segunda-feira, 26 de outubro de 2026

VIGARICE

                                                                                               Fábio José da Silva


O vigarista não nasceu vigarista. Ele foi capacitado por um vigarista maior, que inculcou nele que a vida é  feita de atalhos, e que os trouxas são aqueles que trabalham, demasiadamente.

A astúcia e a canalhice, não são comportamentos reprováveis, mas condições  sine que non para não se tornar otário.

O vigarista difere do estelionatário, embora ambos queiram "se dar bem" em cima  dos otários, o estelionatário tem vítimas presenciais -  pessoas que almejam alguma vantagem.

O vigarista independe de cooptação de vítimas, eis que, muitas vezes ele se faz cooptar, por outros vigaristas mais abastados, firmando uma aliança circunstancial, negada quando necessário, saindo fora do brother. 

O estelionatário visa a vantagem material indevida, mas, nem sempre sente prazer em dar o golpe.

O vigarista se diverte com o golpe; é um debochado, ri com os trouxas e otários que acreditam nele, e que alimentam sua dispensa num  paraiso fiscal.

O vigarista está sempre na espreita, com elevada estima própria, mente com convicção, pois adota o velho  bordão do Goobels: uma mentira repetidas vezes, vira verdade (para os trouxas e otários).

O vigarista adora puxa-sacos, a quem destina algumas migalhas, pois também estes, para ele, são imbecis, querendo surfar na onda vigarista.

Estes são tão necessários, quanto descartáveis.

O vigarista se subjuga ao vigarista maior, seu guru, e atende todos os mandos do vigarista "mor".

Mas, não se engane. Ele não vai ceder sua rapina para o vigarista maior: ele vai ceder aquilo que ele tomou dos trouxas que acreditaram nele e coisas grandes, até raras.

O vigarista tem orgulho de suas trapaças, do poder que angariou, e não  enxerga ilicitude em seus atos, mas, uma realização intima de subjugar pessoas, de ser o melhor dos impostores.

O vigarista não é um narcisista clássico, mas quer que todo mundo se fod****

O vigarista não é um psicopata, tampouco um limítrofe da psicose; ele gosta de wiski, de mulheres belas e pouco sinceras, pois a pilantragem veste  Prada; as baladas e lanchas, são o ápice de sua bonança: lá, naquele ambiente dos salafrários,  ele pode dizer: "pra isso que existem os otários".

Enviado do meu Galaxy


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