segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O COICE DA VIDA

 

Adão de Souza Ribeiro

Já não andam meus pés

E a mão que não acena.

Por onde anda minha fé

São tanta luta e dilema.

 

Olhar que insiste em ver

A coisa simples da vida.

E olhar o sol amanhecer,

A beleza que a luz abriga.

 

E o sonho que adormece

No colo tão vazio da dor.

Se o corpo faz sua prece,

Que espera ver uma flor.

 

Corpo desafia o mistério

Aprende a viver sozinho

Pois se nada é tão sério,

Amanhã é só o cantinho.

 

O inesperado dá o coice

E sem qualquer piedade

Mutila a voz como foice,

Não respeita nem a idade.

 

Peruíbe SP, 03 de novembro de 2025.

 

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