Adão de Souza
Ribeiro
Tem coisas na vida, que não se deve discutir,
pois cada um tem seu gosto particular. Futebol, religião, sexo e música, são
exemplos de que a dualidade, torna o mundo mais belo. Já pensou se todos
gostassem da cor verde, o que seria da amarela? Se todos amassem Maria, o que
seria da coitada da Raimunda, aquela boa de bunda?
Aprender a viver e conviver com costumes e
gostos opostos, demonstra que somos sábios e tolerantes. Já vi brigas, por
coisas de somenos importância, como por exemplo, execução de músicas de ritmo
diferente. Precisamos tornar a vida mais suave.
Mas pretendo dissertar sobre gostos
diferentes, relacionados a alimentação. Já me disseram que na China, as pessoas
comem carne de cachorro, sob o argumento de que o animal tem o mesmo teor de
vitamina, que a carne de porco. Já um dos meus tios, come carne de gato. ”Já
pensou o bichano assado no espeto!”, brinca meu parente.
Dias atrás, um amigo e conterrâneo, contou-me
que na sagrada Terrinha, um cidadão tinha na relação de suas iguarias, o prazer
de degustar a formiga tanajura. Ele, segundo o conterrâneo, gostava de saborear
a comida exótica, frita, no arroz soltinho, na salada, como petisco, sendo que
ele era temperado com sal, pimenta e ervas finas.
Enquanto o conterrâneo se deliciava das
formigas, dizendo que tinha um sabor crocante, eu preferia o crocante das
pururucas, feitas com torresmo da pele de porco. Os estalos provocados por esta
iguaria, estimula o consumo de cerveja e não embrulha o meu pobre estomago.
Na época de chuva, quando as rainhas saem do
formigueiro, para o voo nupcial, num espetáculo da natureza, que atrai a
atenção das pessoas e dos animais, na procura do macho para o acasalamento, é o
momento exato para capturá-las.
O consumidor da tal comida exótica, tinha um
exército de moleques, para apanhá-las. Como recompensa, ganhavam doces
comprados no “Bar do Mori”, “Bar do Anami”, “Bar do Iwai”, “Bar do Toshio” e no
“Bar do Otávio”.
Era divertido ver a tropa de caçadores de
tanajura, correndo para lá e para cá, subindo no alto das árvores, com o embornal
a tiracolo e ansiosos para enchê-lo. As tanajuras fazem morada no topo das
árvores. Os meninos deixavam de lado as brincadeiras infantis, para ganharem os
docinhos extras.
O conterrâneo de nome Benedito da Silva, era
chamado carinhosamente de “Dito Tanajura”. Por falar em tanajura, lembro de uma
menina lá na Terrinha, que tinha os glúteos (nádegas) avantajados, por isso, ela
ganhou o apelido jocoso de “Rosinha, bunda de tanajura”. Ao invés de ficar
zangada, Rosinha fazia questão de desfilar com aquela belezura. Pensa num povo
para gostar de pôr apelido nos outros!
O tempo passou, os meninos cresceram e a
agressão ao meio ambiente, afugentou com as caças das tanajuras, que têm o
corpo robusto e coloração marrom-avermelhada. Quando as formigas voavam, faziam
festa no céu e, também, a alegria da criançada. É encantadora essa fase da vida,
porque não existe maldade e vê beleza em tudo a sua volta. Adeus tanajuras e
adeus doce infância!
Bem, depois de descrever o gosto estranho do “Dito
Tanajura”, quem sou eu para criticá-lo ou censurá-lo, pois, afinal de contas, uns
gostam do zóio e outros, da remela. Tenho dito e pronto!
Peruíbe SP, 02 de
julho de 2025.
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