Adão de Souza Ribeiro
Quando estou enfadonho, vou para o sítio do meu avô, que fica no bairro Bondade, há cinco quilômetros da cidade. Durante o trajeto, contemplo a exuberante natureza, com suas matas, riachos e a linda fauna silvestre.
Ao caminhar pela estrada de terra, sem compromisso algum, vou pensando e repensando sobre as coisas da vida, que tanto assolam o ser humano neste mundo moderno. Embora eu tenha pouca idade, determinados acontecimentos tiram sobremaneira o meu sono.
Ali sozinho, acompanhado pela natureza e conversando comigo mesmo, parece que estou no caminho de Santiago de Compostela. Envolvido numa meditação infantil, eu resolvo as mazelas que não foram criadas por mim. Por essa razão, eu sofro muito.
A agonia do planeta, que corre o risco de ser dizimado; a devastação das florestas; as guerras como pano de fundo, para satisfazer a ganância humana; a adultização das crianças, eram parte da minha preocupação. O que fazer para frear o mundo, fazia com que eu perdesse o sono.
Certo dia, estando sol a pino, que me causava vertigem, resolvi descansar sob uma Oiti - Licania tomentosa - frondosa árvore, encontrada à beira da estrada. Enquanto descansava, eu ouvia o gorjeio de pássaros com plumagem colorida. Com aquele calor, ao ver o horizonte, parecia borbulhar como vapor na panela fervendo.
Enquanto me embriagava com aquela contemplação, eu notei que um menino da mesma idade que a minha, sentou-se ao meu lado. O infante trajava manta de cor branca como a neve; sandália nos pés; era de cutis morena; olhos azuis celeste; cabelos castanhos, encaracolados, na altura do ombro; voz baixa, mansa e firme; rosto com expressão serena; áurea pura e divina.
Não perguntei seu nome, nem de onde vinha ou para onde estava indo. Eu percebi que ele falava compassado e articulava bem as palavras. Ao confabularmos um diálogo próprio para idade, vi que demonstrava grande conhecimento sobre qualquer assunto.
Não demorou muito, para ele partilhar das mesmas preocupações que as minhas e que se sentia entristecido, com as atitudes da humanidade. Durante a conversa e no meio de uma reflexão, ele ponderou: “Deus, nosso Pai Celestial, está entristecido com sua criação. Logo, logo Ele irá dar um jeito neste povo rebelde e colocar a humanidade no devido eixo, ou seja, no caminho certo”.
À medida que a conversa se prolongava, aquele menino discorria sobre coisas que eu jamais imaginava ou pensava em ouvir. Então pensei: “Meu Deus, de onde vem tamanha sabedoria?” Eu que sempre fui um menino estudioso, não tinha tanto conhecimento como aquele menino de aparência simples. Eu confesso que fiquei encantado com aquele amiguinho.
A companhia daquele menino estava tão agradável, que esqueci do cansaço e nem vi a hora passar. O sítio do meu avô, que era bem distante, parecia estar perto demais. A bem da verdade, não queria que meu interlocutor fosse embora.
Eu estava aprendendo muito com os pensamentos e ensinamentos dele, pois era verdadeiro mestre. Passei a entender, com mais sutileza, os mistérios da vida e do ser humano. Ele disse: “Meu caro amigo, nem tudo está perdido, pois há solução para tudo nesta vida.”
Num momento inesperado, ele interrompeu o bate-papo e disse: ‘Meu adorado amigo, tenho que partir. Há muito que caminhar e espero que nos encontremos novamente para tão preciosa conversa.”
Com meus olhos, acompanhei seus passos, até sumir na curva da estrada de terra batida, De repente, causou-me tamanha surpresa quando, ao olhar para o céu e já na linha do horizonte, ver a imagem do menino caminhando entre raios de luz, tão belos e reluzentes.
Então, eu sendo um pobre mortal, tive a certeza de que o meu amiguinho era o Jesuscristinho. Ele veio para aliviar o meu cansaço físico e mental; para acalmar a minha alma e meu espírito; para que eu não perdesse a esperança na humanidade. Acima de tudo, para que eu soubesse que Deus é o Pai misericordioso.
Deus conhece o meu proceder, isto é, o comportamento e o coração, por isso, permitiu-me estar com o filho Dele. Aquele presente Divino, marcou para sempre a minha vida e o meu destino. Eu sou eternamente grato pela graça recebida.
A atitude do menino em não declinar seu nome, demonstrou a humildade e o desejo de não manifestar o poder que tinha. Ao agir assim, Ele quis sentir o interior do meu coração. Eu estou certo de que Jesuscristinho gostou de mim, tanto é, que disse que nos encontraríamos novamente.
Não comentei com ninguém, que estive com Jesus Cristo. Isso porque as pessoas iriam dizer que era um louco. Também, porque os padres e pastores poderiam explorar a aparição do Filho de Deus, para ganharem dinheiro e enganarem o povo humilde.
Eu estive face a face com o Salvador. Por isso, posso afirmar que não foi um delírio, uma divagação e uma ilusão. Amém!
Peruíbe SP, 16 de abril de 2026.
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