quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A MULHER E O PALÁCIO

                                                                                                 Adão de Souza Ribeiro

Ela não sai da mente,

Por nenhum segundo

Está sempre presente

Pra mim, isso é tudo.


Pago qualquer preço,

Se ela viver comigo.

Ao partir enlouqueço,

Então, serei mendigo.


Só ela dá vida a casa

Faz o dia mais lindo.

Felicidade ganha asa

E me leva ao infinito.


Até a roupa que veste

A reveste de encanto.

É uma beleza celeste

Eu não mereço tanto.


Farei o lindo palácio,

Se, um dia, ela quiser

E não ao amor volátil

Mas para ela, mulher.


Corpo exala perfume

E que me faz sonhar.

Eu sinto muito ciúme

Como a onda do mar.


Peruíbe SP, 06 de agosto de 2026


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

AMOR A TRES

                                                                                         Adão de Souza Ribeiro 

Se Maria diz que ama

Seu maior amigo José

Vou fugir desta trama

A três não vai dar pé.


Para me ver fiz tudo,

Até escrevi a poesia

Fiquei bravo maluco

Esperei com alegria.


Se foi escolha dela,

Não adianta sofrer.

Mas a vida é bela,

Busca novo prazer


Mas tudo é ilusão

E logo isso passa.

Bobo é o coração

Que se despedaça.


Ele deixou Maria,

Então mas agora?

E antes ela sorria

Hoje ela só chora


Ao cair o castelo

Vai me procurar.

Dor de cotovelo

Não quero mais.



Peruíbe SP, 05 de agosto de 2025.


terça-feira, 4 de agosto de 2026

MINHA METADE

                                                                                               Adão de Souza Ribeiro

Você mora no sonho

Também no dia a dia

Por isso não oponho

De ser minha Maria.


Você faz desta vida,

O que bem aprouver

E o coração suplica,

Seja minha mulher.


Você é meu corpo

Alegre o completa

Eu sinto um moço

Cupido e a flecha.


É bom que existe,

Faz parte de mim.

Nada é mais triste

Do que viver o fim


Você é meu tempo,

Preenche o espaço

Coração bate lento

Se perder que faço.


Você é a metade

Do que me falta;

Vem sem alarde

Assim tem graça.


Peruíbe SP.; 04 de agosto de 2026.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

ESTUPIDO CUPIDO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


Uma música dizia: “Mas, seu cupido meu coração/ Não quer saber de mais uma paixão/ Por favor vê se me deixa em paz/  Meu pobre coração já não aguenta mais/…(Oh! Oh! Cupido!)/ Hey Hey, É o fim/ Oh Cupido/ Vai longe de mim…”  música Estupido Cupido, com Celly Campello.

Eu penso que criança não deveria se apaixonar, nunca. Esse estado emocional, judia demais do coração da pessoa. Quando é correspondido, tudo bem; mas quando não, é um Deus nos acuda. O ser humano perde a fome, alegria, entra em depressão e parece que o mundo desabou.

A infância é a melhor fase da vida, então, para que sacrificá-la em nome de um sentimento tão efêmero e frágil. Ao se deixar ser presa nas garras da paixão, a criança abdica do prazer de ser feliz e de ser inocente em toda plenitude. Ela sacrifica o que há de mais belo em toda sua vida: a inocência. A criança nunca deve brincar de ser adulta, porque ser adulto não é brincadeira.

Eu digo isso, porque um dia, sem querer, fui acometido desse mal, depois de ser picado pelo inseto da paixão. Não adiantou eu relutar, pois, depois de ser infectado, não houve remédio ou simpatia que curasse. Fiz promessa e até a novena, mas não adiantou.

Enquanto meus coleguinhas convidavam-me para brincadeiras infantis, lá estava eu amuado pelos cantos. E ela, a pessoa que eu amava em silêncio, vivia seus momentos felizes, sem se preocupar com meu sentimento. 

Eu posso dizer, que eu não sei se algum coleguinha, passou por aquele infortúnio de amar alguém em silêncio. Também não perguntei, porque poderia despertar curiosidade e quisesse saber se eu estava amando em segredo. Isso, nem pensar. Credo!

A bem da verdade, ela nem sabia; pois o amor era fruto da minha fantasia de menino puro. Os adultos chamam esse desejo de amor platônico. Um sentimento que vai além da vontade da carne, pois ele exalta as qualidades da pessoa amada.

Hoje eu entendo porque ele alimenta a inspiração do artista - poeta, compositor, cantor e pintor -, presenteando-o com belas obras de arte. Quantas vezes, imaginei a amada segurando minha mão; dando um forte abraço; os seus lábios sedentos, beijando os meus; sussurrando palavras de amor no meu ouvido. Que pena, era somente doce ilusão!   

No dia em que a via, desfilando garbosamente pelas ruas da Terrinha, o dia tinha mais encanto. A natureza se vestia de alegria; as flores do jardim, exalavam atraentes perfumes; os pássaros entoavam lindas melodias de amor e eu, embriagado com a beleza dela, ficava hipnotizado com tamanha beldade.

Eu tinha ciúme até do vento, quando tocava o rosto da pessoa amada. Se o ciúme era platônico, aquilo pouco importava. De tanta alegria, o meu coração parecia saltar do peito. Eu ficava observando a sua beleza, até ela desaparecer da minha visão. Meu Deus, quanta saudade!

Há muitos anos está casada e já é avó. O tempo mudou o seu corpo, assim como mudou o meu; mas o seu rosto, continua com os mesmos traços da beleza de outrora. Outro dia nos vimos e conversamos longamente. Relembramos de coisas da infância e rimos. 

Eu confesso que tive vontade de, tardiamente, declarar meu eterno amor por ela, mas contive-me. Ele só continua belo, porque dorme no leito do eterno segredo. Todo dia, vou balançar o berço da saudade, para que ele possa continuar ninando a minha fantasia. Então pensei: “Se eu revelar, ele perderá o encanto e deixará de ser platônico.

O amor não morre, apenas hiberna no coração de quem sabe esperar o momento exato de despertar, para reviver a magia de tornar as pessoas mais sensíveis às belezas da vida. 

Se até hoje o meu sentimento pela amada é platônico, a culpa é do cupido!    


Peruíbe SP, 31 de julho de 2026.


quinta-feira, 30 de julho de 2026

QUARTO VAZIO

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

Mas o que fazer

De noite, de dia

E a cama vazia

Na falta de você


Lençol desfeito,

Espera a amada

Já é tarde, nada.

A dor no peito.


Tudo só silêncio

Ausência é forte

Não tenho sorte

Quero o alento.


A janela que vê

E comigo chora

Quando a hora,

Leva meu sofrer.


Cheiro da fêmea

O calor do corpo

Eu sinto o gosto,

Que triste dilema


Só o quarto vazio

Respirar ofegante

Nada como antes

No lençol macio!


Tênue só uma luz.

O sono não chega

A imagem seduz;

A paixão tão cega


Peruíbe SP, 30 de julho de 2026.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

A DIVINA CRIAÇÃO

                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

Lá fora tudo acontece,

Sem minha permissão.

E mesmo com a prece

Quer eu queira ou não.


Pois o mundo é assim,

Tem seu poder infinito.

Não depende de mim.

E, assim, não insisto.


Rio calmo transborda,

Já feliz dorme a noite. 

Se o vento forte chora

Deseja-lhe: boa sorte.


A vida tem seu rumo.

Não mude o destino. 

É como o vagalume,

E livre feito menino.


Cada coisa no lugar

Dia sol, noite o luar.

Procure contemplar

As belezas do mar.


Deus é tão perfeito,

Naquilo que Ele faz

Em tudo dá um jeito.

E sem errar, jamais.


Deus fez Universo.

Poema sacrossanto

E por isso, lhe peço:

Ama com encanto.


Natureza é presente

É a dádiva de Deus.

Cuida para sempre,

Que Papai lhe deu,


Peruíbe SP, 29 de julho de 2026.


domingo, 26 de julho de 2026

O ANCIÃO

                                                                                                  Adão de Souza Ribeiro


Lá vem ele todo trôpego,

Caminhando aqui e acolá

E ali pára e já sem fôlego

Pois se lhe falta muito ar.


Com auxílio da bengala,

Como se fosse sua perna

Então, a mente dele fala:

E o que eu seria sem ela?


Aqueles cabelos brancos

Olhar cansado e distante 

O coração sonhos tantos

Vida passa num instante.


Se o destino cobra caro,

Não desperdiça o futuro

Não acha tudo um sarro

E jamais anda no escuro


E do ancião, não caçoa,

Vai envelhecer um dia.

Não passe a vida a toa,

Como faz uma cotovia.


Escreva lá no caderno

E deixa bem impresso

Saiba que aquele velho

É o bebê que deu certo.


Peruíbe SP, 26 de julho de 2026.