Adão de Souza
Ribeiro
Ricardo Batista da Silva, desde pequeno, dava
sinais e traços de ser uma criança diferenciada das demais de sua época.
Enquanto as outras brincavam, correndo para lá e para cá e se machucavam,
caindo dos galhos das árvores, pisando em caco de vidro, ele se dedicava em
ajudar o padre João Rocha.
Ele sentia prazer em ser coroinha e ajudar o
padre, nos rituais das missas domingueiras como, por exemplo, distribuir as
hóstias consagradas. Adorava balançar o turíbulo, durante os rituais litúrgicos.
Encantava com a liturgia e gostava de se vestir como anjinho, durante as
procissões da padroeira.
O menino, de corpo mirrado e trajes simples,
tinha o coração propenso ao bem. Dedicava-se a filantropia, pois ajudava as
pessoas que o procurava. Ele estava sempre pronto para atender os necessitados,
quer seja material, quer seja espiritualmente.
Ricardinho, como era chamado, tornou-se braço
direito de João Rocha, o pároco. Na extrema unção, missa de corpo presente,
casamento, batismo e na aula de catecismo, lá estava ele, sempre pronto para
servir a Deus. Na conversa com os pais, manifestou desejo de entrar no
celibato.
Após ser submetido ao teste vocacional, ingressou
no Seminário e, oito anos depois, envergou a batina. A partir daí, não foi mais
visto na Terrinha, pois, atendendo as demandas da Diocese passou,
constantemente, a mudar de cidade. O povo da Terrinha, só sabia dele, através
de notícia, fornecida pelo padre João Rocha.
A partir daí, em razão da dedicação eclesiástica,
foi galgando postos de comando e pela profunda devoção à igreja e habilidades
excepcionais em liderança e teologia, foi nomeado cardeal. Por ser agregador e
comunicativo, foi convocado para o Vaticano, onde passou a fazer parte do
Consistório, como conselheiro do Papa.
O menino da sagrada Terrinha, que trocou as brincadeiras
de criança, para ajudar o padre João Rocha e servir a Deus, está no topo máximo
de direção da igreja. O povo humilde, pujante e ordeiro, sente imenso orgulho do
conterrâneo Ricardinho.
Um belo dia, o santo Papa morreu e o trono de
Pedro, foi declarado Sede Vacante. O Cardeal Ricardo ficou
recolhido na Capela Sistina, onde, no conclave, elegeria e nomearia o novo
Papa. Qual foi a grata surpresa, quando dois dias após, a chaminé lançou a
fumaça branca. Em seguida o Cardeal Protodiácono, anunciou a celebre frase “Habemus
Papam”.
Pasmem! A maior surpresa veio, quando foi anunciado:
“Habemus Papam, cardinalis Ricardo Batista da Silva”. O querido
conterrâneo, filho da nossa Terrinha adotou o nome de Papa Ferdinando I. Aquele
menino simples que tinha um amor incondicional pela sua Terrinha, a colocou no
mapa do mundo.
Passados alguns dias após o anúncio, a imprensa
do mundo inteiro, se aportou na pacata Terrinha para saber sobre a vida de
Ricardinho, ou melhor, do Santo Papa Ricardo Batista da Silva. Todos queriam
dar entrevista, para falar sobre o menino, que nasceu predestinado a ser santo.
O padre João Rocha, enfeitou a igreja e convocou todos os habitantes, para ministrar a missa em homenagem ao coroinha, que foi abençoado com a missão de conduzir ao destino da Santa Sé. Até hoje, sinto-me honrado em ter convivido com o menino mirrado e de trajes simples, que me ensinou a ser bom e humilde.
O povo lá da Terrinha, jamais imaginou que aquele menino mirrado e com o coração do tamanho do mundo, sentaria no trono que foi do apóstolo Pedro, lá na Santa Sé, em Roma. Alguns conterrâneos profetizavam que ele iria longe, mas não tão longe assim. Glória à Deus!
A probabilidade de uma cidadezinha, encravada no fim do mundo, gestar e gerar o Papa, chefe da Santa Sé, é uma em um milhão. Por isso, tenho orgulho ao saber, que a Terrinha foi agraciada, com aquela maior benção.
Hoje, eu orgulhosamente, posso dizer: “Habemus
Conterraneus, Ricardinho”.
In saecula seaculorum, amen!
Peruíbe SP, 08 de
julho de 2025.
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