Adão de Souza Ribeiro
Na idade média, quando os soldados partiam para a guerra, usavam lança, espada, escudo, capacete e couraça. Eles lutavam bravamente contra os inimigos e, por isso, eram muito temidos.
A confiança na vitória vinha das habilidades e das vestimentas militares, que os protegiam dos ataques repentinos e inesperados. Serviam a nação com amor, sacrificando a própria vida. Morrer pela pátria era questão de honra. Eles eram impiedosos, isso era fato.
Ao tomar conhecimento daquelas batalhas, onde os cavalos eram meios de transporte, vejo que o mundo, desde que é mundo, sempre houve inimigos à espreita da nossa fraqueza. Na luta selvagem pela sobrevivência, que vença o melhor.
Hoje, neste mundo moderno e desumano, nos degladiamos com inimigos invisíveis e imaginários. Eles são covardes e, por isso, lançam mão de subterfúgios e armas repugnantes. São desprovidos de moral e de empatia para com o próximo.
Meu nome é Juventino. Anos atrás, um grupo de facínoras, queriam que eu participasse da maldade deles. Como recusei, arranjaram uma “casa de caboclo” contra mim. Então fui condenado por crimes que não cometi.
Eu confesso que, a princípio, pensei em me vingar. Mas, aos poucos, fui me demovendo daquela ideia absurda..Por que temer, se afinal de contas, eu tenho um Deus? Um adágio popular diz: “A Justiça Divina, tarda mas não falha!”
Onze anos depois, eu tive a grata notícia de que dois dos meus inimigos foram condenados à prisão, por ordem da justiça terrena. Posso afirmar que a mão de Deus é pesada para aqueles que afrontam os protegidos Dele.
Desde a infância, eu sei que Deus não dorme, pois está sempre velando por nós. Por isso, descansei Nele o meu coração e esperei pela justiça. Um dia, a cobrança vem e a luz da verdade, há de iluminar a nossa alma. Com a força do Pai, eu vou me reerguer, creio.
“Eu entreguei o meu destino a Deus e roguei a Sua justiça e Ele me ouviu”, Juventino confabulou consigo mesmo. “Ele vai me dar longos anos de vida, para eu ver os demais se sucumbirem diante dos olhos de Deus.”, concluiu o homem injustiçado.
Eu devo ter piedade deles? Confesso que não sei, pois se não forem apenados, continuarão praticando a maldade contra as pessoas bondosas de coração. Acharão que prejudicar as pessoas faz parte da vida. Quem sabe, se forem trancafiados, repensarão o verdadeiros valores humanos.
Os soldados da Idade Média, quando saiam para a luta, conheciam seus verdadeiros adversários e, por isso, usavam as armas corretas. Por isso, torna-se duro lutar contra pessoas que se ocultam atrás de armaduras feitas de falsidade.
Eu vou continuar na batalha, para defender os meus ideais e aquilo que acho justo. Eu não vou me curvar aos pecados do mundo e nem prejudicar meus irmãos, para atender as minhas ganâncias. Não vou envergonhar o meu Deus, que tanto cuida de mim.
Deus é meu escudo e meu broquel! (Salmos 91:4).
Peruíbe SP, 21 de setembro de 2026.
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