sábado, 21 de maio de 2011

PASSOS LENTOS

Tem dia que acordo meio depressivo. Quando meu espírito fica, assim tão frágil, saio a caminhar por ai. E sem eira e nem beira, passo por ruas, becos, ladeira e vielas. E nessas andanças, contemplo prazerosamente as paisagens à minha volta. Saboreio o movimento desordenado de pessoas, as andorinhas fazendo coreografias no céu, o barulho ensurdecedor de buzinas, as formas barrocas das casas em desalinhos.
Como saio sem rumo, não tenho pressa para retornar ao lar. Meu compromisso é apenas com o relaxamento físico e psicológico. O objetivo da caminhada é desintoxicar o fígado, pela ingestão dos problemas diários e rever fases da vida, como se fosse uma película de cinema. Nessas retrospectivas da vida, procuro compreender as transformações do mundo e das pessoas que me cercam.
Ao divagar com as cenas cotidianas, não percebo o tempo passar e a distância percorrida não me cansam os pés. Fico imaginando como seria o mundo, se as pessoas não tivessem pressa, se pudessem degustar com calma as belezas da vida, se fossem mais fraternas com os menos afortunados. Penso até que o paraíso está escondido na próxima esquina. Mera utopia!
De braços dados com a tristeza, caminho descalço pela areia da praia e contemplo a dança sensual das ondas do mar. Penso que o homem nasceu para ser livre e nada há que o impeça de ser feliz. De vez em quando, debruço na mesa de um bar e, sem perceber, beberico uma taça de Montila ou de Tequila. Então, compreendo que na minha cidade provinciana, as pessoas caminham em busca de liberdade, razão pelo qual os restaurantes, bares e lanchonetes estão sempre cheios.
Pena que nessa caminhada, descompromissado com a vida e com o mundo, encontrei diversas barreiras ao longo dessa estrada. Algumas, venci com certa maestria; outras, continuam intransponíveis, como rochas centenárias. Forças invisíveis dificultam minha jornada e me tornam infeliz. Mas como sou geminiano e tinhoso, não desisto. Sou xucro, como um coice de mula e, por isso, não desisto nunca. Ando devagar, porque já tive pressa e levo seu sorriso, porque já chorei demais.
Dentre tantas barreiras, a que mais me deixou inconformado ultimamente, é a ocupação desordenada das calçadas. Vejo cerceado o direito de ir e vir de cada cidadão, o que viola a Constituição Federal. Mas as pessoas, de cabeça baixa seguem a longa estrada (calçada), como se tudo fosse rotina. E os comerciantes, embriagados com o faturamento diário e com o boleto bancário, vencendo no fim do mês, ignoram o trote lento da boiada (povo).
Causa asco, saber que o poder público, vira as costas para os problemas cotidianos e rasgam o Código de Postura do Município (Lei Complementar nº 122/08). Ali reza que “deverá se mantida uma faixa livre na calçada pública de no mínimo 1.50 metros, contados a partir do meio-fio, em direção ao alinhamento predial (artigo 58, § 4º.)”. E, ainda, “quando a calçada apresentar largura incompatível com a manutenção da faixa livre, ficará proibida a colocação de qualquer obstáculo, exceto postes de rede elétrica (artigo 58, § 5º)”. Não bastasse isso, temos ainda, as calçadas construídas em desalinho, em aclive ou declive. Não podemos esquecer as calçadas esburacadas.
É preciso paz para poder seguir. Mas como seguir, sem encontramos cancelas e mata-burros, por todos os lados? E o que é pior, ninguém ouve o clamor de um povo adestrado e obediente e que não contesta as chibatadas daqueles que deveriam proteger os seus direitos. Sinto que seguir a vida, seja simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente.
Creio que a lei não pode ser uma letra morta. Por isso, estou certo de que ela deve ser cumprida à risca, em que pese à revolta daqueles que buscam vantagens pessoais, em detrimento ao interesse público e coletivo. Aqui não se discute quem está no poder e que, em razão disso, prevarica; mas discute-se apenas o dever de se cumprir a lei. Afinal de contas, diz a Constituição Federal, em seu artigo primeiro, diz: “Todo poder emana do povo e, em seu nome, será exercido”.
O povo deve unir-se em torno de um ideal e da defesa de seus direitos individuais e coletivos. Digo isso, pois, segundo Renato Teixeira (compositor) reafirma: “Cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz”.
Peruibe SP, 21 de maio de 2011

MEDO DE AMAR

Quando o amor bater à tua porta,
Pouco te importa se ainda é cedo.
Porque o ímpeto vento do desejo,
Muda teu doce sentimento de rota.

Assim, trôpego, triste, sem vida,
Vai sofrendo sem leme, sem rumo.
Como um barco perdido à deriva,
Longe da alegria, calado e mudo.

Porém, como tudo na vida se renova,
Se provardes o fel que tanto sonha.
Na vergonha de serdes um Casanova,
Busca afago no calmo colo da begônia.

Mas o amor tem lá seus mil segredos
E deles é que o teu coração sobrevive.
E se viveste instante de muito delírio,
É que foste feliz, sem trauma e medo.

Quanto, um dia, chegares ao teu ouvido
Que a pessoa amada partiu de repente;
Verá teu coração perecer lentamente,
Apunhalado pela ingratidão, já sofrido.

Peruibe SP, 16 de maio de 2011

segunda-feira, 7 de junho de 2010

FLUMINENSE? NÃO, LINENSE!!!

Mário Prata (Jornalista e Escritor)
1952. O que eu mais me lembro é do caminhão. Em cima, uma banda e um time de futebol. Os jogadores eram Inocêncio, Rui e Noca; Geraldo, Frangão e Ivan; Alfredinho, Américo, Washington, Próspero e Alemãozinho. O técnico, Renganeshi. E a banda tocava uma musiquinha que nunca mais saiu da minha cabeça.
"Você pensa que Linense é sopa?
O Linense não é sopa, não.
O Linense vem da Noroeste,
E é o pentacampeão!"
E o povo na rua cantava, gritava, chorava. Tinha seis anos, nunca tinha visto nada igual na minha vida. O caminhão estava chegando do aeroporto e os atletas viajaram pela Real Aerovias, diretamente do Pacaembu - onde haviam vencido a Ferroviária de Araraquara por tres a zero - diretamente, eu dizia, para a frente da minha casa na Rua Oswaldo Cruz. Tres gols do Américo Murolo, que logo seria vendido para a Itália. O Linense estava na Primeira Divisão. Foi há 58 anos.
E foi assim que eu comecei a gostar de futebol e torcer eternamente para o time da minha cidade, embora eu tenha nascido em Uberaba. Chegamos a golear o São Paulo, de Poy, De Sordi e Mauro; Pé de Valsa, Bauer e Alfredo; Maurinho, Albeja, Gino, Negri e Teixeirinha lá na frente. Quatro a um.
Mas a alegria durou pouco e em 1957, cinco anos depois, caimos. Foi duro. Chorei. Silêncio de "Maracanã de 50" na cidade. As ruas vazias, um oco na garganta. Meu pai ao lado do rádio olhando para o chão vazio. Minha mãe com lágrimas nos olhos.
E, de lá para cá, durante 53 anos quando me perguntam qual o meu time, ei digo:
- Linense!
- Quê?... Fluminense?
- Linense, de Lins!!!
E gozam da minha cara.
Gozavam!!!
Pois o Clube Atlético Linense, fundado em 1927, voltou no dia 24 de abril para a Primeira Divisão paulista, idiotamente conhecida como A1. Titulo este conseguido com uma rodada e meia de antecedência. E mais: com o artilheiro da Segunda Divisão, idiotamente chamada de A2 (para mim, parece nome de remédio. E a Quarta Divisão que se chamava B1). Aliás há bem pouco tempo estávamos na complexa B2 (ex-Quinta Divisão), junto com o Barueri, por exemplo. Eu falava do artilheiro. É o Fausto, que fez exatos 24 gols em 25 jogos disputados. Neste memorável 2010, era o artilheiro do Brasil até sábado. Neymar chegou a 25 somados tres campeonatos e muito mais jogos. Adriano?, imagina.
E no domingo, dia 2 de maio, quem é Linense e não mora mais lá, voltou para ver a entrega das faixas e da taça, no último jogo, contra o São Bernardo - outra excelente campanha. Um jogo de seis gols, tres para cada lado.
Dizem que a população de Lins está em torno de oitenta mil pessoas. Mas fora, somos mais de um milhão. Não havia mais quarto nos hotéis, não havia mais ingressos. Vi linenes que não via há quarenta anos. Estávamos todos abraçados, chorando. Viramos moleques novamente. Cadê meu estilingue, meu bilboquê, minha bola de gude e a de capotão? E onde foi parar o Cine São Sebastião, o Palácio Encantado da Noroeste? Cadê o bar do Raco, o sanduiche do bar do Mário? Onde está o padre Mário que levava os internos do Salesiano ao estádio, o Gigante de Madeira? Senti que estavam todos lá. Senti mesmo!
Você que é do interior está me entendendo. E você que é de São Paulo, torcedor dos times ricos, fique de olho. O Linense não é sopa, não.
Que nos aguardem o Santos de Neymar, o Palmeira do Marcos, o Timão do Chicão, o São Paulo do Hernanes. Eles estarão em Lins.
Durante os 53 anos, sempre tive ao meu lado namoradas, esposas, amigas e amigos, e depois filhos, que me acompanhavam naquela loucura de domingo ao ficar fuçando rádios cheios de chiados (e depois pela internet) para saber quanto foi o Linense contra o Elvira de Jacareí, pela Quarta Divisão, por exemplo. Me olhavam meio com o lado do olho, desconfiados que aquela paixão não iria levar a lugar nenhum. Mas eu sei que elas e eles também sofriam comigo. E torciam calados, talvez para não me darem muita esperança. Passavam a mão na minha cabeça.
Mas foram todos para Lins comigo, dia 3 de maio; minha mulheres, meus homens, meus filhos.
Depois do jogo, invadi o gramado junto com a multidão e chorei feito um moleque. De soluçar, sob o olhar atento dos filhos, corintiano e outro palmeirense. Agora, tenho certeza, também linenses.
E ninguém vai perguntar para eles:
- Fluminense?
Artigo Publicado no jornal "O Estado de São Paulo", dia 13 de maio de 2010, coluna Esporte, página E 2

domingo, 11 de abril de 2010

A COLHEITA


Aprendi desde a tenra idade, que há tempo para plantar e tempo para colher. Já naquela época, descobri que as fases da lua e as estações do ano exercem uma influência sobre a natureza e, em especial, nas plantações. Juntem-se a essa ciência caipira, a qualidade da terra a e forma de plantio. Qualquer descuido, o prejuízo é certo.

O tempo do plantio é árduo e exige persistência. A qualidade da muda, a formação das leras, o adubo, os insumos, os fungicidas e os pesticidas, a capinação, são detalhes que enriquecem a lida diária de que espera uma boa colheita. De sol a sol, o agricultor tece de esperança o futuro daquilo que sonha realizar.

As secas e as geadas, rondam a plantação e atormentam o sono de quem vive uma quimera. Nada escapa aos olhos de quem zela e ama o labor. Não esmorece diante das dificuldades e das intempéries do dia-a-dia. O tempo de plantio é rude e não perdoa os que esmorecem ao longo do caminho. Se acreditar no sonho, fará uma boa colheita.

Já o tempo da colheita, é prazeiroso e nos enchem de alegria. Quem lutou, embriaga-se com o fruto de tanta luta. O lucro é representado pelo volume da produção e pelos dividendos bancários. O parto da terra, traz abundância aos que nela buscam alento. Todos se regozijam do que se aflora dela. Não há como não cantar e não dançar a melodia da fartura.

O que difere esse tempo do outro, é a certeza de que valeu a pena acreditar. As dúvidas e as angústias, ficaram para trás. O cansaço e o desespero, não passam de um quadro pendurado na parede. Tudo é sonho, tudo é poesia. A tristeza ficou da porta para fora. O mundo gira em torno da alegria e da realização plena de quem lutou e venceu. De quem não fraquejou no meio do caminho.

Mas é preciso lembrar, que se não colher a tempo o fruto produzido, corre-se o risco de perdê-lo. A natureza encarrega-se de apodrecê-lo. Os pássaros famintos e os insetos, vem devorá-los sem piedade. Quando é chegada a hora, desprende-se do galho e a terra beijá-lhe a face. Após secar, a semente faz gerar uma nova planta. Esse é o ciclo natural da vida. Não há tempo de espera, porque ele urge e ruge.

O amor, sentimento mais nobre do ser humano, também tem o seu ciclo. Nele, há tempo para plantar e para colher. De nada adianta uma luta insana para germiná-lo e desenvolvê-lo se, quando da colheita, não o apanharmos no tempo certo. Não há que temer os conceitos e preconceitos da vida; assim como no fruto, não há que temer o apodrecimento ou os pássaros famintos.

Uma vez passado o tempo da colheita, não há que se reclamar do prejuízo causado ao coração e a alma. É certo que o relógio da vida não volta no tempo. Por isso, temos que ser zelosos na vigília, para não ficarmos debruçados na inércia de nossas ações e nem escondidos atrás de justificativas não convincentes. Depois de perdida a oportunidade, não podemos culpar a pessoa amada, pela nossa infelicidade ou pelas nossas frustrações.

Não devemos em hipótese alguma, adiarmos o instante do prazer pelo qual tanto sonhamos. Uma vez ao alcance de nossas mãos, não devemos deixar escapar por entre os dedos. Devemos aprender com a natureza: “Há tempo para plantar e há tempo para colher”.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O FLUMINENSE JOGARA COM O LINENSE?


Mário Prata

Estou escrevendo esta crônica na segunda-feira de manhã, depois de passar a tarde de ontem acompanhando a última rodada do Brasileirão, na casa de Mateus Shirts (eliminado corintiano), num show de imagens da Rede Bandeirantes.

Há menos de 24, portanto. Mas já passei a noite e parte da manhã tentando imaginar como é que vão fazer para o Fluminense não disputar a segunda divisão. Claro, óbvio ululante, que o time não vai cair. Duvi-de-o-dó.

Assim que terminou a rodada, liguei para o Chico Buarque, um dos tricolores mais fanáticos que conheço. Ele não estava em casa. Marieta Severo (e um pouco severa) não queria acreditar nas minhas palavras: “Mas e o Criciúma, não caiu?”. Não, foi o Fluminense. “Meu Deus!!!”

O que eu queria era brincar com o Chico. Afinal estava começando a existir a possibilidade do time dele enfrentar o meu glorioso Elefante da Noroeste, o meu Linense. Aliás, Chico nunca escondeu a sua condição de torcedor do Linense, nas segundas divisões. Por ser poeta, talvez por uma questão de rima. Mas talvez não seja esta a solução.

Disse lá em cima o “óbvio ululante”, frase cunhada pelo fluminense Nelson Rodrigues que, se vivo estivesse, morreria num boteco da Lapa.

Mas voltemos aos cartolas (Cartola era Fluminense?) do Rio de Janeiro e do futebol das Laranjeiras. Devem estar todos agora reunidos bolando uma solução bem carioca para o caso.

Talvez até mesmo sugerir ao ministro Pelé que o Chico faça uma nova letra e música para o Hino Nacional em troca da permanência da equipe entre os grandes.

Ou mesmo o Ricardo Teixeira pode pedir ao sogro que baixe uma portaria lá na Suiça proibindo, neste ano, o descenço em todo o planeta.

Já ouvi falar que o Chedid (qualquer um deles) quer comprar o Fluminense. Ele entende de segunda divisão: Novorizontino, Ponte Preta e Bragantino.

Pode-se pensar, também, na hipótese de aumentar o número de times na primeira divisão como já fizeram nos anos 70. Noventa e quatro times. O Flu estreava contra o Arapiraca. No lugar do Fla-Flu, um Ara-Flu pra ninguém botar defeito.

Outra idéia boa, meio baiana: provar, no velho e bom Tapetão, por a mais b, que o Fluminense que foi rebaixado era o Fluminense de Feira de Santana. O do Rio, nem no Brasil estava durante o campeonato.

E que tal se os cartolas sugerissem que este ano caia metade dos times? O Campeonato Carioca passaria a ser chamado de Segunda Divisão. E ainda contaria com jogos contra o Santos, por exemplo, que sempre se deu muito bem no Maracanã.

Antes de terminar, queria declarar que sempre fui Fluminense no Rio de Janeiro. Desde criancinha. Talvez por aquela mesma rima que já citei. Mas naquele tempo era de Castilho, Píndaro e Pinheiro. Tinha um ponta magrinho e ligeiro chamado Telê. Teve Didi, teve Gerson, teve Doval.

Fique triste não, Chico. Disfarce a dor e faça um sambinha para os nossos Nenses. Rima é o que não vai faltar. E, no dia que os nossos times jogarem, lá no Gigante de Madeira, em Lins, vamos torcer juntos. Para os dois.

Um dia, voltaremos. Se é que hoje, quarta-feira, o Fluminense já não tenha dado um jeito na sua vida.

Do livro “ 100 Crônicas” - Paginas 221/222 – Editora “O Estado de São Paulo”

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SONETO A AGMON

Quem tem um amigo, filho meu, -
Dizia calmamente meu velho pai –
Ganhou um rico presente de Deus
E não é estranho por onde vai!!

O amigo é uma luz na escuridão,
Uma mão a nos tirar de abismos,
Um sim de amor a sobrepor um não
E um irmão sem qualquer lirismo.

Por isso, meu caro amigo Agmon,
Desejo que esta sincera amizade
Perdure ao longo de nossa vida.

Para que na grande adversidade,
Possamos dizer imunes de dúvidas:
“- Fui feliz, tive um amigo bom!”

Campinas SP, 05 de outubro de 1981

FILHA DE IRACEMA

Falar de ti, mulher,
É pronunciar frases inesquecíveis.
Lembrar de ti, fêmea,
É recordar das coisas belas da ida.
Caminhar contigo, companheira,
É trilhar nos passos da humildade.
Sonhar contigo, fada-madrinha,
É reviver as doces ilusões de criança.
Olhar para ti, minha amiga,
É ver a alma dos puros de coração.
Cantar a ti, moça,
É reconquistar a paz que se perdeu.
Poetar em ti, ó minha musa,
É imortalizar uma pedra preciosa.
Abraçar a ti, criança,
É ninar o corpo do futuro.
Chorar por ti, coração feminino,
É banhar a face de eternos júbilos.
Morrer sem ti, minha doce esperança,
É dormir no leito frio do abandono.
Sorrir contigo, aurora da vida,
É espalhar alegria pelo vento.
Amar a ti, minha sereia,
É navegar num mar de felicidade.
E conhecer a ti, Filha de Iracema,
Foi encontrar o verdadeiro amor!

Campinas SP, 25 de novembro de 1982