domingo, 3 de maio de 2026

O FARO FINO (PARTE III)

                                                                                                                   Adão de Souza Ribeiro


A Corregedoria em conluio com bandidos intrujou objetos ilícitos na casa de um policial, com escopo de acusá-lo de crimes que ele não cometeu. Eles agiram assim, porque o policial não quis participar da corrupção liderada pelo delegado titular. Isso deixou Adriano hiper entristecido, mas, mesmo assim, ele continuou defendendo a população.

O acima narrado, demonstra o ambiente pernicioso em que um policial abnegado e honesto trabalha. Ele precisa ter princípios éticos e morais, para não se contaminar, pois a tentação é enorme.

               Num dos encontros e durante a conversa cativante, Adriano começou a narrar sua investigação de homicídio ocorrido na chácara “Recanto dos Sonhos”. que se segue:

Acabou de chegar na mesa de Adriano, o crime de homicídio ocorrido na chácara “Recanto dos Sonhos”. Consta que Cecília foi envenenada durante um churrasco em homenagem ao aniversário do esposo Silvio. Adriano soube que Silvio, o dono da chácara, era diretor do maior clube de futebol do país.

O local onde ocorreu a festiva, era frequentado pelos anfitriões, isto é, Silvio e Cecília, Rubens e Jéssica - empregados, a professora Eleonora, o churrasqueiro e piscineiro  Severino, o presidente do clube e dois jogadores. Se todos os presentes estavam ligados direta ou indiretamente à casa e a queriam bem a vítima, quem teria interesse em assassiná-la? 

Quando o crime ocorre intra lar, torna-se difícil investigar e desvendar. O fato de ver o autor preso, aumenta a dor dos parentes e, por isso, eles tentam protegê-lo. Adriano já trabalhou em casos semelhantes, o que exigiu muita técnica, tempo e tirocínio. Portanto, aquele crime não seria diferente,

Ele visitou o local do crime e notou ser um local aconchegante, desprovido de câmeras de vigilância, vizinhos próximos e ruas asfaltadas. No interior havia: a casa dos proprietários, do caseiro, piscina, ampla churrasqueira, jardim, plantas frutíferas, canil de rottweiler e estacionamento de veículos.

“Faro Fino”, conversou com todos os presentes, antes de deixarem o local. Adriano foi informado que a festa seguia normalmente até o fim da tarde, quando Cecília sentiu-se mal, sendo socorrida ao Pronto Socorro local e, posteriormente, ao Hospital Regional da cidade vizinha, onde, dois dias após, foi a óbito.

Posteriormente, os exames acusaram que ela foi morta por ingestão de “chumbinho”, resultado confirmado pelo Laudo Necroscópico.O veneno, por ser inodoro, é usado como raticida. Só após uma hora de ser ingerido, aparece o efeito.

As pessoas entrevistadas disseram que Silvio amava a esposa e que fazia todos os gostos dela. Já Cecília amava o esposo e era fiel e que, também, os empregados a admiravam. Diante das informações colhidas, quem teria motivo para assassiná-la?

Com a lista dos covidados na mão, Adriano conversou com Eleonora, que era professora de sua filha, portanto, uma conhecida. Ao usar o tirocínio, ele acredita que Eleonora, por conhecê-lo, poderá fornecer dados preciosos sobre o ocorrido.

Ela narrou que frequentava o local já há tempos e que, por isso, tinha amizade com os proprietários e empregados. Também traçou o perfil do casal. Ela disse que Jéssica, a esposa do caseiro Rubens era quem servia os alimentos e bebidas. Adriano quis saber se havia ratos na chácara, ao que ela confirmou que sim. 

Então “Faro Fino”, com permissão de Silvio, fez varredura no local e localizou o frasco com chumbinho, na casa de Rubens. Após o encontro, voltou a interrogar Eleonora, a qual pediu sigilo nas informações. Ela confessou que foi Jessica que colocou o veneno no suco de abacaxi com hortelã e deu para Cecília..

A empregada tomou aquela atitude, porque flagrou a patroa trocando carícias com Rubens e, para não prejudicar o emprego, não fez escândalo. No entanto, aguardou um momento oportuno para se vingar. 

O frasco foi encaminhado ao Instituto de Criminalística, sendo que o exame laboratorial confirmou a existência de chumbinho. Diante do depoimento de Eleonora, colhido com base na lei de proteção a testemunha, bem como, com o Laudo Pericial e Necroscópico, a autora foi interrogada.

O Laudo Necroscópico pode dizer se a morte foi instantânea ou se houve sofrimento antes; o tipo de objeto usado; se houve participação de  mais pessoas; se a morte se de deu por asfixia, esganadura, estrangulamento, afogamento; se houve defesa da vítima; se ocorreu em outro local de onde foi encontrado o corpo, etc.

A princípio, Jessica negou a autoria, mas, diante das provas colhidas, acabou confessando. Disse que agiu para se vingar da traição da patroa, a quem admirava e fazia de tudo para agradá-la. Durante o interrogatório, Adriano percebeu que ela não demonstrou qualquer arrependimento.

Após as formalidades legais, o delegado Benedito Estanislau, requereu a prisão preventiva, a qual foi deferida pelo Magistrado, titular da ação penal. Em razão daquela tragédia, Silvio demitiu o empregado Rubens.

Uma vez desvendado o crime, Adriano viu mais um trabalho compensado e acrescentou no seu currículo. Ele confabulou consigo: “A polícia não é um ócio, mas um sacerdócio.”  - 


Peruíbe SP. 02 de maio de 2026.

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