sábado, 21 de março de 2026

O POEMA

Adão de Souza Ribeiro


Vou escrever um poema

Para você e sob medida.

Desta vontade incontida

De você minha morena.


Um poema bem sincero

Com uma perfeita rima.

Para tocar nessa menina 

Como a flecha do verso.


Já de noite, quando ler, 

Vai perceber cada frase

E que nunca será tarde, 

Para se fazer tudo valer.


O poema bem simples,

Repleto de sentimento 

Para ver que é tempo,

De ter corações livres.


Feito com dor e suor,

E com a voz da alma 

Escrito com a calma 

Mas de quem amou! 


Peruíbe SP, 20 de março de 2026.

segunda-feira, 16 de março de 2026

SÓ EU

 

Adão de Souza Ribeiro

Só somente só,

Eu sigo sozinho

Ouço a sua voz

Pelo caminho.

 

Deixo para trás

A velha mágoa.

E nada satisfaz

Choro deságua

 

E só o homem

Se por si nasce

Sem um nome

Que o abrace.

 

Pó da estrada,

Cega sua visão.

A fé nem nada

Toca o coração.

 

Lá o horizonte

Se nada chega

No alto monte

Noite espreita.

 

E a vida segue,

Sem o destino.

Que seja breve

Vida de menino.

 

Peruíbe SP. 16 de março de 2026.

sexta-feira, 13 de março de 2026

O CAMINHO SUAVE

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Quando vejo a cartilha “Caminho Suave” da escritora e educadora Branca Alves de Lima e Maira Lot Micales, transporto-me ao ano de 1967, quando estudei o primário, no Grupo Escolar “José Belmiro Rocha”, na minha sagrada Terrinha.

                        Naquele tempo, não se usava livro de cunho político, para transformar aluno em robô, sem direito a pensar e a criar própria personalidade. Ensinava de um jeito suave o bê-á-bá do cotidiano. Maria Aparecida Almada, minha primeira professora, tinha uma didática encantadora para ministrar aula.

                        No pátio, antes de iniciar a aula, os alunos eram perfilados e, em posição militar, cantavam o “Hino Nacional Brasileiro”. Enquanto o hino era executado, não se ouvia alguém conversando ou mascando chiclete. E foi assim, que aprendi respeitar e amar a Pátria.

                        Eu me sentia orgulhoso ao envergar o uniforme e caminhar rumo a escola, levando o caderno brochura; a cartilha “Caminho Suave”; estojo com lápis, borracha e apontador, bem como, a lancheira. Ficava ansioso para entrar na classe e rever os coleguinhas.

                        Os professores eram respeitados e idolatrados, por isso, haviam alunos que nutriam admiração e paixão silenciosa pelos mestres. O aprendizado tinha um sabor diferente e os alunos se embriagavam com as matérias ministradas pelos seus mestres.  

                        Hoje eu vejo que os jovens são cabeças ocas, tanto no linguajar, quanto no gosto musical.  A metodologia didática, preza pela ignorância massificadora, onde o jovem nada sabe da sua importância na sociedade.    

                        Não havia tropeço na busca do conhecimento, por isso, era sempre suave o caminho de casa até a escola. Tudo tinha um encanto indescritível, que o sentimento não consegue descrever. Só a doce lembrança consegue rememorar tanta saudade.

                        As brincadeiras feitas com os coleguinhas inocentes, deixaram marcas indeléveis na memória e no coração de um menino que soube viver a infância. As crianças do presente, não têm tem passado e nem história, para contar as futuras gerações.

                        A minha Terrinha continua viva na lembrança, que perpetuará para sempre e até a eternidade. Os amiguinhos, que vivenciaram e compartilharam momentos imortais, cresceram e levaram consigo os mesmos sentimentos como o meu, eternizando o passado.

                        Os olhos lacrimejam, só de falar daqueles tempos áureos, onde tudo era simples e sem maldade. A única preocupação era só brincar de ser criança, com toda leveza do espírito infantil.  

                        Até hoje eu sinto falta daquele caminho suave, que me ensinou a trilhar pelos mistérios de um mundo selvagem e sem a pureza da alma. Agradeço a Deus por ter  sido acolhido pelo Grupo Escolar “José Belmiro Rocha” e, ainda, por ter folheado a cartilha “Caminho Suave”. Velhos tempos, que não voltam jamais!

Peruíbe SP, 13 de março de 2026.  

quarta-feira, 11 de março de 2026

A CANÇÃO DO MAR

 

Adão de Souza Ribeiro

No doce balanço do mar,

As suas ondas vêm e vão.

Mas é tão lindo seu bailar,

Que encanta meu coração.

 

E segue ao sabor do vento,

Numa eterna cumplicidade

Então faz deste passo lento

Até chegar um cair da tarde.

 

Se quando ao tocar a praia,

Dá o sedento beijo na areia.

A branca espuma vira saia.

E faz dele mais linda seria.

 

Mar atrai o velho canoeiro

Para a grande profundeza.

Não há nada tão traiçoeiro

Como força da correnteza.

 

Belo mergulho da gaivota

Para saciar horrenda fome

Sua inusitada cena mostra

Majestade será seu nome.

 

Mar, é este seu som feroz

Que domina frágil planeta

Conquista como albatroz,

Antes que noite adormeça!

 

Peruíbe SP, 11 de março de 2026.

domingo, 8 de março de 2026

A INOCÊNCIA DO AMOR

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Eles foram feitos, um para o outro”, assim diziam os pais daqueles pequeninos conterrâneos, lá da saudosa Terrinha. Todos que lá conviveram, percebiam a grande amizade daquelas duas crianças, inclusive, este narrador e contador de causos.

                        Até parecia que era coisa de pele, porque não se separavam. Onde um estava, o outro acompanhava sem cerimônia. Estou certo de que havia uma química muito forte entre eles. Os dois eram crianças e, por isso, não havia qualquer tipo de maldade, claro!

                        Os infantes moravam na mesma rua, estudavam na mesma escola e dividiam os momentos de brincadeiras com as crianças da infância. O carinho de ambos, era invejável pelos adultos. Eu estou narrando a eterna amizade entre Augusto e Carmelita.

                        Eles compartilhavam as brincadeiras e os gostos pelas coisas simples da vida. As crianças viviam tão felizes, que não notavam o dia passar. Quando um estava triste, o outro se entristecia. Quando um estava doente, o outro se compadecia.

                        Dizem que quando isso acontece é porque, na outra dimensão, já eram um do outro e que a família gerada desse amor, também já existia. Eu, particularmente, acredito piamente nisso, porque parecem almas gêmeas.

                        O tempo passou e entraram na adolescência e na juventude. No entanto, não se desgarravam por nada nessa vida. Os corpos amadureceram e ganharam forma, portanto, a admiração mudou de foco. O hormônio aflorou e despertou o desejo, passando de inocente amizade para amor incondicional.

                        As pessoas da Terrinha compreenderam e comemoraram aquela mudança. Augusto e Carmelita, casal de eternos namorados, passaram a andar de mãos dadas ou abraçados pelas ruas e pela Praça Matriz. Era tão lindo aquele o amor, que eles irradiavam por onde passavam.

                        Eu, assim como todos os conterrâneos, ficava hipnotizado com aquelas cenas românticas e revestidas de encanto. A beleza do casal enfeitava o lugar e despertava o sentimento de ternura entre os habitantes e, ao mesmo tempo, causava inveja as mal amadas e mal casadas.

                        Aquele casal modelo, marcou a história romântica da Terrinha e, ainda, continua viva no coração do povo simples. Toda vez que vislumbro um casal enamorado, caminhando abraçado, esbanjando carícias, lembro-me de Augusto e Carmelita.

                        Até hoje, quando se fala em amor perfeito, todos se reportam àquele casal que nasceu na Terrinha e que foi feito um para o outro. O exemplo de Augusto e Carmelita sobreviveu in saecula saeculourum (pelos séculos dos séculos), amém!

                        O projeto do alcaide Romancito Amado, foi aprovado por unanimidade pelos nobres edis da Câmara Municipal, que deu à minha Terrinha o slogan: “Terrinha, a cidade do amor eterno!”    

Peruíbe SP, 08 de março de 2026.  

sábado, 7 de março de 2026

A JAULA

 

Adão de Souza Ribeiro

Não me prenda em jaula

Deixa minha mente solta

É na doce leveza da alma

Que minha alegria volta.

 

Não me imponha regras,

Deixa minha mente livre

A liberdade não se nega,

Aprisionado não se vive.

 

Pássaro preso na gaiola,

Canta, chora de tristeza

Não vê chegar sua hora

De alcançar a natureza.

 

A vida me deu as asas,

E conquistar o mundo.

A ilusão arde em brasa,

Nada é mais profundo.

 

Vá, corra e abre a porta,

Tira cadeado do coração

Vou descobrir nova rota

Nesse caminho da razão.

 

Peruíbe SP, 07 de março de 2026.

quinta-feira, 5 de março de 2026

O BOROCOXÔ

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Tem dia que amanheço meio borocoxô, sem vontade alguma de viver. Eu recolho-me num canto e fico ali por horas, tentando concatenar minha memória. Há um bombardeio infinito de informações, tumultuando meus neurônios, que nem consigo raciocinar direito.

                        O pior de tudo é que as tais informações, na sua quase totalidade, são negativas ao extremo. Só mencionam tragédias humanas e catástrofes climáticas. Não se houve falar em ações filantrópicas, que enaltecem o ser humano. Meu Deus, em que mundo nós estamos?

                        A mídia, representada por todos canais de televisão, pulveriza a terra com ensinamentos que deturpam a sociedade. Ela não respeita o lar, santuário sagrado, onde é forjado a personalidade e o comportamento das crianças, isso para vida inteira.

                        Quanta falta eu sinto da infância, lá minha eterna Terrinha. Naqueles idos tempos, a única preocupação era acordar cedo, ir à escola e brincar o dia inteiro. Nós confeccionávamos os próprios brinquedos e corríamos na enxurrada, no meio da rua.

                        Eu lembro-me com saudade, da minha primeira paixão platônica pela professorinha Clotilde. Adorava contemplar o rosto angelical, a voz macia ao ensinar o bê-á-bá e o requebro atraente no andar. Passou o tempo, mas a saudade não passa.

                        Para as crianças da minha infância, tudo era pureza e contemplação. A maldade estava enterrada no fundo do quintal, bem debaixo da velha jaqueira e longe dos nossos olhos. Eu vivi a geração das crianças livres e arrojadas, não essa Geração Nutella de hoje, toda cheia de mimimi, isto é, uns moleques todos afrescalhados. Cruz credo!

                        No auge da adolescência, deixei a amada Terrinha e, hoje, vivendo na megalópole, deparo-me com um mundo selvagem, sem os princípios éticos e morais, que aprendi no velho sertão. Andando pelas ruas agitadas, verdadeiros labirintos, procuro pela professorinha Clotilde e não a encontro. Como era precioso o seu doce ensinamento!

                        Nós somos reféns de nossas escolhas, por isso, temos que aceitar o ônus advindo delas. Um dia, corremos atras do progresso e da tecnologia. Agora, portanto, temos que suportar a nocividade do que eles representam e produzem. A criatura está devorando o criador.

                        Por eu não deixar a mania de ser um eterno curioso, em busca da notícia cotidiana e atualizada, estou pagando alto. A minha mente e o meu emocional não estão suportando a pressão do mundo moderno. Acima de tudo, quero ser feliz.  E, para isso, vou deixar de me sentir um borocoxô.

                        Pensando bem, vou modificar o meu modo de vida. Assim sendo, vou pensar melhor e seguir o conselho do filósofo estoico Marco Aurélio (imperador romano, de 161 a 180 d.C.), que disse: “A felicidade da vida, depende da qualidade dos pensamentos”. 

Peruíbe SP, 04 de março de 2026.

terça-feira, 3 de março de 2026

FRAGILIDADE DA VIDA

 

Adão de Souza Ribeiro

Levar a vida ferro e fogo,

Sem dar uma chance a ela.

Vai sentir dureza do soco,

E você irá saber que já era.

 

Então cuida com o carinho,

Como o seu melhor cristal.

E jamais se sentirá sozinho

Depois do temido vendaval.

 

É tão linda e bem delicada,

Necessita de muito cuidado

Segue o caminho na estrada

Poderá deixar você de lado.

 

Trate como se fosse ninfeta,

Desperta nela o doce desejo.

E então chegará na hora certa

Felicidade era só um lampejo.

 

O amanhã anda em passo lento

Diante do espelho ver a velhice

Não fique a reclamar do tempo.

Fim da vida não é uma crendice.

 

Peruíbe SP, 03 de março de 2026.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

OS LUNÁTICOS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Que o progresso e a tecnologia chegaram e bateram à nossa porta, não há como negar. Negar o avanço da humanidade é negar o obvio. Só que o avanço desenfreado e irresponsável está levando o planeta a bancarrota. Não quero ser mensageiro do infortúnio, mas extinção do planeta está muito próximo.

                        Eu sou da geração em que as crianças confeccionavam os seus próprios brinquedos. Agindo assim, elas estimulavam a criatividade e, ainda, dividiam os inventos com os coleguinhas. A vida simples, faziam delas pessoas simples.

                        Eu digo isso, porque não entra na minha cabeça, a história de que estão querendo explorar o universo. E, especialmente, a lua tão solitária, bela e romântica. Durante a noite, quando olho para o céu e contemplo a lua, reconheço como Deus é perfeito na sua criação.

                        Como pode algo suspenso na imensidão, clarear a escuridão da noite e ditar as regras das estações do ano. Lá do alto, ela espia este mundo maluco aqui embaixo. De vez em quando, eu creio que ela dá risada das patacoadas feitas pelos terráqueos sem um pingo de juízo.

                        Desde que o mundo é mundo, sempre houve invenções com objetivo de melhorar a condição humana. Assim surgiu a lâmpada, o telefone, o rádio, o carro, a televisão, o fogão a gás, a geladeira, o ar condicionado, o aparelho de som, o satélite, etc. e tal.

                        Nesta busca desenfreada por invenções, a fim de melhorar a condição da vida humana, as pessoas estão causando danos catastróficos ao planeta. Lá no alto, a milhões de quilômetros, estão soltas tantas bugigangas, tais como: satélites, naves, etc.

                        Dizem que querem habitar na lua, por isso, estão pesquisando se lá tem água e ar, isto é, condições de sobrevivência humana. As vezes fico pensando: “Se não conseguem arrumar o estrago que fizeram aqui, o que querem escarafunchar lá na lua?”.   

                        Eu penso que o homem quer desmantelar, o que Deus fez com tanto carinho. Jesus Cristo disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” Isso quer dizer que no Universo há muitos planetas. Então, por que não deixam a lua quieta e vão mexer em outros planetas?

                        Na minha infância, quando meus pais diziam: “Esse menino anda com a cabeça no mundo da lua.”, eles estavam dizendo que eu estava divagando sozinho. A bem da verdade, diziam que eu estava sonhando à toa. Acho que os homens de hoje estão com a cabeça no mundo da lua. Já pensou se ela despenca lá de cima e a terra ficar na escuridão?

                        Não quero apagar a imagem da lua solitária, suspensa na imensidão, que clareava a noite e que regia as estações do ano. E, ainda, que servia de inspiração aos poetas apaixonados. Para mim, os cientistas modernos, são verdadeiros lunáticos.

Peruíbe SP, 27 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

AMOR QUE CEGA

 

Adão de Souza Ribeiro

Nosso amor fora de controle

O desejo desprovido de regra

O coração está ficando mole,

A fantasia que nunca sossega.

 

E esse sentimento que tortura,

Que suga toda a nossa energia

E se contenta com a falsa jura

Sei que há de perecer um dia.

 

Ele só sufoca e aperta o peito

E faz do homem uma criança.

Na dor sempre dá o seu jeito,

Quem ama luta, não se cansa.

 

O amor que cega e escraviza,

Faz do sonho algo tão eterno.

E quem ama vive só de brisa,

Rima no final de cada verso.

 

Quem nunca sofreu por amor,

Passou pela vida e não viveu.

O espectro de homem passou

Perdeu o melhor que era seu.

 

Peruíbe SP, 26 de fevereiro de 2026.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DEUS CASTIGA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Ao longo da vida, vejo que tem coisas incompreensíveis à mente humana. Elas fogem aos princípios da criação do universo e, principalmente, ao entendimento da criança simples, nascida no cafundó do judas, no interior do Estado.

                        Por isso, levou muito tempo para compreender a frase que, corriqueiramente ouvia das pessoas, fossem elas ignorantes ou letradas. Quando involuntariamente se cometia um erro fortuito, de gravidade ou não, alguém dizia: “Não faça isso, que Deus castiga.

                        Na igreja, independentemente do segmento religioso, o líder carregava a pregação, fazendo tortura na mente e no coração dos fiéis, tornando-os prisioneiros de seus dogmas, sempre com a mesma frase: “Deus castiga”.  

                        Ainda na tenra idade, sem compreender a complexidade do enredo de uma vida mundana, eu confabulava com meus botões: “Será que Deus é um Ser tão carrasco e cheio de maldade?” Por isso, creio que era o motivo de não gostar de frequentar a igreja.

                        Eu tinha medo de encontrar um homem carrancudo, com a cinta na mão, para me punir só porque peguei goiaba escondido do vizinho sem pedir. Mesmo que eu pedisse desculpa para Deus, ele iria me surrar na frente dos fervorosos fiéis.

                        Para mim, Deus é um pai amoroso e justo que sabe ensinar e corrigir nossos vacilos de criança sem maldade e sem pecado. Por isso, Ele sempre disse: “Deixai as crianças e não as impeçam de vir a mim, porque de tais é o reino dos céus!” (Mateus 19:14. Esse era o Deus que eu imaginava e não aquele descrito pelo pregador. 

                        Aos domingos, as pessoas se embelezavam para irem à igreja. Era bonito ver a romaria dos fiéis, em busca da palavra de conforto e da salvação. Para mim, pecado é o chamariz para atrair os fiéis, pois, sem ele, não há motivo para frequentar a igreja.

                        Querem ditar regras de moda as fiéis, como se o mal estivesse na aparência e não na alma. O filho de Deus, quando esteve neste desvairado planeta, apenas trajava uma túnica e um par de sandálias.

                        Não fazia uso de rituais, para transmitir seus ensinamentos. Não tinha igreja e pregava por onde andava ensinando a fé, a caridade, a obediência ao Pai e a humildade.

                        Os dirigentes religiosos pregam a filantropia, mas não tiram um centavo do dízimo, para ajudar os pobres. No entanto, moram em casa suntuosa, transitam em carrão do ano e participam de fartos banquetes.

                        Eu não quero que me rotule como herege, por falar desse jeito. Posso afirmar que estou apenas externando minha visão sobre religião e a imagem que tenho do Rei do Universo. Vejo Deus como um Ser Divino, que é onipotente, onipresente e onisciente.

                        Hoje entendo que Deus não castiga, mas, sim, acolhe, acaricia e perdoa.

Peruíbe SP, 25 de fevereiro de 2026.

 

 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FALSO AMOR

 

Adão de Souza Ribeiro

E foi a grande mentira

Que ela tanto me disse.

Desabou a minha vida,

Porque isso é tão triste.

 

O amor era só um blefe

Queria só tirar proveito.

E se no início soubesse

Fugia de qualquer jeito.

 

Feito uma cruel serpente

Com toda a sua peçonha.

Hipnotizou minha mente

Perdeu brio e a vergonha.

 

Ela partiu e bateu sua asa

Abandonou sem remorso.

Sei, logo tudo isso passa,

Vencer, faço o que posso.

 

Não troque o que é certo,

Por qualquer doce ilusão.

A vida é um livro aberto,

Poderá acreditar ou não.

 

Joguei fora o meu futuro,

E o sonho ficou para trás.

Hoje sou homem maduro,

Aos poucos a vida refaz.

Peruíbe SP, 24 de fevereiro de 2026.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A TIGRESA

 

Adão de Souza Ribeiro

Mulher em forma de fera

Quer devorar meu corpo.

Quão bonita a fêmea era

Encantei com o seu rosto.

 

A plumagem bela e macia

Atrai meus olhos e seduz.

Ela será só minha um dia,

É meu desejo e se faz jus.

 

Faz do meu leito sua jaula,

Quer marcar o seu espaço.

Não temo e nada me abala,

Eu a convenço com abraço.

 

Jeito macio e garra felina,

Ela prende forte sua presa

É maior dona dessa colina

Por isso bela, essa tigresa.

 

Sorriso belo, rosto sedutor

Seu corpo lindo e atraente.

Vou ser o dono e domador

Da minha fera para sempre

 

Peruíbe SP, 23 de fevereiro de 2026.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

DIA DE CHUVA

 

Adão de Souza Ribeiro

A chuva, de gota a gota,

Vai molhando cada telha.

A saudade caminha solta,

Mas pensamento vagueia.

 

Aos poucos, céu escurece

O tempo vai virando noite

Então natureza reza prece,

Canavial corta como foice.

 

O silêncio lá na choupana,

Com a temperatura amena

É a hora para quem se ama

E viver feliz, na vida plena.

 

Orvalho que molha a relva

O cheiro tão suave do mato

Seu tapete verde lá da selva

Tristeza não tem seu espaço.

 

Como é belo, dia de chuva.

O eterno presente de Deus.

Perfeito como mão e a luva

É dádiva que vem lá do céu.

 

Na cumeeira parece canção

A dança alegre com o vento.

Calma é uma bela expressão

Que Deus é bom todo tempo

 

Peruíbe SP, 22 de fevereiro de 2026.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

VELHO PEDIDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando estiver velhinho

E lentos forem os passos.

Nunca me deixe sozinho,

Vem e me dê um abraço.

 

Mas se cabelos brancos,

Esconderem as calvícies.

Não me chame de tonto,

Por causa das crendices.

 

Se olhar a cansada vista

Sem ver o lindo mundo.

Tem paciência e insista,

Num amor tão profundo.

 

A voz fraca e bem rouca

Que balbucia as palavras

Põe a comida nessa boca

O seu gesto puro agrada.

 

Se a minha costa arcada,

Pesar com jeito do tempo

Foi pela longa caminhada

Que fiz por aí, ao relento.

 

Quando ver o meu sonho,

Dormindo só numa sarjeta.

Lembra que já fui risonho,

Faça cafuné, não esqueça!

 

Peruíbe SP, 21 de fevereiro de 2026.

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MÃE NATUREZA

 

Adão de Souza Ribeiro

De manhã, contemplo as borboletas

Á noite, eu admiro todos vagalumes

Por isso, eu cuido da nossa natureza

E na lagoa, me da peixe em cardume.

 

Lá debaixo da aroeira, o carro de boi,

A saborosa comida, no fogão a lenha

Caboclo da roça, o nosso maior herói

Presa num curral, a vaquinha prenha.

 

No girassol, a abelha colhe o néctar,

A cigarra com o seu canto estridente

Que na goiabeira, faz o varjão cantar,

Assim o sertão bailar de tão contente.

 

A grama toda molhada com a relva,

Rio desliza tão calmo pela campina

Vento beijo o casebre ao pé da serra

A vida na roça é verdadeira menina.

 

Só quem é do mato, sabe da beleza

E da vida tranquila do nosso sertão

Ela é o maior presente da natureza,

Pois em tudo, Deus é sempre bom!

 

Peruíbe SP, 20 de fevereiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A VIDA É CURTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Peço que me escuta,

Eu tenho algo a dizer.

Essa vida é tão curta,

Para mim, para você.

 

Viva com intensidade

Cada segundo da vida

Então, fuja da maldade

Se nem tudo tem saída

 

Procura só fazer o bem

Para aumentar o tempo

O que vai também vem

O castigo é muito lento.

 

Quando menos se espera

Aquela sua hora já chega

Meu amigo é tarde, já era

Pois ela não cumpre regra

 

Ela fica ali, atrás da porta,

Para lhe fazer a surpresa

Por isso, não vê uma hora

Só para fazer maior presa.

 

Peruíbe SP, 16 de fevereiro de 2026.

VIIDA EFÊMERA

 

Adão de Souza Ribeiro

O tempo passa rápido

Vida segue logo atrás

O corpo torna flácido,

E de repente você jaz.

 

Vida, dádiva de Deus

Tudo é apenas sopro.

E aqui nada é só seu,

O velho já foi o novo.

 

Portanto não se iluda,

E não viva de fantasia

Por isso troca atitude,

A sua existência vazia.

 

Mundo também ensina

Que precisa viver bem.

Há surpresa na esquina,

E outra está muito além.

 

Nossa vida é tão efêmera

Portanto nada será eterno

Ela será belíssima fêmea,

Pois ama tudo que é belo.

 

Peruíbe SP, l6 de fevereiro de 2026.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

SAUDADES DO SERTÃO

 

Adão de Souza Ribeiro

Saudade do bailar da laranjeira

Do choro do vento no canavial.

Da lua iluminando noite inteira

No grotão a fúria do vendaval.

 

O ronco calmo do carro de boi,

Caminhar na poeira da estrada.

Vida lá se vai o tempo já se foi,

Gado no pastoreio da invernada.

 

Moda caipira no repique da viola,

Dobradinha feita no fogão a lenha

Assim que caboclo vive, ele gosta.

O celho passa, no mato embrenha.

 

O belo cafezal, como tapete verde

Esperando tempo certa da colheita

Tarde na varanda, deitado na rede,

Natureza desenha o que se deleita.

 

Numa preguiçosa tarde de domingo

Vida sem pressa demora em passar.

Lá no horizonte, chuva e seu pingo

Reluz seu brilho como noite de luar

 

Saudade tresloucada do meu sertão.

Ela está sempre viva nesta memória

Tem o tamanho do mais belo varjão,

Esta é minha doce e saudosa história.

 

Peruíbe SP, 15 de fevereiro de 2026.