quinta-feira, 18 de junho de 2026

O TEMPO

                                                                                             Adão de Souza Ribeiro


Tempo, devolva-me o passado que sorrateiramente você levou. Não imagina quanta falta ele me faz e, também, quanta saudade sinto dele. Eu sou um saudosista incurável e já disse isso por diversas vezes. Recordar do outrora, causa-me saudável nostalgia e isso me conforta e me faz tão bem,

Foi prometido que, para recompensar a perda do passado, eu ganharia de presente o Futuro, embrulhado numa caixa de surpresa e que ficaria maravilhado e agradecido. . 

Eu seria hipócrita, se afirmasse que sou contra o futuro. Ele trouxe grandes benefícios à humanidade, basta olhar o avanço na cura de doenças, até então desconhecidas da ciência. A tecnologia tem colaborado sobremaneira para abrandar o menor esforço da humanidade.

Este meu desabafo em relação ao futuro, é porque ele se faz muito veloz, graças ao progresso desenfreado, o que dificulta saboreá-lo com mais leveza. Um atleta idolatrado, dizia: “Quem gosta de passado é museu.” Eu discordo plenamente de tal pensamento, pois, quem não tem passado, não viveu e não tem história para contar.  

Ele é, antes de tudo, o registro sagrado da vida. Ao debruçar na janela, da casa de pau a pique, vejo o passado caminhando sem pressa pelo tempo. Na imensidão e até no horizonte, a natureza obedece o compasso do Universo. Tudo segue o ritmo natural, sem atropelar o que foi designado por Deus.

Quem viveu naqueles tempos idos, há de concordar comigo. A vida passava lentamente e não com a velocidade de hoje. Isso porque não tínhamos preocupação com nada, a não ser ir para escola. Ainda bem que lá tinha brincadeira, diversão e interação com coleguinhas. 

Não havia preocupação com os robôs humanoides; inteligência, que o próprio nome já diz, artificial; a mentira americana, da conquista da lua; da guerra insana, em busca pelo poder; a falácia de políticos corruptos, que dizem defender o povo; doença profetizada pela Bíblia.

Nós tínhamos prazer com as brincadeiras infantis, tais como: corridas com carrinhos de rolimã; guerras de mamonas; jogos de futebol com bola de meia; bolinhas de gude; as meninas com bonecas de espiga de milho e de casinha; deslizar nas lamas da enxurrada; gangorra e tantas outras brincadeiras. Tanta pressa para crescer para depois perceber, que a infância é a coisa mais bonita da vida. Foi isso que o tempo/futuro nos retirou.

Eu me perco em lágrimas, quando falo ou lembro do tempo de outrora. Deus determinou que o tempo é quem coordena o universo. Caro leitor, ouça a música “O tempo e eu”, de Tadeu Fernandes. Creio que já sabem porque amo e temo o tempo.

Bem, eu vou dar um tempo ao tempo, para que ele avalie se vale a pena deixar que o tempo/ futuro atropele o tempo/passado. Por enquanto, acho melhor cuidar do tempo/presente.

Velhos tempos… Belos dias!

Peruíbe SP, 18 de junho de 2026.


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