Adão de Souza Ribeiro
O galo disse a galinha
Vou quebrar seu galho
Se você for só minha,
E vou criar um atalho.
Por você arrasto asa,
Sou ave desde filhote
Galinheiro como casa
Comigo ninguém pode
E você pula no poleiro
Para lá dormir à noite.
Vou contar o segredo,
Vento toca num açoite.
Quando paixão acena,
E deixa só no terreiro.
De mim não tem pena
Eu sofro o dia inteiro.
O seu ninho eu preparo
Para botar mais um ovo
E sou muito feliz, acho.
Família cresce de novo.
Como a fêmea, choca
O herdeiro que chega.
Pois não vê sua hora,
De alegria se entrega.
E de madrugada, canto
Para afugentar espírito.
Galinácea a amo tanto,
É disso que eu preciso.
Você rainha do quintal.
E por você, luto e cisco
Não há nada tão divinal
Por você, corro o risco.
Peruíbe SP, 27 de junho de 2026.
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