Adão de Souza Ribeiro
Lá vem ele todo trôpego,
Caminhando aqui e acolá
E ali pára e já sem fôlego
Pois se lhe falta muito ar.
Com auxílio da bengala,
Como se fosse sua perna
Então, a mente dele fala:
E o que eu seria sem ela?
Aqueles cabelos brancos
Olhar cansado e distante
O coração sonhos tantos
Vida passa num instante.
Se o destino cobra caro,
Não desperdiça o futuro
Não acha tudo um sarro
E jamais anda no escuro
E do ancião, não caçoa,
Vai envelhecer um dia.
Não passe a vida a toa,
Como faz uma cotovia.
Escreva lá no caderno
E deixa bem impresso
Saiba que aquele velho
É o bebê que deu certo.
Peruíbe SP, 26 de julho de 2026.
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