Adão de Souza Ribeiro
Havia enorme romantismo, nas mensagens entre eternos namorados e, também, noutros tipos de relacionamentos, como por exemplo, pais e filhos, irmãos e amigos. A expectativa no envio e no recebimento da resposta, acrescentava tempero na comunicação.
A mensagem em modelo físico, ou seja, no papel, além de vir enfeitada de desenhos (ato feminino); também exercita a escrita e a leitura. Não havia gíria, erros gramaticais e nem abreviação de palavras. As pessoas exercitavam a arte de ler e escrever.
Como era prazeroso escrever a mensagem, representada pela carta, envelopá-la e se dirigir ao Correio para postar. Hoje com o avanço da modernidade, ao enviar através de SMS e Whatsapp, perdeu-se o encanto. Antes, imaginava-se a expressão de surpresa e de contentamento do destinatário e o que se vê hoje é em tempo real, através da chamada de vídeo.
A celeridade na comunicação, sepultou de morte o sentimento humano, especialmente, o amor. Este sentimento se alimenta de surpresa, ilusão e romantismo, portanto, abreviar essa prerrogativa é condená-lo à morte por inanição.
Após enviar a carta, todo dia o remetente dirigia-se à caixa postal colocada no portão, esperando que o carteiro tivesse trazido a resposta. Com toda pressa, abria-se o envelope para ler o que o destinatário escreveu. Isso prova a importância da arte de se corresponder, através da carta.
Para entender o valor da carta, basta ouvirmos canções como, por exemplo, A Carta, do Grupo Exaltasamba, que diz: “Entenda o que vou te dizer/ dois pontos, vem/ De volta pro meu coração, exclamação/ Não posso viver sem você/ Não tenho razão nem porquê/ Me acostumar com a saudade./ Nem vírgula vai separar, nessa oração/ Teu nome da minha paixão, não leva a mal/ Eu sei que não sou escritor, é só uma carta de amor/ De alguém que te quer de verdade.”
E, também, a canção de Moacyr Franco, A Última Carta, que diz: “São Paulo seis de outubro de mil novecentos e setenta e sete/ Meu bem,/ Sei que já não se escreve carta de amor/ Coisa boba, né?/... Que pena que você nunca vai ler essas palavras/ Porque esta é mais uma carta que eu vou rasgar.“
Ao descrever a magia da carta, desperta a memória afetiva dos tempos de outrora. Quem viveu naqueles tempos áureos, sabe do que se está falando. Que pena que tudo aquilo não volta jamais. Apenas resta linda saudade das coisas que vivenciamos.
É de bom alvitre que se diga, que a escrita começou na Mesopotâmia, há 3500 a.C., onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. Essa forma de escrita foi a primeira a registrar informações de forma sistemática e permanente, permitindo a organização de transações comerciais e a preservação de registros importantes.
Nota-se, portanto, que a escrita foi se desenvolvendo ao longo dos tempos. Ainda bem que naqueles primórdios anos da civilização não existia a Era Digital. Se existisse, como seria contada a história universal? Bem, deixa pra lá! Isso é coisa para estudiosos, isto é, os arqueólogos.
O passado se vai ao longe, mas acredita-se que a carta continua por aí, em busca de um coração apaixonado, que foge da era digital!
Peruíbe SP, 10 de junho de 2026.
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