sábado, 27 de setembro de 2025

O RELÓGIO

 

Adão de Souza Ribeiro

Relógio de parede

Anda tão devagar.

Acorda bem cedo,

Junto com o luar.

 

Ele espia o tempo,

Se é a noite ou dia

No seu olhar lento,

A hora bate vazia.

 

Vestido de fraque,

Anda só pela casa

Com o seu tic tac,

Canto não atrasa.

 

Em cada minuto

Dá o seu suspiro.

Sono leva susto,

Será o vampiro?

 

O ponteiro roda,

Com o seu ritmo

E o sono acorda,

Como o castigo!

 

Peruíbe SP, 27 de setembro de 2025.

 

 

TEMPOS DIFÍCEIS

                                                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

                    A humanidade tem nas mãos, uma infinidade de recursos para viver com tranquilidade, como por exemplo, carro, avião, locomotiva, bicicleta, energia elétrica, água encanada, gás, medicina avançada, telefone, televisão, internet, dentre tantas outras coisas, ofertadas pela modernidade.

                        Ao surgir um problema ou desejo de algo inesperado, basta um piscar de olho e tudo está solucionado. Todo esse conforto é graças aos cientistas e inventores, que debruçaram anos e anos, em intermináveis pesquisas.

                      Alguém parou para imaginar, como era o mundo há milhões de anos atrás, onde não havia o conforto de hoje? Viver sem os objetos de higiene como sabonete, pasta de dente, perfume, pente de cabelo, fio dental, cortador de unha e cabelo.

                    Ou então, objetos de primeira necessidade como prato, copo, garrafa, colher, garfo e tantas outras coisas, que facilitam nosso dia a dia. Viver sem qualquer meio de transporte ou comunicação?

                    Hoje, por exemplo, se algo ocorrer no Oriente Médio, ficamos sabendo e vendo em tempo real. Uma viagem a qualquer lugar do mundo, leva poucas horas. Dizem que já estão chegando até em outros planetas do Universo.

                    Conta a lenda, que nos tempos de outrora, desde a Era do Gelo, passando pela Idade Antiga e até a chegar Idade Média, as pessoas se valiam dos poucos recursos que tinham, a saber: espiga de milho ou bastão com esponja na ponta, para se limparem após a evacuação; ovo de avestruz, casco de tartaruga e gálbano de tamarisco usado como desodorante; banhos públicos; urinóis (pinico), cujo dejeto era jogado na rua;  urina e leite de cabra para higienizar a boca.

              As viagens eram feitas no lombo de mulas, as cartas enviadas por pombo correio. As ferramentas na agricultura, eram feitas de pedra afiada, lasca de osso e galho de árvore. As casas eram construídas com pedras, troncos e folhas. Tudo na vida, era feito de forma rudimentar.

                    No preparo do alimento, usavam os utensílios de cozinha, que era panela e pote de barro, ambos feitos de terracota. Já o fogo era controlado com carvão e galho de árvore.

                     As pessoas dormiam em camas improvisadas, feitas de palha, pena, retalhos de tecido e até mesmo no chão de terra batida. Para se protegerem do frio, usavam cobertores feitos de materiais naturais como pele de animais, folhas e fibras vegetais.

                    Ao tentar entender como era a vida na antiguidade, fico imaginando as dificuldades do dia a dia, do povo que tinha poucos recursos para viver. Eu creio que as pessoas, sabiam lidar com a escassez de recursos que tinham a disposição e não reclamavam.

                Como era  intensa a lida diária, as pessoas não tinham tempo para depressão, estresse, ansiedade, fobia e outras doenças comuns da Era Moderna. A vida transcorria mais lenta. Havia mais lazer, como as corridas de bigas, principalmente no Circo Máximo de Roma e, também, em Antioquia, Alexandria e Constantinopla.

                    O mundo mudou e evoluiu numa velocidade desenfreada. A humanidade está pagando um preço muito caro pelas pseudo conquistas. A natureza está sendo sacrificada em nome do progresso e corremos o risco de sermos extintos. Não há como frenar a evolução e a destruição do planeta será irreversível.

                    Eu não sei se conseguiria viver naquele mundo, onde não existia as benesses dos Tempos Modernos. Mas também, há que se perguntar: Será que eles conseguiriam viver neste mundo tresloucado de hoje, onde o conforto anulou o homem?

                    Eu concluo que sempre haverão Tempos Difíceis, portanto, dependerá de sabermos como vamos lidar com eles. Por isso, vou dar um tempo, para pensar melhor. Agora estou sem tempo!   

 

Peruíbe SP, 26 de setembro de 2025.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

O ESPELHO

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Hoje acordei com um pensamento surreal, a saber: “Quem inventou o espelho?” A outra pergunta, que não quer calar: “Qual a função do espelho?” Bastaram essas duas perguntas, para que o cérebro entrasse em ebulição, na busca de resposta plausível.

                        Ele está por aí, em todas formas e modelos; no sinal de trânsito, em casa, no trabalho, na academia, no cabeleireiro, dentro da bolsa feminina, no provador de roupa, etc. e tal.

                        Então fiz pesquisa a caça de resposta, que saciasse as minhas perguntas. Com esta curiosidade, logrei êxito em descobrir a origem e a composição deste artigo presente no dia a dia e de grande utilidade.

                        Ele surgiu cerca de oito mil anos atrás, onde os habitantes da antiga Anatólia (atualmente Turquia), usavam pedras obsidianas, também chamado de vidro vulcânico. Passado um bom tempo, o espelho evoluiu um pouco, deixando de ser de origem vulcânica, para começar a ser feito de cobre polido, na Mesopotâmia e no Egito.

                        Uma baita de uma evolução. Enquanto isso, na China, eram produzidos em bronze. Vidro e metal foram combinados somente no ano 77, pelos romanos e no Líbano. Os romanos usavam vidro e ouro, nos espelhos da época.

                        Em 1835, um físico alemão aperfeiçoou o objeto. Justus von Liebig, aproveitou da técnica e só mudou o mercúrio para prata, deixando o reflexo mais limpo. Uma vez saciada a curiosidade sobre o surgimento, surgiu outra pergunta: qual a função?

                        Embora existem várias opiniões, aqui vai o meu parecer pessoal. A principal função do espelho é refletir a imagem do que está a sua frente, quer seja paisagem ou pessoa. É primordial que o espelho esteja rigorosamente limpo, para que a imagem seja refletida fielmente, sem qualquer distorção.

                        Se a pessoa está mal trajada, assim vai ser visualizada e, portanto, se estiver bem vestida, também assim será visualizada. Concluímos que devemos nos policiar diante do espelho, pois ele não faz milagre. Ele apenas reflete o que você é, ou seja, o que tem na alma e no coração.[P1] .

                        Nas minhas confabulâncias,.imaginei: “E se as pessoas fossem como  espelho, elas poderiam refletir a nossa imagem?” A partir destas premissas, percebi que quando achamos que uma pessoa é asquerosa ou simpática, na realidade, somos nós que temos determinado comportamento diante dela.

                        Ao nos aproximarmos de forma simpática, a pessoa devolve com a mesma simpatia e se apresentamos um comportamento rude, ela também agirá com a mesma rudez. Diante de tudo isso, aprendi que temos que ser atenciosos, prestativos e gentis com o próximo. Não culpar o outro, por atitude que são nossas. 

                        Hoje, diante dessas observações, procuro ser um homem honesto e propenso a praticar o bem. Não quero decepcionar o próximo. Eu vou espalhar a alegria e simpatia por onde passar.  Quando eu achar que alguém é intragável, verei que sou eu e não ela.

                        Vou cuidar do espelho, para que a minha imagem seja refletida com a máxima nitidez. Se o espelho parecer embaçado, estarei convencido de que o problema está comigo e não com o espelho.

                        Espelho, espelho meu, diga se existe alguém mais simpático do que eu.

                        Por favor espelho, não minta!


Peruíbe SP, 23 de setembro de 2025.


 [P1]

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

O CAPIAU E A LUA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Eu sou capiau, não nego. Nasci e fui criado na roça. Desde a infância aprendi amar e respeitar a natureza, um presente sagrado de Deus. Todas as manhãs, ao despertar, cumprimento e agradeço a terra, as árvores, o rio, as aves, o ar e o sol, que vem a minha janela, me visitar.

                        Naquele canto esquecido do mundo, tenho a paz, que as pessoas tanto buscam. No povoado próximo, há uma escolinha rudimentar, onde as crianças estudam o bê-á-bá, sem influências externas. O alimento sadio é colhido da própria terra. Nossa mãe, para nos alimentar, mata a galinha, destroncando o pescoço e a deixa estrebuchando no quintal, até morrer.

                        Ao olhar para o céu, o capiau sabe se amanhã vai chover ou fazer sol. De acordo com o vento, sabe se vai esfriar ou não. Usando o conhecimento caipira, ao observar a lua, sabe se é época de plantar ou de colher determinada lavoura.

                        Eles não usam instrumentos modernos e, para isso, basta a sabedoria caipira. Quando falam algo sobre a natureza, é batata que vai acontecer. As mudanças da lua, tinham uma influência enorme no dia a dia das pessoas, como por exemplo, no corte de cabelo, na benzeção e no parto.

                        Quando caia uma tempestade, meu pai apanhava um ramo bento, adquirido na semana santa, e jogava no quintal, para acalmar a fúria da natureza. E, enquanto isso, minha mãe cobria o espelho com lençol, para não atrair os raios. Foi convivendo nesse encanto das tradições campesinas, que fui criado.

                        Num dia desses, Salustiano - nosso conterrâneo amigo -, veio da cidade para visitar nossa família. Durante longa prosa e entre tantos assuntos, comentou que os americanos acabaram de chegar à lua, através do foguete, chamado “Apolo 11”.

                        Num instante e num momento de revolta, pensei: “Isso só pode ser lorota do Seo Salustiano.” Completei com meus pensamentos: “Ela fica tão longe, bem quietinha no seu lugar. E o que o homem foi escarafunchar lá?

                        Eu confesso que passei aquele dia, deveras preocupado. Eu sempre tive um carinho todo especial com a lua. À noite, quando ia dormir, via seu clarão pela fresta da janela. Ou quando, ao anoitecer, ia brincar na rua com os coleguinhas, ela cuidava de nós, com a luz do seu olhar.

                        E agora, se ela se revoltar com tamanho atrevimento do homem, e negar sua luz? Ou então, deixar de reger a mudança das coisas que acontece na terra, como por exemplo, confundir as estações do ano?

                        Eu lembro-me que, quando estava divagando em pensamentos, minha mãe dizia: “Pará menino, até parece que você está no mundo da lua.” Eu confesso que jamais imaginei estar lá, pois, para mim, ela sempre reinou na minha imaginação, como a deusa dos poetas apaixonados. Nada mais, além disso!

                        Creio eu, nesse conhecimento de capiau, que lá não tem ar e nem água. Penso que, ainda, muito menos, todas as belezas aqui da terra. O homem, na sua desenfreada ousadia, só encontrará o deserto recheado de solidão.

                        Se hoje ocorrem as tragédias climáticas na terra, com destruições inimagináveis; elas são revoltas da lua, pelo atrevimento do homem, em mexer com o que estava quieto. Agora ela não rege mais as mudanças e os destinos da terra. O planeta está desgovernado.

                        Naquele dia em que o seo Salustiano falou sobre a chegada do homem à lua, parece que ele estava profetizando o fim do planeta terra. Não adianta querer consertar o mundo, pois, agora é tarde, para chorar o leite derramado.

                        O capiau sempre amou e respeitou a lua. E a lua sempre cuidou do capiau.

 

Peruíbe SP, 22 de setembro de 2025.  

  

                         

sábado, 20 de setembro de 2025

GERAÇÃO BETA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Antes de tudo, preciso dizer que sou devorador da leitura. Causa-me angústia, passar o dia mal informado sobre o que acontece no mundo. Sinto como se o cérebro está algemado, por isso, preciso municiá-lo com assuntos sobre a vida cotidiana.

                        Nesta busca incansável pelo conhecimento, acabo deparando-me com informações das mais absurdas possíveis. Então fico irritado com tanta baboseira, que não enriquece o meu cérebro e não acalanta a minha alma. Quem manda ser curioso!

                        Uma das notícias diz que em 2025, nasceu a Geração Beta. O mundo dessas crianças será marcado por uma infusão mais intensa de inteligência artificial, realidades virtuais e preocupações globais, como sustentabilidade e saúde mental.   

                        Ela sucedeu a Geração Alfa, das crianças nascidas entre 2010 e 2024, a qual foi marcada por ser a primeira geração 100%, crescendo com dispositivos inteligentes desde os primeiros anos de vida.

                        A Geração Beta será a primeira a explorar os limites da coexistência entre seres humanos e a tecnologia avançada, como inteligência artificial generativa, automação e biotecnologia.

                        Dizem os criadores de factoides, que existem as seguintes gerações: Baby Boomers – 1946 a 1964), X – 1965 a 1980, Millennial ou Y – l981 a  1996,  Z – 1997 a 2009, Alfa – 2010 a 2024, Beta – 2025 a 2040.   

                        Hoje deparo-me com meus netos, que passam o dia inteiro, na frente de uma televisão, celular, tablete ou jogos eletrônicos. Elas não exercitam os músculos, conversam, brincam ou interagem com amiguinhos. Parecem verdadeiros humanoides, sem cérebro, alma e coração, sendo manipulados pelo avanço da tecnologia.

                        Eu tive o privilégio de nascer na geração, que os modernistas chamam de Geração Besta. Posso afirmar que de besta não tinha nada. Nós criávamos nossos próprios brinquedos e tínhamos uma imaginação fértil, para criarmos nossas brincadeiras infantis.

                        Nós subíamos e caiamos de galho de árvore, cortávamos o pé em caco de vidro, corríamos na enxurrada, usávamos kichute, cutucamos o enxame de abelha, chupávamos bala soft, colecionávamos álbum de figurinha, empinávamos pipa, chutávamos bola de meia, brincávamos de casinha com as meninas; as meninas brincavam de boneca, feita de espiga de milho; nadávamos pelados no rio, brincávamos de bandido e mocinho, corríamos de boi na invernada, armávamos arapuca para apanhar passarinho e fazíamos peraltice sem maldade.

                        Simplesmente brincávamos de ser criança, sem nos preocuparmos com o futuro e com as mazelas do cotidiano. Não sofríamos de bullying, por causa de apelido; comíamos carne de porco, conservada na banha e não tínhamos triglicérides; comíamos goiaba bichada e não sentíamos mal.

                        Na escola, além de se apaixonar pela professorinha do primário, aprendemos o bê-á-bá, na cartilha Caminho Suave, de Branca Alves de Lima. Foi ali, que tivemos a primeira noção de viver em sociedade.

                        Em casa, nossos pais ensinavam os valores da moral e dos bons costumes. Quando cometíamos malcriação, eles corrigiam com varinha de marmelo. Deus disse: “A vara da disciplina, cura a loucura da criança.”  (Provérbios 23:12-14) Não havia lei, que tirava o direito de pai educar o seu filho.

                        Eu fui sustentado com alimento natural, colhido da terra. Naquele tempo, não havia os ultraprocessados, conservados com muita química. Por essa razão, não havia tanta doença estranha, como existe nos dias hoje.  

                        A Geração Besta foi criada, aprendendo amar a Deus, obedecer aos mais velhos, cuidar da natureza, gostar de música raiz, admirar o folclore e a folia de reis, cantar os hinos patrióticos (nacional; bandeira; independência; proclamação da república; canção do exército, marinha e aeronáutica). Além disso, aprendeu a respeitar os símbolos nacional, quais sejam: hinos, bandeiras, brasão e selo.

                        Diante de tudo que narrei, posso dizer que não precisei do avanço da tecnologia para ser feliz. Eu fui forjado na geração da fé, do amor, do respeito, da humildade, da boa e saudável alimentação, da felicidade e da liberdade de ser criança.

                        Portanto, não me venha dizer que a Geração Beta é melhor que a Geração Besta.

 

Peruíbe SP, 20 de setembro de 2025,

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A CABOCLA

 

Adão de Souza Ribeiro

E tu corrias pela rua,

Com vestido de chita

Era tão pura e bonita

Quanta saudade tua.

 

Seu cabelo de trança

Sandália presa no pé

E eu na casa de sapé

O olhar de esperança

 

Tu eras doce cabocla

A brincar de princesa

Era uma gata siamesa

Deitada numa alcova.

 

Da tua pele a bela cor,

Desperta o meu desejo

Sem querer eu te vejo,

Em sonho como a flor.

 

Só na rua caminhas,

Brincas com o tempo.

Eu aqui em desalento

Encantada caboclinha.

 

Peruíbe SP, 18 de setembro de 2025.

 

 

sábado, 13 de setembro de 2025

QUERIDO PAPAI!

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Com seu olhar protetor

Cuidava bem dos filhos.

E não havia empecilhos,

Para mostrar seu amor.

 

Ensinava a honestidade,

Para se vencer, trabalho.

Cabelo branco, orvalho.

O Andar, peso da idade.

 

E seguia só pela estrada,

Conduzindo o caminhão

A carga, era seu coração

Com saudade da amada.

 

Mas, um dia, sem avisar

Partiu para uma viagem.

E busca outra paragem,

Foi para não mais voltar.

 

Hoje, eu sinto sua falta.

A imagem está na casa.

Saudade arde em brasa.

Coração do peito salta!

 

Peruíbe SP, 13 de setembro de 2025.

PALAVRAS INFAMES

 

Adão de Souza Ribeiro

Meu Deus, quantas brigas,

Palavras ásperas e infames

Sem lágrima que derrame

Por causa de boba intriga.

 

Então, por que se digladia,

Por uma coisa sem sentido

E o amor fica todo perdido,

Morre solitário a cada dia.

 

Mas ao invés dessa ofensa

Porque não dá seu abraço.

Ao ódio não dê um espaço

Só voz do amor compensa.

 

Deixa o vento levar a raiva

Dá um beijo na sua amada

Faça amor de madrugada,

Sob olhar da Estrela Dalva.

 

Mas cuidado com a palavra

Solta, não alcança a galope.

Faça do bem querer o robe

Tudo é breve e logo passa.

 

Peruíbe SP, 13 de setembro de 2025.

 

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

LEMBRANÇAS

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Cadê as canções infantis

Que povoaram a mente.

E a enxurrada corrente.

O leve bailar do colibri.

 

A alegria dormia na rua

A vida corria na calçada

Sem uma dor, nem nada

Sob o olhar terno da lua.

 

Casa nua, sem o reboco.

Sol deitado no horizonte

Já parece que foi ontem.

E a natureza em barroco.

 

Mergulhar nu lá na lagoa

Pegar pássaro de arapuca

Quanta coisa tão maluca,

Viver a vida, por aí à toa.

 

Como era bela lembrança

O passado fechou a porta

Mas tempo que não volta.

E da caipirinha de trança.

 

Peruíbe SP, 12 de setembro de 2025.

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

O ABANDONADO

 

Adão de Souza Ribeiro

Por favor, não me procure mais

Abandonaste-me pelo caminho.

Porém, mulher, agora tanto faz,

Se sigo aqui na estrada sozinho.

 

Esquece que eu já te dei prazer,

Que o meu corpo te pertenceu.

Foram anos deste bem querer,

O meu coração sincero foi seu.

 

Se a relação vai terminar assim,

Sem carinho com o que passou.

O amor não será um trampolim

E só foi tristeza, que me restou.

 

Com sentimento não se brinca,

Ele se reveste de muita pureza.

Quando encontra uma química

O mundo conspira com certeza.

 

E hoje eu choro a sua ausência

Esta partida só acabou comigo.

Eu não sei viver de aparência,

Para mim, viver só, é castigo.

 

Peruíbe SP, 11 de setembro de 2025.

 

 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

A EXTINÇÃO DO HOMEM

 

Adão de Souza Ribeiro

 

                        Confesso que fiquei estarrecido, ao saber que o homem (sexo masculino) será extinto. Não de morte natural ou de doença terminal, bem como, assalto, atropelamento, assassinado, infarto, câncer, AVC – Acidente Vascular Cerebral, afogamento, cirrose ou coisa que valha.

                        Enfim, há mil formas de morrer, como por exemplo: tristeza, ingratidão, tédio ou decepção. Mas o que mais me chocou com a notícia, foi a informação de que a extinção se dará, com o fim do sexo masculino. A partir daí, não mais nascerá o macho da espécie humana. Então, fico pensando: como ocorrerá o acasalamento e a reprodução?

                        Os cientistas, essas pessoas que ficam procurando pêlo em ovo, disseram que vai desaparecer o cromossoma “Y”, Ele é um dos cromossomas encontrado apenas em homens. Ele é responsável pela determinação do sexo masculino e contém genes essenciais para o desenvolvimento de características masculinas, como a produção de espermatozoides e a formação de órgãos sexuais masculinos.

                        Em cada conjunto de 23 pares de cromossomas, os seres humanos possuem um par de cromossomas responsáveis pelo sexo. Tipicamente, pessoas atribuídas como do sexo feminino, ao nascer possuem dois cromossomas X e as pessoas atribuídas como do sexo masculino ao nascer, um cromossoma X e um cromossoma Y.

                        O principal gene do cromossomo Y e o gene SRV, que inicia o processo de masculinização do embrião. Além disso, o cromossoma Y é menor que o cromossoma X e é transmitido de pai para filho, mantendo a continuidade das características genéticas masculinas ao longo das gerações.

                        Eu tenho notado que, entre os casais, o homem morre primeiro. Eu também tenho observado que nascem mais mulheres do que homens. Perguntei a uma nutricionista, por que ocorre isso e ela me respondeu que, determinado alimento tem substâncias que matam o cromossoma Y (masculino). A extinção será lenta, isto é, sem a transformação violenta do planeta.

                        A princípio, as feministas podem se dar por vencedoras, pois não mais haverá machista, com quem possam travar longas discussões ideológicas estúpidas, de quem manda ou tem poder sobre o outro. Mas, ao longo dos anos, verão que também serão extintas, pois, sem relação sexual, não haverá a sagrada procriação.

                        Nelson Falcão Rodrigues (1912 – 1980), escritor, romancista, cronista, contista, dramaturgo, teatrólogo e jornalista brasileiro disse: “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal acabado.” Há que saber diferenciar a mulher feminista da mulher feminina. Então, o baitola e a lésbica são cromossomas com defeito.

                        Narram os livros de história, que há milhões de anos atrás, os animais pré-históricos foram extintos, através das transformações do planeta, tais como: terremotos, maremotos, furacões, inundações, vulcões, dilúvio, queda de meteoros, mudanças bruscas de clima, etc. e tal.

                        Ainda, falando sobre a notícia, a qual me deixou atônito, depois tive a grata alegria em saber que a extinção total do homem, que habita este planeta tão imprevisível, será daqui há milhões de anos. Eu confesso, que isso fez acalmar o meu pobre e sofrido coração. Por um tempo, minha mente se aquietou e me permitiu fazer planos para o futuro, ufa! 

                        As vezes pago muito caro por ser curioso em demasia, pois se não tivesse fuçado atrás de notícias, não estaria preocupadíssimo com a extinção do homem, ou melhor, da minha existência. Embora eu não tenho perfil de líder radical, pensei fazer manifestação e movimento em prol do homem, essa raça em extinção. Desisti, pois não quero criar polêmica.

                        Eu poderia, por exemplo, estar discorrendo sobre a escalação da Seleção Canarinho ou sobre as oito maravilhas do mundo, ou seja: Grande Muralha da China, na China; Petra, na Jordânia; Machu Picchu, no Peru; Jardins Suspensos da Babilônia, na Babilônia, Templo de Ártemis, na Turquia; Mausoléu de Halicarnasso, na Turquia; Colosso de Rodes, na Grécia; Farol de Alexandria, na Alexandria; Chichén Itzá, no México; Coliseu de Roma, em Roma e Cristo Redentor, no Brasil.

                        Eu passei noites e noites em branco, sem dormir. Não tomei sedativo e nem procurei psiquiatra ou psicólogo. Só imaginava a terra, desabitada pelo homem, a quem Deus outorgou o direito cuidar e de comandar todos os seres viventes. (Gênesis 1:28-30) Será que as mulheres assumiriam as manias dos extintos e saudosos companheiros? Será que iriam morar na Ilha de Lesbos, localizada na Grécia?

                        Bem, agora vou dormir em paz, porque eu soube que a extinção do homem ocorrerá daqui há milhões de anos. Assim sendo, não quero sofrer por antecipação.

                        Por enquanto, viva o homem que continua vivo!   

 

Peruíbe SP, 08 de setembro de 2025.

domingo, 7 de setembro de 2025

MINHA VIDA

 

Adão de Souza Ribeiro

São notas musicais

A minha triste vida

Que calmo dedilho

Em meus tantos ais.

 

E são puros versos,

Escritos no tempo.

Ao bailar do vento,

Pensar desconexo.

 

E entre estribilhos,

Eu cantei o sonho.

Com frase ponho,

Choro nos trilhos.

 

Não é um falsete,

O tom desta voz.

É algo tão feroz,

Que não esquece.

 

Peruíbe SP, 07 de setembro de 2025.

 

 

 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

CONVERSA DE BOTECO

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Tem coisas, que nem mesmo Sigmund Schlomo Freud (1856-1939) explica em sua vã filosofia.

                        E não sou eu, quem vai querer entender o que se passa no mundo e na cabeça das pessoas. Ainda mais eu, que era uma criança revestida de toda pureza. Eu falo isso, porque o causo que vou contar, aconteceu lá pelas bandas da minha sagrada Terrinha.

                        O povo simplório, tinha certas manias, que fugiam aos meus conhecimentos de criança. Embora eu fosse eterno observador daquilo que cercava o dia a dia da população, algumas coisas soavam misteriosas. Confesso que, às vezes e não foram poucas, eu me esforçava, mas tudo era em vão.

                        Lá na Terra Natal, haviam cinco botecos, sendo quatro de propriedade de japoneses e um de italiano. Todos serviam comestíveis: ovo cozido colorido e com sal, torresmo crocante, linguiça frita, porção de mocotó, salsicha e bebidas. Porém, somente um deles, além de servir tudo aquilo, também servia cafezinho, que era o “Bar do Bori”.

                        O “Bar do Bori” era muito frequentado pela clientela, pois ficava defronte o ponto de ônibus intermunicipal. O que chamava atenção, era o fato da iluminação fraca e ser frequentado por cardumes e cardumes de mosquito. Os clientes, ao invés de pedirem: “Bori, me dá o açucareiro.”, eles humildemente diziam: “Bori, me passa o mosquiteiro. 

                        Em pé à volta do balcão ou sentado à mesa, os conterrâneos bebiam cerveja, cachaça, rabo de galo, etc., comiam salgados e petiscos, enquanto conversavam banalidades. Discorriam sobre mulher, política, futebol, religião, economia, comida, os cornos da cidade, as “marias pula cerca”, sem, contudo, se aprofundarem no assunto. Era o chamado papo para “jogar conversa fora e passar o tempo”.

                        Ali passavam horas e horas, alongando até a noite. Eu não entendia, onde achavam tanto assunto. Se alguém chegasse e sentasse à mesa, mesmo sem dinheiro, também bebia à vontade. O cachaceiro só é solidário no trago. O salgado tinha gosto de óleo velho, mas todos degustavam sem reclamar.

                        Depois de ingerir uns dez copos de bebida, não se sentia mais o sabor do alimento. Que diferença faria, se foi frito em óleo novo ou velho? Se o mosquito sentou ou não no salgado? A diferença só era sentida na cerveja, ou seja, se era quente ou gelada.

                        Beber em casa era sinal de conforto, pois o salgado era feito na hora, a cerveja estava sempre bem gelada e a luz clareava tudo. Em que pese se a “dona encrenca” ficasse buzinando no ouvido do cônjuge, às vezes, valia a pena. Quando a sogra era parceira no copo, isso ajudava muito.

                        Mas beber no boteco era sinal de prazer, pois o sabor da cerveja e da cachaça era bem diferenciado. Entre uma conversa e outra, o gole descia redondo. Depois de tanto beber, qualquer assunto fica mais divertido e as gargalhadas ecoavam pelo boteco.

                        O entra e sai de clientes, deixava o Bori assaz felicíssimo. É bom narrar que os mosquitos, em forma de cardume, continuavam voando no balcão, na lâmpada, no “mosquiteiro” e em todos os lugares, onde a imaginação permitia.

                        Os clientes não se incomodavam com tanto mosquito, pois aquilo era o diferencial entre os outros botecos da Terrinha. O segredo não era usar os mosquiteiros, mas, sim, ficar espantando os mosquitos, que não davam um segundo de paz. Acho que eles eram treinados pelo Bori e se isso acontecia, era “Segredo de Estado”.

                        Na mesa dos cachaceiros, os mosquitos não sentavam: creio que por não gostarem de cerveja e nem de pinga. Penso que sem mosquito, o “Bar do Bori” não tinha aquela farta clientela, nem mesmo para tomar cafezinho e usar o açucareiro, ou melhor, o mosquiteiro. Certo é que Bori, esboçava uma simpatia contagiante e que, por isso, tinha seus fiéis clientes.

                           No bar não havia aparelho sonoro, para escutar as músicas de sofrência, como na casa das primas. Mas o que se ouvia, era o burburinho dos clientes, o tilintar das garrafas de cerveja e o zumbido agudo e persistente dos mosquitos.

                        Quem passava pela calçada e olhasse para dentro do “Bar do Bori”, tinha impressão de que há muito tempo, a limpeza não passava por ali. No chão, eram visíveis as bitucas de cigarro, papéis de bala e poeira por todo canto. Mas para o cliente, aquilo era de somenos importância; pois, se tivesse cachaça, cafezinho e conversa, estava tudo certo.

                        Mas o que mais chamava a minha atenção, eram as conversas de boteco, que enriqueciam os causos da minha Terrinha. Sem os petiscos, as bebidas e as conversas de boteco, como ficaria as tradições daquele povo simplório? Boteco também é sinônimo de cultura.

                        Nas conversas de boteco, os conterrâneos e cachaceiros, tinham solução para tudo: fim da corrupção e da inflação; escalação da Seleção Brasileira; zeladoria da cidade; receita caseira para cura de doenças; impeachment do prefeito; excomunhão de Arthur, o padre comunista; a prisão de Felisbino, o jagunço baderneiro; reforma do campo santo, etc. e tal. 

                         Eles eram experts em resolver todos problemas cotidianos. O sambista José Gomes da Silva Filho, o Zeca Pagodinho dizia: "Cachaceiro é quem fabrica cachaça, eu sou apenas um consumidor.

                        Deus salve os botecos, com ou sem cerveja e mosquito, também, com ou sem a luz fraca e cansada. Deus abençoa os donos de boteco, principalmente, o Bori - o dono de olhos puxados e criador de mosquito. Deus salve a minha abençoada Terrinha, celeiro de causos inesquecíveis. Mas que nunca falte as longas conversas entre os clientes, durante um gole e outro.

                        Sem as conversas, o boteco perde o encanto!       

 

Peruíbe SP, 04 de setembro de 2025.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

SUA MAJESTADE, A BOLA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Eu confesso que não sou contra a tecnologia, mas temo que o excesso, possa ocasionar danos irreversíveis e irreparáveis a humanidade. Ao longo de cinquenta e cinco anos, venho acompanhando o avanço, que os mentores da tecnologia promovem com suas invenções.

                        Lembro-me que, num curto espaço de tempo, houve o surgimento do telefone; do rádio; da televisão; do avião supersônico e do foguete, que levou o homem a lua. Até então, a sociedade vivia tranquilamente, sem as doenças do progresso vigente, pois não se ouvia falar em ansiedade, estresse, bullying, adultização de crianças e tantos outros males.

                        Os inventores de objetos, que ajudaram  a população viver melhor, deram o pontapé inicial e, ao logo dos anos, as iluminadas mentes humanas, aprimoraram as criações.

                        Hoje, temos o bebê Riborn e a tal da Inteligência Artificial. A criatura está afrontando o criador. Não sei aonde vamos parar e isso me amedronta. Hoje, o mundo está fora de controle e penso que estamos caminhando para o caos.

                        Toda essa narrativa, foi para explanar o avanço do mundo e a perda da sensibilidade do homem. Avançamos nas conquistas do futuro e nos distanciamos das coisas simples da vida.

                        Volto afirmar que não sou contra o progresso, mas me apavora o a falta de contato pessoal entre os seres humanos. A degradação da natureza provocada pela tecnologia e a ganância pelo dinheiro é um assunto à parte, portanto, discorrerei em data oportuna.  

                        O preâmbulo desta narrativa é para descrever a felicidade que senti, ao assistir o final da Copa do Mundo, em 1970, entre Brasil e Itália, onde minha Pátria sagrou-se campeã. Revivi o final da partida, ao assistir pela internet, no aconchego do meu lar.

                        O jogo foi no Estádio de Azteca, na cidade do México, no México, no dia 21 de junho de 1970, quando a Seleção Canarinho venceu a Seleção Italiana, por 4 a 1, com gols de Pelé (17:58 min. do 1º tempo), Gerson (20:37 min do 2º tempo), Jairzinho (25:26 min. do 2º tempo) e Carlos Alberto (41:27 min. do 2º tempo). Quem marcou para a Itália, foi 20-Boninsegna (37:00 – 1º tempo).

                        Só pude rever aquele momento histórico para o futebol mundial, graças a tecnologia, através da internet. A comitiva era composta por: Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu, Everaldo, Félix, Brito, Piazza, Joel, Leão, Marco Antônio, Paulo Cesar Caju, Aldo, Baldocchi e Fontana, sendo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo. 

                         O time escalado para o último jogo era composto por: 1-Felix, 2-Brito, 3-Piazza, 4-Carlos Alberto, 5-Clodoaldo, 16-Everaldo, 7-Jairzinho, 8-Gérson 9-Tostão, 10-Pelé e 11-Rivelino.

                        Ao término da peleja, os torcedores invadiram o campo, carregando os heróis no ombro e deixando Pelé quase nu. O México virou Brasil e o mundo se curvou ao futebol brasileiro. Ao rever o jogo, vi que os jogadores não tinham tatuagem e nem os cabelos pitados, com cortes esdrúxulos.

                        Eles honravam o uniforme que envergavam e sabiam do respeito que as outras seleções tinham. Os jogadores brasileiros não almejam o estrelado, mas, sim, defender o nome do nosso país. Tratavam a bola com carinho e a chamavam de “Sua Majestade”.

                        Como haviam poucos televisores, ainda em preto e branco na Terrinha, assisti todos os jogos no “Bar do Pague Menos”, do Seu Waldemar. Nos dias de jogo, o bar ficava superlotado e lá estava eu, que tinha apenas onze anos de idade. Quem ergueu a taça, foi o capitão Carlos Alberto Torres.

                        A sincronia entre os jogadores, causava um encanto indescritível. Eles jogavam para frente e não recuavam a bola, como fazem hoje. Parece que liam o pensamento um do outro. Eu tive o privilégio de assistir aquela Seleção repleta de magia, proporcionando aos torcedores orgulho e alegria.

                        No último jogo, após o Brasil sagra-se tricampeão, o conterrâneo mais abastado da cidade, presenteou-nos com fartos salgados e bebidas. A confraternização durou muito tempo, após o término do jogo. Só em 1971, meu pai comprou um televisor da marca Telefunken, pois o aparelho era considerado objeto de luxo.

                        Quando lembro da Seleção Camarinho, que conquistou o tri campeonato mundial, vem na lembrança a minha cidade natal e o hino, o qual representou a nossa alegria. Nunca mais teremos uma Seleção a atura daquela equipe. A Seleção Brasileira é o Brasil de chuteira. O hino assim dizia:

                        Noventa milhões em ação,/ Pra frente Brasil,/ No meu coração./Todos juntos,/ vamos pra frente Brasil,/ salve a seleção!/ De repente é aquela corrente pra frente./ Parece que todo Brasil deu a mão./Todos ligados na mesma emoção,/ Tudo é um só coração!/ Todos juntos vamos pra frente Brasil, salve a seleção!”

                        O que nos entristece é saber que a taça “Jules Rimet”, conquistada com tanta luta, foi furtada por Sérgio Pereira Ayres, vulgo “Sergio Peralta”, por volta das 21:00 horas, de 19 de dezembro de 1983, na sede da CBF – Confederação Brasileira de Desportos, localizada na Rua da Alfandega, nº 70, no centro do Rio de Janeiro RJ.

                        A taça foi vendida para o argentino Juan Carlos Hernandes, que a derreteu e acabou com o maior tesouro sentimental de todos os brasileiros. O crime manchou o orgulho da Nação.

                        Agora só me resta dizer: - Quantas saudades de “Sua Majestade, a Bola".

 

Peruíbe SP, 03 de agosto de 2025.