sábado, 20 de setembro de 2025

GERAÇÃO BETA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Antes de tudo, preciso dizer que sou devorador da leitura. Causa-me angústia, passar o dia mal informado sobre o que acontece no mundo. Sinto como se o cérebro está algemado, por isso, preciso municiá-lo com assuntos sobre a vida cotidiana.

                        Nesta busca incansável pelo conhecimento, acabo deparando-me com informações das mais absurdas possíveis. Então fico irritado com tanta baboseira, que não enriquece o meu cérebro e não acalanta a minha alma. Quem manda ser curioso!

                        Uma das notícias diz que em 2025, nasceu a Geração Beta. O mundo dessas crianças será marcado por uma infusão mais intensa de inteligência artificial, realidades virtuais e preocupações globais, como sustentabilidade e saúde mental.   

                        Ela sucedeu a Geração Alfa, das crianças nascidas entre 2010 e 2024, a qual foi marcada por ser a primeira geração 100%, crescendo com dispositivos inteligentes desde os primeiros anos de vida.

                        A Geração Beta será a primeira a explorar os limites da coexistência entre seres humanos e a tecnologia avançada, como inteligência artificial generativa, automação e biotecnologia.

                        Dizem os criadores de factoides, que existem as seguintes gerações: Baby Boomers – 1946 a 1964), X – 1965 a 1980, Millennial ou Y – l981 a  1996,  Z – 1997 a 2009, Alfa – 2010 a 2024, Beta – 2025 a 2040.   

                        Hoje deparo-me com meus netos, que passam o dia inteiro, na frente de uma televisão, celular, tablete ou jogos eletrônicos. Elas não exercitam os músculos, conversam, brincam ou interagem com amiguinhos. Parecem verdadeiros humanoides, sem cérebro, alma e coração, sendo manipulados pelo avanço da tecnologia.

                        Eu tive o privilégio de nascer na geração, que os modernistas chamam de Geração Besta. Posso afirmar que de besta não tinha nada. Nós criávamos nossos próprios brinquedos e tínhamos uma imaginação fértil, para criarmos nossas brincadeiras infantis.

                        Nós subíamos e caiamos de galho de árvore, cortávamos o pé em caco de vidro, corríamos na enxurrada, usávamos kichute, cutucamos o enxame de abelha, chupávamos bala soft, colecionávamos álbum de figurinha, empinávamos pipa, chutávamos bola de meia, brincávamos de casinha com as meninas; as meninas brincavam de boneca, feita de espiga de milho; nadávamos pelados no rio, brincávamos de bandido e mocinho, corríamos de boi na invernada, armávamos arapuca para apanhar passarinho e fazíamos peraltice sem maldade.

                        Simplesmente brincávamos de ser criança, sem nos preocuparmos com o futuro e com as mazelas do cotidiano. Não sofríamos de bullying, por causa de apelido; comíamos carne de porco, conservada na banha e não tínhamos triglicérides; comíamos goiaba bichada e não sentíamos mal.

                        Na escola, além de se apaixonar pela professorinha do primário, aprendemos o bê-á-bá, na cartilha Caminho Suave, de Branca Alves de Lima. Foi ali, que tivemos a primeira noção de viver em sociedade.

                        Em casa, nossos pais ensinavam os valores da moral e dos bons costumes. Quando cometíamos malcriação, eles corrigiam com varinha de marmelo. Deus disse: “A vara da disciplina, cura a loucura da criança.”  (Provérbios 23:12-14) Não havia lei, que tirava o direito de pai educar o seu filho.

                        Eu fui sustentado com alimento natural, colhido da terra. Naquele tempo, não havia os ultraprocessados, conservados com muita química. Por essa razão, não havia tanta doença estranha, como existe nos dias hoje.  

                        A Geração Besta foi criada, aprendendo amar a Deus, obedecer aos mais velhos, cuidar da natureza, gostar de música raiz, admirar o folclore e a folia de reis, cantar os hinos patrióticos (nacional; bandeira; independência; proclamação da república; canção do exército, marinha e aeronáutica). Além disso, aprendeu a respeitar os símbolos nacional, quais sejam: hinos, bandeiras, brasão e selo.

                        Diante de tudo que narrei, posso dizer que não precisei do avanço da tecnologia para ser feliz. Eu fui forjado na geração da fé, do amor, do respeito, da humildade, da boa e saudável alimentação, da felicidade e da liberdade de ser criança.

                        Portanto, não me venha dizer que a Geração Beta é melhor que a Geração Besta.

 

Peruíbe SP, 20 de setembro de 2025,

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