quinta-feira, 9 de maio de 2024

A TEMPESTADE

 

Adão de Souza Ribeiro

Quem quer minha queda

Lembra que tenho Deus.

Sou forte como a pedra,

Ele cuida deste filho seu.

 

E se vier uma tempestade

O poder a muda de rumo.

Diante de toda a maldade,

Eu confio nele e assumo.

 

Vou atravessar o deserto

Com coragem que tenho.

O meu galardão é certo,

Sou um lutador ferrenho.

 

Jamais dou por vencido

Se a alma endemoniada

Quiser só brigar comigo

Verá minha fé inabalada

 

Inimigos cairão por terra,

Vai chegar minha vitória

Anjos vencerão a guerra,

Assim escrevo a história.

 

terça-feira, 7 de maio de 2024

MÃE, SAGRADA MISSÃO!

 

Adão de Souza Ribeiro

Lá vem ela, com sorriso,

Estampado no seu rosto.

E no olhar o lindo brilho,

Ela sabe do amor o gosto.

 

Quando a noite está fria,

Ela cobre o filho no berço.

Reza em paz a Ave-Maria                                   

Na mão segura seu terço.

 

Na hora certa dá papinha,

Nos braços a mãe balança

Troca o seu filho, sozinha.

Madrugada, não se cansa.

 

Se de repente filho adoece,

Ela prepara um chá caseiro.

O olhar dele já resplandece,

Sente a proteção no cheiro.

 

Sem ela notar, tempo passa

Filho cresce e parte a voar.

E ele foi em busca da caça

Feliz da vida singrou o mar.

 

Como Maria, mãe de Deus,

Que gerar, foi linda missão.

Sou grato em ser o filho seu,

Na manjedoura do coração!

 

Peruíbe SP, 07 de maio de 2024.

 

 

domingo, 5 de maio de 2024

UM DIA DE ROTINA

 

Adão de Souza Ribeiro

 

                        Minha mãe acordou bem cedo, para cuidar da casa. Meu pai também acordou bem cedo, se arrumou e foi para a roça, cuidar da lavoura. Já nós, seus filhos, dormimos um pouco mais e, ao acordar, fomos brincar de criança. A natureza acordou junto com meus pais, a fim de preparar um dia maravilhoso para nós.

                        Lá na rua da minha casa, seu Alfredo abriu a porta do comércio, para receber os assíduos clientes. Já de manhã, no jardim da praça matriz, o “seu” Caga-Sebo foi molhar as flores, antes do sol nascer. Dona Quitéria, nossa amável vizinha, madrugou para dar milho as galinhas e lavagem para os porcos. Da cama, podíamos ouvir o cacarejo das galinhas em festa.

                        Do alto do abacateiro, um bando de canários, cantavam a linda canção do amanhecer. O meu irmão caçula, ainda bebê, choramingou no berço, pedindo mamadeira e minha mamãe, prontamente o atendeu. Não demorou muito, para que nossa mamãe nos convidasse a levantar, pois a obrigação escolar batia à porta do quarto.

                        Enquanto nos preparávamos para ir à escola, a linda professora organizava o material didático, para ministrar a aula. Os meninos e meninas, assim como eu, só pensávamos os momentos de descontração, depois das aulas, no Grupo Escolar “José Belmiro Rocha”. Os coleguinhas enfeitavam as tardes, com suas incansáveis travessuras.

                        Lá na roça, meu pai capinava o cafezal, colocava veneno contra as formigas saúvas, ordenhava as vacas no curral, organizava os sacos de milho no paiol, dava banho e escovava o “Chá Preto” – o cavalo manga larga. Enquanto isso, minha mãe varria a casa, lavava a roupa, limpava os móveis e fazia a comida no fogão a lenha. Era tantos afazeres que, na maioria das vezes, não tinham tempo de se cuidarem.

                        De vez em quando, debruçado na janela da imaginação, eu ficava pensando na mesmice da vida. Ela passava sem que percebêssemos e crescíamos ao sabor do vento. Aos poucos, a vida ganhava um novo colorido. A rotina marcava a vida, como um impiedoso ferrão. A medida que crescíamos, enxergávamos o amanhecer, de um outro ângulo.

                        As meninas de corpo infantil, foi se delineando e pegando gosto pela puberdade. O amor platônico, sem eu notar, embora eu relutasse, foi se tornando mulher madura. E assim, foi se distanciando da minha ilusão e fugindo da minha doce rotina. Digo isso, porque todas as manhãs, tinha como rotina, vê-la desfilar suavemente pelas ruas do lugarejo.

                        Hoje, tem dias que pesaroso, pergunto: “ Por que crescemos e envelhecemos? ”.  A rotina da infância, era um manto sagrado, a nos proteger das mazelas da vida. Às vezes me perco em pensamento, procurando pelos meus pais, para que possam zelar pelo menino, que tem medo de envelhecer. A rotina ensinava, que tínhamos a obrigação de sermos apenas felizes.

                        De novo, eu queria levantar de manhã e ver meus pais já acordados e se preparando, para mais um dia de rotina. É cruel ver a velha rotina da infância se perder entres os dedos da fria realidade do futuro. Ah se eu tivesse o poder de mudar o tempo, voltaria a habitar na saudosa rotina da infância!       

                        Se para muitos era apenas mais um dia de rotina; para mim, era a maior demonstração de zelo e de carinho dos meus pais, para com os filhos!

 

Peruíbe SP, 05 de maio de 2024.

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 4 de maio de 2024

LINDA MORENA

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu conheci uma linda morena

Numa bela manhã lá na roça.

Era simples a formosa moça.

Uma verdadeira índia terena.

 

Por ela, eu fiquei enamorado

Sem querer tornou meu vício

Um desejo doentio e fictício,

Vem de longe e do passado.

 

Com olhar de menina caipira,

A fitar a pureza do meu sertão

Fez morada neste meu coração

E de felicidade a alma suspira.

 

Tem gosto de pecado seu corpo,

A candura do rosto me hipnotiza

No seu sorriso vejo raio e a brisa

Me rejuvenesce e me faz moço.

 

Não deixa nossa palhoça cabocla

E nem a eterna pureza do campo.

Se partir o coração fica em pranto

Embarga a emoção e a voz rouca.

 

Peruíbe SP, 04 de maio de 2024.

 

 

sexta-feira, 3 de maio de 2024

O SERTANEJO

 

Adão de Souza Ribeiro

Eu nasci no pé da serra

Onde mora a natureza.

E a felicidade lá espera

O dia em toda nobreza.

 

Eu sou o filho do mato

E vivo a vida sertaneja.

Eu desfruto do espaço

De fartura na bandeja.

 

A orquestra de pardais

Pousa bem no arvoredo

Saúda vidas madrigais,                                 

Da fé faz lindo enredo.

 

Eu me banho na lagoa,

Vejo o gado no curral.

Sem o amor da patroa,

Vivo triste e passo mal.

 

O meu mundo é a roça,

Sou o autêntico caboclo

E de tarde fico na choça

Vivo em paz seu moço!

 

Peruíbe SP, 03 de maio de 2024.

 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

O QUINTAL DE CASA

 

Adão de Souza Ribeiro

                              Aldo sentado num toco de árvore, pensou: “ Meu Deus, como pode o mundo inteiro caber no quintal da minha casa? ”

                        Aquele pensamento parece algo aleatório, mas não é. Todos os dias, em companhia dos irmãos e/ou dos amiguinhos, ele se perdia em brincadeiras infantis. Era tão prazeroso, que não percebiam o tempo passar. De repente já era noite e o sol foi dormir no leito macio e aconchegante do horizonte.

                        Enquanto brincava e dava asas às fantasias, Aldo contemplava o bailar das borboletas de cores multicores bailando numa linda coreografia, no firmamento. Os pássaros pousavam na laranjeira e cantavam hinos, agradecendo a natureza. No canto do quintal, havia o galinheiro, onde seu Pereira, um galo charmoso, cuidava das esposas penosas.

                        Aldo e todos ali, tinham medo de passar do portão para rua, pois o mundo lá fora era selvagem e perigoso. Tudo era completo no quintal de casa, pois nada contaminava a infância deles. Os pés de frutas, davam sombra e frutas à vontade. A cerca divisória, do quintal do vizinho, feita de arame farpado, agraciava com carrapicho e arranha-gato.

                        As meninas nos vestidos de chita e trança no cabelo, brincavam de casinha, onde confeccionavam bonecas de pano ou de espiga de milho. Com delicadeza feminina, faziam comida de mentirinha, com punhado de barro. No galho da goiabeira, o tico-tico preparava o ninho, para chegada dos filhotes. Tyson, o cachorro de estimação, deitado na sombra do abacateiro, espiava a molecada.  

                        No meio do quintal, havia uma torneira e junto a ela um batedor, onde a mãe lavava roupa e a colocava para quarar, na grama e sob o sol ardente.  À tarde, a mãe de Aldo preparava o lanche com cuscuz e leite para dar para molecada. Aquilo era uma festa danada, pois tudo era feito com muito carinho. O mundo inteiro cabia no quintal. E o quintal era um mundo de fantasia e alegria infantil.  

                        Os meninos de short, sem camisa e descalços se sujavam de terra e adquiriam anticorpos, contra todo tipo de doença. Consulta médica, era para os filhos de uma sociedade, cheia de Mimi e não me toque. Os brinquedos, eram entalhados em madeira, o que aguçava a criatividade. As diversões não vinham prontas.

                        Naquele tempo não havia a tal tecnologia e o amaldiçoado celular, que isola as pessoas e afugenta as crianças do direito de serem criança. A modernidade matou a inocência das crianças e criou verdadeiros monstros. O quintal de hoje, tem o tamanho da tela do celular, onde nada cabe. O mundo virtual não tem a delicadeza e a pureza do mundo do menino Aldo. Isso é lamentável!  

                        Por isso que, de vez em quando, o menino Aldo sentava-se no toco de madeira e buscava na memória, a imagem do quintal, onde cabia o mundo de fantasia do passado. A dança das folhas das árvores, ainda embalavam seus sonhos de menino, onde, um dia, a alegria fez morada. O quintal e o menino, eram inseparáveis amigos.

                        O portão do quintal da casa está fechado. Hoje o lugar é um museu e ao olhar por cima da cerca, vê-se que que lá dentro só há relíquia do mundo de Aldo, que cabia na imaginação e na fantasia das crianças da sagrada Terrinha. O povo preserva tudo aquilo, para que não se apague da memória daqueles que tiveram o privilégio de viverem naqueles anos dourados, que não voltam mais.

                        Enquanto houver um quintal dentro de nós, continuamos a ser crianças felizes!

 

Peruíbe SP, 02 de maio de 2024.

 

 

 

 

 

 

                                        

quarta-feira, 1 de maio de 2024

ESTRADA DO AMOR!

 

ESTRADA DO AMOR!

Adão de Souza Ribeiro

Quando eu te conheci

Não queria me apegar

E por que eu passei ali,

Se havia o outro lugar?

 

Lá havia outras meninas

Com beleza semelhante.

Acho que era minha sina

Ser o teu eterno amante.

 

E se eu perder meu juízo,

Não haverá a bela poesia                              

E do teu amor eu preciso

Para viver a linda fantasia.

 

Menina, eu não arrependo

De passar no teu caminho.

Hoje, este amor estupendo

Não me deixa tão sozinho.                                                 

 

Bendita a Terrinha sagrada

Onde, um dia, tu nasceste.

Até hoje, lembro da estrada

Lá onde o amor acontece!

Peruíbe SP, 01 de maio de 2024.