quarta-feira, 30 de julho de 2025

O VELHO TEMPO

 

Adão de Souza Ribeiro

O tempo é um ser impiedoso

Ele rouba todo o meu sorriso.

E proíbe o meu simples gosto

Eu sou velho, de nada preciso.

 

Cansada a minha coluna dobra

Passo segue o compasso lento.

Traiçoeiro tal como uma cobra,

Ele joga-me sozinho ao relento.

 

Ele é um juiz dando a sentença,

Então me condena ao abandono

De presente eu ganho a doença,

E onde está a beleza do outono.

 

Se um dia, sem querer, eu errei                                  

E peço por piedade, me perdoa.

Mas universo só obedece a lei,

Na vida não quero viver à toa.

 

Meu tempo não seja tão severo,

Devolva os meus anos tão belos

E eu te imortalizo no meu verso.

Te colocarei neste meu castelo!

 

Peruíbe SP, 30 de julho de 2025.

terça-feira, 29 de julho de 2025

O SEU CAMINHO

 

Adão de Souza Ribeiro

Vou por aonde você for,

Não demore e eu espero

E eu lhe dou muito amor

Beijo sabor de caramelo.

 

No jardim apanho a rosa

Enfeito o longo caminho

Paro com saborosa prosa,

Cubro sua vida de carinho.

 

O seu mundo cabe no meu

Nós somos os dois num só.

O coração nunca esqueceu

Perder, garganta dá um nó.

 

E nosso passo se confunde,

Somos como almas gêmeas

Amor brilha feito vagalume

E a tristeza não nos prenda.

 

E se você cansar na estrada

Enxugo o suor do seu corpo

E lhe dou a noite enluarada,

Sem receio faço o seu gosto.

 

Que fazer se sou romântico

Um dia, nasci só para amar.

Por isso, que eu sofro tanto

Então, venha ser o meu par.

 

Peruíbe SP, 29 de julho de 2025.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

A INGRATIDÃO

 

Adão de Souza Ribeiro

Se a vida vira as costas,

Eu ofereço as mil flores

Amor é maior resposta,

Afugenta todas as dores.

 

Mas se ela me maltrata,

E quando me vê, ignora.

Eu sei, bondade hidrata,

Instante pode ser agora.

 

Nem tudo é a vingança

Haverá beleza no gesto.

A cada tristeza a dança,

Perdoa e seja modesto.

 

Universo não é perfeito,

Porém, ser justo inspira

A ir buscar o belo jeito,

Nunca alimentar sua ira.

 

Ao usar a mesma moeda

Ela vai voltar contra mim.

Mas tudo que não presta.

Um dia, vai ter o seu fim!

 

Peruíbe SP, 28 de julho de 2025.

 

domingo, 27 de julho de 2025

O PASSADO

 

Adão de Souza Ribeiro

O passado tem o enorme peso,

Na minha longuíssima história

E hoje, no fim da vida, eu vejo,

Quantas saudades na memória.

 

Ele só deixou saudosos rastros

Nas estradas por onde já passei

Já estive no topo e no cadafalso

Eu já fui pobre vassalo e um rei

 

Feito ferrão, fez marca indelével

Que por onde passo não esqueço

Sei que nesta vida nada é durável

Tudo que quero tem lá seu preço.

 

Deus, se resta-me quanto tempo,

Eu quero viver com intensidade.

Jamais me preocupar se o vento,

Vai levar sem pingo de piedade.

 

E bem calmo desenhou a infância

O passado me entregou ao mundo

Ele vive em mim e essa distância.

Me mantem vivo e isso já é tudo!

 

Peruíbe SP, 27 de julho de 2025.

 

sábado, 26 de julho de 2025

A DONA MORTE

 

Adão de Souza Ribeiro

A morte rasga o véu

Do que foi só ilusão.

E pensa tocar o céu,

Com palma da mão.

 

Ela acaba com tudo,

Nem pensa remorso.

Mas eu não me iludo

Eu faço o que posso.

 

E sufoca meu desejo

Não me deixa sonhar

Da vida eu só almejo

Ir nas ondas do mar.

 

Vou desafiar a morte

Lutar pelo meu sonho

E eu serei livre e forte

Alegre e não tristonho

 

Ela não vai me vencer,

Deus me fez para amar

Eu não vou esmorecer,

Pois aqui é meu lugar!

 

Peruíbe SP, 26 de julho de 2025.

 

PARA SER FELIZ

 

Adão de Souza Ribeiro

Meu Deus, do que preciso

Para eu ser, um dia, feliz?

Por eu sofrer perdi o juízo

Se fui sincero, que eu fiz?

 

Nessa busca louca insana,

Eu deixei escapar o tempo

Vida me negou, foi tirana.

Sonho se foi com o vento.

 

Passa essa vida de utopia,

Alegria vai entre os dedos

E eu me entrego na poesia,

Para fugir dos meus medos

 

E para ser feliz é uma luta,

Perco as mil noites de sono

Por isso, que nada assusta.

Estou vivo, não sei como.

 

A felicidade custa tão cara

E não é justo sofrer assim.

Vou ter vergonha na cara

Gostar bem mais de mim!

 

Peruíbe SP, 26 de julho de 2025.

 

 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O CIÚME

 

Adão de Souza Ribeiro

Vê coisas que não existe

Mundo parece miragem.

E torna o belo em triste,

Assim, sem pensar age.

 

Faz o amor possessivo,

Sepulta toda sua pureza

Amar é ser sempre livre

Ao invés de julgar, reza

 

E ele é coisa do maligno,

Que vê maldade em tudo

Em Deus não tem abrigo

A verdade não é escudo.

 

Não sei quem fez ciúme

Nem quem lhe deu asa,

Tanta briga e queixume

Vingança arde em brasa.

 

Ciúme sofre por dentro,

E vai morrer aos poucos

Nada cura nem o tempo,

E deixa o coração louco.

 

Peruíbe SP, 23 de julho de 2025.

 

ANDAR SÓ

 

Adão de Souza Ribeiro

Melhor andar antes só,

Que bem acompanhado

Pra ser seu dono, faz dó

Sê livre por um bocado.

 

Mal acompanhado tem

Reserva e muita cautela

Ser feliz faz só um bem,

Portanto, fuja de mazela

 

Andar só é bem melhor.

Você é único dono de si.

Voa livre como beija-flor

E foi assim que aprendi.

 

Navegue em água calma

Nos mares sem destino.

E dê asas para sua alma

Sonha só como menino.

 

Peruíbe SP, 23 de julho de 2025.

terça-feira, 22 de julho de 2025

E AGORA, MULHER?

 

Adão de Souza Ribeiro

Que faço só e sem você,

Minha cabeça fica tonta.

São tantos meus porquês

Noites são muito longas.

 

A vida fica sem sentido.

Eu procuro nos lugares,

Eu quero o seu vestido

Sinto o cheiro nos ares.

 

Mulher, não vá embora

E você preenche a vida

Fica, meu desejo aflora

Sinto seu calor querida

 

Amada, o que eu faço

Longe deste seu calor

Está vazio seu espaço.

Ele é jardim sem flor.

 

Por que só me tortura,

Foram beijos e delicia

As promessas e juras,

Perdemos em caricia.

 

E vê se não abandona

Não me deixa sozinho

Vem ser a minha dona

Só por um pouquinho!

 

Peruíbe SP, 22 de julho de 2025.

 

VALOR DO HOMEM

 

Adão de Souza Ribeiro

O homem é só um detalhe

Nasce para ser um valente

Mundo não quer que falhe

Luta, resista, vá em frente.

 

Dizem o homem não chora

Se ele não tivesse coração.

Não deixa para última hora

Recolhe seus cacos no chão.

 

Na casa, ele será sua coluna

No seu exemplo, é espelho.

Sem ele, a família se afunda

Por isso, segue seu conselho

 

Mulher não vive sem macho

E sem ele, ela jamais procria

Ele a completa, isso eu acho

Mas se ela é noite, ele é dia.

 

Na vida, ele tem o seu valor,

Por isso, não deve desprezar

Deus o fez com muito amor,

Para ele cuidar do nosso lar!

 

Peruíbe SP, 22 de julho de 2025.

 

 

AMOR TEM PRESSA

 

Adão de Souza Ribeiro

Vem para meus braços

E sinta este meu afeto

Ocupa todo o espaço,

Do coração inquieto.

 

Beija-me e sem pudor

Só diz que me deseja.

Eu chamo minha flor,

A menina sertaneja.

 

Venha bem depressa

Pois eu estou ansioso

E você ama confessa

Faço o amor gostoso.

 

Desejo você toda hora

Ao vê-la sinto frenesi.

Venha, ó amor, agora

De você nunca desisti

 

Amada não se esqueça

Esta paixão não passa.

Você não sai da cabeça

O seu andar tem graça.

 

Peruíbe SP, 22 de julho de 2025.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

MENINO DESCALÇO

 

Adão de Souza Ribeiro

Lá vai menino descalço

E anda pela rua de terra.

A alma dele cheira talco

Quanta alegria encerra.

 

Anda com peito de fora

Na cena era a natureza.

O tempo não tem hora,

Brincar era sua proeza.

 

A cidade vem e abraça

Ensina ele a ser criança

Mas a inocência passa,

O amanhã é esperança.

 

Ele corre, brinca e sorri

Não tem pressa crescer.

O mundo era apenas ali

Ver a sua vida florescer.

 

Ó vai meu lindo menino,

Não deixa de ser infantil

Diz a este corpo franzino

É puro tem traço varonil.

 

Peruíbe SP, 21de julho de 2025.

 

 

AMAR É

 

Adão de Souza Ribeiro

Mulher, amá-la é sacerdócio

Tem que renunciar a luxúria.

E fugir da vida cheia de ócio,

Então, dedicar-se a clausura.

 

Não pode ser uma depravada

Andar por aí solta sem regra.

Como se o sentir fosse nada,

Amada se entrega se alegra.

 

Amar, mulher, tem seu preço

Sim é preciso ser bem vivido

Por isso, ter você e agradeço

Minha vida tem mais sentido

 

Sei que nosso tempo é cruel

Menos aquilo que se admira

E amar é querer tocar o céu,

Cantar melodia e tocar lira.

 

Para quem apaixona, amar é

Ser amada, desejada, querida

Ser fêmea, vestida de mulher

Vê assim é que se leva a vida

 

Peruíbe SP, 21 de julho de 2025.

domingo, 20 de julho de 2025

O MIRANTE

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Do alto deste mirante,

Contemplo a Terrinha

E vejo como era antes

Doce felicidade minha

 

Do alto tenho a visão,

Da bela torre da igreja

Como dói no coração,

E a saudade só peleja.

 

Lá do alto tudo é belo                                           

O sorriso abre sua asa.

Longe de ti é o flagelo,

Quero voltar pra casa.

 

Lá do alto eu recordo

Do tempo de criança

Passado está a bordo

De lembrar não cansa.

 

Lá do alto eu só choro

A lágrima banha alma

Sou o pássaro canoro,

Paisagem me acalma.

 

Lá do alto eu só canto

Toda esta sua beleza,

E o meu amor é tanto.

Oh Deus, bendito seja!

 

Peruíbe SP, 20 de julho de 2025.

 

 

 

sábado, 19 de julho de 2025

AMOR, PERDOA!

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Por favor, amada, perdoa,

Pelo beijo que não foi dado

Portanto, amor, não é atoa

Que sofro assim tão calado.

 

Tinha que ser mais atrevido

O amor não aceita desculpa

Não sobrevive de improviso

Veja se declara e vai à luta.

 

Por favor, me perdoa amada

Prometo que eu tomo atitude

Beijo e a deixo toda saciada,

Farei feliz em toda plenitude.

 

Meu amor é puro e tão nobre

Eu quero mais do que pareça

Vejo não sou rico nem pobre

Mas se eu fraquejei esqueça.

 

O amor é o mais belo troféu

E vence quem aceita desafio.

Dá de presente lugar no céu

Se perdê-la, me dá calafrio!

 

Peruíbe SP, 19 de julho de 2025.

 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

FICA COMIGO

 

Adão de Souza Ribeiro

Menina, fica só comigo

Faço o que você quiser

Dou meu ombro amigo

E será a minha mulher.

 

Deixa de lado a ilusão,

A felicidade mora aqui

Não sentirá tal solidão

Lugar tão lindo não vi.

 

Mundo será seu reino,

Serei o seu belo súdito

Num desejo tão faceiro

Amar é um ato gratuito.

 

Será dona da minha vida                              

Receberá o meu carinho.

Então seja breve, decida

E quero dizer amorzinho

 

Fica comigo, oh menina,

Não deixa para amanhã.

Não tema, a vida ensina.

Se não amar, morre pagã.

 

Peruíbe SP, 18 de julho de 2025.

 

 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A SUA FALTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Sinto falta do seu toque

Também, do seu cheiro.

E por mais me provoque

Sou o eterno prisioneiro.

 

E embriago no seu corpo

Feito o inocente menino,

Hipnotizado no seu rosto

Atordoado sem o destino.

 

Eu sinto falta do seu seio,

Que sacia o meu coração.

Eu vou dizer, sem rodeio

Fico louco, perco a razão.

 

E sinto falta desta sua voz,

Dos lábios sensuais, o beijo

Por isso, eu não sei viver só

Meu Deus, porque o desejo

 

A falta do calor do seu colo

Será algo que não se explica

Só de lembrar de você choro

Dor não diminui, só triplica!

 

Peruíbe SP, 17 de julho de 2025.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

O BALANÇO

 

Adão de Souza Ribeiro

O balanço vai pra lá e pra cá,

Mais doce neste seu balançar

E para onde quer que ele vá,                        

Lá do alto, contemplo o luar.

 

Ele está preso firme no galho

Sustenta o meu alegre sonhar.

Ainda sou infantil e pirralho,

É doce sentir que posso voar.

 

Tenho a sensação de flutuar,

Com o cabelo solto ao vento.

E passo o dia inteiro a cantar

Como tocasse o firmamento.

 

Se de repente romper a corda,

E cair ao solo e bater a cabeça

Sei é passado a ilusão acorda,

Tudo acaba e, então, esqueça!

 

Peruíbe SP, 16 de julho de 2025.

domingo, 13 de julho de 2025

AMOR ORIENTAL

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Eu namorei a japonesa

A menina pura em flor.

Ela era minha princesa

E o meu grande amor.

 

Os seus olhos puxados

Tinham um ar especial

Me deixava atordoado

E nunca vi coisa igual.

 

Seus cabelos bem lisos

Negros que me encanta

Tem mais doce sorriso,

Não é a mulher é santa.

 

Ela só gosta de sashimi

E eu de muita feijoada.

Ela dança o Bon Odori

E eu danço uma toada.

 

Se com ela eu me casar

O filho será um mestiço

O que será do nosso lar,

 Que tem a ver com isso.

 

Não tem bumbum e seio

Como tem toda brasileira

Eu só a quero sem rodeio

O amor para vida inteira.

 

E se eu sei ou se não sei,                                                     

Nunca vi coisa tão igual.

Se ela é a sansei ou nisei

A minha amada oriental!

 

Peruíbe SP, 13 de julho de 2025.

sábado, 12 de julho de 2025

A RESSUREIÇÃO DE JEROMIM

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Não quero transparecer que sou um herege. O causo que neste momento ouso contar, posso afirmar que realmente aconteceu na terra natal, envolvendo o respeitado e amado conterrâneo. Até hoje, quando relatam sobre o acontecido, todos se encantam com a história, ou melhor, causo.

                        Bem, vamos lá para os finalmentes. Conta a lenda que Jerônimo Santana, o Jeromim, ressuscitou numa tarde de sexta-feira, dias após o seu sepultamento. Primeiro, vamos descrever quem era o agraciado com a segunda vida, outorgada pelo Divino Criador.

                        Jeromim, que, apesar de ser apreciador de uma boa cachaça, gostava de ajudar as pessoas pobres e desvalidas. Ele era um apaziguador nato, pois, quando ocorria desavença entre casais ou discussão de botecos do lugarejo, lá estava ele mediando a contenda e estabelecendo a paz.

                        Quando alguém passava por dificuldade financeira, sem ter o que comer, Jeromim se virava nos trinta e levava comida para o moribundo. Ele tinha cuidado especial com os bichos, que perambulavam pelas ruas descalças da Terrinha. Ele recolhia na sua casa, tratava das doenças, providenciava alimento e devolvia para rua.

                        Jeromim nunca foi visto maltratando ou desrespeitando um idoso. Em virtude do seu modo de agir, era admirado por todos. As pessoas diziam: “Quando Jeromim partir para mansão do amanhã, será declarado santo.” Até parece, que estavam profetizando. Porém, na verdade, ele era merecedor de tal milagre.

                        Cremos que nem mesmo o padre Hermenegildo, que vivia em eterna oração, tinha credencial para se tornar santo. Nem todos que leem a bíblia e professam a fé, são dignos de entrarem no reino de Deus. Mas posso afirmar que o conterrâneo Jeromim tem o aval de todos os moradores da Terrinha.

                        Como nada na vida é eterno, nem mesmo a eternidade, quis o destino, que certo dia, aquele cidadão imbuído de bondade, partisse antes do combinado. A cidade revestiu-se de tristeza e luto. Nem mesmo as carpideiras, suportaram tamanha dor pela perda do conterrâneo.

                        No velório e no cortejo fúnebre, uma multidão tomou conta do lugarejo. Pitoco, o cachorrinho de estimação do falecido, se fez presente e se comportava como órfão. O latido baixo do vira-lata, representava o seu eterno pesar pela perda do seu tutor.

                        As beatas juramentadas, convocaram o padre Hermenegildo para que fosse feita uma procissão e uma novena em intenção a alma bondosa do finado Jeromim. Os botecos deixaram de servir a marvada pinga, durante uma semana, em respeito ao passamento do de cujus, isto é, o estimado Jeromim.  

                        Por mais que lutassem e relutassem, a imagem de tão ilustre morador, não saia da memória. As romarias ao campo santo, eram corriqueiras. Na campa dele, eram depositadas as flores e mensagens de carinho e gratidão. Na lápide, uma inscrição dourada, dizia: “Aqui jaz, um cidadão que espalhou amor e bondade. Ele representa com louvor a Terrinha. Descansa em paz, Jerônimo Santana – Jeromim.

                        Com partida inesperada do cidadão ilustre, a Terrinha ficou órfã e as ruas se sentiam vazias. Os botecos perderam o glamour e os pinguços bebiam mais pelo vício e não por prazer alcoólico. Na prateleira, havia uma garrafa e um copo guardados, em homenagem ao assíduo freguês Jeromim.

                        Numa tarde de sexta-feira, que não era dia 13 de agosto, Raimundo dos Anjos, o “Mundico Pé de Cana” amigo particular e mais chegado de Jeromim, ao passar pela Rua das Almas, localizada no Bairro do Desterro, teve a alegria e o privilégio de encontrar o Jeromim.

                        A felicidade foi tanta, que Raimundo dos Anjos, o “Mundico Pé de Cana”, retornou ao boteco e contou aos parceiros de bebedeira. Não contente, por ter visto sozinho aquele milagre, espalhou pelos quatro cantos do lugarejo. Nem é preciso dizer, que ninguém acreditou. As pessoas disseram: “É simplesmente a visão surreal do alcoólatra, consumido pela carraspana.

                           Quando as irmãs de Lázaro, disseram que ele morreu, Jesus Cristo respondeu: "Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertar do sono." João 11:11-14. Por isso, para o amigo, era como se Jeromim estivesse dormindo, por causa da cachaça.

                         Raimundo dos Anjos, o "Mundico Pé de cana”, não se decepcionou com o descredito do povo, pois, diante da sua fé inabalável em Deus, tinha certeza que Jeromim, em razão de praticar o amor e a bondade, recebeu a graça da ressureição.

                        Raimundo dos Anjos, o “Mundico Pé de Cana”, leitor assíduo da Sagrada Escritura, leu a palavra de Deus, que diz: “Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora, em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizerem o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados.  

                        Então, pensou o fiel amigo de Jeromim: “Deus cumpriu a profecia e ressuscitou o bondoso Jeromim. Amém!” Ele completou: ”Que a volta de Jeromim, sirva de exemplo, pois ser correto  e justo, não faz mal a ninguém.”

                        Eu, por ser filho da saudosa Terrinha, espero não ter cometido a mais profana heresia, ao contar o causo da ressuscitação do saudoso, querido e bondoso conterrâneo Jerônimo Santana, o Jeromim.

 

Peruíbe SP, 12 de julho de 2025.