sexta-feira, 13 de março de 2026

O CAMINHO SUAVE

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Quando vejo a cartilha “Caminho Suave” da escritora e educadora Branca Alves de Lima e Maira Lot Micales, transporto-me ao ano de 1967, quando estudei o primário, no Grupo Escolar “José Belmiro Rocha”, na minha sagrada Terrinha.

                        Naquele tempo, não se usava livro de cunho político, para transformar aluno em robô, sem direito a pensar e a criar própria personalidade. Ensinava de um jeito suave o bê-á-bá do cotidiano. Maria Aparecida Almada, minha primeira professora, tinha uma didática encantadora para ministrar aula.

                        No pátio, antes de iniciar a aula, os alunos eram perfilados e, em posição militar, cantavam o “Hino Nacional Brasileiro”. Enquanto o hino era executado, não se ouvia alguém conversando ou mascando chiclete. E foi assim, que aprendi respeitar e amar a Pátria.

                        Eu me sentia orgulhoso ao envergar o uniforme e caminhar rumo a escola, levando o caderno brochura; a cartilha “Caminho Suave”; estojo com lápis, borracha e apontador, bem como, a lancheira. Ficava ansioso para entrar na classe e rever os coleguinhas.

                        Os professores eram respeitados e idolatrados, por isso, haviam alunos que nutriam admiração e paixão silenciosa pelos mestres. O aprendizado tinha um sabor diferente e os alunos se embriagavam com as matérias ministradas pelos seus mestres.  

                        Hoje eu vejo que os jovens são cabeças ocas, tanto no linguajar, quanto no gosto musical.  A metodologia didática, preza pela ignorância massificadora, onde o jovem nada sabe da sua importância na sociedade.    

                        Não havia tropeço na busca do conhecimento, por isso, era sempre suave o caminho de casa até a escola. Tudo tinha um encanto indescritível, que o sentimento não consegue descrever. Só a doce lembrança consegue rememorar tanta saudade.

                        As brincadeiras feitas com os coleguinhas inocentes, deixaram marcas indeléveis na memória e no coração de um menino que soube viver a infância. As crianças do presente, não têm tem passado e nem história, para contar as futuras gerações.

                        A minha Terrinha continua viva na lembrança, que perpetuará para sempre e até a eternidade. Os amiguinhos, que vivenciaram e compartilharam momentos imortais, cresceram e levaram consigo os mesmos sentimentos como o meu, eternizando o passado.

                        Os olhos lacrimejam, só de falar daqueles tempos áureos, onde tudo era simples e sem maldade. A única preocupação era só brincar de ser criança, com toda leveza do espírito infantil.  

                        Até hoje eu sinto falta daquele caminho suave, que me ensinou a trilhar pelos mistérios de um mundo selvagem e sem a pureza da alma. Agradeço a Deus por ter  sido acolhido pelo Grupo Escolar “José Belmiro Rocha” e, ainda, por ter folheado a cartilha “Caminho Suave”. Velhos tempos, que não voltam jamais!

Peruíbe SP, 13 de março de 2026.  

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