Adão de Souza Ribeiro
Nos dias de hoje, fico estarrecido com a qualidade das músicas e das composições. Peço encarecidamente, que perdoem este meu desabafo. Eu confesso que não dá mais para segurar, tamanha é a decepção com os cantores e compositores da chamada modernidade.
As letras só falam de cama, desejo e sexo. As frases e palavras, tem dúbio sentido e cheias de malícia. Os artistas, homens e mulheres, sem qualquer talento, se escondem atrás dos recursos eletrônicos.
Para conquistarem o público, as mulheres vão além, pois, expõem as nádegas e os seios, além de danças eróticas, para camuflarem a ausência de talento. A voz dos pseudos artistas, são horríveis e parecem o som de taquara rachada. Quando murcha a bunda e os peitos, acaba o sucesso. Eu acho que para cantar é preciso, antes de tudo, ter dom. É bom que se diga, que dom não se fabrica.
A mídia massificadora, na busca desenfreada por audiência, cria artista de proveta, que em curto espaço de tempo, desaparecem para nunca mais. Eu poderia citar uma centena deles, porém, acredito que o leitor sabe de quem estou falando.
Como sou incurável saudosista, busquei recurso na internet, para assistir os grandes festivais da música popular brasileira, nos idos tempos de 1960 a 1969. Os mencionados festivais, transmitidos em preto e branco, eram realizados pela TV Record – Canal 7, de São Paulo.
Os festivais foram realizados nos teatros da emissora, ou seja, Central ( antigo Paramont), Brigadeiro e Augusta. A plateia vibrava com cada música exibida, as quais foram imortalizadas e, até hoje, são cantaroladas pelo povo.
Vários cantores já faleceram e os que estão vivos, continuam fazendo sucesso. Essa é a vantagem de não terem sido fabricados em proveta. O mercado fonográfico e musical de hoje, está carente de verdadeiros talentos.
Os festivais, foram realizados nos anos de 1960, 1966, 1967, 1968 e 1969. Nas eliminatórias, eram classificadas doze músicas para a grande final. Das doze selecionadas, apenas seis eram premiadas. Para os críticos, o melhor festival foi de 1967.
No III Festival de 1967, realizado no Teatro Record Centro, produzido por Solano Ribeiro, entrevistadores Real Junior e Cidinha Campos e apresentado por Blotta Junior e Sônia Ribeiro, foram premiadas as seguintes canções: 1º lugar – Ponteio, com Edu Lobo e Marilia Medalha; 2º lugar – Domingo no Parque, com Gilberto Gil e Os Mutantes; 3º lugar - Roda Viva, com Chico Buarque; 4º lugar - Alegria, Alegria, com Caetano Veloso; 5º lugar - Maria, Carnaval e Cinzas, com Roberto Carlos; 6º lugar – Gabriela, com MPB 4.
Elis recebeu o troféu Viola de Prata, de melhor intérprete, com a música “O Cantador”. Nara Leão recebeu o troféu de melhor letra, com a música “A estrada e o Violeiro”. Gilberto Gil recebeu o troféu Sabiá de Prata, de melhor arranjo, com a música “Domingo no Parque”; Edu Lobo, recebeu o troféu Viola de Ouro, como a melhor canção “Ponteio”,. Chico Buarque recebeu o troféu Sabiá de Prata.
Os seis festivais, consagraram cantores que, até hoje, são lembrados e admirados, a saber: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Elis Regina, Nara Leão, Nana Caymmi, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Jair Rodrigues, Sérgio Ricardo, Roberto Carlos, Gal Costa, Wilson Simonal, Demétrius, Ronie Von, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Jamelão, Erasmo Carlos, Maria Creuza, Maria Odete, Maysa, Paulinho Viola e Vanusa.
Não estou jogando confete num determinado canal de televisão. Apenas quero demonstrar como se constrói um festival com responsabilidade, com intuito de descobrir o talento de grandes artistas e canções. Não fabricar cantores de proveta, incubados com escopo de sucessos momentâneos, usando o corpo e letras inescrupulosas, desprovidas de mensagem cultural.
O maior e mais poderoso canal de televisão aberta do país, na busca insana por audiência, contamina os lares brasileiros, com programas de auditório de péssima qualidade. Além disso, usa as novelas com tramas onde valoriza o ódio, adultério, traição, ganância, violência, mentira, sexo, enfrentamento dos filhos contra os pais e toda sorte de atos negativos para sociedade.
Os programas e concursos musicais são de péssima qualidade e, por isso, não perduram por longo tempo. A população que é massa de manobra da política, também é manipulada pelos fabricantes de opinião pública. Os talentosos e verdadeiros cantores, aspirantes ao sucesso, continuam ignorados pela mídia sensacionalista.
É preciso saber, que meu ouvido não é pinico, onde querem depositar dejetos musicais da modernidade. A mídia, através da televisão, quer empurrar na minha goela abaixo, o lixo que produz sob o rótulo de cultura brasileira.
Peruíbe SP, 20 de janeiro de 2026.
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