sábado, 21 de fevereiro de 2026

VELHO PEDIDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando estiver velhinho

E lentos forem os passos.

Nunca me deixe sozinho,

Vem e me dê um abraço.

 

Mas se cabelos brancos,

Esconderem as calvícies.

Não me chame de tonto,

Por causa das crendices.

 

Se olhar a cansada vista

Sem ver o lindo mundo.

Tem paciência e insista,

Num amor tão profundo.

 

A voz fraca e bem rouca

Que balbucia as palavras

Põe a comida nessa boca

O seu gesto puro agrada.

 

Se a minha costa arcada,

Pesar com jeito do tempo

Foi pela longa caminhada

Que fiz por aí, ao relento.

 

Quando ver o meu sonho,

Dormindo só numa sarjeta.

Lembra que já fui risonho,

Faça cafuné, não esqueça!

 

Peruíbe SP, 21 de fevereiro de 2026.

 

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