Adão Souza Ribeiro
Minha calça pantalona
E modelo boca de sino
Tempo não abandona,
Quando era o menino.
Sapato cavalo de aço,
Meu carro tipo DKV.
Corria para o abraço,
Havia lugar pra você.
Andava de charrete,
E tudo era só delícia.
Mascava um chiclete,
Eu não tinha malícia.
Namorar na pracinha,
O olhar da luz da lua.
Beijo de Mariazinha,
Infância corria na rua.
Viajava de Jardineira
Na estrada do sertão.
A missa domingueira
Um chorar sem razão.
Disco na minha vitrola
Tocando uma melodia
Tempo não tinha hora
De passar mais um dia.
No pilão moia o café,
Comia com o cuscuz.
Depois tinha cafuné,
Benza, sinal da cruz.
Nosso fogão a lenha
Uma panela de barro
A nossa vaca prenha
Avô que pita cigarro.
Na parede, quadro
A foto de família.
Irmã de resguardo
Caçador vê trilha.
Lobisomem, lenda
Contada pela vovó.
Dança com prenda
Num baile de forró.
Menina com boneca,
De sabugo de milho.
E eu levado da breca
Era só beleza e brilho.
Peruíbe SP, 28 de junho de 2026.
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