sexta-feira, 28 de novembro de 2025

A TERRA SANTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Lá na minha terra

Ninguém se mata

Nunca tem guerra

O amor que basta.

 

E lá não tem fome,

Nunca falta o pão.

Alegria tem nome

Vem lá do coração.

 

Não tem a doença,

Nem a tal ganância

Só povo que pensa

Na sua vizinhança.

 

Não tem a tragédia,

Vinda pela natureza

Ela passa uma légua

Só paz, com certeza.

 

A terra do noroeste,

É a benção de Deus.

O coração agradece,

Eu sou um filho seu.

 

Peruíbe SP, 28 de novembro de 2025.

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

QUEM FOI?

 

Adão de Souza Ribeiro

E quem inventou,

Esse tal de desejo.

Não sabe o medo,

Que já me causou.

 

Então fui seduzido

E fiquei amarrado.

Sou pobre coitado,

Sair já não consigo

 

Eu quero ser livre,

Para poder só voar

E se afogar no mar

Sofrer que me livre

 

Desejo não é prisão,

Ele é apenas utopia.

Quem amou um dia,

Vê que tenho razão.

 

Quem foi, me diga,

Tira desse tormento.

Tal luta não aguento

E quero paz na vida.

 

Peruíbe SP, 27 de novembro de 2025.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

DANE BOIADEIRA

 

Adão de Souza Ribeiro

Cedo, logo ao amanhecer

Ouço a voz tão sedutora.

E vem da Rádio Renascer

É voz da querida locutora.

 

Ela domina seu programa

Como um animal no brete

Por isso, seu ouvinte gama

É hábil e não perde o frete

 

O estúdio é feito picadeiro

O microfone é a sua rédea.

A alegria do mundo inteiro

Viaja ali contigo na boleia.

 

Em cada música sertaneja

Que ela dedica ao ouvinte

Faz com tanta delicadeza

Cheio de amor e requinte

 

Bem na terra de Guaimbê,

Que o ouvinte não engane.

E eu vou contar para você

É chamada boiadeira Dane.

 

Peruíbe SP, 26 de novembro de 2025.

 

 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

ESSA LOUCURA

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu não sei o porquê,

Essa minha loucura.

De tanto te querer,

Será que tem cura?

 

Isso não se explica

Alma não aguenta.

É uma eterna briga

Sofrer morte lenta.

 

Por que te venero,

Se tem uma saída.

Mostra, eu espero.

Algo além da vida.

 

Eu sou o sonhador

E por isso, escrevo

És a mais linda flor

Eu sou o teu servo.

 

Tu vives em mim,

Toma a tua posse.

Ainda não é o fim

E te perder, nossa!

 

Peruíbe SP, 25 de novembro 2025.

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

O CHAMEGO

 

Adão de Souza Ribeiro

Amamos a noite toda

E no toque de manhã

Sabor na minha boca

Doce gosto de maçã.

 

Momento de loucura

No beijo e no abraço

Entre as tantas juras,

Amor queria espaço.

 

E já rompe a aurora,

Espera é muito cedo.

Fica, não vá embora

Pedia mais chamego.

 

Fogo que ainda arde

Pelo seu lindo corpo

Pede que eu aguarde

Só domar seu dorso.

 

Lá fora a chuva fina,

Canta a canção amor

Se esta noite termina

Eu vou onde você for!

 

Peruíbe SP, 24 de novembro de 2025.

 

domingo, 23 de novembro de 2025

POBRE MENINA

 

Adão de Souza Ribeiro

Aquela pobre menina

Chorava pela esquina

Seu amor que partiu.

Na correnteza do rio.

 

A tal menina chorosa

Sem a beleza da rosa

Perdeu o seu encanto,

E vivia só pelo canto.

 

Desgostou de poesia,

 Definhou em agonia.

E dizia: Não acredito

Neste mundo maldito.

 

Se eu perdi o pedaço,

Nada resta, que faço?

Alegria fugiu de mim.

Será esse o meu fim?

 

Mas menina de trança

Não perde a esperança

De rever o seu amado.

Deixar sua dor de lado.

 

Pobre, menina, pobre.

Um dia você descobre

Amor dos tempos idos

Ele nunca está perdido!

 

Peruíbe SP, 23 de novembro de 2025.

A NULHER DO...

 

Adão de Souza Ribeiro

A mulher padeiro,

Comprou carne.

 Do açougueiro.

Comprou açúcar.

A do usineiro,

Comprou frango.

A do granjeiro,

Comprou arroz.

A do lavrador,

Comprou pinga.

A do cachaceiro,

Comprou mel.

A do apicultor,

Comprou farinha.

A do farinheiro

Comprou peixe.

A do pescador,

Comprou leite.

A do leiteiro,

Comprou pão.

A do poeta,

Morreu de fome.

 

Peruíbe SP, 23 de novembro de 2025.

 

sábado, 22 de novembro de 2025

AMOR AMIÚDE

 

Adão de Souza Ribeiro

Foi no sonho tão lindo

Que eu feliz a deflorei.

Você a deusa e eu rei,

As harpas aplaudindo.

 

E no abraço apertado,

Você louca de prazer.             

Vê sua vida florescer,

Faz do medo passado.

 

Agora se torna mulher

Em toda sua plenitude.

Eu vou amá-la amiúde,

Amor do bem-me-quer,

 

Um querer feito louco,

O desejo sem medida.

Toque sem despedida

Um momento é pouco.

 

Quanto tempo perdido,

Você tão só ao relento

Agora, é seu momento

E vem dormir comigo.

 

O cheiro tem sua razão

Agora você é só minha

Não sabe ficar sozinha,

Longe do meu coração!

 

Peruíbe SP, 22 de novembro de 2025.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A CHARRETE

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Como vim parar aqui? Contra minha vontade, colocaram-me no túnel do tempo e me trouxeram no tempo futuro. Para mim, foi um choque, quando aqui me aportei. Tudo me pareceu estranho e me senti perdido no mundo, diferente daquele em que vivia.

                        A cidade toda iluminada, com faróis reluzentes; som estridente das buzinas de veículos fedorentos; árvores asfixiadas pela poluição; rios canalizados e turvos, sem vida; pessoas com pressa e correndo para não sei aonde. Confesso que me vi um peixe fora d´água e um pássaro fora do ninho.

                        Eu muito desesperado, quis embarcar no túnel do tempo e retornar de aonde não deveria ter saído. O povo que se diz evoluído, passou a me chamar de caipira e capiau. Os sabichões precisam de aparelhos ultramodernos para saberem sobre a mudança do clima, mas basta o caipira olhar na natureza, para saber o que vai acontecer com o tempo.

                        Lá de onde vim, as coisas simples da vida, encantam os nossos olhos e embriagam as nossas almas. Tudo nos remetem a um lugar de poesia e doçura, sem estar contaminado com as pragas maléficas do falso progresso. Aqui neste lugar, onde o túnel do tempo me trouxe, não se vive, mas vegeta-se. Ele transportou o meu corpo, mas, não a minha memória saudosista.

                        Lá na sagrada Terrinha, onde nasci e fui criado, a vida caminha lentamente e as pessoas desfrutam da singeleza do dia a dia. A casa é clareada com lamparina; a roupa é desamassada com ferro à carvão, o alimento é cozido no fogão à lenha e o futebol é jogado com bola feita de meia.

                        Ao observar as coisas da modernidade, vê que o transporte é realizado com carros velozes, as custas da degradação do meio ambiente. Já na Terrinha, a locomoção é realizada através de bicicleta, cavalo, carroça e charrete.

                        Eu lembro-me com carinho de José Antônio da Silva Gonçalves, o Carrapicho. Um homem simpático, extrovertido e muito solicito. Carrapicho exerce a honrosa profissão de charreteiro. O ponto de aluguel fica ao lado do “Bar do Otávio”, onde existem outros charreteiros.

                        Com a charrete e o cavalo alazão, bem arriado, Carrapicho ganha o pão de cada dia, para o sustento família. O trote compassado do cavalo, a longa crina bailando ao sabor do vento e a calda espantando as moscas, dão o ar de romantismo ao passeio dos assíduos clientes.

                        Ao passar por ruas esburacadas ou com pedras, o detalhe do molejo, amortece o balanço, proporcionando leveza ao passeio. A charrete é o principal meio de aluguel, que leva as pessoas pelas ruas e pelas áreas rurais do lugarejo.

                        Ao final do dia, Carrapicho dá um gostoso banho no cavalo Ventania e depois serve o feno colocado no cocho. Claro, sem esquecer da água cristalina e fria. Enquanto o parceiro se alimenta, o charreteiro saboreia a deliciosa cerveja, para espantar o cansaço.    

                        “Na minha charrete/ vai morena, vai mulata, vai loirinha/ vai mulher de toda cor./E com meu chapéu de couro duro, /Quando passo, todos gritam:/ Charreteiro do amor. / Vai cavalinho bom,/ Vai pela estrada além./ Nessa estrada enluarada,/ Galopando pela estrada,/ Bem juntinho do meu bem.” – música Charreteiro do Amor, de Bob Nelson.

Peruíbe SP, 19 de novembro de 2025.       

                          

                       

GUAIMBÊ, TERRA QUERIDA!

 

Adão de Souza Ribeiro

Guaimbê, terra dos meus amores,

Quantas saudades eu sinto de ti

E do céu de reluzentes estrelas.

Dos seus verdes cafezais em flor.

Quanta alegria abraçar suas ruas,

A linda praça diante da matriz.

O rio caudaloso onde o sonho,

Navegava nas tardes de domingo.

Sinto cheiro da comida da vovó

Feita no antigo fogão à lenha.

Guaimbê, terra dos meus encantos

Que nas calmas noites de lua cheia,

Brincava feliz de criança comigo

E cantava canções para eu dormir.

Das procissões com padre Antônio,

Das festas juninas, com quentão

Eu de olho no rosto da menina,

Meu Deus, quanto tempo bom!

Saudade do velho grupo escolar,

Onde aprendi escrever e soletrar.

No rádio, chorosa música sertaneja,

A mãe com gostoso chá de camomila

Para acalmar a minha dor e saudade

Guaimbê, você vive sempre em mim!

 

Guaimbê SP, 19 de novembro de 2025.

domingo, 16 de novembro de 2025

MENINO PEQUENO

 

Adão de Souza Ribeiro

Quando eu era muito pequeno

E queria um mundo encantado.

Brincava todo feliz no sereno,

Deixava tristeza quieta de lado.

 

Eu fazia da rua o lindo quintal

 E a felicidade não tinha limite.

A cidade com carinho fraternal

Sei que mundo igual não existe.

 

Dividia alegria com a molecada

Eu corria solto para lá e para cá.

Infância era uma longa estrada,

Iluminada com o brilho do luar.

 

Eu temia os mistérios do futuro,

Por isso os afugentava da mente

A vida não tinha o enorme muro,

O tempo era feito só do presente.

 

Eu só comia a fruta colhida no pé

E nadava nu na calmaria da lagoa.

Na casa da vovó tomava meu café

Crescia sem pressa, na vida à toa.

 

O menino pequeno, era uma ave

Que voava livre por todo sertão.

E se ela vai voltar, não se sabe.

Mas continua viva no coração!

 

Peruíbe SP, 16 de novembro de 2025.

 

 

 

sábado, 15 de novembro de 2025

NOSSO DESTINO

 

Adão de Souza Ribeiro

Mulher, sei que o tempo passa

E que a vida segue o seu rumo.

Logo a criança cresce, cria asa

E eu sou esse pássaro, assumo.

 

Sinto saudade daquele passado

Tudo era muito belo e simples.

Onde tudo era puro e sagrado,

E só alegria no rosto exprime.

 

Desfilava com cabelos negros

Que bailava ao sabor do vento

Olhava a tua beleza e perplexo

A cada gesto, eu ficava atento.

 

E contigo a vida era mais bela

O teu olhar com brilho sedutor

Desenhava o sonho de aquarela

Eu só queria chamar-te de amor.

 

Mulher, se ao te ver novamente

Lembrar da menina da infância.

O coração sorri de tão contente,

Se enche de paz e de esperança.

 

Vida é feita de sonho e destino,

Tempo passa, imagem continua

Tua beleza soa como puro hino

Te admiro, quanta saudade tua.

 

Peruíbe SP, 15 de novembro de 2025.

 

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

AMAR SEM PUDOR

 

Adão de Souza Ribeiro

Vou te possuir todinha

E saciar este teu desejo.

Pra deixar molhadinha,

Desvendar teu segredo.

 

Os sussurros e gemidos,

Te fazer a linda mulher.

E mil prazeres contidos

No alegre bem-me-quer.

 

Acariciar corpo ardente

E suado de tanto prazer

Com fantasia na mente,

Quando dia amanhecer.

 

Nós somos dois amantes

Só desejamos ser felizes

E nada será como antes,

Amor somos aprendizes.

 

No silêncio do teu sexo

Procurar só nosso gozo.

Como se faz num verso

Algo tão bom e gostoso.

 

Peruíbe SP, 14 de novembro de 2025.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O COICE DA VIDA

 

Adão de Souza Ribeiro

Já não andam meus pés

E a mão que não acena.

Por onde anda minha fé

São tanta luta e dilema.

 

Olhar que insiste em ver

A coisa simples da vida.

E olhar o sol amanhecer,

A beleza que a luz abriga.

 

E o sonho que adormece

No colo tão vazio da dor.

Se o corpo faz sua prece,

Que espera ver uma flor.

 

Corpo desafia o mistério

Aprende a viver sozinho

Pois se nada é tão sério,

Amanhã é só o cantinho.

 

O inesperado dá o coice

E sem qualquer piedade

Mutila a voz como foice,

Não respeita nem a idade.

 

Peruíbe SP, 03 de novembro de 2025.

 

domingo, 2 de novembro de 2025

O MEU MEDO

 

Adão de Souza Ribeiro

Mãe, eu tenho de errar

O caminho onde passo.

E nunca mais ver o luar

Também o forte abraço.

 

Acordo com o pesadelo

De perder aquele rumo

Isso tira a paz o sossego,

E joga no mar profundo.

 

Mãe, vivo amedrontado

Não durmo mais em paz

E me lembro do passado

Era criança e hoje rapaz.

 

Eu tenho medo de perder

O meu encanto e a beleza.

Se calmo o dia alvorecer,

E eu não olhar a natureza.

 

Mãe, mas eu tenho medo

Por isso, falo e não minto

Eu vou contar o segredo,

Tira logo desse labirinto.

 

Peruíbe SP, 02 de novembro de 2025.

 

sábado, 1 de novembro de 2025

SAUDADES DE MIM!

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu tenho saudades de mim.

Do tempo que era criança.

E caminhando pelo jardim

Com cheiro de esperança.

 

Quando ao abrir a janela,

Sorria para toda natureza

Pintava o céu de aquarela

A vida simples, só pureza.

 

Saudade daquele menino

E morando no meu sonho

Cantava o mais lindo hino

Eu era um infante risonho.

 

A rua embalava a alegria,

A casa de porta tão aberta

Não era a noite e nem dia

Tudo era lindo e só festa.

 

De mim tenho só saudade

Daquele tempo que partiu

Hoje eu não vejo a cidade

Que se vai na água do rio.

 

Peruíbe SP, 01 de novembro de 2025.