domingo, 15 de fevereiro de 2026

SAUDADES DO SERTÃO

 

Adão de Souza Ribeiro

Saudade do bailar da laranjeira

Do choro do vento no canavial.

Da lua iluminando noite inteira

No grotão a fúria do vendaval.

 

O ronco calmo do carro de boi,

Caminhar na poeira da estrada.

Vida lá se vai o tempo já se foi,

Gado no pastoreio da invernada.

 

Moda caipira no repique da viola,

Dobradinha feita no fogão a lenha

Assim que caboclo vive, ele gosta.

O celho passa, no mato embrenha.

 

O belo cafezal, como tapete verde

Esperando tempo certa da colheita

Tarde na varanda, deitado na rede,

Natureza desenha o que se deleita.

 

Numa preguiçosa tarde de domingo

Vida sem pressa demora em passar.

Lá no horizonte, chuva e seu pingo

Reluz seu brilho como noite de luar

 

Saudade tresloucada do meu sertão.

Ela está sempre viva nesta memória

Tem o tamanho do mais belo varjão,

Esta é minha doce e saudosa história.

 

Peruíbe SP, 15 de fevereiro de 2026.

 

 

 

 

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