quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

AMAR EM SILÊNCIO

 

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te quero em silêncio

E é assim que eu penso

Para que não percebas,

Meu olho em labaredas.

 

Eu te desejo bem calado

Desde o tempo passado.

Fiz meu coração sofrer,

Hoje eu não sei porquê.

 

Eu te venero só e quieto

Te vejo fico boquiaberto

Fico louco, sofro e deliro

Mas porque esse martírio

 

Eu te idolatro como rainha

Meu Deus, que sina minha.

O destino parece tão bravo

E se continuar eu me acabo.

 

Se eu te coloco no belo altar

É para te proteger e te adorar

Para mim, és mulher e santa,

A vontade de ti, me espanta.

 

Peruíbe SP, 05 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

QUE VIDA BOA!

 

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

                        Deus criou o mundo em sete dias. (Genesis 1:1-5)

                        Mesmo sendo dono supremo do Universo, Ele não se apressou na criação da sua obra prima. Assim agiu, para não esquecer dos mínimos detalhes. A cada dia, criava uma coisa, pois sabia que era para eternidade.

                        No primeiro dia, fez a luz, separando das trevas e chamou a “luz” de dia e a “treva” de noite; no segundo dia, fez o firmamento, chamando de atmosfera que envolve a terra; no terceiro dia, fez a terra, os mares, vegetação, plantas e árvores; no quarto dia, fez os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas, para governar o dia e a noite e para marcar os tempos e as estações.

                        Ainda na sua labuta Divina, fez as criaturas marinhas e as aves, ordenando que se multiplicassem e enchessem as águas e os céus; no sexto dia, criou os animais silvestre e, por fim, o ser humano, a Sua imagem e semelhança, dando-lhe domínio sobre a criação; no sétimo dia, Deus descansou de toda Sua obra, abençoando e santificando este dia.

                        Deus nos deu o Universo de presente, isso sem faltar coisa alguma, para que possamos desfrutar com calma e responsabilidade. Por confiar em nós, deu-nos o poder de dominar tudo o que aqui existe.

                        O sertanejo entendeu a missão que lhe foi dada, por isso, cuida com carinho da terra e ela, em sagrado agradecimento, devolve em alimento e doce contemplação. Eu nasci e fui criado no sertão e, por ser sertanejo nato, posso dizer de cátreda, que a natureza é a verdadeira mãe do mundo.

                        Ao acordar pela manhã, o vento beija nossa face e o orvalho sobre relva, forma o tapete até a linha do horizonte. A revoada de pássaros canoros, vem à janela, convidar-me para mais um dia que amanhece. No terreiro, os galos e galinhas cacarejam em busca de quirela de milho.

                        Lá no córrego, os sapos coaxam por longo tempo e no curral, as vacas ficam mugindo e chamando para ordenha, o grunhir dos porcos no chiqueiro, parece que estão sendo abatidos e, no entorno da casa, o ciciar das cigarras e o estridular dos grilos, dão encanto ao lugar.

                        É nesta calmaria, que o caboclo vive e desfruta das benesses de Deus. Com humildade, ele sabe agradecer o que lhe é dado, sem pedir nada em troca. Por isso, sertanejo cuida com muito amor e sem destruir, o que levou milhões de anos para existir.

                        Não há nada mais saudável e prazeroso, do que o alimento colhido diretamente da terra e que chega à mesa sem agrotóxico. Também se alimentar da carne animal – vaca, porco, galinha, capivara e coelho – sem hormônio, para o crescimento.

                        Quando está entediado, o caipira senta na soleira da porta e fica pitando um cigarro de palha de milho ou vai na lagoa pescar tilápia, robalo, tucunaré, pacu, dourado, traíra, pintado, curimba, lambari, bagre, carpa, corvina, tambacu dentre tantos outros.

                        Enquanto o peixe não é fisgado, ele fica agachado na beira da lagoa, contemplando a natureza, tomando seu gole de cachaça e pitando um fumo de corda enrolado na palha seca de milho. Assim fica horas e horas, sem perceber o tempo passar.

                        Quando não está pescando, ele está caçando codorna no meio da mata. Munido de uma cartucheira e acompanhado do fiel cachorro perdigueiro, o sertanejo sai cedo de casa e se embrenha na mata. Só volta à tarde, com o imborná cheio de aves. As vezes um grupo de caçadores o acompanha e não caça por esporte, mas para alimentação.  

                        Enquanto isso, dona patroa prepara a comida caseira, feita no fogão a lenha. O alimento é colhido na horta, a qual, é bem cuidada por ele. O capiau gosta de mandioca frita na manteiga, refogado de cambuquira e torresmo, por isso, a esposa não se descuida em preparar para o varão.

                        Nas tardes preguiçosas de domingo, o caboclo recebe a visita de violeiros que, com suas violas caipiras de doze cordas, cantam músicas que retratam a vida do campo, os amores e as paixões não realizados. Nas canções, é marcante as letras falarem dos ensinamentos da natureza.             

                        O homem do campo respeita a natureza, por isso, teme o trovão, raio, vendaval, inundação, terremoto e etc. Para ele, a mudança climática é aviso da natureza, que a terra está agonizando. Sabe que falta pouco tempo para o fim, para aquilo que Deus criou com calma e amor. Deus deu o poder para cuidar e não para destruir.

                        O sertanejo é um devoto e fervoroso na fé, por isso, reserva um canto na casinha de sapê, para colocar o seu altar. Ali naquele lugar sagrado, faz suas orações e agradece ao Divino Criador, pelas graças recebidas.

                        Que vida boa no meu sertão!    

 

Peruíbe SP, 04 de fevereiro de 2026.     

sábado, 31 de janeiro de 2026

A CASA DAS PRIMAS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Em toda cidade tinha, inclusive, na minha adorada Terrinha. Lá as duas casas de madeira. ficavam afastadas da cidade e como o lugarejo era pequeno, localizavam bem no meio do mato. Ali, as mulheres de vida fácil, que de fácil não tinha nada, recebia os assíduos amigos/clientes.

                        Em cada casa, chamadas carinhosamente de casa das primas, moravam quatro moças. Até hoje, não entendo porque não eram chamadas de casa das irmãs. Penso que é porque poderiam ser confundidas com conventos.

                        Os varões, casados ou não, frequentavam aquele lugar considerado sagrado por eles. De tanto transitarem  por aquelas bandas, formou-se um carreador (trilha), chamado de caminho do desejo.

                        É de bom alvitre que se diga, que muitas vezes, os clientes/amigos não as procuravam só para saciaram suas lascívias e fantasias masculinas. Quando a esposa, vulgo dona encrenca, não lhes dava carinho ou atenção e, ao invés disso, reclamava sem motivo das coisas cotidianas, eles buscavam o colo das meninas sempre solicitas.

                        As primas não frequentavam o comércio, para efetuarem as compras, pois eram muito reservadas e discretas. Para isso, elas usavam os préstimos do Batucada, um negrão muito querido pelos moradores. Hoje não existe mais a casa das primas, porque as de agora, estão livres e transitando sem pudor pelas esquinas.

                      As casadas e descasadas nutriam verdadeira ojeriza àquelas moças que só proporcionavam afetos aos homens carentes da Terrinha. O que ora narro, são fatos que ouvia dizer da boca dos conterrâneos, porque na época eu era um simples e inocente menino.

                        De vez em quando os cabeças secas (policiais militares), faziam incursões por ali, com vistas a verificar a presença de cliente menor de idade. Não se tinha notícia de desavença entre adultos e. muito menos, entre esposas ultrajadas, a procura do esposo infiel, que estava pulando cerca alheia. Ali naquela Terrinha, cada um vivia e cuidava do seu quadrado.

                        A casa dispunha de sala, cozinha, banheiro e quartos para momentos íntimos entre as primas e os clientes carentes de chamego erótico. Na sala, havia uma iluminação fraca e uma vitrola executando música brega, para quem estava na fossa ou com dor de corno. Para agradar o amigo/cliente, a prima servia bebida (cerveja, rabo de galo ou whisky) com petisco.

                        Devidamente maquiada e vestida com roupa insinuante, a prima se portava atraente e pronta para a desejada guerra de sexo. Gerusa, a prima mais bonita e sensual, era muito disputada entre os frequentadores assíduos, daquele lugar sacrossanto, onde só reinava o amor e carinho.

                        As casadas, por não se conformarem com as virtudes das primas, chamam-nas pejorativamente de mariposas. E diziam que a casa delas era semelhante a Sodoma e Gomorra, onde reinava o pecado e a depravação. Já os frequentadores, chamavam de paraíso.

                        O alcaide, a fim de preservar a memória do lugar, deveria tombar como patrimônio histórico e sagrado da amada Terrinha, isso para deleite de todos os moradores. As primas seriam imortalizadas e lembradas por todos os honrados cidadãos, frequentadores ou não da Casa das Primas.

                        Batucada, eterno guardião das meninas, sentir-se-ia eternamente grato com tamanha homenagem, deferida a elas. Agindo assim, o alcaide não deixaria o lugar entrar no esquecimento. As primas, que tanto proporcionaram prazer e alegria aos varões, fossem doutores, barões do café ou não, seriam lembradas em datas festivas, realizadas na Terrinha.      

                           As primas eram a salvação das donas de casa, pois, quando os maridos saiam de lá, não chegavam em casa enfezados com a patroa, mais conhecida como dona encrenca. Eles chegavam em casa tranquilos e com o corpo aliviado. Mesmo que a esposa buzinasse (xingasse) no ouvido, ele simplesmente dizia: “Calma mulher e vê se me traz uma breja gelada.”

                        Salve as eternas primas da saudosa Terrinha. Amém!

 

Peruíbe SP, 31 de janeiro de 2026.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SEXO NA CABEÇA

 

Adão de Souza Ribeiro

E antes, que eu esqueça,

Vou contar um belo fato.

Vivo com sexo na cabeça.

Pois, sem ele, eu me mato.

 

Me diz um certo puritano,

Que isso é o maior pecado

E não há algo tão profano,

Isso é coisa dum recalcado.

 

Se o sexo fizesse tanto mal

Deus não o teria concebido

Existe até no reino animal,

Que maldade haverá nisso?

 

Multiplicar é o mais certo

Manda a sagrada escritura

Então, que importa o resto

Se o sexo é feito de ternura.

 

O corpo, ele apenas liberta

Depois do gozo e do prazer

Pessoa fica de boca aberta,

Feliz e não sabe o que fazer.

 

Quando acabar neste mundo

A terra perderá seu encanto.

Nela viverá só o moribundo

O simples eunuco, um tonto.

 

Peruíbe SP, 30 de janeiro de 2026.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O LOUCO

 

Adão de Souza Ribeiro

Não me chame de louco

Isso porque eu a desejo.

Ser louco é muito pouco

Fico quando eu lhe vejo.

 

Nem chame de maluco,

Isso porque eu a.venero.

Eu já ando meio caduco

De tanto que eu a quero.

 

Não me chame do bobo,

Se o bobo também ama.

E esse querer é um lobo

Que me devora na cama.

 

Não me chame de idiota

Se eu acredito na ilusão.

Ilusão adoça o coração,

Quando a pessoa gosta.

 

Não me chame de tolo,

Ser tolo será um elogio

Amor serve de consolo,

Coração aceita desafio.

 

Não me chame de pateta

Se pateta é quem divaga.

Eu serei um eterno poeta,

Aqui, em qualquer plaga.

 

Peruíbe SP, 28 de janeiro de 2026.

 

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

FILOSOFIA DO SEXO

 

Adão de Souza Ribeiro

Sexo é como um voo,

Deixa livre, que volto.

Se um corpo aprovou

Ele ancora num porto

 

A fantasia que precede

Desenha o meu prazer.

Se o corpo sente sede,

Ilusão dá o que beber.

 

Não pode haver limite,

Quando busca o ápice.

Desejo aceita o convite

Bebe no mesmo cálice.

 

Sem pudor é só entrega

Preconceito fica de lado

O ato não há mais regra,

Prazer só é feliz calado.

 

Quem disse que o sexo,

É algo tão pecaminoso.

Não há nada desconexo

Maldizer o algo gostoso.

 

O desejo arde em chama

Quando o prazer acerta.

Só no silêncio da cama,

Se vê que o sexo liberta.

 

Ele só embriaga o corpo

E deixa a alma mais leve.

Me faz sentir mais moço.

Eu sei que a vida é breve.

 

Peruíbe SP, 27 de janeiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O MEU DESEJO

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te desejei tantas vezes

Sonhei que eras só minha

Passei belos dias e meses,

Esperando a princesinha.

 

Acordei já de madrugada

Com o meu coração vazio

Sem meu calor da amada,

Tudo é triste e é um vazio.

 

Vida é feita de desventura

Ainda de tantos desacertos.

A felicidade é uma criatura

E que guarda mil segredos.

 

Eu não nasci para viver só

Nasci para ser muito feliz.

É como dizia a minha avó:

Amor é arisco como perdiz.

 

Não sei se tu foges de mim

Apenar por mero capricho.

Mas queres que seja assim,

Então, amor, e aqui desisto.

 

Sempre foi o maior desejo,

Tê-la ao meu lado comigo.

Pois assim que eu me vejo

Ser este teu melhor abrigo.

 

Peruíbe SP, 26 de janeiro de 2026.