sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

CASO SOBRENATURAL

 

Adão de Souza Ribeiro

                        Há crença e a descrença.

                        Assim como há o dia e a noite, o sol e a lua, o crente e o ateu, o amor e o ódio, o belo e o feio, o rico e o pobre, o branco e o negro, o macho e o baitola, sendo que as dualidades da vida é que tornam o mundo cada dia mais maravilhoso, surpreendente e mágico.

                        Nunca me atrevi questionar a diferença das coisas existentes. Jamais debati sobre o gosto pessoal, religião ou futebol. Ao longo da vida, aprendi que todos são livres para pensarem e agirem de acordo com suas convicções pessoais. Se todos gostassem do verde, o que seria do amarelo?

                        Bem, esse preâmbulo é apenas o prato de entrada, para que eu possa começar a narrar um causo, que assucedeu lá pelas bandas da minha Terrinha. Por se tratar de um causo, o narrador não tem a obrigação de comprovar a veracidade do acontecido. Cabe ao assíduo leitor dar crédito ou não.

                        Lá na Terrinha morava uma família, isto é, Salustiano, Armelinda e o filho Casemiro. O varão era taxista e trabalhava com a VW-Kombi, sendo que a varoa era confeiteira.  Já o filho, nascera com paralisia cerebral severa, nível 5 e, por isso, se locomovia arrastando pelo chão.

                        O rapaz, por ser portador de necessidades especiais, tinha a voz inteligível, que só os genitores entendiam. A família era modesta e extremamente querida por todos os conterrâneos. Eles eram religiosos e tinham uma crença fervorosa na padroeira do lugar.  

                        Por serem provincianas e humildes, as pessoas do lugarejo acreditavam em tudo que ouvia. Por exemplo, acreditavam em assombração, lobisomem, disco voador, espírito sofredor, macumba, premunição e por aí se vai.

                        Os idosos, eram muito reservados e, por isso, não gostavam de falar sobre determinados assuntos, principalmente, aqueles que eram contra seus princípios morais ou religiosos. Evitavam comentar sobre aquilo que não compreendiam.

                        Certa feita, Salustiano foi contratado para fazer uma viagem até a cidade de Ribeirão Preto SP. Em razão disso, só voltaria no dia seguinte. Portanto a esposa e o filho, passariam a noite sozinhos e pelo fato de a cidade ser tranquila, o varão não se preocupou.

                        Tudo transcorria na mais Santa Paz. Aqui e acolá, só se ouvia o latido dos cachorros na rua, o chirriar da coruja no alto da cumeeira e o barulho dos galhos da árvore, balançando com o vento e a conversa de pessoas indo ou voltando dos bailes.

                        De repente, a monotonia e o silêncio da madrugada, isso por volta das duas horas, foi interrompido pelos gritos desesperados de dona Armelinda, vindos do interior da casa. Enquanto ela gritava e pedia socorro, misturado com o choro do rapaz, ouvia-se forte barulho de coisas caindo no interior do imóvel.

                        A vizinhança despertou apavorada. A especulação era geral sobre o que estava acontecendo. Quem estava do lado de fora da casa, notou que pareciam louças e alumínios sendo lançados bruscamente no chão. Havia um espírito maligno atormentando a família? Algo sobrenatural estaria se manifestando na escuridão do lar, daquela família tão apegada a Deus?    

                        Os gritos ensurdecedores e o barulho de objetos caindo, despertaram as pessoas, que se aglomeraram defronte a casa. Algumas mulheres começaram a rezar, como que querendo exorcizar algum espírito maligno. Como agir, pois, duas pessoas indefesas e mercê da sorte, corriam risco de morte.

                        Meu pai que era vizinho e meu tio, que morava do outro lado da rua, decidiram arrombar a janela do quarto, para encarar o mal de frente. Tudo estava escuro como um verdadeiro breu. Meu pai e meu tio, depois de solucionado o problema, narraram que a cena era aterrorizante.   

                        Um dos dois resolveu, ainda no escuro, abrir a porta da cozinha. Naquele momento, viram um vulto passar entre eles, em desabalada carreira, embrenhando na escuridão do quintal. Segundo eles, foi então que viram que se tratava de um gato enfurecido.  

                        Ao ascenderem a lâmpada, notaram que a casa estava toda revirada, com objetos quebrados no chão e armários tombados. A cena era de guerra e de destruição. Dona Armelinda, ao fechar a casa, não notou a presença do felino. De madrugada, ao tentar sair e não encontrando uma brecha para fuga, enfureceu.

                        É preciso entender, que gato é da família dos felinos,  tais como: tigre, lince, caracal, serval, guepardo, jaguarundi, leão, o leopardo, a pantera e a jaguatirica. Eles têm comportamento violento e traiçoeiro, principalmente, quando se sentem acuados. Não se sabe o porquê das pessoas quererem humanizar os bichos. Humano é humano e animal é animal.      

                        Até hoje, não sai da memória o causo (história), que agora ouso narrar. Com muita bravura e atitude humanitária, o meu pai e meu tio, conseguiram desvendar aquele caso sobrenatural ou vindo do outro mundo. Isso a NASA não mostra!

                                Pronto, contei e acreditem se quiserem.

 

Peruíbe SP. 16 de janeiro de 2026.

domingo, 11 de janeiro de 2026

RECORDAÇÕES NOSTÁLGICAS

 

Adão de Souza Ribeiro

                        O relógio da vida não volta no tempo. Esse é o lado mais triste da história e, por isso, só nos resta a recordação. Ao debruçarmos na janela do passado, expiamos a paisagem encantadora da vida, que desenhou e encantou toda a nossa vida.

                        A retina dos nossos olhos, vislumbra além do horizonte, a imagem inocente da infância, onde tudo era permitido, principalmente, brincar de ser criança. Nós fazíamos peraltices até o anoitecer. A cidade era pequena e a maldade do progresso não existia e, portanto, não havia contaminado as pessoas.

                        O povo caminhava tranquilamente pelas ruas descalças e empoeiradas. Os poucos carros que existiam, eram ximbicas e o único ônibus, era chamado de jardineira. O transporte era feito de carroça ou charrete. Os roceiros, quando faziam compras semanais na cidade, andavam a cavalo.

                        A nossa mãe cozia todo alimento no fogão a lenha e assava o pão no forno, construído no quintal. As saladas chicória, rúcula, lentilha, beterraba, brócolis, rabanete, espinafre, de alface, acelga, pepino, tomate, agrião, nabo, almeirão, bem como, refogados de berinjela, maxixe, quiabo, repolho, abobrinha, chuchu, couve, cenoura, cambuquira, dentre tantas outras, era rotina na mesa.

                        O café em grão, era torrado no torrador, num fogão a lenha improvisado no quintal. Depois com o moinho preso no canto da mesa, era todo moído. Em seguida, era coado no coador de pano, que era preso na “mariquinha”. O sabor era incomparável.

                        O leite preparado pela nossa mãe, era fornecido pelo seo Hermininho, o leiteiro que, em todas as manhãs, deixava na porta de casa. De vez em quando, para complementar o café da manhã, era servido cuscuz de carne seca, pamonha de milho verde, mandioca frita na manteiga, batata doce, bolinho de chuva, pão de alho, pão de torresmo e outros tantos quitutes caseiros, feitos com carinho.

                      A carne comprada no açougue do Davi Ansanelli, vinha do gado abatido no matadouro municipal. O mencionado matadouro, foi imortalizado na crônica "O último mugido".  

                       Num pequeno engenho, era moída a cana, de onde bebíamos a garapa. De vez em quando, nosso pai apanhava um porco do chiqueiro, matava-o e tirava a carne e a banha. Uma penosa (galinha) era sacrificada para o almoço de domingo. O alimento era todo natural. Nada continha de conservante ou hormônio.

                        A molecada subia nos pés de árvores, para colherem mexerica, tangerina, poncã, jambolão, coco, jaca, carambola, abiu, manga, abacate, laranja, goiaba, imbu, jabuticaba, uva e tantas outras frutas. Eles caiam ao pisarem em galhos pobres, mas isso era de somenos importância. Tudo era festa... tudo era farra... tudo era alegria.

                        O nosso avô esfarelava o fumo de corda, enrolava numa palha seca de milho e, por um longo tempo, ficava pitando (fumando) e tomando um gole de cachaça. O Duque – o cachorro de estimação -, ficava deitado ao lado do avô, apenas abanando o rabo. A vida não tinha um pingo de pressa.

                        O rádio de madeira, que funcionava a válvula, ficava em cima da cristaleira, tocando música forró nordestino, sertaneja raiz, romântica, pagode, ie ie ie, MPB, rock nacional, samba, bolero, jovem guarda, popular ou brega. As letras eram bem escritas e os ritmos agradáveis aos ouvidos dos mortais cidadãos. Não era como o lixo musical de hoje. Credo!

                        A nossa avó, uma senhora muito religiosa, tinha um altar no canto da sala. Ao pé da santa de devoção, havia o copo d´água, vela, hinário e o terço. Toda tarde, ela fazia uma oração, rezava o terço, o Pai Nosso, a Ave Maria e a Salve Rainha. Era o ritual sagrado, que demonstrava a sua fé inabalável em Deus. Encantávamos com tudo aquilo.

                        A molecada, juntava uma turminha para caçarem passarinho no mato. Para isso, levavam uma gaiola e atrelado a ela um alçapão. Na gaiola estava um pássaro, que servia de chama (chamativo) para atrair o pássaro incauto. Dentro do alçapão havia alpiste que também servia de isca. Quando a ave caia na armadilha, a alegria era geral.

                        Na cidade, sempre havia quermesse, folia de reis, desfile da independência, baile de carnaval, procissão da padroeira, roda de violeiros, festa de Cosme e Damião, futebol aos domingos, terreno baldio, onde se jogava bola feita de meia, bem como, festas natalinas. Vez ou outra, aparecia um parque de diversão, circo de espetáculo ou de rodeio. Não se ouvia falar em briga, por isso, a Cadeia Pública estava sempre vazia.  

                              Todas manhãs um caminhão, conhecido por pau-de-arara,  apanhava os trabalhadores rurais, chamados de boia-fria e levava para o sítio, a fim de colherem arroz, feijão, milho, café, amendoim, cana  e etc. As traias do trabalhador eram:: a enxada, o gadanho (rastelo), a moringa, o imborná contendo a marmita, garfo, faca, colher e fruta. No final da tarde, trazia as pessoas de volta a cidade, estando todas suadas e cansadas.

                        Na praça da igreja matriz, com jardim bem cuidado pelo jardineiro “João Caga Sebo”, as pessoas se juntavam a noite e os jovens flertavam entre si. A beleza do lugar, era admirado pelos moradores e visitantes. O jardineiro não deixava as pessoas colocarem os pés no banco. A praça sempre foi usada para eventos festivos e, por isso, era orgulho dos cidadãos.

                        Nas noites enluaradas, sentávamos na calçada e ficávamos ouvindo longas estórias contadas pelos nossos pais e avôs. Longas estórias de lobisomem, mula sem cabeça, saci Pererê, negrinho do pastoreio, Iara – mãe d´água e por aí se vai. Depois de tantas estórias de assombração, difícil era dormir à noite.

                        Na cidade, tínhamos o armazém do Takada, do David, do Achiles e dos Miotelos. Também tínhamos o bar do Mori, do Anami, do Toshio, do Otávio, o bar Pague Menos do Valdemar, do João Menino, o bazar da Valda, o salão de beleza da Ondina, o bazar do Alvino e o bar e bazar do Iwai. 

                              Não podemos esquecer da marcenaria do Dionísio Valenciano, da Sapataria Central, da Casa Aliança, da farmácia do Zeca, da Pensão Central, do açougue do David Ansanelli, da loja do Armando Abrahão e da loja do Nego Abrahão, do bazar do Arlindo, da Sapataria Gramostin do João, do Cartório de Notas do Benedito Valenciano, da quitanda do Josias Menino, da Casa Esperança, da barbearia do João Siqueira, da padaria do Onofre, da alfaiataria do Flávio Zanelato,.

                              Também é saudoso lembrar do Banco Bradesco, da oficina do Balbino e da oficina do Urbano, do grupo escolar “José Belmiro Rocha”, do Ginásio Estadual de Guaimbê, da loja de móveis do Ademir Souza e Silva, do Auto Posto Sanda, da Casa da Agricultura, do Centro Comunitário, da Cooperativa Agrícola “Sul Brasil”, da barraca do padre, da granja do Joaquim, da fábrica de calçados Helvetia, do cinema, da casa paroquial, da Casa Brasileira, do coreto na praça matriz, da Prefeitura, da Câmara, do cemitério,  e do IPPH.

                             Ainda continua na nossa retina, o clube de baile, a Coletoria Estadual, a clínica dentária do Rubens, a clínica dentária do Jorge Gemeinder, o fotógrafo Oshikata, o campo de futebol, a Delegacia de Polícia, a construção da maternidade, a CPFL - companhia de energia, a Central Telefônica. o ponto de taxi (esquina da Rua Duque de Caxias com Rua Rui Barbosa), o almoxarifado da Prefeitura, da chácara Jirsick, a chácara Helvetia, contabilidade do Adelson e da Escola Agrícola.

                                Por fim, tínhamos o Correio, a Igreja Anglicana, a Igreja Católica, a selaria do Toledo, a máquina de beneficiamento do Loosli, a oficina do Shiguero Takano, os bustos dos fundadores da cidade, a caixa d´água - saída para Júlio Mesquita SP, o Matadouro Municipal, a chácara Helvetia e a casa das primas (prostíbulo). Lembranças...só lembranças!      

                                    Na cidade, quando faltava energia, a casa era iluminada com vela ou lamparina, a base de querosene. Recordamos que havia um ritual na lavagem de roupa, a qual era feito na mão. Depois de quarar sobre a grama e secar no varal, era passada com ferro à brasa. Tudo era feito de forma muito rudimentar.

                                      Os cidadãos que nasceram no idos anos, entre 1960 e 1970, lembram do início do calçamento da cidade, cuja primeira fileira de paralelepípedos (sextavado), fora assentada defronte a Igreja Anglicana,  Com certeza, também lembram do início do calçamento da praça da Igreja Matriz. Nessa linha de saudade, lembram da torre de madeira, que ficava ao lado da igreja e sustentava o sino de bronze. 

                                    Quando as pessoas ficavam doentes, eram tratadas com ervas caseiras, tais como: dente-de-leão, alfavaca, alcachofra, canela, carqueja, melão-de-são-caetano, ginseng, cúrcuma, pata-de-vaca, quebra-pedra, moringa,  mastruz, beldroega, hortelã, poejo, losna, erva cidreira, capim santo, arruda, sabugosa, alecrim, limão, folha de laranja, camomila, tomilho, capim-limão, erva-doce, lavanda, sálvia, gengibre, jasmim, boldo, menta, malva, manjericão, etc. Também recorriam as benzedeiras, que eram duas no lugarejo. Os remédios químicos, chamados de drogas, eram pouco usados.   .

                                  As mulheres gestantes, quando do parto, eram atendidas a domicilio, pela zelosa parteira. Nos primeiros meses, isto é, durante a quarentena, chamada de resguardo, não lavavam a cabeça, não pegavam peso, não subiam escada, não andavam descalças e não saiam no vento. Elas eram alimentadas com comidas fortes, a saber: curau, pirão, mingau, etc. Inicialmente, os bebês era alimentados com leite materno, por isso, cresciam robustos.                            

                                    Se as mulheres ao amamentar o filho, tinham pouco leite, então usava chá de erva-doce ou feno grego, para aumentar a lactação. Para limparem o útero, tomavam água inglesa. Hoje as mulheres não se cuidam, haja vista,  que no outro dia após o parto, já estão frequentando bailes, tomando bebida alcoólica e comendo de tudo, sem cuidar do corpo. Por isso, envelhecem antes dos trinta anos.    

                             Se a tempestade chegava com forte ventania, relâmpago, trovoada e granizo, nossos pais apanhavam o ramo bento, adquirido na semana santa e jogava no terreiro, acompanhado de orações. O espelho era coberto com lençol, para não atrair raio. Esse ritual religioso, era para acalmar e cessar a fúria da natureza. Passado um tempo, o céu se acalmava. No fim da tempestade, o silêncio era ensurdecedor.

                                     As crianças e adolescentes, tinham um respeito enorme  com os pais, professores e pessoas mais velhas, pois tratavam de senhor ou senhora. Jamais os chamavam de você. Esta é a razão pela qual dizem: "Educação vem de berço". A escola ensina o conhecimento, porém, cabe aos pais, dar a educação.

                                      Ao dormirem e acordarem, pediam benção aos genitores. Se houvessem visitas na sala, as crianças não transitavam na frente das pessoas e não interrompiam a conversa. Bastava o olhar dos pais, para entenderem que estavam errados. 

                                 São tantas coisas, que aconteciam no passado e que nos levam as recordações nostálgicas. No espaço de uma dissertação, torna-se difícil enumerar todas elas. A infância e juventude de hoje, que ficam enfurnadas dentro de casa, reféns de aparelhos eletrônicos, não terão histórias para contarem a posteridade, ou seja, aos seus filhos e netos. Lamentável!                                                                  

Peruíbe SP, 11 de janeiro de 2026.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O PESADELO

 

Adão de Souza Ribeiro

A noite acordei de repente,

Bem no meio dum pesadelo

Tudo era confuso na mente,

O sono foi um desassossego.

 

Lá fora a tempestade e raio,

Devoravam nossa mãe terra.

Vida sofrida via de soslaio.

O mundo parecia em guerra.

 

Eu vi sumir minha Terrinha

Longe nas bandas do interior.

Por onde a linda moreninha,

A quem eu sentia tanto amor.

 

O mundo se tornou o deserto

Não havia povo nem floresta.

Tudo é solidão sem conserto,

Eu espiava o nada pela fresta.

 

Tudo se parecia com dilúvio,

E que enfrentou o velho Noé.

Ainda bem que foi só augúrio

De manhã o mundo está de pé.

 

Peruíbe SP, 09 de janeiro de 2026.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

FELIZ ADEUS

 

Adão de Souza Ribeiro

Adeus ano novo

Feliz ano velho.

O sonho renovo

Olho no espelho.

 

Adeus o amanhã

Feliz para ontem

A vida é façanha

Luta aos montes.

 

Futuro é incerto

Ontem conheço.

Longe é deserto

Viver tem preço.

 

Cadê o horizonte

Que nunca chega

Vou bem na fonte

Matar minha sede

 

Adeus amanhecer,

Feliz madrugada.

Eu não vou sofrer

Alegria não tarda.

 

Peruíbe SP, 05 de janeiro de 2026.

sábado, 3 de janeiro de 2026

MULEQUE PERALTA

 

Adão de Souza Ribeiro

Já domei o burro bravo,

Já tirei veneno de cobra.

E trabalhei feito escravo,

Coragem é que me sobra.

 

Nadei contra correnteza

Eu já furei o pé no prego

E já cometi tanta proeza,

Eu fui peralta e não nego.

 

Eu já caí de pé de manga,

Briguei na saída da escola

Já comi muita bugiganga,

E o lanche já fora de hora

 

Sumi com a hóstia sagrada

Antes de começar a missa.

Toquei sino de madrugada

Foi aquele maior rebuliço.

 

Corri com medo de boiada,

Pesadelo com o lobisomem

Coisa que hoje a molecada,

Nem imagina se ainda tem.

 

Peruíbe SP, 03 de janeiro de 2026.

CLIENTE DE SORTE

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu fui na padaria

Comprar o sonho

Encontrei a Sofia

Com jeito risonho.

 

Eu fui na farmácia,

Comprar o remédio.

Encontrei a Márcia,

E me tirou do tédio.

 

Eu fui na quitanda,

Comprar uma uva.

Encontrei Amanda

A mais linda viúva.

 

Eu fui lá na venda,

Comprar a farinha.

Encontrei Milena,

Ela estava sozinha.

 

Eu fui lá na feira,

Comprar o pastel.

Encontrei a Meire

No seu carrossel.

 

Eu fui lá na florista,

Comprar um buquê.

Encontrei Ana Rita:

Olá, como vai você?

 

Peruíbe SP, 03 de janeiro de 2026.

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

AS ESCOLHAS

 

Adão de Souza Ribeiro

E Joguei o futuro fora

Acreditei em mentira.

Se hoje o corpo chora,

Porque o mundo gira.

 

Para que vou remoer,

O que ficou para trás.

Pois para o alvorecer,

Só a luz é que satisfaz

 

A escolha tem o preço,

E isso faz parte da vida.

Por isso não aborreço,

Alma fica enternecida.

 

Com sofrer se aprende

Fazer sua escolha certa

Que nada surpreende,

Para cumprir sua meta.

 

Só há uma única chance

Não perca oportunidade

Vê bem longe e distante.

E antes que já seja tarde.

 

Não troque sua conquista

Com que parece duvidoso

Pois que parece que brilha

Pode ser algo tão nebuloso.

Peruíbe SP, 01 de janeiro de 2026.