Adão de Souza
Ribeiro
Saudade do bailar da laranjeira
Do choro do vento no canavial.
Da lua iluminando noite inteira
No grotão a fúria do vendaval.
O ronco calmo do carro de boi,
Caminhar na poeira da estrada.
Vida lá se vai o tempo já se foi,
Gado no pastoreio da invernada.
Moda caipira no repique da viola,
Dobradinha feita no fogão a lenha
Assim que caboclo vive, ele gosta.
O celho passa, no mato embrenha.
O belo cafezal, como tapete verde
Esperando tempo certa da colheita
Tarde na varanda, deitado na rede,
Natureza desenha o que se deleita.
Numa preguiçosa tarde de domingo
Vida sem pressa demora em passar.
Lá no horizonte, chuva e seu pingo
Reluz seu brilho como noite de luar
Saudade tresloucada do meu sertão.
Ela está sempre viva nesta memória
Tem o tamanho do mais belo varjão,
Esta é minha doce e saudosa história.
Peruíbe SP, 15 de
fevereiro de 2026.
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