Adão de Souza
Ribeiro
Quando estiver velhinho
E lentos forem os passos.
Nunca me deixe sozinho,
Vem e me dê um abraço.
Mas se cabelos brancos,
Esconderem as calvícies.
Não me chame de tonto,
Por causa das crendices.
Se olhar a cansada vista
Sem ver o lindo mundo.
Tem paciência e insista,
Num amor tão profundo.
A voz fraca e bem rouca
Que balbucia as palavras
Põe a comida nessa boca
O seu gesto puro agrada.
Se a minha costa arcada,
Pesar com jeito do tempo
Foi pela longa caminhada
Que fiz por aí, ao relento.
Quando ver o meu sonho,
Dormindo só numa sarjeta.
Lembra que já fui risonho,
Faça cafuné, não esqueça!
Peruíbe SP, 21 de
fevereiro de 2026.
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