domingo, 28 de junho de 2026

QUE VIDA HUMILDE!

                                                                                                       Adão Souza Ribeiro

Minha calça pantalona

E modelo boca de sino

Tempo não abandona,

Quando era o menino.


Sapato cavalo de aço,

Meu carro tipo DKV.

Corria para o abraço,

Havia lugar pra você.


Andava de charrete,

E tudo era só delícia.

Mascava um chiclete,

Eu não tinha malícia.


Namorar na pracinha,

O olhar da luz da lua.

Beijo de Mariazinha,

Infância corria na rua.


Viajava de Jardineira

Na estrada do sertão.

A missa domingueira

Um chorar sem razão.


Disco na minha vitrola

Tocando uma melodia

Tempo não tinha hora

De passar mais um dia.


No pilão moia o café,

Comia com o cuscuz.

Depois tinha cafuné,

Benza, sinal da cruz.


Nosso fogão a lenha

Uma panela de barro

A nossa vaca prenha

Avô que pita cigarro.


Na parede, quadro

A foto de família.

Irmã de resguardo

Caçador vê trilha.


Lobisomem, lenda

Contada pela vovó.

Dança com prenda

Num baile de forró.


Menina com boneca,

De sabugo de milho.

E eu levado da breca

Era só beleza e brilho.


Peruíbe SP, 28 de junho de 2026.





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