sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

OS LUNÁTICOS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Que o progresso e a tecnologia chegaram e bateram à nossa porta, não há como negar. Negar o avanço da humanidade é negar o obvio. Só que o avanço desenfreado e irresponsável está levando o planeta a bancarrota. Não quero ser mensageiro do infortúnio, mas extinção do planeta está muito próximo.

                        Eu sou da geração em que as crianças confeccionavam os seus próprios brinquedos. Agindo assim, elas estimulavam a criatividade e, ainda, dividiam os inventos com os coleguinhas. A vida simples, faziam delas pessoas simples.

                        Eu digo isso, porque não entra na minha cabeça, a história de que estão querendo explorar o universo. E, especialmente, a lua tão solitária, bela e romântica. Durante a noite, quando olho para o céu e contemplo a lua, reconheço como Deus é perfeito na sua criação.

                        Como pode algo suspenso na imensidão, clarear a escuridão da noite e ditar as regras das estações do ano. Lá do alto, ela espia este mundo maluco aqui embaixo. De vez em quando, eu creio que ela dá risada das patacoadas feitas pelos terráqueos sem um pingo de juízo.

                        Desde que o mundo é mundo, sempre houve invenções com objetivo de melhorar a condição humana. Assim surgiu a lâmpada, o telefone, o rádio, o carro, a televisão, o fogão a gás, a geladeira, o ar condicionado, o aparelho de som, o satélite, etc. e tal.

                        Nesta busca desenfreada por invenções, a fim de melhorar a condição da vida humana, as pessoas estão causando danos catastróficos ao planeta. Lá no alto, a milhões de quilômetros, estão soltas tantas bugigangas, tais como: satélites, naves, etc.

                        Dizem que querem habitar na lua, por isso, estão pesquisando se lá tem água e ar, isto é, condições de sobrevivência humana. As vezes fico pensando: “Se não conseguem arrumar o estrago que fizeram aqui, o que querem escarafunchar lá na lua?”.   

                        Eu penso que o homem quer desmantelar, o que Deus fez com tanto carinho. Jesus Cristo disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” Isso quer dizer que no Universo há muitos planetas. Então, por que não deixam a lua quieta e vão mexer em outros planetas?

                        Na minha infância, quando meus pais diziam: “Esse menino anda com a cabeça no mundo da lua.”, eles estavam dizendo que eu estava divagando sozinho. A bem da verdade, diziam que eu estava sonhando à toa. Acho que os homens de hoje estão com a cabeça no mundo da lua. Já pensou se ela despenca lá de cima e a terra ficar na escuridão?

                        Não quero apagar a imagem da lua solitária, suspensa na imensidão, que clareava a noite e que regia as estações do ano. E, ainda, que servia de inspiração aos poetas apaixonados. Para mim, os cientistas modernos, são verdadeiros lunáticos.

Peruíbe SP, 27 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

AMOR QUE CEGA

 

Adão de Souza Ribeiro

Nosso amor fora de controle

O desejo desprovido de regra

O coração está ficando mole,

A fantasia que nunca sossega.

 

E esse sentimento que tortura,

Que suga toda a nossa energia

E se contenta com a falsa jura

Sei que há de perecer um dia.

 

Ele só sufoca e aperta o peito

E faz do homem uma criança.

Na dor sempre dá o seu jeito,

Quem ama luta, não se cansa.

 

O amor que cega e escraviza,

Faz do sonho algo tão eterno.

E quem ama vive só de brisa,

Rima no final de cada verso.

 

Quem nunca sofreu por amor,

Passou pela vida e não viveu.

O espectro de homem passou

Perdeu o melhor que era seu.

 

Peruíbe SP, 26 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DEUS CASTIGA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Ao longo da vida, vejo que tem coisas incompreensíveis à mente humana. Elas fogem aos princípios da criação do universo e, principalmente, ao entendimento da criança simples, nascida no cafundó do judas, no interior do Estado.

                        Por isso, levou muito tempo para compreender a frase que, corriqueiramente ouvia das pessoas, fossem elas ignorantes ou letradas. Quando involuntariamente se cometia um erro fortuito, de gravidade ou não, alguém dizia: “Não faça isso, que Deus castiga.

                        Na igreja, independentemente do segmento religioso, o líder carregava a pregação, fazendo tortura na mente e no coração dos fiéis, tornando-os prisioneiros de seus dogmas, sempre com a mesma frase: “Deus castiga”.  

                        Ainda na tenra idade, sem compreender a complexidade do enredo de uma vida mundana, eu confabulava com meus botões: “Será que Deus é um Ser tão carrasco e cheio de maldade?” Por isso, creio que era o motivo de não gostar de frequentar a igreja.

                        Eu tinha medo de encontrar um homem carrancudo, com a cinta na mão, para me punir só porque peguei goiaba escondido do vizinho sem pedir. Mesmo que eu pedisse desculpa para Deus, ele iria me surrar na frente dos fervorosos fiéis.

                        Para mim, Deus é um pai amoroso e justo que sabe ensinar e corrigir nossos vacilos de criança sem maldade e sem pecado. Por isso, Ele sempre disse: “Deixai as crianças e não as impeçam de vir a mim, porque de tais é o reino dos céus!” (Mateus 19:14. Esse era o Deus que eu imaginava e não aquele descrito pelo pregador. 

                        Aos domingos, as pessoas se embelezavam para irem à igreja. Era bonito ver a romaria dos fiéis, em busca da palavra de conforto e da salvação. Para mim, pecado é o chamariz para atrair os fiéis, pois, sem ele, não há motivo para frequentar a igreja.

                        Querem ditar regras de moda as fiéis, como se o mal estivesse na aparência e não na alma. O filho de Deus, quando esteve neste desvairado planeta, apenas trajava uma túnica e um par de sandálias.

                        Não fazia uso de rituais, para transmitir seus ensinamentos. Não tinha igreja e pregava por onde andava ensinando a fé, a caridade, a obediência ao Pai e a humildade.

                        Os dirigentes religiosos pregam a filantropia, mas não tiram um centavo do dízimo, para ajudar os pobres. No entanto, moram em casa suntuosa, transitam em carrão do ano e participam de fartos banquetes.

                        Eu não quero que me rotule como herege, por falar desse jeito. Posso afirmar que estou apenas externando minha visão sobre religião e a imagem que tenho do Rei do Universo. Vejo Deus como um Ser Divino, que é onipotente, onipresente e onisciente.

                        Hoje entendo que Deus não castiga, mas, sim, acolhe, acaricia e perdoa.

Peruíbe SP, 25 de fevereiro de 2026.

 

 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FALSO AMOR

 

Adão de Souza Ribeiro

E foi a grande mentira

Que ela tanto me disse.

Desabou a minha vida,

Porque isso é tão triste.

 

O amor era só um blefe

Queria só tirar proveito.

E se no início soubesse

Fugia de qualquer jeito.

 

Feito uma cruel serpente

Com toda a sua peçonha.

Hipnotizou minha mente

Perdeu brio e a vergonha.

 

Ela partiu e bateu sua asa

Abandonou sem remorso.

Sei, logo tudo isso passa,

Vencer, faço o que posso.

 

Não troque o que é certo,

Por qualquer doce ilusão.

A vida é um livro aberto,

Poderá acreditar ou não.

 

Joguei fora o meu futuro,

E o sonho ficou para trás.

Hoje sou homem maduro,

Aos poucos a vida refaz.

Peruíbe SP, 24 de fevereiro de 2026.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A TIGRESA

 

Adão de Souza Ribeiro

Mulher em forma de fera

Quer devorar meu corpo.

Quão bonita a fêmea era

Encantei com o seu rosto.

 

A plumagem bela e macia

Atrai meus olhos e seduz.

Ela será só minha um dia,

É meu desejo e se faz jus.

 

Faz do meu leito sua jaula,

Quer marcar o seu espaço.

Não temo e nada me abala,

Eu a convenço com abraço.

 

Jeito macio e garra felina,

Ela prende forte sua presa

É maior dona dessa colina

Por isso bela, essa tigresa.

 

Sorriso belo, rosto sedutor

Seu corpo lindo e atraente.

Vou ser o dono e domador

Da minha fera para sempre

 

Peruíbe SP, 23 de fevereiro de 2026.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

DIA DE CHUVA

 

Adão de Souza Ribeiro

A chuva, de gota a gota,

Vai molhando cada telha.

A saudade caminha solta,

Mas pensamento vagueia.

 

Aos poucos, céu escurece

O tempo vai virando noite

Então natureza reza prece,

Canavial corta como foice.

 

O silêncio lá na choupana,

Com a temperatura amena

É a hora para quem se ama

E viver feliz, na vida plena.

 

Orvalho que molha a relva

O cheiro tão suave do mato

Seu tapete verde lá da selva

Tristeza não tem seu espaço.

 

Como é belo, dia de chuva.

O eterno presente de Deus.

Perfeito como mão e a luva

É dádiva que vem lá do céu.

 

Na cumeeira parece canção

A dança alegre com o vento.

Calma é uma bela expressão

Que Deus é bom todo tempo

 

Peruíbe SP, 22 de fevereiro de 2026.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

VELHO PEDIDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando estiver velhinho

E lentos forem os passos.

Nunca me deixe sozinho,

Vem e me dê um abraço.

 

Mas se cabelos brancos,

Esconderem as calvícies.

Não me chame de tonto,

Por causa das crendices.

 

Se olhar a cansada vista

Sem ver o lindo mundo.

Tem paciência e insista,

Num amor tão profundo.

 

A voz fraca e bem rouca

Que balbucia as palavras

Põe a comida nessa boca

O seu gesto puro agrada.

 

Se a minha costa arcada,

Pesar com jeito do tempo

Foi pela longa caminhada

Que fiz por aí, ao relento.

 

Quando ver o meu sonho,

Dormindo só numa sarjeta.

Lembra que já fui risonho,

Faça cafuné, não esqueça!

 

Peruíbe SP, 21 de fevereiro de 2026.

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MÃE NATUREZA

 

Adão de Souza Ribeiro

De manhã, contemplo as borboletas

Á noite, eu admiro todos vagalumes

Por isso, eu cuido da nossa natureza

E na lagoa, me da peixe em cardume.

 

Lá debaixo da aroeira, o carro de boi,

A saborosa comida, no fogão a lenha

Caboclo da roça, o nosso maior herói

Presa num curral, a vaquinha prenha.

 

No girassol, a abelha colhe o néctar,

A cigarra com o seu canto estridente

Que na goiabeira, faz o varjão cantar,

Assim o sertão bailar de tão contente.

 

A grama toda molhada com a relva,

Rio desliza tão calmo pela campina

Vento beijo o casebre ao pé da serra

A vida na roça é verdadeira menina.

 

Só quem é do mato, sabe da beleza

E da vida tranquila do nosso sertão

Ela é o maior presente da natureza,

Pois em tudo, Deus é sempre bom!

 

Peruíbe SP, 20 de fevereiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A VIDA É CURTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Peço que me escuta,

Eu tenho algo a dizer.

Essa vida é tão curta,

Para mim, para você.

 

Viva com intensidade

Cada segundo da vida

Então, fuja da maldade

Se nem tudo tem saída

 

Procura só fazer o bem

Para aumentar o tempo

O que vai também vem

O castigo é muito lento.

 

Quando menos se espera

Aquela sua hora já chega

Meu amigo é tarde, já era

Pois ela não cumpre regra

 

Ela fica ali, atrás da porta,

Para lhe fazer a surpresa

Por isso, não vê uma hora

Só para fazer maior presa.

 

Peruíbe SP, 16 de fevereiro de 2026.

VIIDA EFÊMERA

 

Adão de Souza Ribeiro

O tempo passa rápido

Vida segue logo atrás

O corpo torna flácido,

E de repente você jaz.

 

Vida, dádiva de Deus

Tudo é apenas sopro.

E aqui nada é só seu,

O velho já foi o novo.

 

Portanto não se iluda,

E não viva de fantasia

Por isso troca atitude,

A sua existência vazia.

 

Mundo também ensina

Que precisa viver bem.

Há surpresa na esquina,

E outra está muito além.

 

Nossa vida é tão efêmera

Portanto nada será eterno

Ela será belíssima fêmea,

Pois ama tudo que é belo.

 

Peruíbe SP, l6 de fevereiro de 2026.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

SAUDADES DO SERTÃO

 

Adão de Souza Ribeiro

Saudade do bailar da laranjeira

Do choro do vento no canavial.

Da lua iluminando noite inteira

No grotão a fúria do vendaval.

 

O ronco calmo do carro de boi,

Caminhar na poeira da estrada.

Vida lá se vai o tempo já se foi,

Gado no pastoreio da invernada.

 

Moda caipira no repique da viola,

Dobradinha feita no fogão a lenha

Assim que caboclo vive, ele gosta.

O celho passa, no mato embrenha.

 

O belo cafezal, como tapete verde

Esperando tempo certa da colheita

Tarde na varanda, deitado na rede,

Natureza desenha o que se deleita.

 

Numa preguiçosa tarde de domingo

Vida sem pressa demora em passar.

Lá no horizonte, chuva e seu pingo

Reluz seu brilho como noite de luar

 

Saudade tresloucada do meu sertão.

Ela está sempre viva nesta memória

Tem o tamanho do mais belo varjão,

Esta é minha doce e saudosa história.

 

Peruíbe SP, 15 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A GANÂNCIA

 

Adão de Souza Ribeiro

Por que sua ganância

Se daqui nada se leva.

A vida vai à distância,

E mais que uma légua.

 

Por que fazer a guerra

Só para ter tanta posse

Se tudo vai virar terra,

Mesmo se eterno fosse.

 

Por que tanta violência

Só por causa de moeda

Cego e sem clemencia,

E se logo, vem a queda.

 

Por que esse seu apego

De sempre querer mais.

Neste seu voo tão cego,

Sem alma feito animais.

 

Por que essa sua loucura

E no querer sem medida.

A corrida pela sua usura

Sem prever a sua caída.

 

Por que essa escravidão

De querer tudo só pra si

Não há cofre no coração

Não se iluda num frenesi.

 

Peruíbe SP, 14 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

VOU SER EU

 

Adão de Souza Ribeiro

Não vou mais fugir de mim

Esconder atrás de mentiras.

E eu vou ser eu, para enfim

Ser simples como o caipira.

 

Eu não vou mais viver preso

Nas teias das opiniões alheia

Vou dar valor ao meu desejo

Fazer meu mel como abelha.

 

Não vou mais doar o ouvido,

Para quem quer só o meu mal.

Tenho meu valor, não preciso

Me humilhar, isso é bom sinal.

 

Não vou mais chorar de medo,

Diante de qualquer um desafio.

Vou acordar feliz e bem cedo,

Como lá na natureza, faz o rio.

 

Eu não vou mais viver calado,

Enfrentarei o mundo perverso.

Serei eu e deixarei ali de lado,

Para cuidar só do meu verso.


Eu não vou mais viver a chorar

Fingir que meu sonho pereceu.

E nas noites tão lindas de luar

Eu vou ser eu simplesmente eu!

 

Peruíbe SP, 12 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O NOSSO ERRO

 

Adão de Souza Ribeiro

Com a vida não brinca

Pois ela nunca perdoa.

Um dia você tem trinta

No outro já é um coroa

 

Ela não aceita seu erro,

De você cobra tão caro.

Marca corpo com ferro,

Da dor, ela sente o faro.

 

Você procura viver bem

E como se não existisse

Outra uma vida no além

Pois isso é apenas tolice.

 

Vida é frágil e efêmera,

Não deve ser maltratada

Por isso, delicada fêmea

Sua eternidade é abstrata

 

E então, cuida bem dela.

Porque a sua vida é rara.

Ela é sagrada e tão bela,

Vê, nada a ela se iguala!

 

Peruíbe SP, 11 de fevereiro de 2026.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O PODER SUPREMO

 

Adão de Souza Ribeiro

Com esse seu poder supremo,

Faz do mundo o que bem quer.

E não escolhe o peso do remo,

Se naufraga homem ou mulher.

 

Vejo estar a serviço da maldade,

Para ajudar quem é só perverso.

A palavra sagrada é só disfarce,

Que vale é o reino, cadê o resto?

 

E se alguém grita é logo calado,

De repente é pregado numa cruz.

Tal liberdade é coisa do passado,

Só poucos tem direito a uma luz.

 

Se toda maldade se veste de preto

E como se tudo estivesse na moda.

Para o que está errado, dá-se jeito.

Ficar o com poder é que importa.

 

Tudo o que se decide no Sinédrio,

Vejo jamais poderá ser contestado

Para o cristão não haverá remédio,

Senão na cova rasa, ser sepultado.

 

Do alto do poder, grande Tribuno

Julga a quem pecado não cometeu

Se acha como tal dono do mundo,

Diz estar acima do poder de Deus!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

SONHAR TALVEZ

 

Adão de Souza Ribeiro

Tu dizes que me quer

Isso é obra do Divino.

Te quis como mulher,

Quando era o menino.

 

Fico feliz que me vês

Isso jamais acontecia.

Eu sonhava só porque,

Era tudo o que queria.

 

Sei que o tempo pode

Mudar a vida do nada

E se realiza no galope

Ao longo desta estrada

 

Passei noite em branco

Pensando assim em ti

E o coração sangrando.

Foi desse jeito que vivi.

 

E nunca morre o amor,

De esperança que vive

Pois é a mais pura flor,

Que faz alma ser livre.

 

Agora que tu és minha

Passou aquela tristeza.

Está feliz esta casinha,

Com a minha princesa!

 

Peruíbe SP, 08 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

AMAR EM SEGREDO

 

Adão de Souza Ribeiro

E quem te admira,

Nunca se desdém.

Tu és a bela safira

Igual a ti não tem.

 

Trate-o com amor

Respeita o desejo.

Se te vê como flor

Dê a ele um beijo.

 

Há muito te quer,

Ele nunca desiste

Seja dele, mulher

Não o deixa triste.

 

Ainda eras menina

E de ti se engraçou

Tu eras a bailarina,

O tempo já passou.

 

Se vê como deusa,

A mulher do sonho

Faças a tua beleza,

Ser o lugar risonho.

 

Se olha diferente,

De paixão idolatra

Coração que sente

Então só isso basta!

Peruíbe SP, 07 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

AMAR EM SILÊNCIO

 

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te quero em silêncio

E é assim que eu penso

Para que não percebas,

Meu olho em labaredas.

 

Eu te desejo bem calado

Desde o tempo passado.

Fiz meu coração sofrer,

Hoje eu não sei porquê.

 

Eu te venero só e quieto

Te vejo fico boquiaberto

Fico louco, sofro e deliro

Mas porque esse martírio

 

Eu te idolatro como rainha

Meu Deus, que sina minha.

O destino parece tão bravo

E se continuar eu me acabo.

 

Se eu te coloco no belo altar

É para te proteger e te adorar

Para mim, és mulher e santa,

A vontade de ti, me espanta.

 

Peruíbe SP, 05 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

QUE VIDA BOA!

 

                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro

                        Deus criou o mundo em sete dias. (Genesis 1:1-5)

                        Mesmo sendo dono supremo do Universo, Ele não se apressou na criação da sua obra prima. Assim agiu, para não esquecer dos mínimos detalhes. A cada dia, criava uma coisa, pois sabia que era para eternidade.

                        No primeiro dia, fez a luz, separando das trevas e chamou a “luz” de dia e a “treva” de noite; no segundo dia, fez o firmamento, chamando de atmosfera que envolve a terra; no terceiro dia, fez a terra, os mares, vegetação, plantas e árvores; no quarto dia, fez os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas, para governar o dia e a noite e para marcar os tempos e as estações.

                        Ainda na sua labuta Divina, fez as criaturas marinhas e as aves, ordenando que se multiplicassem e enchessem as águas e os céus; no sexto dia, criou os animais silvestre e, por fim, o ser humano, a Sua imagem e semelhança, dando-lhe domínio sobre a criação; no sétimo dia, Deus descansou de toda Sua obra, abençoando e santificando este dia.

                        Deus nos deu o Universo de presente, isso sem faltar coisa alguma, para que possamos desfrutar com calma e responsabilidade. Por confiar em nós, deu-nos o poder de dominar tudo o que aqui existe.

                        O sertanejo entendeu a missão que lhe foi dada, por isso, cuida com carinho da terra e ela, em sagrado agradecimento, devolve em alimento e doce contemplação. Eu nasci e fui criado no sertão e, por ser sertanejo nato, posso dizer de cátreda, que a natureza é a verdadeira mãe do mundo.

                        Ao acordar pela manhã, o vento beija nossa face e o orvalho sobre relva, forma o tapete até a linha do horizonte. A revoada de pássaros canoros, vem à janela, convidar-me para mais um dia que amanhece. No terreiro, os galos e galinhas cacarejam em busca de quirela de milho.

                        Lá no córrego, os sapos coaxam por longo tempo e no curral, as vacas ficam mugindo e chamando para ordenha, o grunhir dos porcos no chiqueiro, parece que estão sendo abatidos e, no entorno da casa, o ciciar das cigarras e o estridular dos grilos, dão encanto ao lugar.

                            A noite contempla as estrelas cintilantes no firmamento e o bailar dos vagalumes. Também contempla o silencio ensurdecedor da natureza. De vez em quando, apenas se ouve o canto dos sapos, corujas, lobos, morcegos, gafanhotos e o "gri gri gri" das cigarras, com seus 115 decibéis, formando uma sifonia única na natureza.

                        É nesta calmaria, que o caboclo vive e desfruta das benesses de Deus. Com humildade, ele sabe agradecer o que lhe é dado, sem pedir nada em troca. Por isso, sertanejo cuida com muito amor e sem destruir, o que levou milhões de anos para existir.

                        Não há nada mais saudável e prazeroso, do que o alimento colhido diretamente da terra e que chega à mesa sem agrotóxico. Também se alimentar da carne animal – vaca, porco, galinha, capivara e coelho – sem hormônio, para o crescimento.

                        Quando está entediado, o caipira senta na soleira da porta e fica pitando um cigarro de palha de milho ou vai na lagoa pescar tilápia, robalo, tucunaré, pacu, dourado, traíra, pintado, curimba, lambari, bagre, carpa, corvina, tambacu dentre tantos outros.

                        Enquanto o peixe não é fisgado, ele fica agachado na beira da lagoa, contemplando a natureza, tomando seu gole de cachaça e pitando um fumo de corda enrolado na palha seca de milho. Assim fica horas e horas, sem perceber o tempo passar.

                        Quando não está pescando, ele está caçando codorna ou perdiz na mata. Munido de uma cartucheira e acompanhado do fiel cachorro perdigueiro, o sertanejo sai cedo de casa e se embrenha na mata. Só volta à tarde, com o imborná cheio de aves. As vezes um grupo de caçadores o acompanha e não caça por esporte, mas, sim, para alimentação.  

                        Enquanto isso, dona patroa prepara a comida caseira, feita no fogão a lenha. O alimento é colhido na horta, a qual, é bem cuidada por ele. O capiau gosta de mandioca frita na manteiga, refogado de cambuquira e torresmo, por isso, a esposa não se descuida em preparar para o varão.

                        Nas tardes preguiçosas de domingo, o caboclo recebe a visita de violeiros que, com suas violas caipiras de doze cordas, cantam músicas que retratam a vida do campo, os amores e as paixões não realizados. Nas canções, é marcante as letras falarem dos ensinamentos da natureza.             

                        O homem do campo respeita a natureza, por isso, teme tempestade, tornado, furacão,  trovão, raio, vendaval, inundação, chuva de granizo, terremoto e etc. Para ele, a mudança climática é aviso da natureza, que a terra está agonizando. Sabe que falta pouco tempo para o fim, para aquilo que Deus criou com calma e amor. Deus deu o poder para cuidar e não para destruir.

                        O sertanejo é um devoto e fervoroso na fé, por isso, reserva um canto na casinha de sapê, para colocar o seu altar. Ali naquele lugar sagrado, faz suas orações e agradece ao Divino Criador, pelas graças recebidas.

                        Que vida boa no meu sertão!    

 

Peruíbe SP, 04 de fevereiro de 2026.