Adão de Souza Ribeiro
Ela não tem um pudor
Nem papas na língua.
E por isso causa furor
Se ela parece distinta
O seu corpo tem fogo
Não se apaga nunca.
Quem deseja é louco
O amor não confunda
Ela deseja um macho
Para seu doce deleite
E ser só um capacho.
Que com ela se deite.
Se veste de granfina,
E desfilando pela rua
O andar não desafina
Parece uma cacatua.
Ela atrai a sua presa
Para seu belo ninho.
E a garra da tigresa
Devora o coitadinho.
Se pensa ser o dono
Dum corpo atraente
Não perca seu sono
Acorda se é tempo.
E se alguém cobiça,
Sua fêmea desejada
É somente uma isca
Lá vai na enxurrada.
Peruíbe SP, 13 de agosto de 2026.
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