Adão de Souza Ribeiro
Lá pelas bandas do interior e naqueles cafundós, havia uma cidade de nome peculiar: Iace. Ela se fazia fronteiriça com minha idolatrada Terrinha. O nome da cidade, deveu-se graças à forma como o cicerone, um caipira apaixonado pela sua terra, apresentava o lugar aos curiosos visitantes.
Assim agia, apontando e valorizando cada coisa que compunha aquele lugar, num mundo encantado e perdido no interior do Estado. Hermenegildo, o cicerone, descrevia com tanta empolgação, que o turista imaginava nele residir.
Hermenegildo, cicerone e anfitrião, assim dizia: “Para que não houvesse violência, ali iace a Delegacia de Polícia; para que os fiéis pudessem professar a fé, sem importar com a nomenclatura religiosa, ali iace a igreja”.
Mais uma vez, em cada ponto que passava, dizia com entusiasmo e justificando o porquê de cada prédio, praça ou rua: “Ali iace o hospital. Ali iace a Prefeitura. Ali iace o campo de futebol. Ali iace a praça matriz. Ali iace o campo santo. Ali iace o grupo escolar. Ali iace o Fórum. Ali iace a Câmara. Ali iace a…”.
Se tinha um lugar abençoado pela natureza, na visão de Hermenegildo - o cicerone-, era a cidade de Iace. Ainda estava por vir, fora daquele pedaço de chão, a riqueza e a bem-aventurança. Pois cabia aos novos habitantes, plantar a semente de um mundo melhor.
Aos poucos e diante da narrativa daquele orgulhoso cidadão, a cidade foi ganhando forma e beleza. A cidade de Iace era uma bela terra para criar e educar os filhos; para formar o caráter de bons cidadãos; para fugir da violência dos grandes centros urbanos.
Pensando bem, na visão do anfitrião, a cidade de Iace era o lugar ideal para crianças vivenciarem a verdadeira infância, sem abrirem mão da inocência. Aos novos visitantes, Hermenegildo dizia: “Ali naquele varjão, iace um rio caudaloso, onde os peixes não temeriam a pesca predatória”.
Iace parecia ser projetada para ser a cidade do futuro. Eu creio que o leitor assíduo, ao tomar conhecimento da existência do lugarejo, está interessado sobre o endereço da cidade tão alvissareira. Posso garantir, que não se decepcionará ao visitá-la.
A cidade de Iace vai além da imaginação humana, porque ali estava a perfeição de um mundo jamais visto pelo povo da cidade grande. A cidade de Iace, vizinha da minha querida Terrinha, tinha uma beleza estonteante e sedutora. Quem a conhecia, certamente se apaixonaria loucamente por ela.
Ao término da emocionante descrição, proferida por Hermenegildo, o visitante manifestava o desejo de morar ali, porque imaginava viver no paraíso, ou melhor, no Jardim do Éden. Ou seja, bem longe das serpentes da maldade, pois ali só reinava a paz e a prosperidade.
Ainda bem que ela estava escondida aos olhos dos forasteiros e exploradores do bem estar social. Iace nasceu para abrigar o povo que sabe cuidar com amor, aquilo que Deus presenteou, sem nada cobrar em troca.
Por isso, a cidade recebeu o honroso e carinhoso slogan: “Iace, a cidade dos sonhos.”
Peruíbe SP, 15 de abril de 2026.
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