

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Ele cometeu um crime

Foi preso pela Militar.

E que ninguém exime

Da lei vir a se escapar.


Com algema no pulso

Conduzido ao Distrito

Recebe o castigo justo

Flagrante segue o rito.


Doutor com sabedoria

Usa seu Código Penal

Pois assim é todo dia,

Faça sol ou vendaval.


O diligente Escrivão,

Busca a palavra certa.

Na sua árdua missão,

Segue a sagrada meta.


Ele só certifica e dá fé

Depois de tudo pronto

E a Justiça só torna ré,

Quem nunca foi santo.


Entre caneta e carimbo

Inquérito cria a forma.

Holmes e o cachimbo,

Investigar tem norma.


Advogado tenta defesa

Criminoso em silêncio.

A verdade segue ilesa,

Até o fim dos tempos.


O castigo não se furta

Quem comete um erro.

Por isso a polícia luta,

Destemida, sem medo.


Inquérito mantém rito,

Promotor faz denúncia

Juiz vê tanto capricho.

Que sua pena anuncia.


Ele vai para o presídio

Pagar pelo seu pecado.

Cumprir duro martírio

Apagar triste passado.


Peruíbe SP, 26 de junho de 2026.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

ESSE AMOR CAIPIRA!

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Você era só a criança

Cheia de graça e bela.

Com cabelo de trança.

Que charme você era.


Seu vestido de chita,

E desfilava pela rua.

Meu olhar feliz a fita

Sinto a saudade sua


Sandália rosa no pé,

O andar de princesa

Eu jamais perco a fé

A esperança cresça.


Segue para a escola,

Com lápis e caderno

Meu coração implora

Esse amor tão eterno


O querer gigantesco

Que não se controla

Se vejo o Bradesco,

Oh que vida e agora!


E você vive em mim,

Minha doce cabrocha

E o cheiro de jasmim.

E que vem lá da roça.


Não digo seu nome,

Que bem me inspira

O sonho de homem,

Com jeito de caipira!


Peruíbe SP, 24 de junho de 2026..


domingo, 21 de junho de 2026

NOITES EM BRANCO

                                                                                                    Adão de Souza Ribeiro

Passo noites em branco

Numa cama sem dormir.

Molhado em mil prantos

Pensando tanto só em ti


Eu sob olhar da estrela,

E que cuida bem assim.

Sabe queria tanto vê-la

E aqui juntinho de mim.


Lá fora, a tempestade,

São lágrimas em gota.

Só quem sofre e sabe,

Que espera se esgota. 


E nesta casa estou só,

O silêncio me atordoa.

Lembrar só me faz dó

Sonho leve vai e voa.


Noite bela e morena,

O olhar de vagalume

É só minha açucena,

Sinto o seu perfume.


Noites são um tédio,

E nada que me cura

Só o santo remédio,

Da vossa formosura. 


Branco são as noites,

Que sem ti eu passei

O sofrer é um açoite,

Fui um escravo e rei.


O teu calor gostoso,

Aquece meu quarto.

É a ilusão de moço, 

E sem ti, eu infarto!


Peruíbe SP, 21 de junho de 2026.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

A CHUVA

                                                                                           Adão de Souza Ribeiro


Chuva fina, forte, chuvarada

Que suave desliza pela rua.

E alegra toda a madrugada,

É grande essa saudade sua.


Enquanto cidade já dorme.

Suas gotas cantam canções.

Minha felicidade é enorme

Sinto tanta paz no coração.


E traz a lembrança afetiva,

Daquele tempo de infância.

Onde tudo era belo na vida

Hoje se vai lá na distância.


Você fina, chuvarada, forte,

Quanta saudade ainda traz.

E quando você puder, volte

Minha tristeza é tão fugaz.


E traz longa vida a relva, 

Desabrocha a esperança,

Ao lembrar daquela terra

Do meu tempo de criança


Lembro de você tão calma,

Caindo no telhado da casa

Acalentando a minha alma

Com você, tudo era graça.


E se eu chorar me perdoa

Meu amor não tem idade.

Não é o sentimento à-toa,

É história da minha cidade


Peruíbe SP, 15 de junho de 2026.