terça-feira, 15 de dezembro de 2020

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

  Adão de Souza Ribeiro

 Brincadeira de criança, como é bom

Viver a vida, sem nunca sair do tom.

Faz da infância, o momento divino,

Cheio de alegria e sonho, um hino.

 

Tudo repleto de amor e adrenalina.

Sorriso e o tombo em cada esquina

Na corrida com carrinho de rolimã,

Era a vida da molecada de manhã.

 

A rua bem calma e de chão batido

Na infância, tudo ali fazia sentido.

Nada de tristeza, tudo tem a graça.

Passa o tempo, a saudade não passa.

 

As meninas com suas bonecas milho,

Menino no faroeste, bom no gatilho.

As histórias da avó, uma linda dança.  

Como é bom, brincadeira de criança.

 

Peruíbe SP, 15 de dezembro de 2020

domingo, 13 de dezembro de 2020

PÉ DE MANGA

 Adão de Souza Ribeiro

 

Debaixo do velho pé de manga

Sozinho e assim bem quieto

Chorava ali a minha pitanga

No chão, rabiscava o verso.

 

Plantas, a felicidade e a paz

Naquele quintal do meu avô

E fiz da infância algo fugaz

Passou à vida, saudade ficou.

 

O quintal era o meu mundo,

No fundo eu era dele, o Rei.

Mas a terra gira, gira mundo

Hoje por onde ando, não sei.

 

Como era tão forte a tua raiz

Galhos firmes dando abraço.

Sob as sombras eu era feliz,

Dormia no caule, o regaço.

 

Ainda a mesma casa e a rua,

O quintal não sei como está.

Ó pé de manga, saudade tua

Um dia sei que volto para lá.

 

Peruíbe SP, 13 de dezembro de 2020.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

ANDANÇAS

 

Adão de Souza Ribeiro

Vou arrumar as malas, sair por ai

Assim sem destino, sem um rumo

Sem tempo para chegar ou partir,

Fugir das regras e perder o prumo.

 

Dormir ao relento, sem esse apego

Comer as frutas na beira da estrada.

Viver cada momento. Tarde ou cedo

Fazer tudo que apetece e me agrada.

 

Já cansei e de ser puro e tão correto

Eu preciso descobrir novos mundos.

Estou cansado das mesmices, certo?

Busco os sentidos mais profundos.

 

Não desarrumo as malas de viagem

Porque não sei para onde é que sigo

Nas minhas andanças e na paragem

A vida é que me leva e não o amigo.

 

Peruíbe SP, 09 de dezembro de 2020.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

VIDA, CADÊ VOCÊ

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Vida, oh minha doce vida,

Diga por onde você anda.

Procurei-te na roça, na vila

Sala, quarto e lá na varanda.

 

Percorri por toda floresta

Em cada canto do quintal

Agora nada mais me resta

Sei, fugiu com o vendaval.

 

Vida, oh minha coisa linda,

Clamo. Eu te quero só aqui.

E antes que a tarde se finda

Venha logo e me faça feliz.

 

Por favor, não me abandona.

Dá-me, pois, um leve sorriso.

Diga baixinho: Sou sua dona

Porque é disso que eu preciso.

 

Vida volta para nossa casa

Carrega-me neste teu colo.

Eu sou um pássaro sem asa

Creia. Longe de ti, eu choro.

 

Vida, minha linda amante,

O teu cheiro cheira absinto.

Agora e também doravante

Cuidarei de ti, eu não minto.

 

São Paulo SP, 05 de dezembro de 2020.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

NEM PECADOR, NEM SANTO

 Adão de Souza Ribeiro

 

Por que este dedo em riste

Não sou pecador, nem santo.

Meu amor não tem limite,

Não sei porque te amo tanto.

 

Se peco, porque te quero.

Se clamo, porque te gosto.

Mulher, deixa de lero-lero

Vem e deita no meu colo.


Tenha piedade, menina.

Sofrer, não aguento mais.

Amar será a minha sina.

O que passou, tanto faz.

 

Deixa beijar tua boca

E tocar neste teu corpo

Uma noite só, será pouca

Se não te amar, fico louco.

 

Se for minha, isso eu bem sei

Mulher de Pompéia ou Athenas

Digo que te prometo, por Deus,

Por você, farei tudo valer a pena!

 

São Paulo SP, 04 de dezembro de 2020

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A PRINCESA E O PLEBEU

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Como pode, um menino pobre,

Amar princesa de sangue nobre

Isso bem lá naquela antiga terra

Seria luta insana, a longa guerra.

 

Por ser nobre, um menino rico,

Desejava ela até correndo risco.

De triste romance, um fadário.

Ele meu parceiro, no primário.

 

O tempo passou, faliu o reino.

Princesa não mais, foi janeiro.

Menino pobre, hoje o escritor.

Que insiste em falar de amor.

 

Mas o reino do faz de conta,

Conta que o sonhar desponta

 A vida para as coisas belas,

Até sem a princesa Florisbela.

 

Trata-se de conto moribundo,

Entre a Dama e o Vagabundo.

Mas o reino já até escafedeu,

Só restou o sonho do Plebeu.

 

Peruíbe SP, 27 de novembro de 2020.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

AMOR QUE IDOLATRA

 

Adão de Souza Ribeiro

 

Esta noite tive um sonho lindo

Lindo que merece ser contado

Veio para mim bela e sorrindo,

Então sentou feliz a meu lado.

 

De lado deixei a velha timidez

Ali confessei a idolatria por ti.

E o coração pela primeira vez

Sentiu-se demais aliviado, vi.

 

Depois de anos de tormenta,

Pedi a Deus para te esquecer

Amor ilusório vem fomenta,

Que inexiste entre eu e você.

 

Aquela menina linda e pura,

Que me encantei na infância

Não passa de sonho, tortura.

Estrela lá no céu á distância.

 

Teu nome será um segredo,

Medo que descubra a cidade

Se morrer de amor bem cedo

Levo-te no peito à eternidade.

Peruíbe SP, 25 de novembro de 2020.