sábado, 31 de janeiro de 2026

A CASA DAS PRIMAS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Em toda cidade tinha, inclusive, na minha adorada Terrinha. Lá as duas casas de madeira. ficavam afastadas da cidade e como o lugarejo era pequeno, localizavam bem no meio do mato. Ali, as mulheres de vida fácil, que de fácil não tinha nada, recebia os assíduos amigos/clientes.

                        Em cada casa, chamadas carinhosamente de casa das primas, moravam quatro moças. Até hoje, não entendo porque não eram chamadas de casa das irmãs. Penso que é porque poderiam ser confundidas com conventos.

                        Os varões, casados ou não, frequentavam aquele lugar considerado sagrado por eles. De tanto transitarem  por aquelas bandas, formou-se um carreador (trilha), chamado de caminho do desejo.

                        É de bom alvitre que se diga, que muitas vezes, os clientes/amigos não as procuravam só para saciaram suas lascívias e fantasias masculinas. Quando a esposa, vulgo dona encrenca, não lhes dava carinho ou atenção e, ao invés disso, reclamava sem motivo das coisas cotidianas, eles buscavam o colo das meninas sempre solicitas.

                        As primas não frequentavam o comércio, para efetuarem as compras, pois eram muito reservadas e discretas. Para isso, elas usavam os préstimos do Batucada, um negrão muito querido pelos moradores. Hoje não existe mais a casa das primas, porque as de agora, estão livres e transitando sem pudor pelas esquinas.

                      As casadas e descasadas nutriam verdadeira ojeriza àquelas moças que só proporcionavam afetos aos homens carentes da Terrinha. O que ora narro, são fatos que ouvia dizer da boca dos conterrâneos, porque na época eu era um simples e inocente menino.

                        De vez em quando os cabeças secas (policiais militares), faziam incursões por ali, com vistas a verificar a presença de cliente menor de idade. Não se tinha notícia de desavença entre adultos e. muito menos, entre esposas ultrajadas, a procura do esposo infiel, que estava pulando cerca alheia. Ali naquela Terrinha, cada um vivia e cuidava do seu quadrado.

                        A casa dispunha de sala, cozinha, banheiro e quartos para momentos íntimos entre as primas e os clientes carentes de chamego erótico. Na sala, havia uma iluminação fraca e uma vitrola executando música brega, para quem estava na fossa ou com dor de corno. Para agradar o amigo/cliente, a prima servia bebida (cerveja, rabo de galo ou whisky) com petisco.

                        Devidamente maquiada e vestida com roupa insinuante, a prima se portava atraente e pronta para a desejada guerra de sexo. Gerusa, a prima mais bonita e sensual, era muito disputada entre os frequentadores assíduos, daquele lugar sacrossanto, onde só reinava o amor e carinho.

                        As casadas, por não se conformarem com as virtudes das primas, chamam-nas pejorativamente de mariposas. E diziam que a casa delas era semelhante a Sodoma e Gomorra, onde reinava o pecado e a depravação. Já os frequentadores, chamavam de paraíso.

                        O alcaide, a fim de preservar a memória do lugar, deveria tombar como patrimônio histórico e sagrado da amada Terrinha, isso para deleite de todos os moradores. As primas seriam imortalizadas e lembradas por todos os honrados cidadãos, frequentadores ou não da Casa das Primas.

                        Batucada, eterno guardião das meninas, sentir-se-ia eternamente grato com tamanha homenagem, deferida a elas. Agindo assim, o alcaide não deixaria o lugar entrar no esquecimento. As primas, que tanto proporcionaram prazer e alegria aos varões, fossem doutores, barões do café ou não, seriam lembradas em datas festivas, realizadas na Terrinha.      

                           As primas eram a salvação das donas de casa, pois, quando os maridos saiam de lá, não chegavam em casa enfezados com a patroa, mais conhecida como dona encrenca. Eles chegavam em casa tranquilos e com o corpo aliviado. Mesmo que a esposa buzinasse (xingasse) no ouvido, ele simplesmente dizia: “Calma mulher e vê se me traz uma breja gelada.”

                        Salve as eternas primas da saudosa Terrinha. Amém!

 

Peruíbe SP, 31 de janeiro de 2026.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SEXO NA CABEÇA

 

Adão de Souza Ribeiro

E antes, que eu esqueça,

Vou contar um belo fato.

Vivo com sexo na cabeça.

Pois, sem ele, eu me mato.

 

Me diz um certo puritano,

Que isso é o maior pecado

E não há algo tão profano,

Isso é coisa dum recalcado.

 

Se o sexo fizesse tanto mal

Deus não o teria concebido

Existe até no reino animal,

Que maldade haverá nisso?

 

Multiplicar é o mais certo

Manda a sagrada escritura

Então, que importa o resto

Se o sexo é feito de ternura.

 

O corpo, ele apenas liberta

Depois do gozo e do prazer

Pessoa fica de boca aberta,

Feliz e não sabe o que fazer.

 

Quando acabar neste mundo

A terra perderá seu encanto.

Nela viverá só o moribundo

O simples eunuco, um tonto.

 

Peruíbe SP, 30 de janeiro de 2026.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O LOUCO

 

Adão de Souza Ribeiro

Não me chame de louco

Isso porque eu a desejo.

Ser louco é muito pouco

Fico quando eu lhe vejo.

 

Nem chame de maluco,

Isso porque eu a.venero.

Eu já ando meio caduco

De tanto que eu a quero.

 

Não me chame do bobo,

Se o bobo também ama.

E esse querer é um lobo

Que me devora na cama.

 

Não me chame de idiota

Se eu acredito na ilusão.

Ilusão adoça o coração,

Quando a pessoa gosta.

 

Não me chame de tolo,

Ser tolo será um elogio

Amor serve de consolo,

Coração aceita desafio.

 

Não me chame de pateta

Se pateta é quem divaga.

Eu serei um eterno poeta,

Aqui, em qualquer plaga.

 

Peruíbe SP, 28 de janeiro de 2026.

 

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

FILOSOFIA DO SEXO

 

Adão de Souza Ribeiro

Sexo é como um voo,

Deixa livre, que volto.

Se um corpo aprovou

Ele ancora num porto

 

A fantasia que precede

Desenha o meu prazer.

Se o corpo sente sede,

Ilusão dá o que beber.

 

Não pode haver limite,

Quando busca o ápice.

Desejo aceita o convite

Bebe no mesmo cálice.

 

Sem pudor é só entrega

Preconceito fica de lado

O ato não há mais regra,

Prazer só é feliz calado.

 

Quem disse que o sexo,

É algo tão pecaminoso.

Não há nada desconexo

Maldizer o algo gostoso.

 

O desejo arde em chama

Quando o prazer acerta.

Só no silêncio da cama,

Se vê que o sexo liberta.

 

Ele só embriaga o corpo

E deixa a alma mais leve.

Me faz sentir mais moço.

Eu sei que a vida é breve.

 

Peruíbe SP, 27 de janeiro de 2026.

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O MEU DESEJO

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu te desejei tantas vezes

Sonhei que eras só minha

Passei belos dias e meses,

Esperando a princesinha.

 

Acordei já de madrugada

Com o meu coração vazio

Sem meu calor da amada,

Tudo é triste e é um vazio.

 

Vida é feita de desventura

Ainda de tantos desacertos.

A felicidade é uma criatura

E que guarda mil segredos.

 

Eu não nasci para viver só

Nasci para ser muito feliz.

É como dizia a minha avó:

Amor é arisco como perdiz.

 

Não sei se tu foges de mim

Apenar por mero capricho.

Mas queres que seja assim,

Então, amor, e aqui desisto.

 

Sempre foi o maior desejo,

Tê-la ao meu lado comigo.

Pois assim que eu me vejo

Ser este teu melhor abrigo.

 

Peruíbe SP, 26 de janeiro de 2026.

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

A PALAVRA

 

Adão de Souza Ribeiro

                        A escola ensina ler e escrever. Ela dá ao aluno o entendimento para identificar cada letra, cada palavra e cada frase. Mas isso não é o suficiente para pessoa compreender o valor e a força que tem cada palavra, numa conversa ou num texto.

                        Este discernimento, só é adquirido ao longo da vida. O uso cotidiano da fala e da escrita, vai moldando o conhecimento, como se fosse a bigorna forjando o entendimento e, também, a guilhotina aparando as arestas do que não encaixa com a realidade do pensamento.

                        Não é por acaso, que o literato fica por horas a fio, debruçado sobre a palavra, que melhor traduz o que pensa e sente. A palavra tem que encaixar como uma luva, no entendimento do leitor. Se mal encaixada, contamina a compreensão e a beleza do texto. O escritor pode perder a confiabilidade e respeito do leitor.

                        Somados ao dom, o estudo da gramática e a técnica de redação, ajudam sobremaneira, na elaboração do texto, seja ele técnico ou artístico. Mas só o domínio e compreensão da força da palavra, que dão a beleza e a leveza do texto, que se pretende transmitir.

                        O assíduo leitor, não faz ideia do tanto de suor, que o escritor derrama, na busca pela perfeição da mensagem a ser transmitida. Ele escreve, lê, rele, rascunha, corrige e faz a própria auto crítica. Ao publicar, precisa estar convicto de que gerou um lindo filho, sem qualquer defeito. Ele sabe que a crítica não perdoa deslizes.

                        O texto, principalmente, o literário, procura expor o lugar, a vivência, os fatos reais ou pitorescos e os costumes por onde o autor transitou, mesmo que seja nas entrelinhas. Ele descreve os sentimentos de alegria, tristeza, angústia, esperança, sonhos, lutas, decepções e etc. 

                        Tenha cuidado com a palavra, pois, depois que solta, não se alcança, nem mesmo a galope. Por isso, policia cada palavra que escreve ou diz. Certa feita, disse Olavo de Carvalho: “O que não está no seu vocabulário, não está na sua consciência, mas isso não significa que não esteja na sua existência.”

                        A palavra tem uma força tremenda, pois, veja o que disse Deus: “A tua palavra é lâmpada que ilumina meus passos e luz que clareia o meu caminho.” (Salmo 119:105). Por isso, o literato se preocupa em lapidar cada palavra inserida no texto, a fim de que ela não deturpe o assunto, que se pretende dissertar.

                                Ao construir a Torre de Babel, o homem quis desafiar o poder de Deus. Para interromper tamanha desobediência e ousadia, Deus confundiu a língua, isto é, a palavra entre os homens. Vê-se, portanto, que a palavra mestra, que une as pessoas e faz movimentar o mundo.

                        A gestação do texto é um tesouro escondido sendo esculpido, por isso, precisa ser lapidado com a palavra certa. O autor ao dominar e brincar com a palavra, transforma a arte de escrever em obra de arte, trazendo o leitor para dentro do texto. A mente e o sentimento, viajam pela história contada ou cantada.

                        Quantas vezes, o escritor joga fora o rascunho do texto que não vingou. A inspiração não veio e a palavra se escondeu atrás de frases inacabadas. Isso acontece, porque ele é um ourives detalhista da palavra. Ele preza pela perfeição e nada pode apequenar a obra a ser escrita.

                        A palavra é a alma do texto, por isso, deve ser venerada. Ela é o formão do escritor, sem a qual, não consegue criar sua obra, seja ela imortal ou não. Bendita é a palavra que enriquece o texto e a comunicação entre os povos.    

                        Desde muito cedo, eu me apaixonei pela palavra e pela leitura. Sou eterno devorador de livros. Eu me entristeço, quando vejo o aluno de hoje, sendo empurrado no ano escolar, com a chamada “progressão continuada”, transformando-o em analfabeto com diploma. Não me espanto, ao ver pessoas falando e escrevendo errado.

                        A língua portuguesa é a mais rica do mundo, por isso, sou defensor de que ela seja a língua universal e não a inglesa. A palavra, ao ser pronunciada, soa agradável aos nossos ouvidos, sendo que é uma das razões pela qual, os turistas se apaixonam pela nossa pátria.  

                        Ao se curvar, diante do imperialismo cultural estrangeiro, o nosso país vai perdendo a sua identidade. Graças à Deus, temos renomados escritores que, através de suas obras literárias, demonstram que ainda nem tudo está perdido.

                        A palavra é a expressão viva da alma!

 

Peruíbe SP, 24 de janeiro de 2026.

MINHA TERRA

 

Adão de Souza Ribeiro

Bendita é a minha terra

Que feliz me concebeu.

Quanto amor se encerra.

No peito dum filho teu.

 

E quanta saudade me traz,

A aurora daquela infância.

De certo tempo tão fulgaz,

Que se perdeu na distância.

 

Terra, o meu lugar bendito.

Que, um dia, me viu crescer

Não há o lugar mais bonito,

O amanhecer e o entardecer

 

Plantação linda e verdejante

Rua caminha nua e descalça.

Sei, nada é igual como antes

A saudade fica e a vida passa.

 

Sei, tu és a mais bela princesa

E por aqui, outra igual não há.

Defende o filho como tigresa,

Tu és santa onde o amor está.

 

Cidade bela, de tantos amores

Guaimbê, eu amo para sempre

Tu não sabes das minhas dores

Que o meu triste coração sente.

 

Peruíbe SP, 25 de janeiro de 2026.

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

O RECOMEÇO

 

Adão de Souza Ribeiro

É preciso recomeçar sempre,

Não desistir no meio caminho

Acreditar que mesmo sozinho

Com a pedra é que se aprende

 

Vida é feita de grande desafio

Não tema qualquer obstáculo.

Faça do choro um espetáculo

Como a água que corre o rio.

 

Confia que você é bem capaz,

Assim se constrói o vencedor.

Que ganha corrida com a dor,

Corra e jamais olha para trás.

 

Desafia com força seu rival,

E encara de frente essa luta.

Determinação é força bruta

Mostra que tem o potencial.

Determinação é força bruta

 

O mundo não tolera covarde,

Não existe lugar ao fracasso.

Se o vencedor ganha abraço.

Vá à luta, que não seja tarde

 

A sua vitória não tem preço

A recompensa é seu troféu.

Só quem vence ganha o céu

Por isso existe um recomeço.

 

Peruíbe SP, 24 de janeiro de 2026.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

APESAR DE VOCÊ

 

Adão de Souza Ribeiro

Apesar de você, estou vivo

Posso amar e viver em paz.

Mas se eu correr um risco,

Para mim, amor, tanto faz.

 

Sonho com o belo amanhã

Jamais perderei esperança.

Eu vou vencer a montanha

Não esmoreço na andança.

 

Eu sou vencedor, não temo

E conquistarei outro mundo

Já desafiei com o meu remo

Tempestade e mar profundo.

 

Já este meu corpo franzino,

Tem a força de um elefante.

Esconde a bravura de felino

Não foge de nenhum gigante

 

Apesar de você só me ignorar

Eu vou acreditar na felicidade

Que mesmo à noite tem o luar

E para ser feliz, nunca é tarde!

 

Peruíbe SP, 23 de janeiro de 2026.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PARA AMAR

 

Adão de Souza Ribeiro

Quem ama não sufoca,

E deixa o coração livre

Não briga, nem apossa

Sei, assim que se vive.

 

Quem ama não manda,

Se amor não tem dono

Espera feliz na varanda

Mesmo que dure o ano.

 

Quem ama não prende,

Como ave numa gaiola

Tão livre como duende

Volta a qualquer hora.

 

Quem ama não se isola

Não foge com desculpa

E com carinho consola,

Abraça, beija e faz jura

 

Cuida suporta e aguenta

Com amor segue a trilha

Na estrada dos noventa.

É uma estrela que brilha.

 

Amar precisa de entrega

Ele exige renúncia total.

Não escolhe é ave cega,

Pode afugentar todo mal.

Peruíbe SP, 22 de janeiro de 2026.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

VISITA INDESEJADA

 

Adão de Souza Ribeiro

Vou fechar minha porta

Quando a morte chegar.

Eu mudarei minha rota

Fugirei para outro lugar.

 

Sou mais forte do que ela

E nasci pra ser muito feliz

Observo a vida pela janela

Não arrependo do que fiz.

 

Se ela chegar toda sorrateira

Para me fazer uma surpresa,

Saio em desabalada carreira

Para não ser cobiçada presa.

 

Se vier disfarçada de fêmea

Para enganar o meu coração

Sei livrar de todo problema

Eu não sou bobo e vou não.  

 

Minha janela também fecho,

Não perco tempo apago a luz

Mas com fé rezo, o meu terço

Em silêncio faço sinal da cruz.

 

Por favor, procura outra casa,

Vá buscar uma outra paragem

E esta surpresa não tem graça

Obrigado, eu estou de viagem.

Peruíbe SP, 21 de janeiro de 2026.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

DESABAFO SINCERO

                                                                                                                                Adão de Souza Ribeiro

               Nos dias de hoje, fico estarrecido com a qualidade das músicas e das composições. Peço encarecidamente, que perdoem este meu desabafo. Eu confesso que não dá mais para segurar, tamanha é a decepção com os cantores e compositores da chamada modernidade.

                   As letras só falam de cama, desejo e sexo. As frases e palavras, tem dúbio sentido e cheias de malícia. Os artistas, homens e mulheres, sem qualquer talento, se escondem atrás dos recursos eletrônicos.

                 Para conquistarem o público, as mulheres vão além, pois, expõem as nádegas e os seios, além de danças eróticas, para camuflarem a ausência de talento. A voz dos pseudos artistas, são horríveis e parecem o som de taquara rachada. Quando murcha a bunda e os peitos, acaba o sucesso. Eu acho que para cantar é preciso, antes de tudo, ter dom. É bom que se diga, que dom não se fabrica.

                    A mídia massificadora, na busca desenfreada por audiência, cria artista de proveta, que em curto espaço de tempo, desaparecem para nunca mais. Eu poderia citar uma centena deles, porém, acredito que o leitor sabe de quem estou falando.

                  Como sou incurável saudosista, busquei recurso na internet, para assistir os grandes festivais da música popular brasileira, nos idos tempos de 1960 a 1969. Os mencionados festivais, transmitidos em preto e branco, eram realizados pela TV Record – Canal 7, de São Paulo.

                   Os festivais foram realizados nos teatros da emissora, ou seja, Central ( antigo Paramont), Brigadeiro e Augusta. A plateia vibrava com cada música exibida, as quais foram imortalizadas e, até hoje, são cantaroladas pelo povo.

               Vários cantores já faleceram e os que estão vivos, continuam fazendo sucesso. Essa é a vantagem de não terem sido fabricados em proveta. O mercado fonográfico e musical de hoje, está carente de verdadeiros talentos.

                 Os festivais, foram realizados nos anos de 1960, 1966, 1967, 1968 e 1969. Nas eliminatórias, eram classificadas doze músicas para a grande final. Das doze selecionadas, apenas seis eram premiadas. Para os críticos, o melhor festival foi de 1967.

                     No III Festival de 1967, realizado no Teatro Record Centro, produzido por Solano Ribeiro, entrevistadores Real Junior e Cidinha Campos e apresentado por Blotta Junior e Sônia Ribeiro, foram premiadas as seguintes canções: 1º lugar – Ponteio, com Edu Lobo e Marilia Medalha; 2º lugar – Domingo no Parque, com Gilberto Gil e Os Mutantes; 3º lugar - Roda Viva, com Chico Buarque; 4º lugar - Alegria, Alegria, com Caetano Veloso; 5º lugar - Maria, Carnaval e Cinzas, com Roberto Carlos; 6º lugar – Gabriela, com MPB 4.

                   Elis recebeu o troféu Viola de Prata, de melhor intérprete, com a música “O Cantador”. Nara Leão recebeu o troféu de melhor letra, com a música “A estrada e o Violeiro”. Gilberto Gil recebeu o troféu Sabiá de Prata, de melhor arranjo, com a música “Domingo no Parque”; Edu Lobo, recebeu o troféu Viola de Ouro, como a melhor canção “Ponteio”,. Chico Buarque recebeu o troféu Sabiá de Prata.

                   Os seis festivais, consagraram cantores que, até hoje, são lembrados e admirados, a saber: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Elis Regina, Nara Leão, Nana Caymmi, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Jair Rodrigues, Sérgio Ricardo, Roberto Carlos, Gal Costa, Wilson Simonal, Demétrius, Ronie Von, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Jamelão, Erasmo Carlos, Maria Creuza, Maria Odete, Maysa, Paulinho Viola e Vanusa.  

                     Não estou jogando confete num determinado canal de televisão. Apenas quero demonstrar como se constrói um festival com responsabilidade, com intuito de descobrir o talento de grandes artistas e canções. Não fabricar cantores de proveta, incubados com escopo de sucessos momentâneos, usando o corpo e letras inescrupulosas, desprovidas de mensagem cultural.   

                     O maior e mais poderoso canal de televisão aberta do país, na busca insana por audiência, contamina os lares brasileiros, com programas de auditório de péssima qualidade. Além disso, usa as novelas com tramas onde valoriza o ódio, adultério, traição, ganância, violência, mentira, sexo, enfrentamento dos filhos contra os pais e toda sorte de atos negativos para sociedade.

                    Os programas e concursos musicais são de péssima qualidade e, por isso, não perduram por longo tempo. A população que é massa de manobra da política, também é manipulada pelos fabricantes de opinião pública. Os talentosos e verdadeiros cantores, aspirantes ao sucesso, continuam ignorados pela mídia sensacionalista.

                      É preciso saber, que meu ouvido não é pinico, onde querem depositar dejetos musicais da modernidade. A mídia, através da televisão, quer empurrar na minha goela abaixo, o lixo que produz sob o rótulo de cultura brasileira.   

 

Peruíbe SP, 20 de janeiro de 2026.

 

sábado, 17 de janeiro de 2026

MUDAR DE IDEIA

 

Adão de Souza Ribeiro

Não vou atrás de você

E mendigar um abraço

Nunca mais vou sofrer

Pois é melhor, eu acho

 

Não morrerei de sede

Se você não me beijar

Não vou ser um tapete

Para você só me pisar.

 

Vou ouvir minha voz

E antes que seja tarde

Se eu me sentir tão só

Que Deus me guarde.

 

Só você neste mundo

Eu sei que que não há

O coração vagabundo,

Sabe aonde encontrar.

 

E vai terminar sozinha

Se não mudar de ideia.

Quando for à tardinha,

Amor se vai, vira areia.

Peruíbe SP, 17 de janeiro de 2026.

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

CASO SOBRENATURAL

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Há crença e a descrença.

                        Assim como há o dia e a noite, o sol e a lua, o crente e o ateu, o amor e o ódio, o belo e o feio, o rico e o pobre, o branco e o negro, o macho e o baitola, sendo que as dualidades da vida é que tornam o mundo cada dia mais maravilhoso, surpreendente e mágico.

                        Nunca me atrevi questionar a diferença das coisas existentes. Jamais debati sobre o gosto pessoal, religião ou futebol. Ao longo da vida, aprendi que todos são livres para pensarem e agirem de acordo com suas convicções pessoais. Se todos gostassem do verde, o que seria do amarelo?

                        Bem, esse preâmbulo é apenas o prato de entrada, para que eu possa começar a narrar um causo, que assucedeu lá pelas bandas da minha Terrinha. Por se tratar de um causo, o narrador não tem a obrigação de comprovar a veracidade do acontecido. Cabe ao assíduo leitor dar crédito ou não.

                        Lá na Terrinha morava uma família, isto é, Salustiano, Armelinda e o filho Casemiro. O varão era taxista e trabalhava com a VW-Kombi, sendo que a varoa era confeiteira.  Já o filho, nascera com paralisia cerebral severa, nível 5 e, por isso, se locomovia arrastando pelo chão.

                        O rapaz, por ser portador de necessidades especiais, tinha a voz inteligível, que só os genitores entendiam. A família era modesta e extremamente querida por todos os conterrâneos. Eles eram religiosos e tinham uma crença fervorosa na padroeira do lugar.  

                        Por serem provincianas e humildes, as pessoas do lugarejo acreditavam em tudo que ouvia. Por exemplo, acreditavam em assombração, lobisomem, disco voador, espírito sofredor, macumba, premunição e por aí se vai.

                        Os idosos, eram muito reservados e, por isso, não gostavam de falar sobre determinados assuntos, principalmente, aqueles que eram contra seus princípios morais ou religiosos. Evitavam comentar sobre aquilo que não compreendiam.

                        Certa feita, Salustiano foi contratado para fazer uma viagem até a cidade de Ribeirão Preto SP. Em razão disso, só voltaria no dia seguinte. Portanto a esposa e o filho, passariam a noite sozinhos e pelo fato de a cidade ser tranquila, o varão não se preocupou.

                        Tudo transcorria na mais Santa Paz. Aqui e acolá, só se ouvia o latido dos cachorros na rua, o chirriar da coruja no alto da cumeeira e o barulho dos galhos da árvore, balançando com o vento e a conversa de pessoas indo ou voltando dos bailes.

                        De repente, a monotonia e o silêncio da madrugada, isso por volta das duas horas, foi interrompido pelos gritos desesperados de dona Armelinda, vindos do interior da casa. Enquanto ela gritava e pedia socorro, misturado com o choro do rapaz, ouvia-se forte barulho de coisas caindo no interior do imóvel.

                        A vizinhança despertou apavorada. A especulação era geral sobre o que estava acontecendo. Quem estava do lado de fora da casa, notou que pareciam louças e alumínios sendo lançados bruscamente no chão. Havia um espírito maligno atormentando a família? Algo sobrenatural estaria se manifestando na escuridão do lar, daquela família tão apegada a Deus?    

                        Os gritos ensurdecedores e o barulho de objetos caindo, despertaram as pessoas, que se aglomeraram defronte a casa. Algumas mulheres começaram a rezar, como que querendo exorcizar algum espírito maligno. Como agir, pois, duas pessoas indefesas e mercê da sorte, corriam risco de morte.

                        Meu pai que era vizinho e meu tio, que morava do outro lado da rua, decidiram arrombar a janela do quarto, para encarar o mal de frente. Tudo estava escuro como um verdadeiro breu. Meu pai e meu tio, depois de solucionado o problema, narraram que a cena era aterrorizante.   

                        Um dos dois resolveu, ainda no escuro, abrir a porta da cozinha. Naquele momento, viram um vulto passar entre eles, em desabalada carreira, embrenhando na escuridão do quintal. Segundo eles, foi então que viram que se tratava de um gato enfurecido.  

                        Ao ascenderem a lâmpada, notaram que a casa estava toda revirada, com objetos quebrados no chão e armários tombados. A cena era de guerra e de destruição. Dona Armelinda, ao fechar a casa, não notou a presença do felino. De madrugada, ao tentar sair e não encontrando uma brecha para fuga, enfureceu.

                        É preciso entender, que gato é da família dos felinos,  tais como: tigre, lince, caracal, serval, guepardo, jaguarundi, leão, o leopardo, a pantera e a jaguatirica. Eles têm comportamento violento e traiçoeiro, principalmente, quando se sentem acuados. Não se sabe o porquê das pessoas quererem humanizar os bichos. Humano é humano e animal é animal.      

                        Até hoje, não sai da memória o causo (história), que agora ouso narrar. Com muita bravura e atitude humanitária, o meu pai e meu tio, conseguiram desvendar aquele caso sobrenatural ou vindo do outro mundo. Isso a NASA não mostra!

                                Pronto, contei e acreditem se quiserem.

 

Peruíbe SP. 16 de janeiro de 2026.

domingo, 11 de janeiro de 2026

RECORDAÇÕES NOSTÁLGICAS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        O relógio da vida não volta no tempo. Esse é o lado mais triste da história e, por isso, só nos resta a recordação. Ao debruçarmos na janela do passado, expiamos a paisagem encantadora da vida, que desenhou e encantou toda a nossa vida.

                        A retina dos nossos olhos, vislumbra além do horizonte, a imagem inocente da infância, onde tudo era permitido, principalmente, brincar de ser criança. Nós fazíamos peraltices até o anoitecer. A cidade era pequena e a maldade do progresso não existia e, portanto, não havia contaminado as pessoas.

                        O povo caminhava tranquilamente pelas ruas descalças e empoeiradas. Os poucos carros que existiam, eram ximbicas e o único ônibus, era chamado de jardineira. O transporte era feito de carroça ou charrete. Os roceiros, quando faziam compras semanais na cidade, andavam a cavalo.

                        A nossa mãe cozia todo alimento no fogão a lenha e assava o pão no forno, construído no quintal. As saladas chicória, rúcula, lentilha, beterraba, brócolis, rabanete, espinafre, de alface, acelga, pepino, tomate, agrião, nabo, almeirão, bem como, refogados de berinjela, maxixe, quiabo, repolho, abobrinha, chuchu, couve, cenoura, cambuquira, dentre tantas outras, era rotina na mesa.

                        O café em grão, era torrado no torrador, num fogão a lenha improvisado no quintal. Depois com o moinho preso no canto da mesa, era todo moído. Em seguida, era coado no coador de pano, que era preso na “mariquinha”. O sabor era incomparável.

                        O leite preparado pela nossa mãe, era fornecido pelo seo Hermininho, o leiteiro que, em todas as manhãs, deixava na porta de casa. De vez em quando, para complementar o café da manhã, era servido cuscuz de carne seca, pamonha de milho verde, mandioca frita na manteiga, batata doce, bolinho de chuva, pão de alho, pão de torresmo e outros tantos quitutes caseiros, feitos com carinho.

                      A carne comprada no açougue do Davi Ansanelli, vinha do gado abatido no matadouro municipal. O mencionado matadouro, foi imortalizado na crônica "O último mugido".  

                       Num pequeno engenho, era moída a cana, de onde bebíamos a garapa. De vez em quando, nosso pai apanhava um porco do chiqueiro, matava-o e tirava a carne e a banha. Uma penosa (galinha) era sacrificada para o almoço de domingo. O alimento era todo natural. Nada continha de conservante ou hormônio.

                        A molecada subia nos pés de árvores, para colherem mexerica, tangerina, poncã, jambolão, coco, jaca, carambola, abiu, manga, abacate, laranja, goiaba, imbu, jabuticaba, uva e tantas outras frutas. Eles caiam ao pisarem em galhos pobres, mas isso era de somenos importância. Tudo era festa... tudo era farra... tudo era alegria.

                        O nosso avô esfarelava o fumo de corda, enrolava numa palha seca de milho e, por um longo tempo, ficava pitando (fumando) e tomando um gole de cachaça. O Duque – o cachorro de estimação -, ficava deitado ao lado do avô, apenas abanando o rabo. A vida não tinha um pingo de pressa.

                        O rádio de madeira, que funcionava a válvula, ficava em cima da cristaleira, tocando música forró nordestino, sertaneja raiz, romântica, pagode, ie ie ie, MPB, rock nacional, samba, bolero, jovem guarda, popular ou brega. As letras eram bem escritas e os ritmos agradáveis aos ouvidos dos mortais cidadãos. Não era como o lixo musical de hoje. Credo!

                        A nossa avó, uma senhora muito religiosa, tinha um altar no canto da sala. Ao pé da santa de devoção, havia o copo d´água, vela, hinário e o terço. Toda tarde, ela fazia uma oração, rezava o terço, o Pai Nosso, a Ave Maria e a Salve Rainha. Era o ritual sagrado, que demonstrava a sua fé inabalável em Deus. Encantávamos com tudo aquilo.

                        A molecada, juntava uma turminha para caçarem passarinho no mato. Para isso, levavam uma gaiola e atrelado a ela um alçapão. Na gaiola estava um pássaro, que servia de chama (chamativo) para atrair o pássaro incauto. Dentro do alçapão havia alpiste que também servia de isca. Quando a ave caia na armadilha, a alegria era geral.

                        Na cidade, sempre havia quermesse, folia de reis, desfile da independência, baile de carnaval, procissão da padroeira, roda de violeiros, festa de Cosme e Damião, futebol aos domingos, terreno baldio, onde se jogava bola feita de meia, bem como, festas natalinas. Vez ou outra, aparecia um parque de diversão, circo de espetáculo ou de rodeio. Não se ouvia falar em briga, por isso, a Cadeia Pública estava sempre vazia.  

                              Todas manhãs um caminhão, conhecido por pau-de-arara,  apanhava os trabalhadores rurais, chamados de boia-fria e levava para o sítio, a fim de colherem arroz, feijão, milho, café, amendoim, cana  e etc. As traias do trabalhador eram:: a enxada, o gadanho (rastelo), a moringa, o imborná contendo a marmita, garfo, faca, colher e fruta. No final da tarde, trazia as pessoas de volta a cidade, estando todas suadas e cansadas.

                        Na praça da igreja matriz, com jardim bem cuidado pelo jardineiro “João Caga Sebo”, as pessoas se juntavam a noite e os jovens flertavam entre si. A beleza do lugar, era admirado pelos moradores e visitantes. O jardineiro não deixava as pessoas colocarem os pés no banco. A praça sempre foi usada para eventos festivos e, por isso, era orgulho dos cidadãos.

                        Nas noites enluaradas, sentávamos na calçada e ficávamos ouvindo longas estórias contadas pelos nossos pais e avôs. Longas estórias de lobisomem, mula sem cabeça, saci Pererê, negrinho do pastoreio, Iara – mãe d´água e por aí se vai. Depois de tantas estórias de assombração, difícil era dormir à noite.

                        Na cidade, tínhamos o armazém do Takada, do David, do Achiles e dos Miotelos. Também tínhamos o bar do Mori, do Anami, do Toshio, do Otávio, o bar Pague Menos do Valdemar, do João Menino, o bazar da Valda, o salão de beleza da Ondina, o bazar do Alvino e o bar e bazar do Iwai. 

                              Não podemos esquecer da marcenaria do Dionísio Valenciano, da Sapataria Central, da Casa Aliança, da farmácia do Zeca, da Pensão Central, do açougue do David Ansanelli, da loja do Armando Abrahão e da loja do Nego Abrahão, do bazar do Arlindo, da Sapataria Gramostin do João, do Cartório de Notas do Benedito Valenciano, da quitanda do Josias Menino, da Casa Esperança, da barbearia do João Siqueira, da padaria do Onofre, da alfaiataria do Flávio Zanelato,.

                              Também é saudoso lembrar do Banco Bradesco, da oficina do Balbino e da oficina do Urbano, do grupo escolar “José Belmiro Rocha”, do Ginásio Estadual de Guaimbê, da loja de móveis do Ademir Souza e Silva, do Auto Posto Sanda, da Casa da Agricultura, do Centro Comunitário, da Cooperativa Agrícola “Sul Brasil”, da barraca do padre, da granja do Joaquim, da fábrica de calçados Helvetia, do cinema, da casa paroquial, da Casa Brasileira, do coreto na praça matriz, da Prefeitura, da Câmara, do cemitério,  e do IPPH.

                             Ainda continua na nossa retina, o clube de baile, a Coletoria Estadual, a clínica dentária do Rubens, a clínica dentária do Jorge Gemeinder, o fotógrafo Oshikata, o campo de futebol, a Delegacia de Polícia, a construção da maternidade, a CPFL - companhia de energia, a Central Telefônica. o ponto de taxi (esquina da Rua Duque de Caxias com Rua Rui Barbosa), o almoxarifado da Prefeitura, da chácara Jirsick, a chácara Helvetia, contabilidade do Adelson e da Escola Agrícola.

                                Por fim, tínhamos o Correio, a Igreja Anglicana, a Igreja Católica, a selaria do Toledo, a máquina de beneficiamento do Loosli, a oficina do Shiguero Takano, os bustos dos fundadores da cidade, a caixa d´água - saída para Júlio Mesquita SP, o Matadouro Municipal, a chácara Helvetia e a casa das primas (prostíbulo). Lembranças...só lembranças!      

                                    Na cidade, quando faltava energia, a casa era iluminada com vela ou lamparina, a base de querosene. Recordamos que havia um ritual na lavagem de roupa, a qual era feito na mão. Depois de quarar sobre a grama e secar no varal, era passada com ferro à brasa. Tudo era feito de forma muito rudimentar.

                                      Os cidadãos que nasceram no idos anos, entre 1960 e 1970, lembram do início do calçamento da cidade, cuja primeira fileira de paralelepípedos (sextavado), fora assentada defronte a Igreja Anglicana,  Com certeza, também lembram do início do calçamento da praça da Igreja Matriz. Nessa linha de saudade, lembram da torre de madeira, que ficava ao lado da igreja e sustentava o sino de bronze. 

                                    Quando as pessoas ficavam doentes, eram tratadas com ervas caseiras, tais como: dente-de-leão, alfavaca, alcachofra, canela, carqueja, melão-de-são-caetano, ginseng, cúrcuma, pata-de-vaca, quebra-pedra, moringa,  mastruz, beldroega, hortelã, poejo, losna, erva cidreira, capim santo, arruda, sabugosa, alecrim, limão, folha de laranja, camomila, tomilho, capim-limão, erva-doce, lavanda, sálvia, gengibre, jasmim, boldo, menta, malva, manjericão, etc. Também recorriam as benzedeiras, que eram duas no lugarejo. Os remédios químicos, chamados de drogas, eram pouco usados.   .

                                  As mulheres gestantes, quando do parto, eram atendidas a domicilio, pela zelosa parteira. Nos primeiros meses, isto é, durante a quarentena, chamada de resguardo, não lavavam a cabeça, não pegavam peso, não subiam escada, não andavam descalças e não saiam no vento. Elas eram alimentadas com comidas fortes, a saber: curau, pirão, mingau, etc. Inicialmente, os bebês era alimentados com leite materno, por isso, cresciam robustos.                            

                                    Se as mulheres ao amamentar o filho, tinham pouco leite, então usava chá de erva-doce ou feno grego, para aumentar a lactação. Para limparem o útero, tomavam água inglesa. Hoje as mulheres não se cuidam, haja vista,  que no outro dia após o parto, já estão frequentando bailes, tomando bebida alcoólica e comendo de tudo, sem cuidar do corpo. Por isso, envelhecem antes dos trinta anos.    

                             Se a tempestade chegava com forte ventania, relâmpago, trovoada e granizo, nossos pais apanhavam o ramo bento, adquirido na semana santa e jogava no terreiro, acompanhado de orações. O espelho era coberto com lençol, para não atrair raio. Esse ritual religioso, era para acalmar e cessar a fúria da natureza. Passado um tempo, o céu se acalmava. No fim da tempestade, o silêncio era ensurdecedor.

                                     As crianças e adolescentes, tinham um respeito enorme  com os pais, professores e pessoas mais velhas, pois tratavam de senhor ou senhora. Jamais os chamavam de você. Esta é a razão pela qual dizem: "Educação vem de berço". A escola ensina o conhecimento, porém, cabe aos pais, dar a educação.

                                      Ao dormirem e acordarem, pediam benção aos genitores. Se houvessem visitas na sala, as crianças não transitavam na frente das pessoas e não interrompiam a conversa. Bastava o olhar dos pais, para entenderem que estavam errados. 

                                 São tantas coisas, que aconteciam no passado e que nos levam as recordações nostálgicas. No espaço de uma dissertação, torna-se difícil enumerar todas elas. A infância e juventude de hoje, que ficam enfurnadas dentro de casa, reféns de aparelhos eletrônicos, não terão histórias para contarem a posteridade, ou seja, aos seus filhos e netos. Lamentável!                                                                  

Peruíbe SP, 11 de janeiro de 2026.