Adão de Souza
Ribeiro
A escola ensina ler e escrever. Ela dá ao
aluno o entendimento para identificar cada letra, cada palavra e cada frase.
Mas isso não é o suficiente para pessoa compreender o valor e a força que tem
cada palavra, numa conversa ou num texto.
Este discernimento, só é adquirido ao longo
da vida. O uso cotidiano da fala e da escrita, vai moldando o conhecimento,
como se fosse a bigorna forjando o entendimento e, também, a guilhotina aparando
as arestas do que não encaixa com a realidade do pensamento.
Não é por acaso, que o literato fica por
horas a fio, debruçado sobre a palavra, que melhor traduz o que pensa e sente.
A palavra tem que encaixar como uma luva, no entendimento do leitor. Se mal
encaixada, contamina a compreensão e a beleza do texto. O escritor pode perder
a confiabilidade e respeito do leitor.
Somados ao dom, o estudo da gramática e a
técnica de redação, ajudam sobremaneira, na elaboração do texto, seja ele
técnico ou artístico. Mas só o domínio e compreensão da força da palavra, que
dão a beleza e a leveza do texto, que se pretende transmitir.
O assíduo leitor, não faz ideia do tanto de
suor, que o escritor derrama, na busca pela perfeição da mensagem a ser
transmitida. Ele escreve, lê, rele, rascunha, corrige e faz a própria auto
crítica. Ao publicar, precisa estar convicto de que gerou um lindo filho, sem
qualquer defeito. Ele sabe que a crítica não perdoa deslizes.
O texto, principalmente, o literário, procura
expor o lugar, a vivência, os fatos reais ou pitorescos e os costumes por onde
o autor transitou, mesmo que seja nas entrelinhas. Ele descreve os sentimentos
de alegria, tristeza, angústia, esperança, sonhos, lutas, decepções e etc.
Tenha cuidado com a palavra, pois, depois que
solta, não se alcança, nem mesmo a galope. Por isso, policia cada palavra que
escreve ou diz. Certa feita, disse Olavo de Carvalho: “O que não está no seu
vocabulário, não está na sua consciência, mas isso não significa que não esteja
na sua existência.”
A palavra tem uma força tremenda, pois, veja
o que disse Deus: “A tua palavra é lâmpada que ilumina meus passos e luz que
clareia o meu caminho.” (Salmo 119:105). Por isso, o literato se preocupa
em lapidar cada palavra inserida no texto, a fim de que ela não deturpe o
assunto, que se pretende dissertar.
Ao construir a Torre de Babel, o homem quis desafiar o poder de Deus. Para interromper tamanha desobediência e ousadia, Deus confundiu a língua, isto é, a palavra entre os homens. Vê-se, portanto, que a palavra mestra, que une as pessoas e faz movimentar o mundo.
A gestação do texto é um tesouro escondido
sendo esculpido, por isso, precisa ser lapidado com a palavra certa. O autor ao
dominar e brincar com a palavra, transforma a arte de escrever em obra de arte,
trazendo o leitor para dentro do texto. A mente e o sentimento, viajam pela
história contada ou cantada.
Quantas vezes, o escritor joga fora o
rascunho do texto que não vingou. A inspiração não veio e a palavra se escondeu
atrás de frases inacabadas. Isso acontece, porque ele é um ourives detalhista
da palavra. Ele preza pela perfeição e nada pode apequenar a obra a ser
escrita.
A palavra é a alma do texto, por isso, deve
ser venerada. Ela é o formão do escritor, sem a qual, não consegue criar sua
obra, seja ela imortal ou não. Bendita é a palavra que enriquece o texto e a
comunicação entre os povos.
Desde muito cedo, eu me apaixonei pela
palavra e pela leitura. Sou eterno devorador de livros. Eu me entristeço,
quando vejo o aluno de hoje, sendo empurrado no ano escolar, com a chamada
“progressão continuada”, transformando-o em analfabeto com diploma. Não me
espanto, ao ver pessoas falando e escrevendo errado.
A língua portuguesa é a mais rica do mundo,
por isso, sou defensor de que ela seja a língua universal e não a inglesa. A
palavra, ao ser pronunciada, soa agradável aos nossos ouvidos, sendo que é uma
das razões pela qual, os turistas se apaixonam pela nossa pátria.
Ao se curvar, diante do imperialismo cultural
estrangeiro, o nosso país vai perdendo a sua identidade. Graças à Deus, temos
renomados escritores que, através de suas obras literárias, demonstram que ainda nem
tudo está perdido.
A palavra é a expressão viva da alma!
Peruíbe SP, 24 de
janeiro de 2026.
Um comentário:
Verdade, quando assistimos colocarem na Academia de Letras pessoas de cunho ideológico, inventando termos novos como amigue e etc... que percebemos a tentativa de enfraquecer nossa cultura...
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