Adão de Souza Ribeiro
A planta não surge do nada. É preciso que a semente seja colocada na terra para que, passado um tempo, ela germine e se cumpra o cíclo da vida. Após a semente germinar, transforma-se na bela planta e cresce com a benesse da natureza. Com essa atitude, a natureza ensina que, antes mesmo de existirmos, temos que fincar raízes em solo firme e fértil.
Embora o nascimento seja um milagre de Deus; no mundo terreno e material, há o ato de se plantar e cuidar com imenso amor. Colocar esterco (vitamina natural) e regar, faz parte dos cuidados especiais da planta. Ao longo do tempo, vai crescer e gerar frutos com sementes, para dar continuidade ao ciclo da existência.
Há enorme semelhança entre a planta e a vida humana, a saber: a família é o terreno; os pais é a semente; a educação e o alimento, são os cuidados; a formação moral é a continuidade do ciclo humano. A planta ao ser bem cuidada enfeita e serve a natureza; já a mal cuidada, seca e morre.
Se a raiz for forte, além de sustentar a planta, dará força para que possa vencer as intempéries do tempo, ou seja, a tempestade, a seca, a chuva e o inverno. A planta bem formada, terá frutos e servirá de abrigo às aves e todo ser vivente, que compõem a flora.
Outro dia, através da internet, revi a minha Terrinha nas filmagens realizadas por um casal de forasteiros. Ele procurou mostrar todas ruas, praças, casas e prédios importantes do lugarejo. À medida que passavam as imagens, meus olhos lacrimejaram de saudade e alegria. De novo eu senti-me caminhando tranquilamente pelo meu passado.
Posso dizer que foi ali que nasci e me criei; que convivi com as pessoas simples e pujantes; que aprendi amar e respeitar a natureza; que os pais e professores ensinaram o valor da moral e dos bons costumes; que foi ali, onde foi forjado a pessoal que hoje eu sou, com muito orgulho.
As brincadeiras inocentes da infância, aconteceram em cada centímetro daquele chão sagrado. Com certa frieza, o casal descrevia cada detalhe filmado, mas eu via com outros olhos, os da ternura. Na busca de um mundo melhor, deixei o lugar, mas hoje choro copiosamente, porque o melhor não veio.
No entanto, por ter cultivado e preservado as minhas raízes, foi que consegui vencer as procelas da vida. Não vendi minha alma e o coração ao progresso desumano. A lente da câmera não revelou o lado humano e belo da minha adorada Terrinha. Só quem lá morou, sabe do que estou falando.
O tempo passa, mas a saudade permanece. A filmagem do casal forasteiro, só resgatou a memória de quem sempre amou a cidade onde nasceu. Amor não se explica, mas se sente.
A minha raiz plantada na Terrinha, fez de nim uma árvore frondosa e frutífera!
Peruíbe SP, 24 de março de 2026.
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